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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Mitos dos tempos modernos: somos o que fazemos

Não, não e não. Não somos o que fazemos. Porque nem todos fazem o que querem. Porque somos mais complexos do que a soma do que fazemos ou adquirimos ou produzimos. Primeiro somos humanos.

Não é pouco comum perguntar-se desde logo a profissão quando se conhece alguém, porque está enraizada em nós a crença de que podemos conhecer um pouco das pessoas se soubermos como se sustentam.

Considero-o uma forma muito empobrecida de reconhecimento, porque o estatuto social está mais do que ultrapassado e é disso que se trata definir as pessoas pela profissão ou pela empresa onde trabalham.

A verdade é que nem todos podem fazer o que querem e ser o que fazem. Muitos de nós fazem apenas o que podem para pagar contas e financiar lazer. Por isso o que fazemos não passa de um meio para atingir o fim. 

É a forma como o fazemos e o fim que atingimos que mais nos define. São os passatempos com que nos ocupamos que dizem mais sobre nós. É o que fazemos voluntariamente, a troco de prazer e não de dinheiro.

Se fôssemos o que fazemos, o que seriam as pessoas que varrem lixo ou limpam os esgotos? Somos todos mais do que o que fazemos. Somos todos um pouco de tanto, que o que fazemos nem devia ser critério.

Tudo isto é importante por quê? Para que nos lembremos de não levar tanto a sério os falhanços profissionais e os erros que cometemos em contexto de trabalho e a estagnação e tudo isso que nos preocupa.

A crise, a crise é uma coisa de valores e não de ofícios. A crise é não podermos fazer mais do que o que nos contenta porque temos de fazer mais do que o que nos sustenta. Porque é assim a vida.

Eu cá gosto mais de saber o que fazem os meus amigos quando não estão a trabalhar. O trabalho é só uma prisão que nos tranca umas horas diárias para que depois nos possamos focar na felicidade.

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Vanessa

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Ganhar dinheiro na internet | É possível?

"Como ganhei X em X dias, a trabalhar a partir de casa." São quase sempre assim aquelas mensagens de spam que se vêem em caixas de comentários ou no título de artigos em sites e blogs duvidosos. Embora os números sejam sempre exagerados, ganhar dinheiro online não é absurdo. Afinal de contas, quem tem ligação à internet, tem um mundo no computador. E hoje o dia o mundo não é apenas feito de locais físicos.

Há três formas de rendimento na internet:
1. Trabalho online: seja pela angariação de clientes num site pessoal ou obtenção de projectos em sites de trabalho. X número de horas valem X ou X projecto final vale X.

2. Rendimento passivo: obtido através de lucros gerados por publicidade em páginas que tenhamos criado, ou pela venda de produtos (livros, bijutaria) e serviços (cursos, consultoria) que criámos uma vez e vão rendendo.

3. Zona cinzenta: chamo-a assim porque há sempre formas variadas de obter rendimento pouco convencionais mas eficazes que contêm um pouco de um ou dos dois pontos anteriores, como jogos online, incluindo casinos, vídeos no YouTube, PCP (pay per click), venda de likes no Facebook, inquéritos, etc.

É claro que o nirvana é a combinação das três formas, com uma pitada de paciência para estudar todas as opções e outra de tempo para criar uma personalidade online que seja confiável. Tendo experimentado exemplos das três, concluí que o trabalho online é a forma mais segura e produtiva de rentabilizar a internet.

Por que razão prefiro o trabalho online? Em primeiro lugar porque o único risco é a perda de tempo, seja com sites que não são como parecem ou clientes que querem produtos mas não querem pagar. Em segundo lugar, porque não envolve investimento financeiro e se envolver, desconfiem e/ou fujam.

Terceiro, porque não há nada como o trabalho. Toda a gente sabe que não existem milagres e que o dinheiro não cai do céu. O rendimento passivo pode ser demorado e na zona cinzenta abundam oportunidades para se perder tempo, e esperemos que apenas tempo e não dinheiro. Por isso, eu voto no trabalho.

É possível ganhar dinheiro na internet e fazer isso a tempo inteiro. É preciso investir tempo e ter muita disciplina para o fazer, mas por exemplo para quem está desempregado, tempo não falta para experimentar e a internet é já quase uma necessidade básica hoje em dia e é possível aceder ao mundo online de várias formas.

Não acreditem é que seja possível fazer um milhão, muito menos em tempo recorde, ou que haja almoços grátis, como se diz, ou que existam formulas mágicas para o fazer. Trabalhar dá trabalho.

Vanessa

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Certezas dos tempos modernos: motivação

A motivação e a disciplina andam de mãos dadas. Motivação é sinónimo de entusiasmo, ânimo, inspiração, encorajamento. Com isto é fácil perceber que a motivação é um aliado do sucesso profissional.

É mais fácil falar de motivação se percebermos o que acontece com a sua falta. Uma pessoa desmotivada é com certeza menos produtiva do que o seu potencial permite ou pelo menos menos realizada.

Ser uma pessoa motivada não significa ser uma pessoa optimista e alegre, mas isso certamente ajuda. Uma atitude positiva é mais produtiva e gera mais produtividade do que uma atitude de desmotivação.

As atitudes positivas criam-se com satisfação pessoal que baste, quer seja pelo reconhecimento do que se já atingiu, quer seja pela paixão pessoal que nos move em direcção aos nossos objectivos.

Para isso, tal como acontece com a disciplina, é preciso ter em mente (ou em papel) o que temos de fazer e recordarmos aquilo que podemos atingir com o que temos de fazer. É o resultado que nos incita a mais.

Mas o (bom) humor é o que nos incita a mais mesmo depois de falhanços, o que é igualmente importante. Nesse aspecto, a meditação ou o trabalho em prol da satisfação pessoal são ferramentas úteis.

Hoje em dia é simultaneamente mais fácil e mais difícil obter motivação. É uma questão de perspectiva, mas principalmente uma questão de como escolhemos lidar com os nossos afazeres.

Segundo os estudos do psicólogo Paul Ekman, a nossa expressão facial é influenciada pelo que sentimos internamente, mas o inverso acontece também e com a nossa expressão podemos mudar os sentimentos.

Movimentos expansivos, como os da dança, mudam comprovadamente o nosso humor, especialmente por serem quase opostos a posições que adoptamos quotidianamente, como a de usar o computador.

A escolha profissional é também um factor a pensar. Das duas uma: ou escolhemos um trabalho interessante, ou pensamos no trabalho como um meio para atingir um fim que nos é favorável.

Atitude e perspectiva, aspectos psicológicos sob o nosso controlo, são sempre determinantes para uma motivação que nos leva a conseguir atingir os nossos objectivos de forma expedita.

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Vanessa

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Mitos dos tempos modernos: dizer sim a tudo

A meu ver aceitar o que nos pedem sem nunca impor condições traz um grave problema: abre caminho a que nos seja pedido cada vez mais e a satisfação de ajudar nem sempre compensa o esforço.

Se os outros não conhecem limites, temos de ser nós a impô-los. Por vezes um não é a melhor resposta. Por vezes ignorar também. Por vezes temos de sacrificar o que os outros precisam pelo nosso bem-estar.

A disponibilidade é uma comodidade muito importante hoje em dia. Se não formos nós a valorizá-la, ninguém o vai fazer por nós. Gastar o nosso tempo com o que nos é importante é crucial. É aí que entra o não.

Se tivermos em conta as nossas prioridades, não custa tanto não dizer que sim a tudo, porque temos em conta o que está nos primeiros lugares. Primeiro nós e os nossos objectivos. Depois os outros e os objectivos deles.

Tanto em termos profissionais como pessoais, o nosso tempo é para ser gasto com as nossas prioridades e é importante que o descanso esteja incluído aí. Apenas o que sobra é aquilo de que dispomos para o restante.

Foram raras as vezes em que dizer sempre que sim me abriu caminhos satisfatórios em termos pessoais. Na maioria das vezes, o intuito em ajudar teve um intuito pessoal que depois não se concretizou.

Depois de anos de bom samaritanismo, coisa que se aprende na escola, na catequese e em casa, começar a dizer que não foi altamente revigorante. Continua a sê-lo. E agora já não custa nada.

Ajudar traz satisfação e é bom ajudar, mas se quisermos ser mais ou menos matemáticos, um, dois ou três favores é aceitável, digamos, num ano. Mais do que isso é abuso e sinal de que dissemos que sim demasiado.

É uma medida liberal, para ser usada conforme a hierarquia nos permite. Pode parecer um método demasiado materialista, egoísta ou maldoso, mas vale mais isso do que ser um bonzinho atarefado.

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Vanessa

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Certezas dos tempos modernos: disciplina

Abri a página de texto para começar a escrever e entretanto lembrei-me de outra coisa para fazer. Depois fui começando a escrever, mas parei para comer, ver o email e distraí-me a ler um artigo sobre o tema.

Chama-se a isso falta de disciplina. É como quem diz, falta de concentração. Eu culpo o mundo, tão cheio de estímulos e tão interessante, mas também a dificuldade que a disciplina acarreta. Mas a culpa é toda nossa.

A disciplina implica rigor e motivação constantes. Disciplina é começar e terminar uma tarefa — ou fazermos uma pausa mas conseguirmos voltar sem problemas — por sabermos o que nos traz o resultado final.

A disciplina é extremamente importante, mas especialmente difícil quando se trabalha por conta própria. Torna-se necessário criar sistemas para agilizar a concentração e saber de cor prioridades.

Pessoalmente considero o aspecto mais importante da disciplina o descanso. Pausas frequentes e quebrar tarefas em mini-tarefas levam-me mais longe do que trabalho contínuo e exaustivo.

Por outro lado, estar constantemente a visitar o email é desnecessário se já estivermos ocupados. É importante perceber que ler emails não é uma pausa; continua a ser trabalho. A pausa deve ser levada a sério.

A disciplina é uma ferramenta, não uma obrigação. Mas não deixa de ser uma responsabilidade que nos permite atingir ou ultrapassar o nosso potencial enquanto nos gerimos e gerimos as funções que temos.

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Mitos dos tempos modernos: ser workaholic

Vanessa

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Mitos dos tempos modernos: ser workaholic

Dizer que se trabalharmos muito vamos ser bem-sucedidos é a maior falácia que já ouvi, porque pressupõe que no momento não estamos a trabalhar o suficiente, já que não somos bem-sucedidos no imediato.

É o mesmo que dizer que se trabalharmos muito, um dia vamos ser ricos. Pressupõe que se não somos ricos agora, é porque não andamos a trabalhar muito. É porque somos preguiçosos, pouco empreendedores, fracos.

A quantidade de trabalho nem sempre está associada à qualidade de vida. Pelo contrário. Embora ser workaholic seja associado a ambição e riqueza de carácter, o trabalho duro é um caminho atribulado.

A felicidade nem sempre é o destino. A felicidade pode ser o caminho. É um lugar-comum, eu sei, mas é importante que nos lembremos. As pequenas conquistas frequentes são esse caminho.

Ser workaholic pode ser prejudicial por razões óbvias. O stress, a falta de interacção social e o isolamento, aspectos provavelmente ligados ao trabalho árduo, são factores de risco para uma morte prematura.

Isso do trabalho árduo aprendi na escola, a partir do quarto ano. Na primária aprendi a importância da criatividade e da expansão pessoal. A partir daí aprendi que o que interessa é ser empreendedor.

E para ser empreendedor, tem de se trabalhar muito. Depois disso, todos os caminhos iam dar ao trabalho. Mas agora, não é por acaso que as práticas como meditação e mindfulness e yoga estão tão na moda.

Lá está, o caminho é tão importante quanto o destino final. Trabalhar muito não é a solução. Trabalhar com esperteza é. Atingir os resultados no menor espaço de tempo é. Relaxar é. Ir sendo feliz é.

Há uma grande diferença entre trabalhar para viver e viver para trabalhar. A primeira aprendemos sozinhos. A segunda diz-nos a sociedade, desde pequenos. Às vezes é bom sermos rebeldes. Este é um exemplo.

Vanessa

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Transcrição de áudio é uma profissão, sim


Transcrição de áudio consiste na audição e compreensão da palavra falada e na sua posterior escrita. Não é charmoso. Não é muito técnico. Não é elegante. Não é genial. Não está ultrapassado.

Não, ainda não há ainda software de reconhecimento de voz bom o suficiente para o fazer, da mesma forma que não há tradutores automáticos que traduzam com 100% de eficácia. Compreensão implica inteligência.

A maioria dos poucos jornalistas que conheço expressa desprezo pela transcrição. Não é a coisa mais entusiasmante das suas carreiras. Implica ter de ouvir novamente quem se entrevistou e passar horas a teclar.

Quando trabalhei em jornalismo adiava sempre a tarefa. Era frustrante. Mas andava ainda eu na escola e lembro-me de adorar transcrever, quando fazia parte do jornal da escola. Gosto do som das teclas.

Agora não é diferente. O som das teclas e as palavras a aparecer no ecrã são coisas reconfortantes, porque significam trabalho. A informação que aprendo todos os dias é o melhor bónus de sempre.

Embora não possa conversar sobre o que transcrevo por questões de confidencialidade, há muita informação geral que dá para extravasar, de questões filosóficas a metodologias e ferramentas de negócios, finanças, astronomia, história, paleontologia, medicina tradicional e alternativa, geografia, informática.

Na maioria das vezes, crio matéria-prima ou os primeiros esboços de algo. Apesar de a maioria do meu trabalho após a faculdade se ter centrado na transmissão de informação, histórias e estórias, agora sou o receptáculo e aparelho digestivo, o primeiro impulso na cadeia alimentar da informação e da comunicação.

Pode-se dizer que desci de posto nessa cadeia alimentar. Foi sendo sempre assim desde que saí da faculdade. Por incrível que pareça, o primeiro emprego foi quase o melhor em termos de condições, mas era um estágio profissional. O segundo emprego foi de certeza o melhor, porque era um contrato a sério.

Depois disso, as condições deterioraram-se. Até há cerca de um ano, quando descobri que há outras formas de fazer aquilo de que gosto, sem ter de me chatear tanto e respeitando o meu horário produtivo, que é quase sempre durante a tarde e à noite. Insegurança sempre existiu. Agora tem menos influência.

Há pouco tempo li num livro que temos dificuldade em liberdade que temos. É verdade, por várias razões. De entre lidar com a insegurança de um emprego tradicional e a insegurança do trabalho freelancer, prefiro a do trabalho freelancer. Sou uma das pioneiras do nomadismo digital, que sei que ainda vai dar muito que falar.

Vanessa