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sexta-feira, 5 de maio de 2017

Vogue Índia, mas que raio?!

A Índia é um país muitíssimo pequeno e com pouquíssimos habitantes. Consequentemente, tem pouquíssimas personalidades como modelos, actrizes e afins. É essa a razão pela qual a personalidade escolhida para a capa do décimo aniversário da revista Vogue Índia é Kendall Jenner. Quem visse este post e depois o outro sobre a Pepsi, diria que eu tenho algo contra a rapariga. Nem por isso. Tenho é senso comum. Mas há marcas que não.

Afinal de contas estamos a falar da Índia, onde a indústria de cremes branqueadores de pele ultrapassa as vendas da Coca-Cola (e talvez também da Pepsi... olha-me eu a ser agressiva). Faz toda a lógica, por isso, expor na capa de uma publicação num país maioritariamente de pessoas de tons dourados e até com tonalidades de chocolate de leite, publicação essa dirigida a indianos (como é que eu sei? há Índia no nome da revista), uma modelo norte-americana de pele branca, fotografada por um fotógrafo peruano, Mario Testino.

Há tanto para falar em relação a este assunto, mas a burrice e a ignorância são coisas cansativas. Isto é uma exaustão. Alguém me explique o que se passa com o mundo, porque eu certamente não entendo.

Antes deste, houve este:

Vanessa

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Nem vais acreditar neste post sobre clickbait. É mesmo incrível!

Clickbait, qualquer coisa como isco de cliques em português, consiste em cativar o clique dos cibernautas através de frases cativantes. Normalmente isso traduz-se em afirmações polémicas e imagens controversas.

Os sites que recorrem ao clickbait precisam de captar a abertura das suas páginas, porque é disso que vivem os autores dessas páginas. As visualizações de página são importantes pelos anúncios aí presentes.

Enquanto que as manchetes já tentavam cativar os leitores com as "gordas" e sempre existiram estilos considerados sensacionalistas semelhantes aos exemplos de clickbait de hoje, a internet mudou o cenário.

Hoje em dia é muito mais comum jornais credíveis recorrerem a títulos sensacionalistas na internet para cativarem visualizações mesmo que as edições em papel mantenham a integridade de antigamente.

Não me afecta de modo algum que isso aconteça desde que a o título não contenha afirmações duvidosas. Também não me afecta que as páginas incitem os títulos com comentários do género "nem vais acreditar na sexta razão pela qual as mulheres vão dominar o mundo" (totalmente fictício e acabadinho de criar).

Sei que para desfrutar de conteúdo gratuito para mim não posso criticar certos meios de comunicação de tentarem extrair compensação de onde podem desde que não deturpem aquilo que noticiam para enganar a audiência. O problema é que muitos o fazem, com aguçado engenho que às vezes passa despercebido.

Exemplo, o Semanário Online publicou um artigo com o título "Fátima Lopes - Grávida" no qual mostra fotos de quando a apresentadora estava grávida, apesar de não o estar neste momento, como o título dá a entender.

O Jornal de Notícias, o Jornal Económico e o Expresso escolheram colocar num título que a família da jovem que morreu de sarampo é anti-vacinas. Apenas se sabe que não levou mais vacinas depois de uma reacção alérgica em pequena. Não há declarações da família, portanto o título é especulação.

O Jornal i diz, "The Smiths. Há uma luz que se apagou para sempre." Bem dramático, mas a banda disse que não planeia regressar. Não disse que era para sempre. Mais uma vez, um título especulativo.

Podia dar mais exemplos, porque é o que mais há nas páginas de redes sociais. O clickbait torna-nos propensos à apatia, porque com tanto título dramático e controverso há mais tendência para não acreditar à primeira ou para deixar de levar a sério casos graves. Para mim é esse o problema do clickbait.

Vanessa

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Pepsi, mas que raio?!

Não sei se viram o último anúncio da Pepsi com Kendall Jenner, mas eu vi e não gostei. A Pepsi usou como temática os protestos que temos vindo a ver nas notícias, juntou-lhe uma Kendall Jenner e umas latas de Pepsi, algumas caras e cartazes genéricos, e depois um momento icónico com a Kendall Jenner a oferecer a bebida a um polícia. O anúncio parece caricaturar questões modernas importantes e quase chega a parecer uma sátira, como se a resolução de um dos problemas em cima da mesa fosse tão simples como beber um refrigerante.

Eu que sou fã de Pepsi fiquei desiludida. Sem conhecer a equipa por detrás do anúncio, arrisco dizer que um dos problemas que os protestos representam na vida real é a falta de igualdade racial, o que ficou comprovado porque com certeza não deve haver um único negro(a) na equipa de marketing que criou esta publicidade. 

Por falar nisso, não há nenhuma mulher negra no anúncio senão aquela que está a fazer de assistente de Kendall Jenner na sua sessão fotográfica fictícia, a mesma que depois leva com a peruca loira que a modelo atira para trás para ir protestar. E por falar em protestar, o que pode uma socialite ter para protestar? Ainda para mais uma celebridade que apenas o é porque uma das irmãs saltou para a ribalta devido a uma indiscrição e que nunca antes se tinha pronunciado acerca de protesto algum? Se houvesse pior pessoa para representar uma geração e suas angústias, a Pepsi tê-la-ia escolhido, com certeza. Foi essa a impressão com que fiquei da marca.

Já agora, para quem não viu:



Vanessa

terça-feira, 7 de março de 2017

O Efeito Mandela: Shazaam vs. Kazaam

Kazaam é um filme de 1996 no qual Shaquille O'Neal (ex-basquetebolista norte-americano) é um génio da lâmpada nos tempos modernos (os tempos modernos de 1996, claro). Shazaam é um filme de 1994 no qual Sinbad (nome artístico do comediante norte-americano David Adkins) é também um génio da lâmpada. 

Porém, um dos filmes aparentemente não existe. Se procurarem na internet, verão que Shazaam está apenas guardado nas memórias de quem (pensa que?) o viu, porque provas físicas da sua existência não as há. Mas não se tratam de memórias vagas que possam ser tomadas como mera confusão com Kazaam e não é apenas um punhado de pessoas que se lembra desse tal Shazaam (nenhuma relação com o Capitão Marvel).

Sinbad diz que não protagonizou nenhum filme com esse nome. A única foto do actor vestido de génio a circular pela internet é de um outro evento. Com excepção deste site, fácil de forjar, diga-se, não há imagens do filme, nem posters, nem cassetes. O que há é muitos depoimentos de pessoas que dizem ter visto o filme e a maioria dos relatos coincide. Shazaam é um génio incompetente que é liberto por duas crianças que lhe pedem o desejo de que o pai viúvo se volte a apaixonar. Há quem refira que só conhece o comediante por causa do filme.

Além de outros detalhes do filme, alguns de pessoas neste artigo que têm a certeza de que não foram influenciadas por outros relatos que tenham lido, incluindo o de o funcionário de uma loja de aluguer de vídeos que viu o filme várias vezes na loja onde tinham sido encomendadas duas cassetes, há ainda fóruns de discussão online, incluindo o Reddit, com vários outros pormenores e contexto. E depois isto:

A imagem é um print feito por mim the uma página de Facebook sobre o Efeito Mandela onde este tal Jamie Campbell diz ter feito parte do elenco do filme, nomeadamente interpretando um taxista que conduz Shazaam pelo meio do trânsito. A página pode ser vista aqui. Há muitos mais detalhes sobre o filme na conversa.

Isto aparenta ser um exemplo do Efeito Mandela, sobre o qual já escrevi aqui com mais informações sobre o que é e ainda outros exemplos. Provavelmente nessa publicação misturei o fenómeno em si com o conceito de memórias colectivas falsas, mas para alguns o Efeito Mandela é uma memória verdadeira, só que de uma realidade paralela ou de algo que nesta realidade tenha sido de alguma forma apagado da história.

A dúvida sobre a existência de Shazaam e a certeza de outros sobre a sua existência não deixa de ser algo curioso. Afinal existiu ou não existiu? Que explicação racional poderá haver para deixar de ter existido, a acreditar naqueles que relatam ter visto o filme? Poderá ter sido apagado da história por ter sido destruído num tempo anterior às cópias digitais? Será que vivemos numa simulação? Será que há alguém a reprogramar o passado?

Kazaam eu vi, mas de Shazaam não me lembro. Os actores principais de ambos também não são particularmente parecidos. Talvez num país que não os Estados Unidos seja mais fácil comprovar a existência do filme, especialmente se lhe tiver sido atribuído outro título, por exemplo. Alguém aí se lembra do filme?

Mais sobre o Efeito Mandela.

Vanessa

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Tendência cibernética | Eugenia Cooney

É youtuber, norte-americana e estima-se que pese 27 quilos. Eugenia Cooney conta com mais de 800 mil subscritores e mais de 82 milhões de visualizações no seu canal no YouTube, onde o público-alvo são os adolescentes. Eugenia, de 22 anos, é mais magra do que as primeiras imagens que representam anorexia quando se procura por elas no Google, mas a youtuber diz que a sua magreza é natural e que está bem de saúde.

É certo que há sempre um novo drama na internet, que move as massas e causa reboliço. Este caso acredito que valha a pena debater. Foi criada uma petição para retirar temporariamente o conteúdo de Eugenia do YouTube uma vez que a jovem "tem vindo a influenciar espectadores" com a sua aparência, que tem vindo a piorar desde o início do canal, mas a qual a youtuber mostra "como se não fosse nada" em nome da fama online.

A maioria dos comentários recentes nos vídeos de Eugenia focam-se no seu estado de saúde. Há quem comente que apenas tem prestado atenção ao canal da youtuber para não perder a notícia da sua eventual morte, há quem pergunte mesmo como é possível ainda não ter morrido com a magreza que apresenta, há quem acuse a jovem de ser má influência, há quem a aconselhe a alimentar-se. Há todo um novo conjunto de vídeos de outros youtubers dirigidos a ou sobre Eugenia. Já há notícias a sair nos meios de comunicação.

Mais de 11 mil pessoas já assinaram a petição para banir temporariamente os vídeos de Eugenia. No universo da internet não são muitas pessoas, mas a causa pode ter impacto nos conteúdos online. Por exemplo, Eugenia é extremamente magra, mas existe também o reverso da medalha no YouTube. Por que razão gera mais impacto uma possível anorexia em vez da obesidade? Que critérios deverão ser usados para banir a influência da imagem devido à possibilidade de influência negativa na audiência? Quem decide? Como proceder? Como prevenir?

Anterior:
Tendência cibernética | Marina Joyce

Vanessa

terça-feira, 18 de outubro de 2016

O Efeito Mandela

No episódio V de Star Wars, o que diz Darth Vader a Luke Skywalker? "Luke, I am your father"? Não, foi "No, I am your father". O C-3PO é todo dourado? Não, tem uma perna prateada. No mais célebre retrato de Henrique VIII, o monarca segura uma perna de peru na mão esquerda? Não. O chocolate Kit Kat tinha um hífen? Não. A música original dos Queen, We Are The Champions, acaba com "Of the world"? Não, simplesmente acaba com "'Cause we are the champions". O boneco do Monopólio usa um monóculo? Não. A ponta da cauda do Pikachu é preta? Não. No Silêncio dos Inocentes, Hannibal Lecter diz, "Hello, Clarice"? Não, só diz "Good morning".

As falsas memórias colectivas são tão comuns que têm um nome. São o Efeito Mandela. O nome vem da falsa memória de que Nelson Mandela teria morrido enquanto estava na prisão. A explicação para o fenómeno mais relacionada com o Efeito Mandela é a de que existem muitas realidades paralelas e há pontos em que as realidades se fundem, modificando a realidade que conhecemos para aquela de uma realidade paralela.

Por outro lado, uma teoria alternativa (especialmente proveniente de fãs do filme Matrix, com certeza) é a de que há erros na matriz (em inglês, glitch in the matrix) que se tornam óbvios com o passar do tempo. Outra teoria é a de que há pessoas de outras realidades que acordam nesta e lembram-se das coisas como foram na realidade onde cresceram ou espalham falsos factos baseados nessa outra realidade.

Existem ainda outras explicações fantásticas. Por exemplo, a de que alguém viajou ou encontra-se a viajar no tempo e mudou pormenores da história. Para quem acredita nesta ou explicações do género, só assim se pode justificar que tanta gente tenha a certeza de uma coisa que na verdade é diferente.

Eu tenho duas explicações, uma mais racional e outra mais para o conspiracional. 

A primeira é a de que o ser humano é impressionável e as lembranças são influenciáveis. Há coisas que foram passando de pessoa para pessoa, sendo que os pormenores mudaram logo na primeira versão ou ao longo do canal de comunicação, e há obras de ficção baseadas em obras anteriores ou com detalhes de anteriores que depois vieram deturpar aquilo que se fez anteriormente ou até factos históricos. 

A segunda é para quem leu ou conhece a estória do livro 1984, de George Orwell, portanto cuidado com os SPOILERS. No livro, o Ministério da Verdade, um dos quatro ministérios do governo da Oceania, é um sector que se dedica a falsificar a história para que se conforme com o que é dito pelo Big Brother e pelo governo. Os funcionários modificam ou eliminam notícias de forma a alterar a memória colectiva. 

Eu bem disse que esta teoria é conspiracional. Por acaso não a vi em lado algum quando se fala no Efeito Mandela, mas quando li a explicação para o Efeito, lembrei-me imediatamente do livro. Talvez exista um sector secreto de pessoas que em vez de viajarem no tempo para mudar a história, muda simplesmente aquilo que está nos repositórios históricos e deixam as pessoas confusas. Até agora não se mudou nada significativo.

Mas se calhar o objectivo é habituar-nos a essas pequenas alterações de tal forma que daqui a uns anos não achemos estranho outras coisas mudarem. Já vimos coisas mais estranhas acontecerem.

Há quem se lembre de uma Mona Lisa mais séria do que hoje em dia. Será que alguém foi lá pintar um sorriso mais óbvio? Nos fóruns norte-americanos do Efeito Mandela, há quem diga que se lembra de Portugal ser maior, quase tanto como Espanha, ou que certos países estão em sítios diferentes de onde estavam nos tempos de escola. Será que alguém andou a mudar os mapas ou os países realmente mudaram? Há quem se lembre do McDonald’s escrito como MacDonald’s. Será que o A caiu? A resposta oficial é não.

Eu confesso que sofro do Efeito Mandela. Por alguma razão, lembro-me de ver o mapa do mundo na escola e juro, assim como muitas outras pessoas também juram, que havia uma ilha ao lado da Austrália que hoje em dia não está lá. Há pelo menos uma imagem na internet que mostra essa ilha, retirada de um vídeo em que o globo terrestre tinha sido girado (e não parece ser ilusão de óptica), mas não é possível ver o nome da ilha.

Estranho, não?

Vanessa

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Os meninos deviam saber fazer tarefas domésticas

Uma mãe dos Estados Unidos, que participou no programa 16 and Pregnant da MTV (mas agora com 22 anos), partilhou no Facebook fotos do filho a cozinhar e a arrumar a loiça com um texto a explicar que os meninos deviam ser ensinados a fazer as tarefas domésticas, não só as meninas, para seu bem individual e para bem da sociedade. A opinião vai ao encontro daquilo que sempre pensei sobre o assunto.

Todos os meninos que já conheci tiveram de aprender as tarefas básicas da vida à força mais tarde e ainda que um ou outro diga que só se aproveitou da mãe porque ela própria fazia questão ou pelos menos deixava, eu cá acho que o nível de eficiência depois da aprendizagem tardia não é o mesmo de quem se habituou desde pequeno a fazer as coisas sem ser sob a alçada da mãe. Nota-se pelo estado da cozinha depois de por lá passarem ou do tempo demorado a limpar ou do tempo total a fazer coisas simples.

A publicação da mãe norte-americana gerou concordância, mas também contestação. Fora os comentários parvos de quem não tem mais o que fazer, um ou outro levantou uma questão importante: o de as meninas também ficarem com lacunas na aprendizagem por não serem ensinadas outras tarefas domésticas mais pontuais, como a reparação de equipamentos, ou outras como mudar um pneu. Concordo.

Eu cá não sei nada de jeito em termos de bricolage, o que é uma pena porque dá tanto jeito como saber cozinhar. Por outro lado, se formos a ver, se as meninas forem ensinadas, como eu fui, a cozinhar e limpar e coser e passar a ferro, além do tempo para a brincadeira e para o estudo, não sobra muito mais tempo para aprender as tais coisas pontuais. Por outro lado ainda, o que é pontual não é tão frequente quanto o que é necessário e felizmente hoje em dia há o Google e o YouTube para nos ensinar quando é preciso.

A ter de escolher, eu preferia aprender as tarefas domésticas frequentes. Dão muito jeito, para o menino e para a menina. Quanto às outras tarefas, felizmente há sempre meninos dispostos a fazê-lo e muitas vezes apenas a troco de uma refeição. Faz-se ali uma troca e ficamos logo quites e toda a gente vive feliz.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Palhaços

Será uma campanha publicitária? Será obra dos Illuminati? Será que existe por aí uma comunidade de palhaços? Será isto uma partida dos alienígenas que vivem entre nós? Ainda ninguém sabe. Há palhaços sinistros a surgir, agora em todo o mundo, e ninguém se chega à frente para explicar a razão para o fenómeno. Ninguém sabe sequer se as armas com que normalmente são vistos são reais ou parte da fantasia.

Parece que a moda pegou nos Estados Unidos, mas é difícil confirmá-lo, tendo em conta que a) ainda ninguém conseguiu chegar ao paciente zero (se bem que se desconfia que o primeiro de todos foi a 1 de Agosto em Wisconsin) e b) os Estados Unidos devem ser dos países que mais publicam eventos na Internet, por isso é natural que tenham sido os primeiros a divulgar imagens  e vídeos destes palhaços.

No Reino Unido há um tipo que se veste de Batman para combater estes "palhaços assassinos" e o McDonald's já comunicou que o seu palhaço-mascote vai deixar de fazer aparições públicas tão constantes para não se misturar com o fenómeno e o Stephen King, autor de uma das estórias de terror mais famosas do mundo com um palhaço vilão, já aconselhou a que se acalmasse a histeria e os profissionais do ramo já se pronunciaram também.

Por cá, a imprensa falsa resumiu o caso português num astuto título: "Portugueses não temem febre dos 'palhaços sinistros' pois cruzam-se com vários, ao longo dia, há muito tempo". Nada temos a temer, portanto. Ainda assim, não deixa de ser intrigante. Como é que a figura do bicho papão se pôde ter transformado num ser tão colorido? Até onde vai chegar este pandemónio? Eu cá não faço ideia.

Quem quiser ver vídeos com estes palhaços sinistros, pode encontrar vários aqui e aqui. São vídeos do YouTube de alguém que compilou vários testemunhos nos Estados Unidos. Bons sonhos, hoje.

Vanessa

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

#desafioaceite? Não.

Expliquem-me que diferença no mundo faz uma foto minha a preto e branco no perfil de uma rede social. Que diferença faz em especial no âmbito da luta contra o cancro? #desafioaceite (e "aceito" quando as pessoas não sabem escrever português ou pelo menos não sabem copiar/colar) é uma corrente virtual, mas não daquelas que nos trazem a morte ou o azar se ignorarmos. O azar pode chegar precisamente a quem adere.

Tudo começa com a mensagem: "A função deste desafio é colocares uma foto tua a preto e branco... A corrente humana embora virtual pela luta contra o cancro. Cola a tua e identifica os teus amigos. Desafia-os, tal como fiz contigo". É uma causa nobre, mas também uma forma de atrair os maus da fita da internet.

A Associação de Segurança Internauta espanhola já avisou que esta campanha é falsa e que é uma forma de facilitar o acesso ao email das pessoas. Quem está por detrás disto, não se sabe ainda.

Ao contrário do Ice Bucket Challenge ou o Desafio do Balde de Gelo, esta corrente nada faz, por enquanto, pela luta contra o cancro. Pode, sim, criar sensibilização, mas não está associada a nenhuma organização oficial ou a uma campanha humanitária real. É só mais uma corrente viral, como aquela outra em que as pessoas colavam no perfil uma mensagem porque alegadamente o Facebook ia passar a ser pago e a mensagem as isentava.

Dicas para não cair nestas correntes falsas:
1. Se não forem criadas por organizações reconhecidas, desconfiem.
2. Se forem desafios e correntes sem acções úteis, desconfiem.
3. Se forem virais, desconfiem.
4. Se apelarem aos sentimentos, desconfiem.
5. Se implicarem re-publicar mensagens, desconfiem.
6. Se forem criados sem justificação plausível, desconfiem.
7. Se surgir do nada, desconfiem.

Vanessa

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

O que são memes?

São geralmente imagens que se tornam icónicas e virais na internet, com legendas normalmente num tipo de letra chamado Impact, legendas essas que variam mas que se adequam às imagens de forma habitualmente hilariante. O humor faz quase sempre parte dos memes. O termo foi cunhado por Richard Dawkins para representar algo com um comportamento semelhante ao gene, mas num contexto cultural. Exemplos:

Desafio Aceite
Quando alguém te diz que não consegues fazer alguma coisa.

O virar da mesa
Quando alguma coisa te irrita.

LOL
Quando alguma coisa tem muita piada.

Há memes com fotografias de pessoas, algumas delas famosas, algumas delas primeiro anónimas e depois famosas quando os memes se tornam virais. As imagens representam estados de espírito, questões universais, piadas secas ou formas de estar. As expressões das pessoas muitas vezes ditam o tom da mensagem, da mais agressiva à convencida, passando por desconsolo ou raiva. O cenário também acrescenta conteúdo.

Problemas de Primeiro Mundo

Atrevimento

Expressão Diabólica

Constatações Óbvias

Sucesso

Há centenas de outras imagens, a maioria delas com legendas em inglês. Estas criei-as eu num gerador de memes. Podem usá-las, se quiserem. Confesso que em inglês têm outra piada. Mas consigo pensar numas quantas personalidades portuguesas que ficavam muito bem com umas legendas irónicas.

Vanessa

sábado, 30 de julho de 2016

Tendência cibernética | Marina Joyce

A era das celebridades está em mudança. Já escrevi sobre celebridades profissionalmente e apercebi-me de que o papel da internet no mundo da fama está em constante desenvolvimento e que é o futuro. 

Além de personalidades televisivas e artistas no geral, há agora os Youtubers e os Bloggers ou Blogueiros. 

Há diversos tipos de Youtubers, dos que falam e vivem de dietas e exercício físico aos comentadores de tudo, dos que provam alimentos de todo o mundo aos que abrem encomendas recebidas pelo correio, dos que jogam em frente à câmara aos que falam de moda e dão dicas de beleza. É todo um mundo.

Eles usam ainda as redes sociais e blogues e sites para comunicar com a audiência. Por vezes chegam a marcar encontros fora da realidade virtual. Muitas vezes acabam por adquirir o estatuto de celebridade e sofrem todas as consequências que daí advêm, inclusivamente serem protagonistas de notícias.

Vamos a um estudo de caso: Marina Joyce
A britânica de 19 anos estará sob o efeito de drogas e/ou a ser vítima de abusos e/ou a ser refém de terroristas e/ou sob o controlo de extraterrestres. Seja como for, estará em perigo. Pelo menos foi aquilo em que acreditaram milhares de pessoas. Tudo isto começou porque a Youtuber mudou de atitude.

Marina Joyce foi tendência mundial esta semana. A própria e a polícia desmistificaram os rumores, mas ainda persistem vídeos e comentários sobre o assunto. É que se juntaram aqui vários aspectos poderosos no que toca à opinião pública: teorias da conspiração, um contexto social de medo geral devido aos recentes ataques terroristas, uma jovem loira com nódoas negras e pessoas atrás de um computador.

O comportamento da Youtuber é algo bizarro, potenciado por uma maquilhagem expressiva em redor dos seus olhos azuis. Parte da audiência começou a ver sinais onde talvez não existissem nenhuns.

Houve quem ouvisse um pedido de socorro nos seus vídeos. Houve quem solicitasse sinais de confirmação do perigo sob o qual estaria sujeita que depois se concretizaram (facto discutível) pelas circunstâncias. Houve quem analisasse minuciosamente os vídeos de Marina Joyce à procura de provas.

E depois houve um tweet onde Marina Joyce convidou os fãs para um encontro. Espalhou-se a ideia de que seria um falso evento para que o ISIS levasse a cabo um atentado. No meio de todo o burburinho, rumores, preocupações, a polícia londrina de Enfield visitou a jovem e tentou acalmar a multidão via Twitter.

A hashtag #SaveMarinaJoyce foi criada e manteve-se nas tendências, fãs ligaram para a Scotland Yard, Joyce duplicou o número de subscritores do seu canal no Youtube (vai em 1,7 milhões) e fez vídeos em directo que em vez de apaziguarem as massas, apenas incendiaram as hipóteses anteriormente propostas.

O vídeo, Date Outfit Ideas, que começou todo este turbilhão é, na minha opinião, bizarro. Marina parece aturdida, por vezes confusa e as expressões corporais são as de alguém que tem muito sono ou não sabe bem como se comportar em frente à câmara. Só isso. As nódoas negras foram explicadas pela própria e até pela mãe. São coisas que acontecem. Num dos vídeos vê-se uma espingarda, mas é de brincar.

O suposto pedido de ajuda no vídeo é um som aleatório. Pessoalmente não me pareceu "Help Me" mas o som de algo a raspar no microfone. Se ela está ou não sob o efeito de substâncias, rumor que a própria negou, isso é com ela. Se foi uma manobra de publicidade, duvido. Isto não é o tipo de coisa que gera uma boa imagem.

Seja qual for a razão para todo o drama, o caso foi inédito, quase uma caça às bruxas em tempos modernos. A mobilização de tantas pessoas foge ao sentimento de apatia de que a geração que cresceu a usar a internet é por vezes acusada e isso, a meu ver, é um aspecto positivo em tudo isto.

Vanessa