segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Transcrição de áudio é uma profissão, sim


Transcrição de áudio consiste na audição e compreensão da palavra falada e na sua posterior escrita. Não é charmoso. Não é muito técnico. Não é elegante. Não é genial. Não está ultrapassado.

Não, ainda não há ainda software de reconhecimento de voz bom o suficiente para o fazer, da mesma forma que não há tradutores automáticos que traduzam com 100% de eficácia. Compreensão implica inteligência.

A maioria dos poucos jornalistas que conheço expressa desprezo pela transcrição. Não é a coisa mais entusiasmante das suas carreiras. Implica ter de ouvir novamente quem se entrevistou e passar horas a teclar.

Quando trabalhei em jornalismo adiava sempre a tarefa. Era frustrante. Mas andava ainda eu na escola e lembro-me de adorar transcrever, quando fazia parte do jornal da escola. Gosto do som das teclas.

Agora não é diferente. O som das teclas e as palavras a aparecer no ecrã são coisas reconfortantes, porque significam trabalho. A informação que aprendo todos os dias é o melhor bónus de sempre.

Embora não possa conversar sobre o que transcrevo por questões de confidencialidade, há muita informação geral que dá para extravasar, de questões filosóficas a metodologias e ferramentas de negócios, finanças, astronomia, história, paleontologia, medicina tradicional e alternativa, geografia, informática.

Na maioria das vezes, crio matéria-prima ou os primeiros esboços de algo. Apesar de a maioria do meu trabalho após a faculdade se ter centrado na transmissão de informação, histórias e estórias, agora sou o receptáculo e aparelho digestivo, o primeiro impulso na cadeia alimentar da informação e da comunicação.

Pode-se dizer que desci de posto nessa cadeia alimentar. Foi sendo sempre assim desde que saí da faculdade. Por incrível que pareça, o primeiro emprego foi quase o melhor em termos de condições, mas era um estágio profissional. O segundo emprego foi de certeza o melhor, porque era um contrato a sério.

Depois disso, as condições deterioraram-se. Até há cerca de um ano, quando descobri que há outras formas de fazer aquilo de que gosto, sem ter de me chatear tanto e respeitando o meu horário produtivo, que é quase sempre durante a tarde e à noite. Insegurança sempre existiu. Agora tem menos influência.

Há pouco tempo li num livro que temos dificuldade em liberdade que temos. É verdade, por várias razões. De entre lidar com a insegurança de um emprego tradicional e a insegurança do trabalho freelancer, prefiro a do trabalho freelancer. Sou uma das pioneiras do nomadismo digital, que sei que ainda vai dar muito que falar.

Vanessa

1 comentário:

Sabrina Ariele disse...

é sim uma profissão, venha trabalhar conosco

http://www.transcripti.com