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terça-feira, 6 de junho de 2017

Buddha bowl ou de como o que sempre fiz tem um nome giro

Buddha bowl ou tigela do Buda é o nome que se dá quando se misturam generosamente vários componentes essenciais numa taça, nomeadamente hidratos de carbono, grãos, vegetais e/ou fruta, proteína e etc. 

Sempre o fiz mais ou menos assim, mas gostei do nome. Normalmente, quando faço refeições assim, mantenho-as veganas ou vegetarianas porque acho que ficam mais zen sem produtos animais.

Como preparo os ingredientes em separado e mantenho-os em caixas para construir os pratos, acabo por comer o mesmo com algumas variações ao longo da semana. Esta é a mais recente: arroz jasmim com cominhos, brócolos cozidos, couve lombarda e cenoura e cebola roxa temperados com coentros, feijão de caril, chucrute de compra (este, do Celeiro), meio abacate pequeno, uma pitada de pimentão vermelho e pimenta preta.
Nota: isto é um prato fundo, não uma tigela, porque não tenho tigelas giras nem fundas o suficiente.

Vanessa

sexta-feira, 31 de março de 2017

Não ler rótulos é uma irresponsabilidade

Vejo pais estafados a tentar controlar os filhos nas filas do supermercado. Depois olho para as compras e não me admiro. Se mais de metade das compras são produtos que eu sei que levam açúcar, e não é pouco, fora os outros como a fruta e os hidratos de carbono, não é surpreendente que os miúdos não parem quietos.

Não ler rótulos é para mim uma irresponsabilidade, que nos casos dos pais roça a negligência. Fazê-lo foi uma das coisas mais úteis que aprendi na escola, para dizer a verdade. É-me impossível não querer saber aquilo que ingiro. Não quero com isto dizer que todas as pessoas devam fazer o mesmo, mas é importante que pelo menos tenham uma noçãozinha e não se fiem pelo que diz a parte da frente da embalagem, como já escrevi aqui.

Apesar de não ser especialista e muito menos nutricionista, fico espantada com a quantidade de embalagens enganadoras que as pessoas levam para casa. É raro ver compras saudáveis no supermercado. A maior parte inclui iogurtes cheios de açúcar (no fundo quase todos), cereais cuja dose normal (não a de 30 gramas usadas como exemplo, que isso não é nada para um pequeno-almoço) é o equivalente a meio bolo de aniversário, bolachas com embalagens que sugerem serem saudáveis mas que estão carregadas de xarope de glicose, etc.

Não me admiro com as estatísticas relacionadas com diabetes, colesterol e até cancro. A parte mais radical do meu cérebro diz-me que a alimentação da era moderna é um exemplo da sobrevivência dos mais fortes, e hoje em dia os mais fortes são aqueles que sabem o que consomem. Os outros ficam à mercê da capacidade de resistência do corpo à porcaria que ingerem. Se são bem-sucecidos? vejam-se as estatísticas. Sei que é triste pensar assim, mas até a parte mais sensível do meu cérebro acredita nessa parte radical.


Vanessa

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Cortar no açúcar: vamos a isso?

Já repararam que a maioria das embalagens de cereais contêm uma espécie de sobremesa e não pequenos-almoços? Se não repararam, andam distraídos. Ou já estão drogados pelos sacarídeos.

Quando se começa a ler os rótulos dos produtos, fica-se abismado com a quantidade de nomes de difícil pronúncia e também com a quantidade de açúcar, quando se conhece todos os seus sinónimos. Há imensos.

Comecei a ter cuidado com a ingestão de açúcar depois de ler alguns estudos sobre a influência dos sacarídeos em certos tipos de doenças oncológicas e depois de me aperceber de que as papilas gustativas são muito facilmente treinadas. Mais difícil é o cérebro passar pelo período de abstinência, mas isso passa rápido.

O primeiro passo foi cortar no açúcar branco. A maior fonte de consumo, no meu caso, era o café e o chá. Foi aí que fui reduzindo a quantidade. Nunca coloquei um pacote inteiro de açúcar na bica, mas de metade passei a colocar cada vez menos até deixar de colocar e trazer para casa as saquetas. O resultado num mês:

As papilas gustativas renovam-se entre 10 dias a duas semanas. Primeiro estranham, mas depois habituam-se de tal forma que não conseguem voltar a apreciar o açúcar, se gostarem mesmo da bebida na qual o colocam. E eu não acredito que quem coloca açúcar no café goste mesmo de café. É um preconceito meu. Também não acredito que quem gosta de chocolate goste de cacau ou que quem enche uma salada de maionese goste de salada.

Esta semana, enfrentei o último desafio ao palato: iogurte natural. Nunca me imaginei a comer iogurte sem adicionar algo doce, mas como não havia mel em casa, adicionei umas sementes e frutos secos e decidi saltar a típica colher de mel. Não custou quase nada e aprendi que gosto mesmo de iogurte.

O segundo passo para cortar a quantidade de açúcar que ingeria foi aprender a reconhecê-lo nos rótulos. É que este diabinho tem várias caras. Açúcar pode ser xarope de glicose ou xarope de açúcar invertido; glucose, maltose, lactose, frutose, dextrose e maltodextrina. Estão aqui listados açúcares puros e também substâncias que no corpo são sinónimo de açúcar mesmo que na prática não o sejam. Aí reside o grande problema.

O nosso corpo adora açúcar, porque açúcar é energia. Há pessoas que não gostam de picante, de ácido, de gorduroso. Mas conhecem alguém que não goste de doce? É raro.

Se não usarmos o cérebro para tomar decisões, o corpo está em permanente estado de suspeita. Para ele, é preciso armazenar para alguma eventualidade. Que camelo. Mas ele não tem culpa que uns 80% dos produtos do supermercado tenham açúcares adicionados. E não tem culpa das nossas más escolhas.

O terceiro passo foi perceber em que alturas dá vontade um docinho. O açúcar vicia facilmente e dá-nos uma dose instantânea de ânimo que procuramos em certas alturas da vida. Mas os períodos de ausência de açúcar causam ali uma depressãozinha também. Quando as papilas gustativas estão habituadas ao sabor dos alimentos e das bebidas sem o açúcar, quando nos apetece algo doce não é raro as razões serem emocionais.

O cérebro é extremamente eficiente em pensar nas alternativas mais fáceis e rápidas de obter o que precisa. Nós é que temos de ter consciência sobre o que escolhemos ingerir e sobre o tipo de lacuna que queremos eliminar. O buraco emocional não é preenchido por chocolate ou por gelado. O açúcar mascara-se de salvador da pátria, mas depois vai-se a ver e ainda há crise. Crise e a tal depressãozinha pós açúcar.

Se depois disto ainda vos apetece algo doce, deixo-vos com algumas fotos sugestivas que tirei com o telemóvel numa altura em que fartava-me de fotografar imagens para usar em artigos. São alternativas (mais) saudáveis (do que uma bola de berlim) ao bichinho, para que não deixem que ele vos consuma.
Fruta fresca.

A minha preferência são estas embalagens de coco já cortado que os supermercados têm na área dos produtos frescos. As lojas Celeiros também têm umas lascas de coco tostadas que são óptimas.

Fruta desidratada ou a fazer de batatas fritas. Agora está na moda.

Frutos secos mais doces como figos, passas, papaia, manga. Até aloe vera já vi.

Em vez de sobremesa, um iogurte natural com um pouco de mel, muesli ou fruta.

Um bolinho saudável de vez em quando, de preferência feito por vocês e com menos açúcar do que a receita. O Celeiro também tem uns bolos à fatia, que não sendo a coisa mais saudável do mundo, até são bons.

O sushi do mais tradicional, isto é, sem aqueles molhos todos e toppings fritos, com o seu arroz adocicado, até mata o desejo. Se tiver abacate e outras frutas, sementes de sésamo e frutos secos, melhor.

Saladas com muita textura e fruta misturada.

Outros: castanhas e batata doce, chocolate negro com mais de 70% de cacau, gelatina, usar canela como condimento, fazer um chá com um pouco de mel ou água aromatizada.

Vanessa