quinta-feira, 30 de março de 2017

Prazer peculiar II

Comprei um telemóvel. Quem me conhece sabe que tal feito é um evento por si só. Este foi o segundo telemóvel que comprei na vida e o primeiro smartphone que comprei. O anterior era smartphone mas foi-me oferecido. Antes disso comprei um e antes desse tive outro comprado pelos meus pais. Só tive telemóvel aos 18, o que quer dizer que em 12 anos tive quatro. Continuo a achar que são muitos telemóveis para uma pessoa só.

Serve isto para descrever o prazer peculiar que é retirar a película dos ecrãs. Tendo em conta que este é o maior telemóvel que comprei, a película, pensei eu quando o vi, seria enorme. Só que não. 

Foi a minha maior desilusão com este telemóvel. Não consigo descrever ao certo o prazer de descascar o ecrã, de sentir o plástico descolar lentamente, quase sem som, todo esse processo, e depois o ecrã a parecer limpo como janelas acabadas de limpar. É mesmo uma coisa digna dos fanáticos do ASMR, qualquer coisa em português como resposta sensorial autónoma do meridiano. É o chamado orgasmo do cérebro.

Mas descansem que esta estória teve um final feliz, porque eu tenho um Inspector Gadget na minha vida, que é como quem diz um namorado que adora maquinetas, que me trouxe uma película de um Samsung Galaxy não-sei-das-quantas que cabe perfeitamente no meu novo telemóvel (é tão estranho dizer isto). Foi assim, que ao segundo dia de uso, pude retirar a película ao meu novo brinquedo. Até tive um arrepio.


Vanessa

quarta-feira, 29 de março de 2017

Não vos entendo,

Pessoas que fazem perguntas no Facebook que mais valia botarem num qualquer motor de busca em vez de fazerem figura de tolinhos. Não vos entendo, pessoas que vão para os comentários dos artigos partilhados no Facebook fazer perguntas sobre o seu conteúdo. Mesmo que estejam com dados móveis, não vos entendo. Não entendo pessoas que sei terem acesso à internet e que mesmo fazem perguntas como se a internet não existisse. Eu até percebia no tempo dos dicionários e enciclopédias. Nem todos os tinham em casa. Pegar num era só por si uma tarefa hercúlea. Procurar envolvia todo um método que era ensinado na escola. Hoje em dia não entendo.

Vanessa

quinta-feira, 23 de março de 2017

Inconveniências

É quando tenho o browser cheio de abas abertas e estou envolvida em trabalho que me surgem as melhores ideias criativas. É quando estou quase a adormecer que me surgem as segundas melhores ideias. É quando não tenho nada com que escrever que me surgem as terceiras melhores. É sempre uma inconveniência.

É triste quando ideias criativas são vistas como inconveniência e não como sinal de uma mente sã. É triste que alguém tenha definido o dia de uma pessoa como oito horas de sono, oito horas de trabalho e oito horas de lazer, quando na verdade nunca é nada assim. Nas oito horas de lazer estão incluídas obrigações.

Mas essas obrigações não são um fardo. São essenciais à sã vivência. Fazer compras, atender às necessidades fisiológicas, descontrair, tudo isso são bens essenciais. É triste que eu as veja como obrigações num sentido pejorativo, e não como obrigações no sentido de não poderem ser descuradas em honra de mim própria.

Parece-me que ando toda trocada e que não estou sozinha. Andamos todos trocados tal como as estações do ano estão a ficar confusas e difíceis de prever. Hoje caiu granizo sobre mim. Foi mais do que um baldo de água fria. Foi um momento iluminado. Lembrei-me do que falo aqui nesse momento. Depois disso fiquei gelada.

Vanessa

quinta-feira, 16 de março de 2017

Skip the Dishes cancela entrevista após pergunta sobre o salário

Haverá melhor prova de que hoje em dia um emprego já não é o que era do que uma empresa cancelar uma entrevista porque um candidato fez perguntas acerca do salário? Foi o que a empresa Skip the Dishes fez. Está aqui a estória completa (em inglês). Uma candidata fez uma entrevista telefónica e antes da entrevista presencial perguntou por email que salário e benefícios poderia esperar por parte da empresa. Uma representante da startup canadiana, perante tal questão, respondeu que a pergunta demonstra que as prioridades da candidata não estão alinhadas com as da empresa e que por isso a entrevista ficaria sem efeito. 

Num segundo email foi ainda esclarecido que a pergunta é válida mas que tendo sido feita tão cedo no processo de recrutamento levanta preocupações já que a empresa acredita que trabalho árduo e a perseverança são características mais valorizadas do que a compensação. O que me causa a mim preocupação é empresas acharem que a compensação não é um factor preferencial ou eliminatório para um candidato. Afinal de contas, um emprego, diz o dicionário Priberam, é uma "ocupação remunerada e determinada a que alguém se dedica". Se calhar em inglês os dicionários têm uma definição diferente. Ou se calhar emprego não é o mesmo que trabalho. Se calhar a empresa confundiu-se. Ou se calhar eu é que estou confusa. Já não sei nada.

Vanessa

Isto é estranho

Vi o John Wick 2 e gostei. Vi o Logan e gostei. Vi o Batman em forma de lego e gostei. Vi o Hacksaw Ridge e gostei (desde que o Soldado Ryan foi resgatado, não me lembro de gostar de mais nenhum filme de guerra). Vi o Sing e gostei. Vi o Kubo e gostei. Não me lembro do último filme de que não gostei. Algo se passa. Espero que o meu sentido crítico esteja não estragado. Tenho de ver aquele filme da muralha para tirar a teima.

Vanessa

terça-feira, 14 de março de 2017

Uma palavra de cada vez

Quando não me apetece nada trabalhar escrevo uma palavra de cada vez. Às tantas há frases formadas. Ideias descritas. A forma dá lugar ao conteúdo. Nisto uma pessoa esquece-se. As palavras fazem esquecer. É por isso que também gosto de ler. Uma palavra de cada vez, às vezes e para começar, mas depressa a estória se transforma em tudo o que importa no mundo e as palavras atropelam-se perante os olhos.

Vanessa

segunda-feira, 13 de março de 2017

Raízes

Ser emigrante é conhecer família de vez em quando e tentar reconhecer em perfeitos desconhecidos laços que nunca se desenvolveram. É receber em casa sangue do mesmo sangue sem que se sinta familiaridade para com as pessoas. É ver pessoas parecidas connosco, com as mesmas origens, mas com destinos diferentes; destinos que podiam ter sido os nossos se tivéssemos permanecido. Ser emigrante é viver em fragmentos, procurar intimidade em pequenos momentos e saber que instantes contam como a convivência de anos. Ser emigrante é só pensar nestas coisas quando se encontram desconhecidos que são família porque é nesses momentos, mais do que em quaisquer outros, que ser emigrante parece ser a pior que pode acontecer a uma pessoa. É aí que ser emigrante é o mesmo que ser um lobo sem alcateia, um país sem terra,  uma árvore sem raízes.

Vanessa

sábado, 11 de março de 2017

A verdadeira globalização: um poema

Vou ao café e peço uma italiana,
Trabalhar como um mouro assim requer,
A solução à noite é raiz de valeriana.
Mas por vezes nem isso resulta sequer.

Fala-se tanto em globalização.
Eu cá acho que é só para inglês ver.
Tabelou-se por baixo a padronização
Parece que tudo é feito para despromover.

Uma pessoa trabalha que nem um escravo,
Mas vê-se grego para ter o que quer.
Porque o trabalho árduo não vale um chavo
Ter casa hoje, só de aluguer.

Mas hoje em dia até um tecto é sinal de opulência,
Por isso a casa dos pais é a melhor defesa.
Qualidade de vida hoje é mera subsistência.
Não há cá viver à grande e à francesa.

Se comer um bife tenho o rei na barriga,
Qualquer coisa é acima das nossas possibilidades.
As regras da sociedade parecem chinês, que fadiga.
Para perceber, devia ter ido para as Novas Oportunidades.

O que melhor funciona neste mundo são as facturas
Que vêm com pontualidade suíça impressionante.
Ouvi falar e aprendi a cortar nas gorduras
Que remédio se tem quando se é insignificante.

Pagar contas e gerar riqueza é nosso dever,
Por isso se não há trabalho, olha, abre uma empresa.
Se isto vai melhorar, é pagar para ver.
Assim chegou a globalização à casa portuguesa.

Com certeza.

Vanessa

quinta-feira, 9 de março de 2017

Noite quase tranquila

Se eu disser que demoro cerca de uma hora a adormecer não estou a exagerar. Normalmente adormecer é uma tarefa custosa, especialmente porque o meu cérebro não se desliga facilmente e até funciona mais activamente de noite. Acontecia antes de ter computador, portanto não posso de todo culpar a tecnologia.

O chá Noite Tranquila da Lipton resolveu o problema temporariamente. Não sei se é o poder da sugestão ou se é da composição do chá — lúcia-Lima, tília (26%), lavanda (11%), aroma, folhas de laranjeira, camomila (8,9%), cidreira — mas só de pegar na caixa do chá já me dá sonolência. Na verdade, isto é mais uma tisana do que um chá, já que não contém cafeína. No aroma sobressai a lavanda, uma das minhas fragrâncias preferidas.

O problema dos chás, para mim, é o seu efeito diurético. O mesmo me acontece com qualquer tisana. Ou isso ou o sono faz-me adormecer sem tempo que a tisana chegue à bexiga quando cumpro os deveres fisiológicos e higiénicos antes de ir para a cama. O resultado é ter de me levantar a meio da tal Noite Tranquila para ir à casa de banho, o que desvirtua o efeito da bebida e é só em geral uma coisa incomodativa como o raio.

Muitas vezes, depois de me levantar já o efeito do chá passou e volto a ter dificuldade em adormecer, mas se tomar outra chávena, o ciclo repete-se. Não tenho solução senão talvez recorrer a medicação natural para adormecer, coisa que abunda ultimamente nas publicidades que vejo, mas que não me apetece e que provavelmente vai dar ao mesmo, que para engolir um comprimido bebo meio litro de água. Ao menos é bom não me sentir sozinha com este problema, que se há publicidade é porque isto já é uma epidemia.

Vanessa

quarta-feira, 8 de março de 2017

Que todos os dias sejam dia da mulher

Percorro o Facebook e fico contente por todas as mulheres que foram mimadas neste dia com flores, chocolates, jantares e até folga das tarefas domésticas. É importante que existam dias que celebrem apenas um género quando em todos os outros dias do ano esse género tem de lidar com circunstâncias que apenas a esse género são afectas, em especial desigualdade, padrões e obrigações específicas, cobranças e falta de oportunidade.

É raro mulheres em cargos de chefia nos filmes serem também bem-sucedidas em termos pessoais. Ora são solteironas frias e cruéis, ora são falhanços no que toca a conciliar família com carreira, ora mulheres maduras com arrependimentos e amargura que as tornam umas pestes. São raros os filmes que passam o teste Bechdel, porque na saúde e na doença, no sucesso e na depressão, claramente metade da humanidade gira em torno da outra metade. Felizmente há um dia do ano que obriga a parte beneficiada a lembrar-se da outra.

Gostava que um dia não houvesse um dia que levasse tantos meios de comunicação a publicar estudos que demonstram como as mulheres são constantemente discriminadas, como recebem menos salário mesmo por comparação a cargos de igual importância ocupados por homens, como têm muito mais responsabilidades em todo o lado, como morrem às mãos cheias, vítimas de abusos variados.

Um dia gostava que as mulheres fossem levadas a sério e que artigos noticiosos sobre mulheres poderosas não se focassem na sua indumentária. Um dia gostava de não me sentir insegura quando passo por um grupo de homens numa rua escura e de não ver o mesmo receio por parte de outras mulheres ou de ver em notícias casos em que o medo se tornou realidade. Gostava de não ser informada de realidades como violações, maus tratos, abusos, mutilação genital, nem que fulana tal "estava a pedi-las" pelas escolhas que fez.

Gostava que não me perguntassem se me quero casar, quando me vou casar, se quero ter filhos, se não está na altura de pensar nisso, ou de ter de me justificar porque a mentalidade tanto de homens como de muitas mulheres por vezes conflui na certeza de que a mulher tem um papel neste mundo e tem o dever de o cumprir porque tanto homens como mulheres às vezes esquecem que mulheres são também seres humanos.

Simplesmente, um dia gostava que não fosse preciso existir um dia da mulher, assim como dias para os pais, para as mães, para as crianças, porque num futuro próximo todos os dias são dias para celebrar tudo isso.

Vanessa

terça-feira, 7 de março de 2017

O Efeito Mandela: Shazaam vs. Kazaam

Kazaam é um filme de 1996 no qual Shaquille O'Neal (ex-basquetebolista norte-americano) é um génio da lâmpada nos tempos modernos (os tempos modernos de 1996, claro). Shazaam é um filme de 1994 no qual Sinbad (nome artístico do comediante norte-americano David Adkins) é também um génio da lâmpada. 

Porém, um dos filmes aparentemente não existe. Se procurarem na internet, verão que Shazaam está apenas guardado nas memórias de quem (pensa que?) o viu, porque provas físicas da sua existência não as há. Mas não se tratam de memórias vagas que possam ser tomadas como mera confusão com Kazaam e não é apenas um punhado de pessoas que se lembra desse tal Shazaam (nenhuma relação com o Capitão Marvel).

Sinbad diz que não protagonizou nenhum filme com esse nome. A única foto do actor vestido de génio a circular pela internet é de um outro evento. Com excepção deste site, fácil de forjar, diga-se, não há imagens do filme, nem posters, nem cassetes. O que há é muitos depoimentos de pessoas que dizem ter visto o filme e a maioria dos relatos coincide. Shazaam é um génio incompetente que é liberto por duas crianças que lhe pedem o desejo de que o pai viúvo se volte a apaixonar. Há quem refira que só conhece o comediante por causa do filme.

Além de outros detalhes do filme, alguns de pessoas neste artigo que têm a certeza de que não foram influenciadas por outros relatos que tenham lido, incluindo o de o funcionário de uma loja de aluguer de vídeos que viu o filme várias vezes na loja onde tinham sido encomendadas duas cassetes, há ainda fóruns de discussão online, incluindo o Reddit, com vários outros pormenores e contexto. E depois isto:

A imagem é um print feito por mim the uma página de Facebook sobre o Efeito Mandela onde este tal Jamie Campbell diz ter feito parte do elenco do filme, nomeadamente interpretando um taxista que conduz Shazaam pelo meio do trânsito. A página pode ser vista aqui. Há muitos mais detalhes sobre o filme na conversa.

Isto aparenta ser um exemplo do Efeito Mandela, sobre o qual já escrevi aqui com mais informações sobre o que é e ainda outros exemplos. Provavelmente nessa publicação misturei o fenómeno em si com o conceito de memórias colectivas falsas, mas para alguns o Efeito Mandela é uma memória verdadeira, só que de uma realidade paralela ou de algo que nesta realidade tenha sido de alguma forma apagado da história.

A dúvida sobre a existência de Shazaam e a certeza de outros sobre a sua existência não deixa de ser algo curioso. Afinal existiu ou não existiu? Que explicação racional poderá haver para deixar de ter existido, a acreditar naqueles que relatam ter visto o filme? Poderá ter sido apagado da história por ter sido destruído num tempo anterior às cópias digitais? Será que vivemos numa simulação? Será que há alguém a reprogramar o passado?

Kazaam eu vi, mas de Shazaam não me lembro. Os actores principais de ambos também não são particularmente parecidos. Talvez num país que não os Estados Unidos seja mais fácil comprovar a existência do filme, especialmente se lhe tiver sido atribuído outro título, por exemplo. Alguém aí se lembra do filme?

Mais sobre o Efeito Mandela.

Vanessa

Atenção: aqui há muita secura XVII

O presunto entrou num bar e pediu uma cerveja. O funcionário disse que ali não se servia comida.


Vanessa

segunda-feira, 6 de março de 2017

O momento de desligar

Aquela cena típica dos filmes, do "desliga tu primeiro", entre duas pessoas envolvidas romanticamente é como eu vejo a relação do mundo com a tecnologia. A não ser que a bateria se esgote, o momento de desligar é constantemente adiado, mesmo que seja em detrimento do mundo real. Vejo-me constantemente em situações em que a atenção daqueles com quem estou é dividida, e não em partes iguais, entre mim e outra coisa qualquer que tenha um ecrã e esteja ligado a um mundo virtual. Porque o momento de desligar nunca é o ideal.

Não tenho solução a não ser desligar e pronto, coisa que eu própria professo mas não pratico. É uma constante batalha interior entre o FOMO (Fear Of Missing Out) virtual e o real. O domingo acaba por ser o dia em que estou mais desligada, mas não me lembro de quando deixei de me desligar ao sábado para ter um fim-de-semana com maior conexão à realidade. É algo fora do meu controlo, uma vez que trabalho para mim e através da internet.

Desligar é perder oportunidades. É também perder algum tempo de lazer, uma vez que acredito que o que leio e o que vejo através do computador me enriquece e não deve ser completamente desconectado. Mas agora, por exemplo, não tenho lido tanto e todas as actividades criativas manuais estão em completo desleixo. O equilíbrio entre tudo isto requer uma disciplina que comecei a desenvolver, mas que não consegui cumprir a 100%.

Porque o momento de desligar nunca é o ideal, passam-se horas que depois são roubadas às tarefas do mundo real, mesmo aquelas das quais a sanidade depende. Às vezes não sei distinguir o ponto em que termina o dever e começa o vício. O único limite são os dias, é a esperança média de vida, são os momentos em que uma pessoa acorda para a realidade através de um livro, de um filme, de uma música, de uma conversa.

Creio que já me habituei demasiado a ter tantas coisas à minhas volta que têm a opção de ligar e desligar, mas cujo botão de desligar é bem mais difícil de pressionar do que o outro, mas por causa disso o meu FOMO é maior no que toca ao espaço real. Felizmente, vou sempre a tempo de desligar conquanto queira.

Vanessa

Catarse em memes XII

quarta-feira, 1 de março de 2017

Os 10 mais lidos de Fevereiro de 2017











Fevereiro foi um mês curto, com apenas 16 publicações neste blogue para contar a estória. Nota-se, já que uma lista de mais lidos figura na lista de mais lidos do mês que passou. Não vou fazer promessas vãs de que vou publicar mais este mês, até porque Março já me parece demasiado curto e ainda agora começou. A última opinião literária que publiquei foi em Outubro de 2016. Isso diz muito sobre a minha falta de tempo.

Vanessa

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Moana é a minha segunda heroína preferida da Disney




A primeira continua a ser a Mulan, mas Moana não lhe fica atrás. 

Nunca me identifiquei muito com a Jasmine, apesar de ser a mais próxima da minha etnia. Com isto já há três heroínas que não são a típica donzela (branca) que é salva por um príncipe e vive feliz (casada) para sempre. 

Quando era pequena não havia muitos desenhos animados com que me identificasse. X-Men era a única banda desenhada com efeito catártico para mim, porque retratava preconceito e racismo de forma abrangente.

Agora há mais diversidade, mas ainda não a suficiente. Passo pelos canais de desenhos animados e quase não vejo outras raças que não a caucasiana representada. Passo pelo corredor dos brinquedos e é o mesmo.

De todas as donzelas da Disney, Moana (ou Vaiana, em português) é a mais parecida fisicamente comigo (bem queria parecer a Jasmine, mas não deu) e a segunda que mais representa valores com que me identifico.

Gosto de como criaram uma personagem forte, de braços trabalhadores e tornozelos que parecem inchados, de como a mostram a trabalhar na aldeia, a apanhar cocos, e dos conflitos por que passa.

A Mulan sempre foi o meu ideal, especialmente porque a mensagem do filme é particularmente forte por se passar num país onde até há pouco tempo ter uma filha mulher era um fardo. Mas saúdo a Disney por ter criado outra personagem com carácter e ambição que vão além da busca pelo príncipe encantado.

Vanessa

Sabes que estás a ficar velha quando ... II

... os teus pais comemoram o Carnaval e tu não.

... nem te lembravas que é Carnaval.

... nem sequer pões a hipótese de comemorar o Carnaval.

Sabes que estás a ficar velha quando ... I

Vanessa

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

O Nokia 3310 vai voltar

O meu telemóvel já foi um smartphone. Agora ficou só a parte do phone e mesmo assim funciona mal, com a parte inferior do ecrã já sem funcionar. O problema é que era um dos raríssimos modelos Android com teclas e agora não há nenhum à vista. Gosto muito do meu QWERTY. Ainda assim, estou mais capaz de comprar um Nokia 3310 do que um smartphone. Acho que aquela coisa de termos de pensar no número de vezes que temos que carregar numa tecla para chegar a uma letra é um bom exercício mental.

Além disso, toda a gente sabe que o 3310 era capaz de sobreviver ao apocalipse, é uma boa arma de arremesso, pode ser o primeiro tijolo na construção de uma casa e essa casa nunca irá abaixo, e basicamente é ele próprio um seguro contra todos os riscos, o que é um aspecto importante para uma pessoa desastrada.

Comecei por pensar nele a brincar, como uma hipótese muito remota, mas entretanto o caso ficou sério.

Vanessa

15 de Fevereiro

Hoje é o dia dos namorados das pessoas que não ligam nenhuma ao Dia de São Valentim. Hoje e todos os outros dias até ao próximo dia 14 de Fevereiro, para dizer a verdade. Não me importava de jantar fora e receber gomas de presente todos os dias menos no dia 14. Isso sim seria romantismo. #ficaadica 

[inserir emojis a piscar um olho e corações]

Vanessa

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

As fotos do World Press Photo 2017 dão-me arrepios

Olho para as imagens que venceram o World Press Photo deste ano e vejo tudo o que está mal no mundo. A começar com a vencedora. Além dessa, que mostra segundos após um assassinato, os cenários de guerra e os olhares de tristeza, especialmente os de crianças, dão-me arrepios de mau estar.

Bem sei que um dos objectivos é mesmo esse, despertar consciências, mas ainda assim há sempre um tremendo desequilíbrio entre as fotos controversas e aquelas que mostram, por exemplo, momentos humanos.

Provavelmente nunca na minha vida vou ver um World Press Photo onde todas as fotos mostram beleza pacífica, mas gostava que estivéssemos mais perto de um 50-50, desde a primeira exposição do World Press Photo que vi até à mais actual. Mas não, todas mostram um mundo feio e muitas revelam os momentos em que os fotógrafos premiados colocaram em risco a vida para a captura de um instante que mostra o pior da humanidade.

Ainda tenho esperança de que um dia o World Press Photo seja uma exposição menos deprimente.

Vanessa

Tentem não sorrir

Desafio-vos.



Quem quiser boa-disposição durante 10 horas, há um loop disto no YouTube. Avisem-me que eu partilho.

Boa semana.

Vanessa

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Fantasias

Não sei se sou snobe ou se sou exigente com os filmes. Já agora com os livros também. Não posso dizer que seja da idade, agora que já completei 30 anos de existência. Sempre fui picuinhas com a forma como passo o meu tempo livre e levo a peito se não fico satisfeita com alguma obra de ficção, precisamente porque sendo o tempo livre escasso, valorizo-o mais e não gosto de sentir que estou a perder ou a esbanjar tempo.

Gosto de ficção porque, ainda que goste muito de realismo, ou apesar de gostar, faz com que me abstraia da realidade. É um apego que na verdade nunca compreendi. Não sou fã de filmes ou livros biográficos, precisamente porque prefiro a ficção. Prefiro que um autor mostre os aspectos reais enredados na teia da ficção, ou ver em pormenores fundamentos da realidade, mesmo que só o venha a saber depois.

Tenho tido tendência para gostar mais de fantasia e ficção científica do que é normal, talvez porque a abstracção é maior, mas continuo a valorizar mais a estória do que os efeitos especiais, ainda que seja crítica em relação a efeitos que tornam o filme num jogo de computador dos anos 90. Se a estória não fizer o mínimo sentido ou for incongruente, fico desiludida e até irritada. Por muito HD de ultra realismo que seja a imagem.

Posto isto, devo dizer que gostei muito de La La Land. Não era suposto escrever uma review sobre o filme, mas a minha opinião cabe bem aqui. La La Land tem a dose ideal de fantasia, realismo, com uma cinematografia genial. Queria mais filmes assim, pelo menos uma vez por mês, no cinema. É dinheiro e tempo bem gastos.

Vanessa

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A globalização trouxe-nos o hygge

Hygge é um estado de espírito. É uma palavra dinamarquesa sem tradução específica que significa um tipo de prazer e conforto encontrado em pequenos detalhes e momentos. Lê-se e diz-se 'huga'.

Há um ou dois meses, sempre que vou à Fnac, um livro sobre hygge está no top dos mais comprados. Não me espanta. A busca pela felicidade é a única coisa em que todos filósofos estão de acordo. É o que nos guia.

Este hygge tem que ver com o som da lareira, o conforto de um canto da casa, a nostalgia de uma música, o sabor de alimentos, mantas quentes. No fundo, o que nos lembra de que estamos vivos e nos apraz.

O hygge vem daquele que é considerado o povo mais feliz do mundo, mesmo que vivendo num país onde o Inverno é tão longo e há tanta escuridão. É uma ideia em exportação, muito mais útil do que outras.

O meu sentimento de hygge vem de muitas coisas banais, como livros, o cheiro de livros antigos e o toque das páginas porosas, café, chocolate, mas também pequenas sensações como a de aromas que remetem à infância, a maresia, filmes que revejo e me dão arrepios, o som da chuva, a sensação de estar quente.

Eu cá não me importava nada de me mudar para a Dinamarca sob pretexto de estudar o hygge. Calculo que já muitos o tenham feito. A ideia já devia era ter cá chegado há mais tempo.

Vanessa

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

As 5 coisas que aprendi na minha primeira manicura

1. Uma manicura de 5€ provavelmente não é uma boa iniciação. Uma hora depois, uma das unhas criou bolhinhas e outra lascou um pouco. Vá, sou desastrada, mas a manicura não pode ser muito boa. Consistiu numa base, duas camadas de verniz, uma camada de verniz de acabamento e óleo para cutículas.

2. Tenho melhores produtos em casa. Melhores pelo menos em termos de eficazes. Cliché for the win. O produto Cliché Efeito Gel que uso em casa é óptimo, não porque dá efeito de gel propriamente, mas porque seca num instante. Não risca. Não cria bolhas. Não estala nem por nada. Não fica com a marca dos lençóis mesmo que vá dormir logo a seguir. Não sei quando é que isto se transformou numa review, mas fica a dica.

3. Com certeza já ninguém faz manicura normal, só gel. A funcionária pareceu desiludida quando eu disse que queria uma manicura normal e os vernizes parecia que estavam no fundo do baú e tinham um ar antigo.

4. Há instrumentos de manicura que parecem objectos de tortura. O alicate de cutículas É um objecto de tortura. Provavelmente foi inventado na época medieval para ensinar uma lição aos dissidentes.

5. Pagar antes de as unhas serem pintadas é melhor. Também é aconselhável escolher um dia em que não esteja a chover. É desconfortável tentar ter cuidado com as unhas e ao mesmo tempo evitar molhar-me.

Vanessa

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Modo off

Este fim-de-semana vai ser para desligar e reiniciar. Bem sei que o ano ainda agora começou, mas Janeiro acaba sempre por ser uma rampa de lançamento para Fevereiro, que é quando festejo mais um Inverno. Todos os anos, parece-me que o ano só começa depois de Fevereiro. Este ano é mais especial, porque já lá vão 30.

Vanessa

Jornalixo II

Não, o filho do cantor Michael Bublé não está "livro do cancro" nem "venceu a batalha" como noticiaram o Notícias ao Minuto e a Sapo, respectivamente, e como outros meios de comunicação deram a entender. 

O que diz o comunicado dos pais é que Noah está a progredir bem em relação ao tratamento e que a equipa médica está optimista. O comunicado tem dois parágrafos, e não custa nada ler e perceber o que diz. 

É de mau tom publicar coisas assim, mesmo que todo o mundo queira que seja verdade e já. Até as notícias que têm como fonte a tia de Noah, citada por um jornalista argentino, têm no título coisas como "venceu o cancro", mas depois o que está escrito que a tia disse foi que o menino "está a recuperar". Recuperar não é sinónimo de remissão nem de vencer o cancro, até que alguém da família o diga com todas as letras.

Retiro o que escrevi se me disserem que os jornalistas agora também são videntes.

Vanessa

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

5 coisas que aprendi com filmes de terror

1. O mundo é um sítio perigoso para viver e por isso estar viva é um enorme privilégio. Com tantos assassinos (em série ou não), animais ameaçadores (dos tubarões aos animais domésticos passando pelas répteis), objectos possuídos pelo demo (bonecos em especial, mas sem esquecer Christine, que é um carro), o demónio em si, espíritos do outro mundo e de mundos paralelos, plantas e vento (obrigado, M. Night Shyamalan), vampiros, lobisomens, zombies, pessoas que enlouquecem, crianças malignas... é de admirar que ainda esteja viva.

2. Senso comum? O que é isso? Nem falemos daquela cena típica de correr aos berros para o segundo andar em vez de se sair pela porta de entrada. Que tal não brincarem com forças sobrenaturais? Tabuleiros de ouija, objectos antigos (especialmente caixas ou espelhos) e TODOS OS BONECOS são objectos do mal, pessoas! Olhem que eu usei ponto de exclamação, coisa que é raro. É porque é mesmo grave. Eu aprendi que essas coisas dão possessão quase certa ou um grande desconforto geral que tem um grande impacto nas nossas vidas.

3. A curiosidade não matou só o gato. Quem tem amor à sua vida não vai explorar edifícios abandonados, especialmente se tiverem fama de serem assombrados, nem sequer a sua própria casa quando as tábuas do chão ou as portas rangem, e muito menos pergunta "Quem está aí?" quando ouve um barulho suspeito seja onde for. O mínimo sinal de curiosidade desperta instintos assassinos seja quem ou qual for o antagonista.

4. Não ser bonita ou branca é morte certa. Normalmente a(s) protagonista(s) são a(s) mais bonita(s). Todas as outras normalmente morrem, independentemente da personalidade ou inteligência. Morrem mais cedo se não forem virgens, se forem especialmente más para as outras pessoas ou se fizerem comentários tolinhos. Morrem também mais cedo os que não são brancos. Africanos, indianos, chineses morrem todos primeiro.

5. Ver filmes de terror é muito má ideia. É uma má ideia que aprendo e também desaprendo. Há filmes e filmes, mas em geral todos eles despertam na imaginação um instinto de auto-mutilação capaz de ver nas sombras um espírito agitado, de suspeitar de qualquer brisa ou som, e de convocar TODOS os terrores para a nossa realidade porque ver filmes de terror não é mau o suficiente; temos também de pensar neles depois e temer pela vida. Voltamos aqui ao início deste post, quando referi que estar viva é um enorme privilégio.

Vanessa

Prazer peculiar I

Tenho de falar e pensar em mais coisas boas. Essa coisa da gratidão. Vou começar por uma coisa peculiar que todos os dias (úteis) me dá prazer. E tem que ver com trabalho. Não, não é a hora de saída, porque isso é uma miragem para quem trabalha em casa. Também não é a hora de almoço ou a de jantar.

Esta coisa de que falo vem no seguimento da escrita de páginas e páginas de texto corrido, tipo umas 20. Então, teclo e teclo e teclo sem nunca pressionar o enter até ficar com um bloco de texto gigantesco. Às vezes até diminuo a resolução para ver as letrinhas a formar um rectângulo quase massivo distribuído pelas páginas.

Este passo é importante para ganhar perspectiva. Tipo, "Ena, já trabalhei imenso". Mas também porque faz com que o passo seguinte seja ainda mais prazeroso. O tal prazer peculiar que deu mote a este post.

Consiste em dividir o imenso bloco de texto em pequenos blocos, não muito longos. Isto já faço com uma resolução normal. Vou revendo o trabalho e vou usando o enter para espaçar os bloquinhos.

Quase me dá arrepios.

É como se nunca fazer parágrafos aumentasse a tensão, tipo aquelas cenas nos filmes de terror, antes de um susto, quando a banda sonora se transforma em som gutural ou silêncio, e depois cada enter fosse o pós-susto.

Quanto menos dentes de cavalo tiver, mais prazerosa é a tarefa. O que são dentes de cavalo? Explico numa próxima, que isto é um post sobre coisas boas e se há coisa boa é ver um bloco de texto ser parcelado.

É uma tarefa altamente entusiasmante, tipo aquela moda de usar uma faca em ponto de ebulição para cortar cenas e fazer vídeos só disso. Mas isto é mais do que isso para mim. É como uma pequena meditação. Ou um chocolate. Ou café. Pena que ainda ninguém faz vídeos de blocos de texto a serem editados.

Por aí, alguém com um prazer peculiar?

Vanessa

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Mas quem são vocês?

Todos os dias tenho entre 200 a 400 visitas mesmo que não publique e todos os dias me pergunto quem são estas pessoas que cá vêm todos os dias, mesmo com as pérolas que tenho escrito ultimamente.

Aborrecimento, manicuras, Trump, o furo da minha botija de água quente são temas extremamente pertinentes, mas hoje em dia ninguém lê, muito menos texto assim corrido e muito menos ainda na internet.

Portanto vocês vêm cá para... meditar? 

Pelo contraste do branco da página com o preto das letras? 

Porque de longe parece que estão a ler algo interessante? 

Porque têm esperança de ver memes novos ou novas piadas secas ou galerias de fotos qui e têm preguiça de subscrever a newsletter, e por isso têm de cá vir todos os dias? 

Porque me conhecem e... esperem, não pode ser. Acho que não conheço sequer 200 pessoas na vida real.

Já sei. Porque estavam a pesquisar uma das coisas aleatórias sobre as quais já escrevi e vieram aqui parar por engano? Realmente a maior fonte de tráfego de Janeiro é o Google.

Não estou a perceber.

Serão aliens?

Vanessa