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sábado, 11 de março de 2017

A verdadeira globalização: um poema

Vou ao café e peço uma italiana,
Trabalhar como um mouro assim requer,
A solução à noite é raiz de valeriana.
Mas por vezes nem isso resulta sequer.

Fala-se tanto em globalização.
Eu cá acho que é só para inglês ver.
Tabelou-se por baixo a padronização
Parece que tudo é feito para despromover.

Uma pessoa trabalha que nem um escravo,
Mas vê-se grego para ter o que quer.
Porque o trabalho árduo não vale um chavo
Ter casa hoje, só de aluguer.

Mas hoje em dia até um tecto é sinal de opulência,
Por isso a casa dos pais é a melhor defesa.
Qualidade de vida hoje é mera subsistência.
Não há cá viver à grande e à francesa.

Se comer um bife tenho o rei na barriga,
Qualquer coisa é acima das nossas possibilidades.
As regras da sociedade parecem chinês, que fadiga.
Para perceber, devia ter ido para as Novas Oportunidades.

O que melhor funciona neste mundo são as facturas
Que vêm com pontualidade suíça impressionante.
Ouvi falar e aprendi a cortar nas gorduras
Que remédio se tem quando se é insignificante.

Pagar contas e gerar riqueza é nosso dever,
Por isso se não há trabalho, olha, abre uma empresa.
Se isto vai melhorar, é pagar para ver.
Assim chegou a globalização à casa portuguesa.

Com certeza.

Vanessa

sábado, 5 de novembro de 2016

Mais nervos gramaticais

Dos nervos gramaticais vocês gostaram.
Já são quase 400 visitas a esta postagem.
Mesmo com o desabafo, os nervos não melhoraram.
O mau português não é coisa de passagem.

Vejo com cada uma que fico boquiaberta,
Desde erros desculpáveis aos sensacionais.
A língua portuguesa não é tão incerta,
Que se aceitem improvisos experimentais.

Se eu fosse médica gramatical,
A prescrição era sempre um dicionário.
Até para uma escrita normal
É preciso um esforço literário.

Se não sabes o que está errado
Usa o FLiP online ou o Word no computador.
Eles sublinham o que deve ser alterado.
É grátis, fácil e indolor.

Se não queres trabalho, assim seja.
Ñ te poço proibir de xcrvr dxta forma.
Mas olha, se queres tudo de bandeja
Um dia podes não ter reforma.

Se achas que não tenho "haver" com o assunto,
Que sou "esagerada" e não "mereçes" a achega,
O português está em vias de ficar defunto
E para te perceber eu vejo-me grega.

Sem nem sabes escrever em português,
Faz-me por favor a delicadeza
De não tentar comunicar em inglês.
Os teus erros estragam-me a beleza.

Qualquer dia ninguém se entende
Porque a pontuação dá trabalho.
Olha que as vírgulas são o que te defende
De soares como um paspalho.

A falta de acentos só mostra preguiça.
E dificulta muito a leitura.
Escrever mal assim é uma injustiça
E dá cabo da nossa cultura.

Apelo mais uma vez à vossa consideração
Para salvarmos o português da desgraça.
Por isso façam das tripas coração
Para que o nosso idioma não se desfaça.

Anterior:
Nervos gramaticais

Vanessa

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Somatório escaldado

A única coisa que arde sem se ver é o amor.
Chega o Verão e os incêndios já são tradição.
As televisões mostram tudo com fervor.
E começam a atirar-se culpas sem perdão.

Agosto é mês de fogos e sempre foi assim.
Agora é que nos lembramos de limpar o capim.
Dantes era mais fácil, pastavam lá os animais.

Mas a agricultura anda pela hora da morte.
Persistem práticas de negligência todo o ano.
Lembramo-nos agora que não é uma questão de sorte.
E que calor e falta de prevenção têm efeito profano.

Menos show off e mais senso comum ajudavam.
Mas mostrar meios de combate é que dá visibilidade.

As culpas atiram achas para a fogueira.
Do negócio dos fogos já se falou.
Façamos o rescaldo do fogo na Madeira.
Não de quanto tudo isto custou.

O que custa agora é ver tanto queimado.
É saber que nunca há fundos para o que é preciso.
Haja esperança por este país mal estimado
Que tem tanto para ser um paraíso.

Obrigado aos que estão na linha da frente.
Obrigado a todos os que têm ajudado.
O vosso esforço é comovente.
E que seja recompensado.

Para os distraídos, chamada de atenção.
Estas rimas não são só entretenimento.
Reparem nos links, têm intenção.
Vão dar a artigos com mais cabimento.

Vanessa

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Nervos gramaticais

Erros ortográficos dão-me um arrepio na espinha.
Más conjugações são coisa do demónio.
Concordâncias que discordam fazem mal a esta alminha.
O mau português causa-me pandemónio.

Falta-me paciência para a má escrita.
Não tenho tolerância para falta de acentuação.
Tudo isto me deixa a cabeça frita.
Abrir as redes sociais até causa aflição.

Já se escrevia mal antes do acordo ortográfico.
Agora ainda é pior e ninguém se entende.
Os erros já são fenómeno geográfico.
O português anda mal e o pessoal não aprende.

Vírgulas e pontos finais são simples de usar.
Quem só usa maiúsculas precisa é de um megafone.
Há dicionários na internet, é só procurar.
Não é desculpa o teclado do telefone.

O português é um sistema complicado.
Mas há que escrever com algum brio.
Simplificar as frases ajuda um bocado.
Depois basta ler de fio a pavio.

Fez sentido ou ficou esquisito?
Se calhar podia melhorar a gramática.
Basta querer escrever bonito.
Para o resto é só juntar prática.

Ler um livro de vez em quando ajuda.
Vá lá, não sejas preguiçoso.
Se nada fizeres, o mau português não muda.
Um sujeito mau escritor torna-se duvidoso.

Sem comunicação não há economia.
Por isso, vamos todos ajudar Portugal.
O saber nunca é em demasia.
Escrever bem nunca fez mal.

Vanessa