quinta-feira, 21 de julho de 2016

Casa Araújo Alves, Loutolim, Goa

A mansão de 250 anos transformada em museu apelidada de Casa Araújo Alves fica em Loutolim, em Goa, e é um destino turístico muito frequentado porque a estrutura combina vários elementos históricos, incluindo os de tempos coloniais e os da cultura hindu. Além disso, o mais recente dono da casa, Salvador Eufemiano Araújo Alvares foi um advogado reconhecido na aldeia por salvar famílias da penúria, e a sua família doou o seu património para que fosse recordado num espaço agora conhecido como Ancestral Goa ou Big Foot. Eis o que vi por lá.


Vanessa

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Financiamentos públicos para touradas vão continuar

Dia triste para os touros em Portugal. "A proposta do PAN pelo fim dos financiamentos públicos à actividade tauromáquica foi hoje chumbada no Parlamento. Teve os votos a favor do BE, PEV, PAN e de 11 deputados do PS - Diogo Leão, Pedro Delgado Alves, Rosa Albernaz, Inês Lamego, Ivan Gonçalves, Isabel Santos, Pedro Bacelar, Luís Graça, Carla Sousa, Tiago Barbosa Ribeiro e João Torres - e os votos contra do PSD, restantes deputados do PS, CDS e PCP", publicou hoje o partido político PAN na sua página do Facebook.

Vamos colocar de parte a questão de se ser a favor ou contra as touradas. Numa altura em que se corta a torto, a direito e a esquerdo em áreas bem mais necessitadas da sociedade, do ensino à saúde, passando pela segurança e pela cultura, faz algum sentido continuar a escoar fundos públicos para esta actividade?

Portugal, onde já se restringem animais em circos e onde maus-tratos a animais "domésticos" são considerados crime, é um dos oito países em todo o mundo onde são permitidas e financiadas touradas.

Se não formos lá pelo senso comum, o de que este tipo de exploração animal gera controvérsia, queixas à RTP sempre que há transmissões de touradas (ainda assim, na próxima sexta-feira vai haver mais uma transmissão) e acima de tudo sofrimento animal, vamos lá pela via racional: estamos em crise.

Estamos em crise e há tantas mais áreas onde o financiamento público é crucial e onde parece que nunca é suficiente. Há tantas pessoas que precisam de um médico de família, tantas crianças que dependem de refeições escolares, tantos serviços públicos sem capacidade de resposta, tantos monumentos sem manutenção. Se as touradas são assim tão importantes, com certeza existirão entidades privadas dispostas a patrociná-las, não?

Vanessa

terça-feira, 19 de julho de 2016

Onde compro os meus livros em inglês

Felizmente a Fnac tem uma selecção enorme de livros em inglês que são baratos. Há edições de livros clássicos da Penguin Books a 3 euros (às vezes menos), há outros a 5€, e há as edições da Woodsworth. Mas a verdade é que livros clássicos são um desafio, devido ao inglês arcaico e às expressões coloquiais.

Os livros contemporâneos em inglês da Fnac também costumam ser mais baratos do que aqueles em português, na ordem dos 10 euros. Ainda assim, a variedade começa a tornar-se escassa quando se lê frequentemente. Para leitores assíduos como eu, é importante que haja variedade e preços de saldo.

Por isso, a maioria dos livros contemporâneos, aqueles que não tenho urgência em ler, compro-os online no Book Depository ou no Better World Books. Nenhum dos dois cobra portes de envio. O meu preferido é o Better World Books e quando conhecerem as minhas razões, penso que vão gostar também.

Livro comprado, livro doado. Por cada livro comprado no BWB, um livro é doado aos parceiros, como o Books for Africa e o Feed the Children. Não posso garantir que seja verdade, mas por que não confiar? Já ia comprar os livros de qualquer forma. Assim sempre tenho mais uma motivação.

Adoro presentear livros do BWB e normalmente peço-lhes que enviem um cartão que diz que um livro foi doado com a compra. Torna-se um presente mais especial. Eles também fazem embrulhos por 3.99 dólares e imprimem uma mensagem de até 250 caracteres. Há ainda a possibilidade de oferecer vouchers a partir de 10 dólares.

Sustentabilidade. Por mais 0.05 dólares (sim, cinco cêntimos de dólar) é possível ajudar o BWB a investir na produção de energia eólica sustentável para compensar as emissões de dióxido carbono causados pela transporte dos livros comprados. Trata-se de uma forma de crédito sustentável.

Pechinchas. Além de podemos escolher o estado dos livros, dos novos, aos usados em mau estado, passando pelos usados em estado quase novo (há sempre uma descrição das condições), sendo que quanto mais gasto, mais barato fica o livro, há ainda as capas duras ou as edições de bolso ou áudio, bem como pechinchas (Bargain Bin em inglês) onde há promoções do género da que está em vigor agora, com 5 livros por 30 dólares.

O único senão de comprar no BWB é a demora. Os livros são entregues pelo carteiro aqui em Portugal cerca de um mês depois da compra, mas porque compro na BWB dos Estados Unidos. Há ainda uma versão britânica, que agora com o valor da libra é capaz de compensar e ser mais rápido na entrega. Eu cá não me incomodo. Assim tenho tempo para me esquecer a compra dos livros e quando os recebo parece natal.

Não vos vou maçar mais com detalhes sobre o BWB, porque quando me entusiasmo com uma coisa passo horas a desfiar argumentos como se estivesse no Prós e Contras da RTP. Deixo-vos com este link se quiserem conhecer a história do BWB, que é bem bonitinha, e com desejos de boas leituras.

Deixo-vos ainda com o email que o BWB envia quando a encomenda está em processamento, que é uma coisa super amorosa porque livros são a melhor coisa do mundo, empatados com comida e gatinhos:

"Hello Vanessa,

(Your book(s) asked to write you a personal note - it seemed unusual, but who are we to say no?)

Holy canasta! It's me... it's me! I can't believe it is actually me! You could have picked any of over 2 million books but you picked me! I've got to get packed! How is the weather where you live? Will I need a dust jacket? I can't believe I'm leaving Mishawaka, Indiana already - the friendly people, the Hummer plant, the Linebacker Lounge - so many memories. I don't have much time to say goodbye to everyone, but it's time to see the world!

I can't wait to meet you! You sound like such a well read person. Although, I have to say, it sure has taken you a while! I don't mean to sound ungrateful, but how would you like to spend five months sandwiched between Jane Eyre (drama queen) and Fundamentals of Thermodynamics (pyromaniac)? At least Jane was an upgrade from that stupid book on brewing beer. How many times did the ol' brewmaster have one too many and topple off our shelf at 2am?

I know the trip to meet you will be long and fraught with peril, but after the close calls I've had, I'm ready for anything (besides, some of my best friends are suspense novels). Just five months ago, I thought I was a goner. My owner was moving and couldn't take me with her. I was sure I was landfill bait until I ended up in a Better World Books book drive bin. Thanks to your socially conscious book shopping, I've found a new home. Even better, your book buying dollars are helping kids read from Brazil to Botswana."

Vanessa

segunda-feira, 18 de julho de 2016

10 000 visitas


A Vanessa agradece este marco histórico. 10 000 visitas a este blogue! Trata-se provavelmente de umas três ou quatro pessoas que o visitaram várias vezes, mas ainda assim não deixa de ser um marco. A Vanessa anda entretida pelos sítios de Portugal, mas há ainda muito de Goa que ficou nos arquivos para ser mostrado e exibido. Tudo isso será publicado ao sabor da minha própria digestão e nos intervalos de outras degustações.

Vanessa

Avaliação Literária | Quantas Madrugadas Tem a Noite de Ondjaki

"Ouve, uí: a noite são as estrelas do céu que caem.
Não caem mesmo; é só de imaginação minha, mundo meu que te partilho ... não tou a falar à toa, são as magias da noite, ou nunca reparaste que os olhos brilham mais bonitos é na escuridão?"

"O amor num é doce tipo melaço que escorrega quente no agarrar dos dedos?"

"A tarde se comia a ela própria na boca do tempo..."

De Ondjaki tinha apenas lido um conto, já há algum tempo e quando fui à feira do livro trouxe este, Quantas Madrugadas Tem a Noite, porque gostei do título e apetecia-me uma leitura exótica.

Foi um palpite literário como os que tinha antes. Quando nos consagramos leitores assíduos, acabamos por seguir os mesmos autores ou pelo menos o mesmo tipo de livro. Dantes havia mais descoberta do que agora e escolher aleatoriamente era a minha forma de descobrir novos mundos.

Por isso, as palavras tiveram um sabor especial. Além disso, foi um tipo de leitura como nunca outro. O português africano de Quantas Madrugadas Tem a Noite requer uma voz de narrador bem específica na mente. Há que formular um certo sotaque angolano para se perceber melhor a estória e os coloquialismos.

O enredo segue a estória contada na primeira pessoa. "Faz conta foste na pesca, rede e tudo, e em vez do peixe grande meteste a rede na água e te veio uma nuvem". Esta frase logo no início resume bem a experiência. Este é um livro sobre morte, esse é o preâmbulo, mas é especialmente um livro sobre vida e sobre vivências.

Não me é muito possível explicar este livro na verdade. O narrador conta os acontecimentos após a morte de AdolfoDido (digam lá este nome em voz alta) através das acções de uma série de personagens caricatas. O próprio narrador é uma pessoa peculiar que vai bebendo umas ngalas de birra para motivar o desabafo.

Já que não posso desenrolar aqui o fio dos acontecimentos de forma que se perceba sem a mestria e o humor de Ondjaki, posso apenas aconselhar a leitura deste livro. Vale muito a pena.

7/10

Vanessa

domingo, 17 de julho de 2016

Será em Portugal ou Goa?


O mar é o mesmo em todo o mundo, na verdade. A água de um sítio já deve ter estado no outro, porque a água viaja mais do que nós. Há moléculas de H2O que com certeza até já estiveram noutros lugares do planeta. A sensação na pele é semelhante. A areia enrola-se nos dedos da mesma forma. O vento suspira nos cabelos com segredos iguais em idioma universal. O aroma do sal é igual. Vá-se lá saber. Há dias em que acordo e nem sei ao certo onde estou. Mas de que interessa isso, se a água do mar sabe tão bem cá e lá?

Vanessa

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Coisas que quem não trabalha em casa não percebe

1. Passar um dia em pijama não é tão agradável quanto parece.
Experimentem trabalhar de pijama um dia inteiro (no meu caso, mesmo ao lado da cama). Experimentem vestir uma roupa casual, mas confortável e façam o mesmo. Agora comparem a produtividade. Podem continuar a preferir (a ideia de) trabalhar em pijama, mas perceberão este ponto no seguinte.

2. No pain, no gain.
Amigos que vão ao ginásio e apregoam coisas anglo-saxónicas e amigos restantes: freelancers trabalham (ou deviam) para produzir algo que será vendido. O que significa que não recebem conforme as horas que trabalham. Recebem conforme o que produzem. Mesmo que o produto final tenha demorado 10 horas a ser concluído. Por isso é importante produzir e picar o ponto é coisa de quem tem empregos tradicionais.

3. Tudo em um.
Quem trabalha em casa tem de ser patrão e funcionário, secretário e contabilista, moço de recados e chefe de secção. Há muito para gerir e apenas uma pessoa para o fazer. É importante que se perceba que não há horário estipulado a não ser prazos e que por isso todos os segundos contam. E muito. Muitíssimo.

4. Gestão.
Trabalhar em casa implica gerir as mesmas 24 horas que as outras pessoas, mas isso não quer dizer que se respeite os horários tradicionais. No meu caso, por infortúnio, as manhãs são muito pouco promissoras e produtivas. Tipo, agora são 10 horas e quando os olhos batem no relógio já passou da hora de almoço. Como é que isto aconteceu? Não sei. De noite as horas são mais generosas para mim e o cérebro funciona melhor. Por isso, 90% da minha produção se concentra entre as 18 horas e as primeiras horas da madrugada.

5. Caos.
Percebam que é difícil separar trabalho e lazer. O meu computador é ferramenta de trabalho e de ócio também. É com ele que trabalho, mas é também com ele que vejo filmes, documentários e séries, escrevo, leio e mantenho-me a par de notícias e de amigos. Quando saio do modo trabalho nem sempre sei em que ano estou, por isso não façam perguntas difíceis sem preparação prévia. Às vezes quando faço uma pausa do computador não estou totalmente fora do modo trabalho, por isso não tenho capacidade mental para ouvir o que têm para dizer, especialmente se for aborrecido ou fora do alcance dos meus interesses.

Nota-se que às vezes o trabalho me deixa mal-humorada, não é?

Vanessa

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Coisas que o meu telemóvel viu em Goa I

Bolo Black Forest no café Longuinhos em Margão e um café da Nescafé que em nada se compara à bica. O Longuinhos é um café bem conhecido por turistas e com cultura portuguesa na história.

A variedade de bolachas Oreo à venda no supermercado Malakar em Nagoá de Vernã. Provei todos. Parecem todos mais doces, incluindo o tradicional. Deve ser para aguentarem bem o calor.

A minha secção preferida do supermercado. Aperitivos para todos os gostos. Sim, há alguns sem picante ou masala. São raros, mas existem. Mas quando não são picantes, costumam ser doces.

Papas Cerelac e Nestum.

Há várias papas com sabores vegetais.

Não provei nenhuma, mas fiquei tentada.

A marca Cadbury é uma favorita. A Gilette também. Só não percebo o critério de organização.

Papas de aveia, das simples às de sabores salgados. São poucas as doces.

Coisas fáceis de transportar na mala. As bananas são bastante portáteis, como se vê.

Olha-se para cima e invariavelmente há palmeiras.

A primeira vez que visitei a minha tia, irmã do meu pai, fui com ela comprar pão a uma vizinha que tem este pequeno negócio em casa. Pão quentinho parece ser popular em Goa.

Este empreendimento tem um dos meus apelidos. Claramente a família Sena é empreendedora. Tenho de descobrir mais familiares, a ver se arranjo umas cunhas.

Vanessa

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Fui vítima de phishing

Disse eu, quando cheguei à recepção da GNR. Má escolha de palavras. Devia ter tido que fui roubada através da internet ou burlada. Vítima não. Não fui vítima nenhuma, porque parte da culpa foi minha. Mas devia ter ido direita ao assunto. A verdade é que nem sequer tinha pensado no que dizer quando lá chegasse.

Foi tudo muito rápido. Foi essa uma das razões pelas quais caí que nem um patinho e acreditei num email falso. Foi uma questão de bom timing e também uma enorme disenteria mental da minha parte.

Vamos lá à sequência de eventos. Garanto-vos que não vale a pena recriminar a minha pessoa, porque ninguém faz isso melhor do que eu. Asseguro-vos de que se não usasse as mãozinhas para trabalhar as entalava numa porta ou se não usasse o cérebro o retirava à la Hannibal Lecter e pegava-lhe fogo.

Já em Goa vi que tinha um novo cartão matriz. Quando cheguei nem me lembrei, mas vi o aviso na página do banco. Depois recebi o tal email. Pedia os números do novo cartão matriz para o actualizar e fornecia um link que ia parar a uma página igual à do banco, igual mesmo. Não me escapo da culpa, não.

Primeiro porque achei estranho e mesmo assim não vi o remetente do email (qualquer coisa como tomaminhaburra@terra.com.br... não, o email não era este mas foi assim que me senti quando olhei para ele e reparei na asneira já pós-phishing). Foquei-me antes na mensagem da página, que informava que tinha dois dias para actualizar os dados sob pena de pagar 160 euros pelo envio de um novo cartão matriz. 

Uma pessoa entra em pânico quando há a hipótese de ter de pagar. Não me escapo da culpa, não.

Segundo porque procedi à parte de digitar os números do cartão matriz na página ao qual o link ia parar, mesmo pensando que aquilo era estranho e uma bela perda de tempo. Não perdi um segundo a verificar de onde vinha o email porque a página parecia fidedigna e o timing foi brutal. Não me escapo da culpa, não.

Terceiro porque já na semana seguinte ao email vi que a página (a oficial, diga-se) do banco continuava com o aviso de que tinha de activar o novo cartão matriz e aí activei-o como deve ser. Bastava um ou dois cliques. Só me ocorreu que fiz isto já depois das diligências pós-phishing tomadas, esta parte.

No dia D... ou melhor, dia P, acedi à página do banco porque ia oferecer aos meus pais um presente para o aniversário de casamento. De boas intenções está o inferno cheio e o resto do dia foi mesmo um inferno.

A conta tinha 8 euros. Dois depósitos a prazo, vi nos detalhes, tinham sido transferidos para a conta à ordem. 600 euros e 150 euros, duas daquelas contas para pobres que agendam montantes que vão automaticamente para esses depósitos, e ainda 50 euros para fazer um número redondinho, evaporaram-se às 12:13 com um pagamento de serviços. 400 euros + 400 euros foram parar a um vácuo digital.

Uma palavra de apreço à senhora da linha 24 horas do banco que me ouviu desabafar sobre a minha burrice e me guiou num momento de muita, muita tensão e à senhora do balcão que foi compreensiva.

Já com tempo, todo o tempo do mundo e quase sem dinheiro na conta à ordem, fui ver o maldito email e li-o com calma (a possível, claro). Com excepção do remetente duvidoso, tinha alguns erros ortográficos. O cabeçalho e o rodapé são os do banco e até os números da linha de apoio ao cliente são os reais.

Mas, ironia das ironias, lia-se no email: "A activação de Cartão de Matriz é indispensável para evitar fraudes e garantir sua segurança e comodidade". Eu garanti de facto a comodidade de alguém. Não a minha.

E agora? O banco tem uma cópia do email. Mudei a palavra-passe de acesso. O cartão matriz foi anulado. Mais tarde o banco informou-me que era preferível eliminar completamente a conta online.

Fiz uma queixa contra terceiros na polícia com as informações das transacções feitas. O banco tem uma cópia da queixa. Nos movimentos surgem os detalhes da entidade responsável pelo roubo.

Reaver o que se perdeu é uma miragem. Perdi tempo. Perdi motivação. Perdi dinheiro. Os meus pais ficaram sem presente. Tudo isto porque o mundo é dos espertos e não dos honestos. No fim, são os espertos que ganham. Agora, toca a trabalhar. Cuidado com os emails e essas coisas.

Vanessa

terça-feira, 12 de julho de 2016

Não sei se tenho coragem para publicar isto no Facebook


Vanessa

Calor e calor

A minha produtividade é directamente proporcional ao frio. Não é que passe frio quando trabalho, mas o tipo de calor é outro que não o do sol. Mantas, bebidas quentes e roupa polar são bem diferentes de um sol abrasador e bem mais reguláveis. Para mim, roupa confortável é feita de algodão, de lã, de tecidos que criam um microclima de conforto. Blusas e calções não são propriamente confortáveis. A pele cola-se à cadeira, as pernas ficam com as marcas de onde se está sentado. Aqui em Portugal o suor não atrapalha e não é preciso utensílios que refrigeram, mas que fazem barulho. O calor tolera-se. Tudo tem moderação. Menos as comemorações desportivas, claro está. De resto, está agora um calor muito estranho. O Verão está comedido.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Warning: this may give you the Zs

When in India, sleep like an Indian. That is everywhere, anywhere, any time. Humans and animals alike seem to find it hard to not give in under the scorching heat. Throughout the five months I spent in Goa, I captured some of them in pretty awkward positions and places. Here is the collection I gathered.




 Vanessa

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Mostruário

Às vezes fico parva com a quantidade de informação que vejo partilhada na internet. Parece-me sinal não só de uma grande necessidade de mostrar seja o que for, como também de recolher apreciação. Isso da apreciação é uma coisa viral, palavra que tão na moda está desde que nos lembrámos que não é preciso diversidade na vida e que podemos perfeitamente centrar as nossas atenções numa só coisa ad nauseam.

Sempre fomos seres exibicionistas, mas agora temos as condições perfeitas para o fazer porque há ferramentas e há audiência. Nem sempre isso quer dizer que a nossa opinião ou o que mostramos tenha o impacto que queremos. Da mesma forma que se tornou mais fácil exibir, as opiniões e os juízos de valor tornaram-se coisas muito voláteis. Calculo que o índice de concentração esteja também pela hora da morte.

Um outro elemento que nos define é a curiosidade. Se não fôssemos seres curiosos não teríamos chegado ao ponto de conseguir armazenar o conhecimento acumulado em séculos numa rede a que podemos aceder em segundos. Mas a mesma curiosidade faz de nós criaturas mórbidas. Por outro lado, coisas tão chocantes já vimos que andamos um pouco tipo mortos-vivos. Não invejo os publicitários de hoje em dia.

Na internet junta-se a fome à vontade de comer, portanto. Mas da mesma forma que escolhemos ir passear para olhar para vitrinas, podemos também escolher não olhar para o mostruário online.

A sério. Juro. Não há obrigatoriedade nenhuma, mesmo que tenham subscrito alguma página, mesmo que a vossa celebridade preferida tenha publicado alguma coisa, mesmo que os amigos mais chegados tenham partilhado. É essa a beleza da internet. Nada online é obrigatório.

A tecnologia serve para nos poupar tempo. Eu cá acho que não sabemos é o que fazer com esse tempo livre e acabamos por preenchê-lo de forma errada. É que tudo o resto não é propriamente opcional, tipo o trabalho, a alimentação, as lides domésticas e até a vertente social (a real, não a virtual). Mas o tempo que passamos em actividades de ócio para descontrair pode ser usado noutras coisas.

Exemplos? Ar livre. Qualquer coisa ao ar livre já compensa as horas passadas a trabalhar, a olhar para o computador, a cumprir obrigações. Passatempos. Há uma coisa que os adultos não têm que em criança tiveram: curiosidade. Desenvolver habilidades, olhar para algo que não seja um ecrã, usar as mãos.

Por mais que até seja giro olhar para o mostruário, há aí factores que nos escapam. Exemplos? O chamado FOMO (Fear Of Missing Out ou medo de que nos escape alguma coisa). A vontade de escapar à realidade e desfrutar vicariamente da vida (do inglês vicariously ou viver experiências alheias). Há tanta coisa.

Mas de que sei eu? Afinal de contas estou para aqui a escrever num computador e a aceder à internet para o fazer e a contribuir para o mostruário. É com carinho, juro.

Vanessa

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Avaliação Literária | Jerusalém de Gonçalo M. Tavares

A minha opinião vale o que vale, mas considerei que devia criar uma etiqueta exclusiva para as minhas opiniões em relação a livros escritos em português à semelhança da que tenho para livros em inglês. Estreio assim uma etiqueta, o que coincide com a minha estreia literária de um dos livros de Gonçalo M. Tavares. 

Cheguei tarde à festa? Não, que já vi que o homem é escritor prolífero. E ainda bem.

Não sei se este foi o melhor livro para o conhecer como escritor, mas Jerusalém encheu-me as medidas como leitora. Mais ou menos. Confesso que me escapou muito. Tive dificuldade em seguir o fio à meada, como se diz. Talvez esteja a perder a prática da leitura em português. Talvez este não seja um autor de prosa simples. A verdade é que preciso de voltar a este livro daqui a algum tempo. Digestão prolongada, digamos.

A estória foi um tormento, mas no bom sentido. Digamos que um homem que se quer suicidar e uma louca, personagens mais ou menos centrais num elenco de luxo, são ingredientes mágicos para momentos de leitura bem passados. Temos ainda um médico obcecado com questões filosóficas e que as tenta analisar de forma científica e um ex-soldado que claramente ficou com muitas mazelas psicológicas.

O livro durou mais tempo do que esperava, mas quando o li, não só o tempo passou depressa, como as páginas eram corridas num instante. A linha cronológica custou a ser percebida inicialmente, mas depois começou a fazer sentido. Os pedaços de diálogo ou as informações descritas por um narrador mais ou menos omnisciente pareceram-me aleatórias ou despropositadas em alguns casos. Talvez tenha sido esse o intuito.

Preciso de ler mais um livro de Gonçalo M. Tavares para perceber se gosto ou não, se percebo ou não. Dentro de um ano voltarei a ler este para ver se o percebo melhor. Afinal de contas, ganhou o Prémio Literário José Saramago e o Prémio LER e o Público considerou-o o livro da década. Além disso, parece que faz parte de uma temática ou colecção, O Reino. Talvez tenha de ler os outros livros da série.

Eu cá nem sequer percebi concretamente porque razão se chama Jerusalém, mas isso deve ser uma limitação pessoal. Pelo simbolismo percebo a comparação de Jerusalém ao hospício do livro, a dicotomia entre o sagrado e o profano e etc. Confesso que tenho alguma dificuldade em perceber livros muito aclamados e depois isso faz-me sentir um bocadinho ignorante. Ao menos com este, do que percebi até gostei.

6/10

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Parallel Universe I

The old cat had collected many ladies over the years, probably to antagonize loneliness, and for that she was nicknamed crazy lady cat, which she preferred to being called a spinster.

Vanessa

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Os meninos de Mormugão

aqui tinha dito que os indianos parecem obcecados com fotografia. Com uma internet tão má, os telemóveis mais são umas boas máquinas fotográficas. Críticas à parte, os meninos goeses adoram aparecer em frente à lente mesmo que estejam a obstruir a paisagem ou as outras pessoas que queremos fotografar. Sem pudores ou timidez, fazem poses pouco estáticas, mostram os dentes e as mãos, e empurram os amigos, como se eu fosse um paparazzo. Vou portanto atribuir-lhes a fama que merecem. Aqui estão eles, os meninos de Mormugão, Vasco da Gama, Goa. Pode ser que um dia a vida lhes permita encontrar estas fotografias.





Vanessa

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Quinta dimensão

Os episódios originais da série Twilight Zone ou Quinta Dimensão, em português, são um fascínio para mim. Penso que tenha que ver com o facto de serem a preto e branco ou com a crueldade das estórias.

Como leitora assídua que sou, um dos meus episódios preferidos é o Time Enough At Last, que retrata um dos meus piores pesadelos. Percebo aí o paradoxo. Na verdade é uma relação de amor-ódio.

Apesar de ser o atormentado leitor Henry Bemis o protagonista, foi uma autora, Marilyn Venable, que criou o conto que se tornou um clássico da série. Uma autêntica pioneira no mundo masculino da ficção científica.

Marilyn Venable lucrou apenas 500 dólares com o contributo. Nos anos 50 do século passado ainda era uma fortuna. Mais importante do que o lucro, Marilyn ofereceu pesadelos a pessoas impressionáveis como eu.

Cuidado com os spoilers adiante (ainda não inventaram um termo em português para spoiler, mas digamos que é um arruinar de surpresas, tipo divulgar o final e acabar com o suspense de uma estória).

Então, Henry Bemis é um homem muito míope, com uns óculos de lentes muito grossas, que adora ler e que é casado com uma mulher que abomina a leitura. Má escolha, colega leitor, muito má escolha.

Ainda assim Henry Bemis tenta ler sempre que possível, o que o leva a tomar medidas tão drásticas quanto ler rótulos ou desfrutar de livros durante as horas de trabalho enquanto funcionário de um banco.

O patrão chama-o à atenção devido ao seu hábito. A mulher não o deixa ler e até lhe estraga um livro. 

Mas Henry Bemis não consegue evitar o vício. À hora de almoço decide enfiar-se dentro de um cofre do banco para poder ler à vontade. As gordas do seu jornal descrevem uma bomba capaz de uma destruição total.

Ouve-se uma explosão e quando Henry Bemis sai do cofre está tudo em ruínas. Toda a gente morreu. Mas há comida que se farta e muito tempo livre. O homem não sabe o que fazer e fica atormentado.

Justamente quando contempla a possibilidade de se suicidar, já com uma arma apontada à cabeça, repara que está em frente ao que foi em tempos uma biblioteca. Muitos livros sobreviveram.

Se não conhecem a expressão "não cabe em si de contente" vejam este episódio. É o oitavo. Pois que Henry Bemis não cabe realmente em si de tão contente que fica com a descoberta.

Todo o tempo do mundo, solidão e livros. Imaginem tal coisa. Como não podia deixar de ser, nada acaba bem na Quinta Dimensão. O entusiasmo tornou-o desajeitado e nisto Henry Bemis parte os óculos.

Não é o melhor enredo de S-E-M-P-R-E?

Calculo que hoje em dia o pathos seria outro. Se fizessem um equivalente mais moderno da estória, que representasse também um cenário pós-apocalíptico, Henry Bemis encontraria um único e-book (leitor digital de livros), mas depois não teria onde carregar a bateria. Dedicatória: da Vanessa, para todos aqueles que insistem em recomendar que eu compre um desses aparelhos em vez de continuar a comprar livros.

Pode não parecer, mas Time Enough At Last (qualquer coisa como Finalmente Tempo Suficiente) dá pano para mangas. A mim deu. Vou continuar a escrever, mesmo sabendo que ninguém vai chegar aqui na leitura.

Primeiro: no advento dos conteúdos televisivos, esta estória é uma alegoria perfeita. O hábito do protagonista e a constante crítica por parte dos que lhe são próximos retrata o papel dos livros na sociedade. É quase como se a ficção ditasse o seu próprio destino: vai chegar um dia em que ler será mal visto ou menosprezado em detrimento de outras formas de entretenimento ou trabalho; a intelectualidade tem os dias contados.

Segundo: cuidado com aquilo que desejas ou como nem sempre o que sonhamos é exequível. Se não fossem os momentos maus, não conseguiríamos apreciar os bons, a natureza é feita de equilíbrio e insiram aqui as metáforas que desejarem. É bom sonhar, mas em termos práticos, a nossa presença e interacção podem influenciar o desfecho mesmo no cenário mais apetecível. Cuidado com as ilusões.

Terceiro: o homem sozinho não pode ser feliz. Ser anti-social traz maus resultados. A sociedade é necessária. Sozinho chega-se mais rápido, mas acompanhado chega-se mais longe. Não sei quem é o autor porque nisso a internet não é de se fiar, mas a ideia é profunda e fica retratada no cruel destino de Henry Bemis.

Para mim, a quinta dimensão é mesmo isto. É um espaço e um tempo onde tudo pode ser acontecer e tudo pode ser interpretado, mas nem sempre percebido. Se não estiver por aqui, é porque estou lá.

Vanessa

terça-feira, 28 de junho de 2016

Refúgios em Goa

As minhas fotos guardam boas lembranças. Em duas ocasiões tive a oportunidade de visitar três hotéis onde não desfrutei da dormida, mas onde passei bons momentos e pude tirar umas fotos para mais tarde recordar e quem sabe visitar novamente. São locais caros, com preços entre as 3000 rupias e as mais de 10 000. 

Contudo, dispõem de piscina e bar abertos ao público e um acesso mais recatado à praia mais próxima. Já para não falar em casas-de-banho muito diferentes das indianas, um pormenor bem importante para quem não está habitado a falta de asseio e ao chamado bum gun (spray de água) em vez de papel higiénico.

1. O Pescador Beach Resort | Dona Paula, Pangim





2. Goan Heritage | Bardez, Calangute




3. Royal Orchid Beach Resort & Spa | Salcette, Utorda




P.S.: Esta não é uma publicação patrocinada.

Vanessa

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Mas como assim?

Pronto, está bem. O Rei Leão saiu há mais de 20 anos. O primeiro Matrix tem mais de 17 e eu vi-o pela primeira vez com 17 anos, já alguns anos depois da sua estreia. Aceito sem problemas. Mas como assim, o último filme d'O Fantasma da Ópera tem 12 anos?! E mais, como assim o 300 tem 10?!

Vanessa

sexta-feira, 24 de junho de 2016

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Book Review | Life of Pi by Yann Martel

You can take this book as an alegory or a non-fiction book. You can choose to believe in what's being narrated or you can take it as a metaphor. Either way one chooses to plunge into the tale, the book is awesome.

I admit I had seen the movie, but as everyone who had read the Life of Pi told me this was not an easy story to put to film, I decided I would read it as soon as I could. I found the book in India and thought it was a great deal and a great opportunity to finally discover this author who was unknown to me.

Funny enough, Yann Martel's note at the beginning, mentioning he wanted to write a story set in Portugal, my residing country, but then moved to Bombay, in the country I was in, to write it, made believe this was indeed the right time to read Life of Pi. I was not wrong and it turns out, this book is now a favorite.

I loved Piscine, the main character, and his views on religion. I find it odd that in the movie they decided to include a love predicament for him, because there's no such thing in the book. Pi's only love is for God, however you want to call this God. In fact, he goes on to experience God in many ways.

The book is beautifully detailed and immersive. It was one of those books where the reader has no problem in believing. Pi tells it in a way that allows one to see it in the mind's eye and that, of course, is subjective to one's experience and beliefs. I, for one, chose to believe Richard Parker was indeed a Bengal tiger.

10/10

Vanessa

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Sabes que não estás na Índia quando ...

Ligas para o serviço técnico da Vodafone e indicam-te o tempo médio de espera.

Chegas à fala com o serviço técnico em menos de dois minutos e 30 segundos depois de reportar uma avaria e ainda em chamada recebes uma mensagem a dizer que a avaria está em vias de ser resolvida.

O técnico cumprimenta cordialmente e agradece o tempo que aguardei.

O técnico pergunta em que mais pode ser útil.

A equipa técnica chega a horas e não uma semana depois e fala a tua língua.

A equipa técnica testa os equipamentos e é honesta o suficiente para dizer que o sinal de internet está fraco e proactiva o suficiente para tratar do assunto e tem ali o material necessário para o fazer.

A equipa técnica deixa-te com um documento comprovativo da sua presença e com uma descrição sumária do que foi feito em letra legível e ainda pergunta se preciso de mais esclarecimentos.

Às vezes sabe bem não estar na Índia, digo-vos.

Vanessa

terça-feira, 7 de junho de 2016

Rotina

Tem de haver por aí um manual de instruções sobre como ser normal, tudo o que o meu relógio biológico não é. Ora vejamos, o meu cérebro está totalmente desperto quando são horas de dormir. As minhas horas mais produtivas são as da madrugada. Devia ser fácil madrugar, certo? Não é, porque isso seria normal.

Só que agora não tenho a desculpa do jet lag. Tenho mesmo de admitir esta anomalia no sistema. Infelizmente o manual de instruções não veio com o aparelho e o aparelho não dispõe de botões de comando.

Vanessa

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Como Lidar Com a Rotina Pós Viagem em 3 Passos

Regressar de uma viagem será certamente um dos momentos mais difíceis da curta existência de tal privilégio, mas temos para si um método infalível em 3 simples passos para que volte a cair na rotina sem melancolias. Independentemente do destino, saiba que é mesmo possível abandonar o sentimento provavelmente não muito agradável que ataca incautos viajantes pelo mundo fora: o aborrecimento pós-viagem.

Deixe-se guiar por estes simples passos para ganhar de volta o seu direito a uma vida banal sem nada a reportar e volte a sentir-se um membro produtivo da sociedade, mesmo que isso signifique passar a vida a trabalhar para pagar impostos e pouco mais, constituir família e criar cidadãos que sigam o mesmo fantástico destino.

Não desespere e siga os seguintes passos:

Passo 1: Repita para si próprio que este período de tempo é uma mera passagem. Se pensar em passagem e automaticamente lhe apetecer comprar uma passagem de avião, ignore o impulso. Certamente tem visto demasiado telenovelas brasileiras. O termo em português de Portugal seria bilhete de avião. Repita quantas vezes forem necessárias, até interiorizar que está de facto num período transitório. Poderá ser necessário incentivar o cérebro com algumas doses de açúcar, gordura ou cafeína (provavelmente a santíssima trindade, se a viagem tiver durado mais de três semanas). Nada tema. Se tudo correr bem, no futuro ganhará coragem para queimar as calorias excedentes num dos 1000 ginásios perto de si por uma mensalidade pouco simbólica.

Passo 2: Pegue em todas as fotos que tirou enquanto esteve em viagem e queime-as numa cerimónia íntima se for introvertido. Se for extrovertido, convide todos os seus amigos e conhecidos e faça da queima das fotos um evento. Não se esqueça de recordar os seus convidados mais adeptos do álcool de que já está em vigor a carta por pontos e que a pontuação não se trata de um jogo. Não se esqueça de juntar as cinzas e atirá-las num local simbólico para que se lembre de que tudo o vento levou. Considere-se sortudo por ter viajado sem o avião se despenhar, o cruzeiro se afundar ou o veículo se desviar da rota. Da próxima vez que lhe apetecer viajar lembre-se de que isso é uma possibilidade plausível graças a um fenómeno chamado gravidade.

Passo 3: Nunca mais viaje na vida. Não há melhor forma de acabar com a nostalgia do regresso ao corre-corre e assegurar uma vida pacata, sem grandes surpresas ou sustos, sem motivação ou ânimo do que eliminar completamente a hipótese de alguma vez voltar a deixar o território que ocupa neste momento. Aproveite o Passo 2 para queimar também o seu passaporte ou cartão de cidadão. O primeiro para arrasar qualquer possibilidade de deixar o país no futuro, o segundo porque nada o distinguirá de todos os outros cidadãos no colectivo de que faz parte, não sendo por isso não necessária qualquer identificação. Fuja para sempre de termos como "low cost" ou "wanderlust" ou hashtags que normalmente acompanham fotos com destinos paradisíacos e para sempre regozije-se na sua própria miséria e auto-comiseração.

Nota do editor: Para uma maior eficácia poderá também ser necessário eliminar qualquer perfil que tenha em redes sociais, o que só lhe trará benefícios colaterais e mais tempo livre para ser produtivo.

Vanessa

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Old Age

Completed an age quiz on some random website found on Facebook. Thought it was somewhat trustworthy (chewing on a big grain of salt there) because it had general knowledge questions. 

Turns out knowing most of the answers makes me old. As in 55 years old. The result author went on to say I must have a perfect balance between work and social life (what gives?) and that I have learned a lot during my half a century stay on this planet. Erm. Knowing the answers means exactly the opposite, I think.

Identifying Saturn on an image, knowing who painted Mona Lisa, who invented the telephone, the name of a Beatles album were some of the questions on the quiz. Quickly answering those actually means I have book smarts, if nothing else. It does not prove my balancing skills between work and social life. 

It does not mean I'm older than I am, although taking this quiz as seriously as to write a post about it kind of makes me feel old. It's like I've just discovered the internet and still trust ads that entice me to believe there is someone out there who can enlarge a certain part of the human anatomy.

Anyway. Dear quiz writers (where can I send my resume, by the way?), please do not jump to conclusions based on generalized answers and risk pointing out to a woman she's older than she is.

I will not take it personally though. I guess I can always say that age is nothing but a number.

Wait, I can find a better cliché. I can say older means wiser.

Meh.

Vanessa