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quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Praia da Arrifana, Aljezur, Costa Vicentina

Depois de ter estado na Ilha de Faro, no Algarve, conheci uma povoação chamada Arrifana, em Aljezur. Foi uma feliz surpresa, na verdade. Como não tinha rumo nem planos, usei a aplicação da Booking para escolher estadia e filtrar a escolha por aí. Escolhi um hostel barato na Costa Vicentina e calhou de ter encontrado o HI Arrifana Destination Hostel, que estava quase ocupado. Por boa razão. É um hostel convidativo, com uma vibe boa onda, limpo e no meio do (quase) nada. E com pequeno-almoço, por 20 euros, em quarto partilhado.

Há variedade de restaurantes na localidade, ainda que seja afastada do resto do mundo, de tal forma que consegui almoçar no restaurante próximo da entrada da praia, junto à caixa de multibanco (não me lembro do nome, mas não há que enganar), e escolhi sardinhas assadas e ainda um cone de sushi para matar saudades. Sim, é tudo com peixe, mas nunca pensei conseguir desfrutar desta combinação no mesmo lugar.

 (perdoem a qualidade da foto de telemóvel)
 
Mais acima, na noite anterior, num restaurante cuja clientela parece ser composta maioritariamente desportistas do surf comi uns aperitivos de batata doce e um pequeno-almoço (ao jantar) com ovos, bacon, abacate e tomate numa tortilha com pesto e queijo creme e cebolinho.



A Praia da Arrifana fica no fundo de uma encosta e a toda a volta dá impressão de que estamos numa península, porque o mar nos abraça sempre que olhamos o horizonte. Segundo o site Gentes de Mar, que acabei de descobrir, há na Arrifana "vestígios de ocupação humana desta área desde o tempo das comunidades de pescadores e recoletores epipaleolíticos (IX-VIII milénios a.C.). Por outro lado, terá sido aqui, na Ponta da Atalaia, que se localizou o mítico convento militar muçulmano, o Ribat da Arrifana (Al-Rihana)." Está claro que os pais da cantora Rihanna aqui estiveram e decidiram copiar o nome do convento, ela soube disso este ano, e é por isso que a Met Gala de 2018 teve inspirações religiosas e ela foi vestida de papa.

Anyway, a Arrifana faz parte do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, rota que pelos vistos vou conhecendo melhor a cada ano, e a praia é um dos mais antigos locais de referência do surf, o que se notou muito (dica para as viajantes solteiras à procura de companhia). De notar aquela pedra que aparece em muitas fotos, já na primeira até, a Pedra da Agulha, pelos vistos assim nomeada por ser vertical, as ruínas da fortaleza, construída no século XVII, era cristã, para proteger a costa dos piratas mouros, e as últimas fotos que mostram o sol a descer em direcção ao mar com cores incríveis.


Mais publicações sobre a Costa Vicentina:
Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha
Museu Municipal de Santiago do Cacém
Castelo, Igreja Matriz e Cemitério de Santiago do Cacém, Alentejo
Ilha do Pessegueiro, Porto Covo, Alentejo Litoral
Vila Nova de Milfontes, foz do rio Mira, Praia das Furnas
Barragem de Santa Clara, rio Mira em Odemira, no Alentejo Litoral

Vanessa

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Ilha de Faro, Algarve

Ainda antes da vaga de calor, em Julho, altura em que tantos queixumes ouvi porque o Verão parecia Inverno, deleitava-me eu com o ar fresco, a roupa de meia estação, os pijamas, os cobertores e as bebidas quentes. Eis senão quando surge uma oportunidade de rumar ao sul do país. Uma pessoa aprende a aceitar convites facilmente quando, muito mais do que do frio, abomina a rotina. A sul estava calor e onde moro chovia. Tanto um como outro me agradavam. Uma pessoa vai aprendendo a conviver com o clima. A minha câmara estava a precisar de sair um pouco e, na verdade, o telemóvel não chegava para capturar as cores tropicais do Algarve.

Em pequena, o Algarve não era destino de férias. Era o destino de ausências. Quando os meus amigos desciam o país e o parque ficava deserto, as ruas silenciosas, o subúrbio deserto, tornava-me introvertida. Calculo que acumulei grande parte dos livros que me ocupam as estantes nessas alturas e no Natal. Houve um Verão em que escrevi numa máquina de escrever. Outros em que escrevi à mão. Ainda tenho uma colectânea de estórias de aventuras que nunca vivi em papel amarelecido. Leituras de Verão, escritas de Verão. Porque toda a gente estava longe. Então, agora, ir para o Algarve é como visitar um país desconhecido. É muito parecido a viajar para longe. Raramente se ouve falar português. Com a minha tez morena, frequentemente me dirigem palavra em inglês.

Uma pessoa sente-se turista. Sente-se alienígena. Sente-se anónima. Ir para o Algarve é como existir discretamente. Observo. De onde vêm? Para onde vão? Então era aqui que os verões aconteciam em rebuliço. Com que então é isto que fazem as pessoas nas férias. Observo um pouco mais. As fotos saem como quero mesmo que às vezes esteja distraída com os meus próprios pensamentos. Entretanto voltei e facilmente podia deixar passar um mês sem olhar para estas imagens, mas elas merecem ser publicadas já.


Vanessa