quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

O Nokia 3310 vai voltar

O meu telemóvel já foi um smartphone. Agora ficou só a parte do phone e mesmo assim funciona mal, com a parte inferior do ecrã já sem funcionar. O problema é que era um dos raríssimos modelos Android com teclas e agora não há nenhum à vista. Gosto muito do meu QWERTY. Ainda assim, estou mais capaz de comprar um Nokia 3310 do que um smartphone. Acho que aquela coisa de termos de pensar no número de vezes que temos que carregar numa tecla para chegar a uma letra é um bom exercício mental.

Além disso, toda a gente sabe que o 3310 era capaz de sobreviver ao apocalipse, é uma boa arma de arremesso, pode ser o primeiro tijolo na construção de uma casa e essa casa nunca irá abaixo, e basicamente é ele próprio um seguro contra todos os riscos, o que é um aspecto importante para uma pessoa desastrada.

Comecei por pensar nele a brincar, como uma hipótese muito remota, mas entretanto o caso ficou sério.

Vanessa

15 de Fevereiro

Hoje é o dia dos namorados das pessoas que não ligam nenhuma ao Dia de São Valentim. Hoje e todos os outros dias até ao próximo dia 14 de Fevereiro, para dizer a verdade. Não me importava de jantar fora e receber gomas de presente todos os dias menos no dia 14. Isso sim seria romantismo. #ficaadica 

[inserir emojis a piscar um olho e corações]

Vanessa

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

As fotos do World Press Photo 2017 dão-me arrepios

Olho para as imagens que venceram o World Press Photo deste ano e vejo tudo o que está mal no mundo. A começar com a vencedora. Além dessa, que mostra segundos após um assassinato, os cenários de guerra e os olhares de tristeza, especialmente os de crianças, dão-me arrepios de mau estar.

Bem sei que um dos objectivos é mesmo esse, despertar consciências, mas ainda assim há sempre um tremendo desequilíbrio entre as fotos controversas e aquelas que mostram, por exemplo, momentos humanos.

Provavelmente nunca na minha vida vou ver um World Press Photo onde todas as fotos mostram beleza pacífica, mas gostava que estivéssemos mais perto de um 50-50, desde a primeira exposição do World Press Photo que vi até à mais actual. Mas não, todas mostram um mundo feio e muitas revelam os momentos em que os fotógrafos premiados colocaram em risco a vida para a captura de um instante que mostra o pior da humanidade.

Ainda tenho esperança de que um dia o World Press Photo seja uma exposição menos deprimente.

Vanessa

Tentem não sorrir

Desafio-vos.



Quem quiser boa-disposição durante 10 horas, há um loop disto no YouTube. Avisem-me que eu partilho.

Boa semana.

Vanessa

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Fantasias

Não sei se sou snobe ou se sou exigente com os filmes. Já agora com os livros também. Não posso dizer que seja da idade, agora que já completei 30 anos de existência. Sempre fui picuinhas com a forma como passo o meu tempo livre e levo a peito se não fico satisfeita com alguma obra de ficção, precisamente porque sendo o tempo livre escasso, valorizo-o mais e não gosto de sentir que estou a perder ou a esbanjar tempo.

Gosto de ficção porque, ainda que goste muito de realismo, ou apesar de gostar, faz com que me abstraia da realidade. É um apego que na verdade nunca compreendi. Não sou fã de filmes ou livros biográficos, precisamente porque prefiro a ficção. Prefiro que um autor mostre os aspectos reais enredados na teia da ficção, ou ver em pormenores fundamentos da realidade, mesmo que só o venha a saber depois.

Tenho tido tendência para gostar mais de fantasia e ficção científica do que é normal, talvez porque a abstracção é maior, mas continuo a valorizar mais a estória do que os efeitos especiais, ainda que seja crítica em relação a efeitos que tornam o filme num jogo de computador dos anos 90. Se a estória não fizer o mínimo sentido ou for incongruente, fico desiludida e até irritada. Por muito HD de ultra realismo que seja a imagem.

Posto isto, devo dizer que gostei muito de La La Land. Não era suposto escrever uma review sobre o filme, mas a minha opinião cabe bem aqui. La La Land tem a dose ideal de fantasia, realismo, com uma cinematografia genial. Queria mais filmes assim, pelo menos uma vez por mês, no cinema. É dinheiro e tempo bem gastos.

Vanessa

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A globalização trouxe-nos o hygge

Hygge é um estado de espírito. É uma palavra dinamarquesa sem tradução específica que significa um tipo de prazer e conforto encontrado em pequenos detalhes e momentos. Lê-se e diz-se 'huga'.

Há um ou dois meses, sempre que vou à Fnac, um livro sobre hygge está no top dos mais comprados. Não me espanta. A busca pela felicidade é a única coisa em que todos filósofos estão de acordo. É o que nos guia.

Este hygge tem que ver com o som da lareira, o conforto de um canto da casa, a nostalgia de uma música, o sabor de alimentos, mantas quentes. No fundo, o que nos lembra de que estamos vivos e nos apraz.

O hygge vem daquele que é considerado o povo mais feliz do mundo, mesmo que vivendo num país onde o Inverno é tão longo e há tanta escuridão. É uma ideia em exportação, muito mais útil do que outras.

O meu sentimento de hygge vem de muitas coisas banais, como livros, o cheiro de livros antigos e o toque das páginas porosas, café, chocolate, mas também pequenas sensações como a de aromas que remetem à infância, a maresia, filmes que revejo e me dão arrepios, o som da chuva, a sensação de estar quente.

Eu cá não me importava nada de me mudar para a Dinamarca sob pretexto de estudar o hygge. Calculo que já muitos o tenham feito. A ideia já devia era ter cá chegado há mais tempo.

Vanessa

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

As 5 coisas que aprendi na minha primeira manicura

1. Uma manicura de 5€ provavelmente não é uma boa iniciação. Uma hora depois, uma das unhas criou bolhinhas e outra lascou um pouco. Vá, sou desastrada, mas a manicura não pode ser muito boa. Consistiu numa base, duas camadas de verniz, uma camada de verniz de acabamento e óleo para cutículas.

2. Tenho melhores produtos em casa. Melhores pelo menos em termos de eficazes. Cliché for the win. O produto Cliché Efeito Gel que uso em casa é óptimo, não porque dá efeito de gel propriamente, mas porque seca num instante. Não risca. Não cria bolhas. Não estala nem por nada. Não fica com a marca dos lençóis mesmo que vá dormir logo a seguir. Não sei quando é que isto se transformou numa review, mas fica a dica.

3. Com certeza já ninguém faz manicura normal, só gel. A funcionária pareceu desiludida quando eu disse que queria uma manicura normal e os vernizes parecia que estavam no fundo do baú e tinham um ar antigo.

4. Há instrumentos de manicura que parecem objectos de tortura. O alicate de cutículas É um objecto de tortura. Provavelmente foi inventado na época medieval para ensinar uma lição aos dissidentes.

5. Pagar antes de as unhas serem pintadas é melhor. Também é aconselhável escolher um dia em que não esteja a chover. É desconfortável tentar ter cuidado com as unhas e ao mesmo tempo evitar molhar-me.

Vanessa

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Modo off

Este fim-de-semana vai ser para desligar e reiniciar. Bem sei que o ano ainda agora começou, mas Janeiro acaba sempre por ser uma rampa de lançamento para Fevereiro, que é quando festejo mais um Inverno. Todos os anos, parece-me que o ano só começa depois de Fevereiro. Este ano é mais especial, porque já lá vão 30.

Vanessa

Jornalixo II

Não, o filho do cantor Michael Bublé não está "livro do cancro" nem "venceu a batalha" como noticiaram o Notícias ao Minuto e a Sapo, respectivamente, e como outros meios de comunicação deram a entender. 

O que diz o comunicado dos pais é que Noah está a progredir bem em relação ao tratamento e que a equipa médica está optimista. O comunicado tem dois parágrafos, e não custa nada ler e perceber o que diz. 

É de mau tom publicar coisas assim, mesmo que todo o mundo queira que seja verdade e já. Até as notícias que têm como fonte a tia de Noah, citada por um jornalista argentino, têm no título coisas como "venceu o cancro", mas depois o que está escrito que a tia disse foi que o menino "está a recuperar". Recuperar não é sinónimo de remissão nem de vencer o cancro, até que alguém da família o diga com todas as letras.

Retiro o que escrevi se me disserem que os jornalistas agora também são videntes.

Vanessa

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

5 coisas que aprendi com filmes de terror

1. O mundo é um sítio perigoso para viver e por isso estar viva é um enorme privilégio. Com tantos assassinos (em série ou não), animais ameaçadores (dos tubarões aos animais domésticos passando pelas répteis), objectos possuídos pelo demo (bonecos em especial, mas sem esquecer Christine, que é um carro), o demónio em si, espíritos do outro mundo e de mundos paralelos, plantas e vento (obrigado, M. Night Shyamalan), vampiros, lobisomens, zombies, pessoas que enlouquecem, crianças malignas... é de admirar que ainda esteja viva.

2. Senso comum? O que é isso? Nem falemos daquela cena típica de correr aos berros para o segundo andar em vez de se sair pela porta de entrada. Que tal não brincarem com forças sobrenaturais? Tabuleiros de ouija, objectos antigos (especialmente caixas ou espelhos) e TODOS OS BONECOS são objectos do mal, pessoas! Olhem que eu usei ponto de exclamação, coisa que é raro. É porque é mesmo grave. Eu aprendi que essas coisas dão possessão quase certa ou um grande desconforto geral que tem um grande impacto nas nossas vidas.

3. A curiosidade não matou só o gato. Quem tem amor à sua vida não vai explorar edifícios abandonados, especialmente se tiverem fama de serem assombrados, nem sequer a sua própria casa quando as tábuas do chão ou as portas rangem, e muito menos pergunta "Quem está aí?" quando ouve um barulho suspeito seja onde for. O mínimo sinal de curiosidade desperta instintos assassinos seja quem ou qual for o antagonista.

4. Não ser bonita ou branca é morte certa. Normalmente a(s) protagonista(s) são a(s) mais bonita(s). Todas as outras normalmente morrem, independentemente da personalidade ou inteligência. Morrem mais cedo se não forem virgens, se forem especialmente más para as outras pessoas ou se fizerem comentários tolinhos. Morrem também mais cedo os que não são brancos. Africanos, indianos, chineses morrem todos primeiro.

5. Ver filmes de terror é muito má ideia. É uma má ideia que aprendo e também desaprendo. Há filmes e filmes, mas em geral todos eles despertam na imaginação um instinto de auto-mutilação capaz de ver nas sombras um espírito agitado, de suspeitar de qualquer brisa ou som, e de convocar TODOS os terrores para a nossa realidade porque ver filmes de terror não é mau o suficiente; temos também de pensar neles depois e temer pela vida. Voltamos aqui ao início deste post, quando referi que estar viva é um enorme privilégio.

Vanessa

Prazer peculiar I

Tenho de falar e pensar em mais coisas boas. Essa coisa da gratidão. Vou começar por uma coisa peculiar que todos os dias (úteis) me dá prazer. E tem que ver com trabalho. Não, não é a hora de saída, porque isso é uma miragem para quem trabalha em casa. Também não é a hora de almoço ou a de jantar.

Esta coisa de que falo vem no seguimento da escrita de páginas e páginas de texto corrido, tipo umas 20. Então, teclo e teclo e teclo sem nunca pressionar o enter até ficar com um bloco de texto gigantesco. Às vezes até diminuo a resolução para ver as letrinhas a formar um rectângulo quase massivo distribuído pelas páginas.

Este passo é importante para ganhar perspectiva. Tipo, "Ena, já trabalhei imenso". Mas também porque faz com que o passo seguinte seja ainda mais prazeroso. O tal prazer peculiar que deu mote a este post.

Consiste em dividir o imenso bloco de texto em pequenos blocos, não muito longos. Isto já faço com uma resolução normal. Vou revendo o trabalho e vou usando o enter para espaçar os bloquinhos.

Quase me dá arrepios.

É como se nunca fazer parágrafos aumentasse a tensão, tipo aquelas cenas nos filmes de terror, antes de um susto, quando a banda sonora se transforma em som gutural ou silêncio, e depois cada enter fosse o pós-susto.

Quanto menos dentes de cavalo tiver, mais prazerosa é a tarefa. O que são dentes de cavalo? Explico numa próxima, que isto é um post sobre coisas boas e se há coisa boa é ver um bloco de texto ser parcelado.

É uma tarefa altamente entusiasmante, tipo aquela moda de usar uma faca em ponto de ebulição para cortar cenas e fazer vídeos só disso. Mas isto é mais do que isso para mim. É como uma pequena meditação. Ou um chocolate. Ou café. Pena que ainda ninguém faz vídeos de blocos de texto a serem editados.

Por aí, alguém com um prazer peculiar?

Vanessa

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Mas quem são vocês?

Todos os dias tenho entre 200 a 400 visitas mesmo que não publique e todos os dias me pergunto quem são estas pessoas que cá vêm todos os dias, mesmo com as pérolas que tenho escrito ultimamente.

Aborrecimento, manicuras, Trump, o furo da minha botija de água quente são temas extremamente pertinentes, mas hoje em dia ninguém lê, muito menos texto assim corrido e muito menos ainda na internet.

Portanto vocês vêm cá para... meditar? 

Pelo contraste do branco da página com o preto das letras? 

Porque de longe parece que estão a ler algo interessante? 

Porque têm esperança de ver memes novos ou novas piadas secas ou galerias de fotos qui e têm preguiça de subscrever a newsletter, e por isso têm de cá vir todos os dias? 

Porque me conhecem e... esperem, não pode ser. Acho que não conheço sequer 200 pessoas na vida real.

Já sei. Porque estavam a pesquisar uma das coisas aleatórias sobre as quais já escrevi e vieram aqui parar por engano? Realmente a maior fonte de tráfego de Janeiro é o Google.

Não estou a perceber.

Serão aliens?

Vanessa

Os 10 mais lidos de Janeiro de 2017

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Há dias que não apetece nada

Ennui é o termo ideal. Ennui é um estado de espírito ou um sentimento causado pela falta de entusiasmo ou interesse, ou pelo tédio. Há dias ennui. Trabalhar em casa às vezes é ennui. A chuva, os domingos, o inverno no geral às vezes dão-me ennui. Mas encontrei uma cura, já muitas vezes citada na internet: ver vídeos com animais fofinhos, vários de seguida, e esquecer as horas. Infelizmente o estado de espírito volta depois da actividade, às vezes em dose reforçada, em proporção directa ao tempo que se gastou ali. Ainda assim, compensa.

Vanessa

Mãos de fada

Quando ia de comboio para o trabalho inspirava-me nas muitas mulheres que aproveitam a viagem para fazer coisas que provavelmente ficam esquecidas o resto do dia. Por isso, obrigava-me a ter sempre uma bisnaga de creme para as mãos na mala, porque havia sempre alguma mulher que massajava o sono matinal nas mãos e que consequentemente me inspirava a fazer o mesmo, e a carruagem ficava a cheirar a feminino.

Ora agora é o massajas. Apesar de estar constantemente ao teclado, de lavar loiça à mão, de ter muito amor às mãozinhas, não lhes dou valor nenhum quando chega a altura do vamos a ver. É que me esqueço. Não há o incentivo alheio na carruagem do comboio ou a bisnaga está longe e eu tenho preguiça de a ir buscar.

De vez em quando lá as brindo enquanto estou a ver algum filme ou série ou vídeo. Às vezes ainda levam uma manicura com direito a tratamento de cutículas e essas palermices. Mas é raro e não pode ser raro.

A situação está a tornar-se grave. Quem acha que só quem trabalha na agricultura é que ganha calos é porque nunca teclou a sério. Já tenho calos em dois dedos, um deles o indicador direito, de tal forma que qualquer dia a minha impressão digital já não é reconhecida. E nem falemos nas cutículas ou nas unhas.

Também já ando para experimentar uma manicura profissional há algum tempo e já decidi que aos 30 é que é. Normalmente consigo um bom efeito nas minhas unhas quando me empenho e por isso nunca senti necessidade de ir à manicura, mas uma vez que se aproximam os meus anos, acho que será um bom presente.

Juro que não me lembrei de escrever sobre isto no seguimento do post sobre o Donald Trump. É mesmo por falta de assunto e porque me apeteceu ser fútil por um bocadinho. Tenho andado a trabalhar nisso. No outro dia até comprei umas botas e nem sequer pensei na quantidade de livros que não compraria com o mesmo dinheiro. Mas isto da futilidade é uma aprendizagem constante. Lá para os 50 já sou profissional.

Vanessa

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Ao menos Donald Trump é honesto

Pela primeira vez na história da humanidade há um político que cumpre quase tudo o que promete. É inédito e chega a ser inusitado. Eu cá não costumo discutir política, mas abro uma excepção para o excepcional Donald Trump, que faz manchetes a torto e a direito pela sua invulgar forma de estar e agir. Confesso que ainda pensei dar o benefício da dúvida, mas está mais do que expresso como vão ser os próximos quatro anos.

Trump é aquele político que as pessoas gostam de odiar. Tornou-se conversa de café e de ocasião. Já enjoa um bocadinho, para dizer a verdade. Por outro lado, pôs a política na linha da frente, o que é de louvar. Por outro lado ainda, pode ser que seja um abre-olhos para a democracia, toda esta campanha eleitoral.

Em 2016, as notícias de última hora punham-me a questionar quem teria morrido daquela vez. Em 2017, essas e todas as outras notícias põem-me a perguntar o que terá Donald Trump feito agora. Portanto, outro lado positivo é a minha renovada curiosidade pelas notícias, coisa que já tinha perdido há algum tempo.

Vanessa

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Fala-baratismo português e finalmente o Tesla Portugal

Quando pediram a Elon Musk, através do Twitter, para trazer a Portugal um centro e concessionário Tesla, Musk respondeu com um "OK". Seis meses depois já temos serviços Tesla em Portugal. 

É esta uma das principais diferenças que vejo entre empresários portugueses e os grandes empresários mundiais. Fora o facto de não termos empresários como Elon Musk, continuamente a transformar o mundo e com uma visão de futuro que não implica um planeta soterrado devido às alterações climáticas.

Temos é grandes empresários portugueses que gostam de falar com o seu ar gingão e que se enterram com o que dizem. Já reparei que os que mais falam são os piores. Os que estão calados no seu canto são os que fazem acontecer, o que não é muito em Portugal. Parece-me. Confesso que estou a falar de cor.

Caso não saibam, eu tenho um fascínio por Elon Musk, co-fundador do PayPal, que dá tanto jeito a quem trabalha na internet, criador da SpaceX e da Tesla Motors, assim como de um projecto chamado Mars Oasis.

Onde é que já se viu um milionário usar o seu tempo para pensar em soluções práticas para os problemas do mundo? É impensável. E é por isso que acredito mais em Elon Musk do que no Papa ou qualquer outra personalidade considerada influente na sociedade. De fala-baratismo está o mundo cheio.

De pessoas que façam acontecer, que invistam tempo para conservar o futuro, que vejam além do peso do dinheiro nos bolsos está o mundo (especialmente Portugal) muito escasso.

Vanessa

Humpf

Ontem cheguei a pensar que sofro de incontinência. Mas não, o que aconteceu foi que a minha fiel botija de água quente rompeu-se um bocadinho, o suficiente para não reparar, e começou a verter. Tinha tanta roupa que quase não reparei. Só que comecei a ficar com muito frio e com a roupa agarrada à pele.

Tinha sido engraçado se não tivesse reparado, uma vez que na cama uso um cobertor eléctrico. Com certeza dava um efeito giro ir para a cama com a roupa molhada. Nunca mais me queixava do frio, é o que é.

Já ouvi dizer que as coisas más acontecem de seguida e até já ouvi que acontecem em trios. Primeiro foi-se o frigorífico. Depois a lâmpada da cozinha. Agora a botija de água quente. De todas, esta última é a que faz mais falta, porque me permite trabalhar de forma confortável, coisa que dá jeito até porque sem trabalho não se compram coisas e sem se comprar coisas não se substitui o que se estraga, que é tudo e de uma vez.

Este ano está invejoso da atenção que teve 2016 e assim que começou não deu descanso. 

Mas agora já chega, sim?

Vanessa

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Aquele em que ela se põe a reclamar

Quis o destino que ainda antes de fazer 30 anos me fosse iniciar nisso de pagar uma coisa a prestações. Ainda não tinha desfrutado da experiência. Não me aquece (coisa que dava jeito agora) nem me arrefece, mas não quis deixar de notar o marco. A quem se esteja a perguntar o que poderá ser esta coisa que está a ser paga a prestações, aviso já que não é nada altamente excitante tipo um daquelas televisões 4K ou uma viagem. É um frigorífico já que o nosso, que consta ser mais idoso que eu, resolveu reformar-se sem aviso prévio.

Como se não bastasse esta iniciação à idade adulta, foi-me oferecido o prestigiante cargo de madrinha pela segunda vez. Quem já é madrinha de uma criança pode perfeitamente ser madrinha de outra. Neste caso, um Afonso primeiro e agora uma Constança. Isto não é propriamente uma reclamação, apesar do título deste post, mas uma questão quanto à sanidade das pessoas que pensam em mim quando pensam nos seus filhos numa situação de emergência ou necessidade, que é para mim o ponto central no apadrinhamento de alguém.

Tenho esperanças de que estes pais pensem que acontecer-lhes algo é tão descabido que tenham escolhido a pessoa mais descabida no mundo para ser madrinha dos seus rebentos. Só assim posso perceber o súbito soluço mental que tiveram quando se lembraram de mim. Ou isso ou, meus amigos, o vosso futuro passa por uma instituição daquelas que forçam as pessoas a usar um casaquinho branco que vos prende os movimentos.

Entretanto uma amiga convidou-me para a sua festa de anos, aquela em que vai comemorar os seus 15 anos, 15 anos depois. A criatividade desta miúda. O convite fez-me sentir muito desmazelada porque já eu devia ter combinado qualquer coisa para a minha própria comemoração, que prefiro que seja a dos 20 anos mais 10. Acontece que os finais de semana deste mês têm sido tão cheios e a minha falta de tempo livre está a atacar-me o sistema nervoso de tal forma que quando imagino o dia dos meus anos vejo-o passado num spa. 

Não pensem que me imagino acompanhada, não. Imagino-me num spa sem mais ninguém, em completo silêncio, uma bebida e um livro. O cenário alternativo é: eu sozinha em frente ao mar com um cobertor, uma bebida e um livro, ou em frente a uma lareira, ou numa ilha deserta onde não está frio.

Normalmente tento não pensar na vida luxuosa das celebridades e muito menos na dos jogadores de futebol, mas dia 5 de Fevereiro é aquele dia em que penso no Cristiano Ronaldo, que também comemora o seu aniversário, e me pergunto o que estará ele a fazer. Depois passa-me, até porque há o Facebook para ter inveja de pessoas mais próximas de mim e do meu estatuto social. Esta semana duas conhecidas comemoraram 30 anos. Uma recebeu uma viagem a Nova Iorque, a outra uma viagem a Paris.

Estou muito contente por vocês. Juro.

Vanessa

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Só para dizer...

... que este fenómeno continua e parece estar bem de saúde. Há também um bónus. Não é raro agora perguntarem se quero açúcar ou adoçante. Juro que parece que tenho qualquer coisa na cara.

Vanessa

Já fumegam

Gosto de tomar banho com a água a escaldar e capaz de esfolar a pele muito quente. O que acontece no tempo frio é que depois fico com a pele a fumegar, especialmente quando entro no meu quarto, cuja semelhança com um congelador às vezes me faz sentir como um pedaço de proteína animal que alguém se esqueceu de tirar para descongelar a tempo do jantar. Até o cabelo se me fica a fumegar durante uma meia hora.

Isto para dizer que como tenho sempre as extremidades geladas, uso uma botija de água quente para aquecer especialmente as mãos, porque teclar com as mãos geladas dá mau resultado. Depois fico com as mãos a fumegar, o que dá um efeito engraçado quando estou a trabalhar ao computador. 

Até parece que estou a trabalhar arduamente, o que é engraçado porque sou da geração millennial e toda a gente sabe que os millennials não querem é trabalhar. Normalmente uso a expressão "até os dedos fizeram fumo" quando quero dizer que trabalhei tanto que provavelmente provoquei danos permanentes no canal cárpico. Agora posso dizer que trabalhei tanto que literalmente os meus dedos fizeram fumo.

Isto é dedicado àquela senhora que um dia ouvi no comboio a dizer que a cabeça lhe tinha literalmente explodido tamanha era a sua enxaqueca. O Nick Quase Sem Cabeça aprova esta mensagem.

Vanessa

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Jornalixo I

Atenção: contém sarcasmo

Está frio em todo o país. Para quem não sabe, isto é inédito, porque em Janeiro normalmente estão 40 graus à sombra. Normalmente nem temos inverno. Há locais em território nacional onde está mais frio do que em outros, que são aqueles locais que todos os anos aparecem nas notícias por serem precisamente os locais onde está mais frio, mas como nunca se sabe se as pessoas estão atentas, toca de voltar a tocar no assunto.

Todos os anos.

É sempre a mesma coisa. Este ano o fenómeno é directamente proporcional ao nível de frio. Pronto, reconheço. Mas há necessidade de falar sempre do óbvio? É que sempre que está frio, a estratégia para evitar morrer de hipotermia é a mesma. Não é preciso falar com as pessoas que andam pela rua para saber o que elas fazem.

Mas percebe-se. É que estamos em Portugal, um país onde ligar um aquecedor nos gela ainda mais a alma quando recebemos a factura da electricidade e onde o preço do gás era em 2015 o segundo mais elevado da União Europeia. Que banho de água fria. É tão absurdo que torna aceitáveis as "notícias" sobre o inverno.

Vanessa

Do avesso

Há um fenómeno muito estranho no meu guarda-roupa. A maioria das minhas peças são mais confortáveis quando estão do avesso, e acho estranho que chamemos avesso ao que está fora mas devia estar dentro.

Não experimentei a maioria da minha roupa "do avesso" para chegar a esta conclusão, mas parece-me óbvio. A excepção são as camisolas que só são polares por dentro. São polares no avesso. 

Como cheguei eu a esta conclusão? Começou com as meias. As desportivas, por exemplo, têm costuras que chegam a magoar. Comecei a usá-las ao contrário do que é indicado por causa disso.

O problema são as costuras e as etiquetas. Posso cortar as etiquetas, mas a costura é o que mantém a roupa inteira, não é verdade? Dizem que o que conta é o interior mas isso é mentira no caso da roupa.

A parte de fora da roupa é muito mais confortável na maioria dos casos, excepto quando há botões, lantejoulas e outros penduricalhos envolvidos na parte de fora, o que é raro na minha roupa.

Só queria partilhar este desabafo para desenjoar do tempo e da política, que esses sim estão do avesso.

Vanessa

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Os oito magníficos (que têm mais dinheiro que metade da população mundial)

Oito pessoas detêm mais riqueza acumulada do que 50% da população mundial. São eles Bill Gates, Amancio Ortega, Warren Buffett, Jeff Bezos, Carlos Slim, Mark Zuckerberg, Larry Ellsion e Michael Bloomberg.

Se antes se especulava que o fosso entre ricos e pobres estava a crescer, ficou agora evidente, já que em 2010 era necessário somar o património dos 43 mais ricos para perfazer os mesmos 50%. 

A Oxfam, organização contra a pobreza responsável pelo estudo com tão deprimente conclusão, defende que sejam abolidos os "benefícios fiscais aos mais ricos" assim como defende "o fim dos pagamentos desproporcionalmente elevados das empresas aos accionistas mais ricos", reporta o Jornal de Negócios.

Tenho a dizer-vos que este jogo de Monopólio já não está a ter piada nenhuma. Ou os dados estão viciados ou o responsável pela banca está a fazer batota. Ou então há um erro qualquer no Matrix (isto soa tão melhor em inglês). Se o mundo fosse um computador, acho que estaríamos perante um ecrã azul. O mundo transformou-se nos Jogos da Fome. Qualquer dia será tipo o Elysium. Preferia que fosse tipo o Star Trek, mas sem os conflitos. Serei sempre uma Divergente, mas não posso fazer nada senão o mesmo que as personagens do 1984 de George Orwell: resignar-me. Chama-se a isto O Triunfo dos Porcos. Que Admirável Mundo Novo.

Vanessa

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

A ideia de eterno retorno no cinema

Estou irritada. Apesar de querer ver A Bela e o Monstro, sei que a ideia é estúpida. A estória é a mesma e provavelmente apenas alguns detalhes vão mudar. Portanto isto vai ser o chamado remake, só que com pessoas em vez de desenhos animados. Pronto, perdoo a Disney porque é a minha estória preferida.

Mas, mas, mas. Há aqui um grande mas. As produtoras viram que há um imenso potencial em fazer de novo filmes que não só já foram para o ecrã há anos, como tiveram sucesso. Então por isso, até 2020 há uma lista gigante de filmes que ou vão ser refeitos (remakes) ou reintroduzidos com nova vida (reboots).

O que mais me deixa irritada são as novas versões de filmes como o brilhante American Psycho, Os Pássaros de Hitchcock, Scarface Jumanji (desta vez com aquele tipo que se auto-intitula calhau). São filmes geniais que estão bem como estão. Não precisam de ser ressuscitados desta forma. Mas estas produtoras não viram o que aconteceu com os Caça-Fantasmas ou o Ben-Hur? Não têm senso comum?

Alguém me explique a necessidade de voltar a trazer o raio da Police Academy que está bem é lá nos confins dos anos 80, que foi engraçada na altura, mas que hoje em dia não se justifica. Alguém me explique por que razão o filme Cabin Fever vai voltar a ser filmado com o mesmo guião (igual, igual) do original. E A Múmia? E os Anjos de Charlie? E a Mary Poppins? E o Querida, Encolhi os Miúdos? E a cambada de sequelas e prequelas e spin-offs?

Acho que alguém se esqueceu de dizer às produtoras que sai MAIS BARATO voltar a exibir os filmes originais no cinema, ideia que eu até aplaudia entusiasticamente porque muitos dos filmes originais eu não tinha idade para ver no grande ecrã, e que a audiência está farta dos reboots. Tipo, já sei que o Homem Aranha era um miúdo estudioso e desajeitado que foi mordido por uma aranha radioactiva. Passem à frente.

Por mim, vou boicotar a maioria dos remakes e reboots. Sinceramente preferia que canalizassem os fundos para conteúdos originais, novos realizadores, enredos bem desenvolvidos. Quando vi que estão a pensar refazer o Memento, que é só um dos meus cinco filmes preferidos feito pelo meu realizador preferido, quase entrei em ebulição. Não contem com o meu traseiro nos vossos assentos, produtoras. Por mim podem ir à falência.

Vanessa

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Sabes que estás a ficar velha quando ...

... começas a concordar com alguns dos pais das personagens nos desenhos animados. Tipo, Ariel, tu ÉS uma criança e não sabes nada da vida. Simba, não sejas pretensioso e calma com isso de ser rei. Ou quando vês o Toy Story e perguntas-te se os brinquedos sexuais também ganham vida naquele universo, e como será a convivência entre todos os brinquedos. Ou quando pensas no tamanho do cabelo da Rapunzel e te perguntas se ela também deixou crescer outras pilosidades corporais. Ou quando te perguntas por que razão será a Bela Adormecida uma linda princesa quando passa a maior parte do tempo na cama e se eu fizesse o mesmo seria só preguiçosa. Ou como pode Jasmine confiar no Aladino quando ele passa o tempo todo de tronco nu e nem sequer tem mamilos. Ou se calhar não, não estou a ficar velha porque isto são coisas muito infantis para se pensar.

Vanessa

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Queridas marcas

Os consumidores são mais inteligentes do que pensam. Podemos cair nalgumas das vossas manhas, mas não tem todas. Já reparámos que muitas de vós preferem reduzir o tamanho em vez de aumentar o preço.

Estou a olhar para vocês McDonald's. Aquele vosso Grande Big Mac só me faz lembrar o tamanho do Big Mac quando era novidade em Portugal, que era precisamente do tamanho desse Grande que agora custa mais 50 cêntimos. Nessa altura, um menu com o Big Mac deixava uma pessoa quase empanturrada. Agora só deixa a desejar. Nessa altura nem era preciso pedir ketchup. Agora quase precisamos de suplicar.

Agora também têm a mania de dirigir os clientes para aqueles ecrãs para que façamos nós o pedido. Também já vos topei. Não vai acontecer enquanto não baixarem o preço para eu fazer o trabalho de um funcionário. Sim, também sou daquelas pessoas que evita a todo o custo as caixas automáticas dos supermercados e recorda saudosamente a época em que havia funcionários a encher os depósitos nas gasolineiras. 

Somos clientes, não colaboradores. Não há cá borlas, até porque nós não as temos e muito menos recebemos salário para realizar tarefas de funcionário. Gostaria que mais pessoas se apercebessem disso. 

Sítios em regime self-service têm obrigação de ser mais baratos ou oferecer produtos e serviços de excelência para compensar ser o cliente a ter de trabalhar para obter aquilo por que já paga. Isso vai das grandes cadeias aos cafézinhos sem serviço de mesa. Eu sei que até para caixa de supermercado já é difícil arranjar emprego, mas não é por isso que vou eu trabalhar de borla a registar as minhas compras, até porque há tão poucas caixas dessas (e ainda bem) e ocorrem tantos problemas que uma pessoa tem de ficar na fila à mesma.

Eu sei que o DIY (Faça Você Mesmo) está na moda, mas sei reconhecer abusos quando eles existem. Recolho o meu tabuleiro com prazer, mas estabeleço aí o limite. Há uma grande diferença entre cortesia e burrice.

Vanessa