sexta-feira, 8 de julho de 2016

Mostruário

Às vezes fico parva com a quantidade de informação que vejo partilhada na internet. Parece-me sinal não só de uma grande necessidade de mostrar seja o que for, como também de recolher apreciação. Isso da apreciação é uma coisa viral, palavra que tão na moda está desde que nos lembrámos que não é preciso diversidade na vida e que podemos perfeitamente centrar as nossas atenções numa só coisa ad nauseam.

Sempre fomos seres exibicionistas, mas agora temos as condições perfeitas para o fazer porque há ferramentas e há audiência. Nem sempre isso quer dizer que a nossa opinião ou o que mostramos tenha o impacto que queremos. Da mesma forma que se tornou mais fácil exibir, as opiniões e os juízos de valor tornaram-se coisas muito voláteis. Calculo que o índice de concentração esteja também pela hora da morte.

Um outro elemento que nos define é a curiosidade. Se não fôssemos seres curiosos não teríamos chegado ao ponto de conseguir armazenar o conhecimento acumulado em séculos numa rede a que podemos aceder em segundos. Mas a mesma curiosidade faz de nós criaturas mórbidas. Por outro lado, coisas tão chocantes já vimos que andamos um pouco tipo mortos-vivos. Não invejo os publicitários de hoje em dia.

Na internet junta-se a fome à vontade de comer, portanto. Mas da mesma forma que escolhemos ir passear para olhar para vitrinas, podemos também escolher não olhar para o mostruário online.

A sério. Juro. Não há obrigatoriedade nenhuma, mesmo que tenham subscrito alguma página, mesmo que a vossa celebridade preferida tenha publicado alguma coisa, mesmo que os amigos mais chegados tenham partilhado. É essa a beleza da internet. Nada online é obrigatório.

A tecnologia serve para nos poupar tempo. Eu cá acho que não sabemos é o que fazer com esse tempo livre e acabamos por preenchê-lo de forma errada. É que tudo o resto não é propriamente opcional, tipo o trabalho, a alimentação, as lides domésticas e até a vertente social (a real, não a virtual). Mas o tempo que passamos em actividades de ócio para descontrair pode ser usado noutras coisas.

Exemplos? Ar livre. Qualquer coisa ao ar livre já compensa as horas passadas a trabalhar, a olhar para o computador, a cumprir obrigações. Passatempos. Há uma coisa que os adultos não têm que em criança tiveram: curiosidade. Desenvolver habilidades, olhar para algo que não seja um ecrã, usar as mãos.

Por mais que até seja giro olhar para o mostruário, há aí factores que nos escapam. Exemplos? O chamado FOMO (Fear Of Missing Out ou medo de que nos escape alguma coisa). A vontade de escapar à realidade e desfrutar vicariamente da vida (do inglês vicariously ou viver experiências alheias). Há tanta coisa.

Mas de que sei eu? Afinal de contas estou para aqui a escrever num computador e a aceder à internet para o fazer e a contribuir para o mostruário. É com carinho, juro.

Vanessa

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Avaliação Literária | Jerusalém de Gonçalo M. Tavares

A minha opinião vale o que vale, mas considerei que devia criar uma etiqueta exclusiva para as minhas opiniões em relação a livros escritos em português à semelhança da que tenho para livros em inglês. Estreio assim uma etiqueta, o que coincide com a minha estreia literária de um dos livros de Gonçalo M. Tavares. 

Cheguei tarde à festa? Não, que já vi que o homem é escritor prolífero. E ainda bem.

Não sei se este foi o melhor livro para o conhecer como escritor, mas Jerusalém encheu-me as medidas como leitora. Mais ou menos. Confesso que me escapou muito. Tive dificuldade em seguir o fio à meada, como se diz. Talvez esteja a perder a prática da leitura em português. Talvez este não seja um autor de prosa simples. A verdade é que preciso de voltar a este livro daqui a algum tempo. Digestão prolongada, digamos.

A estória foi um tormento, mas no bom sentido. Digamos que um homem que se quer suicidar e uma louca, personagens mais ou menos centrais num elenco de luxo, são ingredientes mágicos para momentos de leitura bem passados. Temos ainda um médico obcecado com questões filosóficas e que as tenta analisar de forma científica e um ex-soldado que claramente ficou com muitas mazelas psicológicas.

O livro durou mais tempo do que esperava, mas quando o li, não só o tempo passou depressa, como as páginas eram corridas num instante. A linha cronológica custou a ser percebida inicialmente, mas depois começou a fazer sentido. Os pedaços de diálogo ou as informações descritas por um narrador mais ou menos omnisciente pareceram-me aleatórias ou despropositadas em alguns casos. Talvez tenha sido esse o intuito.

Preciso de ler mais um livro de Gonçalo M. Tavares para perceber se gosto ou não, se percebo ou não. Dentro de um ano voltarei a ler este para ver se o percebo melhor. Afinal de contas, ganhou o Prémio Literário José Saramago e o Prémio LER e o Público considerou-o o livro da década. Além disso, parece que faz parte de uma temática ou colecção, O Reino. Talvez tenha de ler os outros livros da série.

Eu cá nem sequer percebi concretamente porque razão se chama Jerusalém, mas isso deve ser uma limitação pessoal. Pelo simbolismo percebo a comparação de Jerusalém ao hospício do livro, a dicotomia entre o sagrado e o profano e etc. Confesso que tenho alguma dificuldade em perceber livros muito aclamados e depois isso faz-me sentir um bocadinho ignorante. Ao menos com este, do que percebi até gostei.

6/10

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Parallel Universe I

The old cat had collected many ladies over the years, probably to antagonize loneliness, and for that she was nicknamed crazy lady cat, which she preferred to being called a spinster.

Vanessa

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Os meninos de Mormugão

aqui tinha dito que os indianos parecem obcecados com fotografia. Com uma internet tão má, os telemóveis mais são umas boas máquinas fotográficas. Críticas à parte, os meninos goeses adoram aparecer em frente à lente mesmo que estejam a obstruir a paisagem ou as outras pessoas que queremos fotografar. Sem pudores ou timidez, fazem poses pouco estáticas, mostram os dentes e as mãos, e empurram os amigos, como se eu fosse um paparazzo. Vou portanto atribuir-lhes a fama que merecem. Aqui estão eles, os meninos de Mormugão, Vasco da Gama, Goa. Pode ser que um dia a vida lhes permita encontrar estas fotografias.





Vanessa

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Quinta dimensão

Os episódios originais da série Twilight Zone ou Quinta Dimensão, em português, são um fascínio para mim. Penso que tenha que ver com o facto de serem a preto e branco ou com a crueldade das estórias.

Como leitora assídua que sou, um dos meus episódios preferidos é o Time Enough At Last, que retrata um dos meus piores pesadelos. Percebo aí o paradoxo. Na verdade é uma relação de amor-ódio.

Apesar de ser o atormentado leitor Henry Bemis o protagonista, foi uma autora, Marilyn Venable, que criou o conto que se tornou um clássico da série. Uma autêntica pioneira no mundo masculino da ficção científica.

Marilyn Venable lucrou apenas 500 dólares com o contributo. Nos anos 50 do século passado ainda era uma fortuna. Mais importante do que o lucro, Marilyn ofereceu pesadelos a pessoas impressionáveis como eu.

Cuidado com os spoilers adiante (ainda não inventaram um termo em português para spoiler, mas digamos que é um arruinar de surpresas, tipo divulgar o final e acabar com o suspense de uma estória).

Então, Henry Bemis é um homem muito míope, com uns óculos de lentes muito grossas, que adora ler e que é casado com uma mulher que abomina a leitura. Má escolha, colega leitor, muito má escolha.

Ainda assim Henry Bemis tenta ler sempre que possível, o que o leva a tomar medidas tão drásticas quanto ler rótulos ou desfrutar de livros durante as horas de trabalho enquanto funcionário de um banco.

O patrão chama-o à atenção devido ao seu hábito. A mulher não o deixa ler e até lhe estraga um livro. 

Mas Henry Bemis não consegue evitar o vício. À hora de almoço decide enfiar-se dentro de um cofre do banco para poder ler à vontade. As gordas do seu jornal descrevem uma bomba capaz de uma destruição total.

Ouve-se uma explosão e quando Henry Bemis sai do cofre está tudo em ruínas. Toda a gente morreu. Mas há comida que se farta e muito tempo livre. O homem não sabe o que fazer e fica atormentado.

Justamente quando contempla a possibilidade de se suicidar, já com uma arma apontada à cabeça, repara que está em frente ao que foi em tempos uma biblioteca. Muitos livros sobreviveram.

Se não conhecem a expressão "não cabe em si de contente" vejam este episódio. É o oitavo. Pois que Henry Bemis não cabe realmente em si de tão contente que fica com a descoberta.

Todo o tempo do mundo, solidão e livros. Imaginem tal coisa. Como não podia deixar de ser, nada acaba bem na Quinta Dimensão. O entusiasmo tornou-o desajeitado e nisto Henry Bemis parte os óculos.

Não é o melhor enredo de S-E-M-P-R-E?

Calculo que hoje em dia o pathos seria outro. Se fizessem um equivalente mais moderno da estória, que representasse também um cenário pós-apocalíptico, Henry Bemis encontraria um único e-book (leitor digital de livros), mas depois não teria onde carregar a bateria. Dedicatória: da Vanessa, para todos aqueles que insistem em recomendar que eu compre um desses aparelhos em vez de continuar a comprar livros.

Pode não parecer, mas Time Enough At Last (qualquer coisa como Finalmente Tempo Suficiente) dá pano para mangas. A mim deu. Vou continuar a escrever, mesmo sabendo que ninguém vai chegar aqui na leitura.

Primeiro: no advento dos conteúdos televisivos, esta estória é uma alegoria perfeita. O hábito do protagonista e a constante crítica por parte dos que lhe são próximos retrata o papel dos livros na sociedade. É quase como se a ficção ditasse o seu próprio destino: vai chegar um dia em que ler será mal visto ou menosprezado em detrimento de outras formas de entretenimento ou trabalho; a intelectualidade tem os dias contados.

Segundo: cuidado com aquilo que desejas ou como nem sempre o que sonhamos é exequível. Se não fossem os momentos maus, não conseguiríamos apreciar os bons, a natureza é feita de equilíbrio e insiram aqui as metáforas que desejarem. É bom sonhar, mas em termos práticos, a nossa presença e interacção podem influenciar o desfecho mesmo no cenário mais apetecível. Cuidado com as ilusões.

Terceiro: o homem sozinho não pode ser feliz. Ser anti-social traz maus resultados. A sociedade é necessária. Sozinho chega-se mais rápido, mas acompanhado chega-se mais longe. Não sei quem é o autor porque nisso a internet não é de se fiar, mas a ideia é profunda e fica retratada no cruel destino de Henry Bemis.

Para mim, a quinta dimensão é mesmo isto. É um espaço e um tempo onde tudo pode ser acontecer e tudo pode ser interpretado, mas nem sempre percebido. Se não estiver por aqui, é porque estou lá.

Vanessa

terça-feira, 28 de junho de 2016

Refúgios em Goa

As minhas fotos guardam boas lembranças. Em duas ocasiões tive a oportunidade de visitar três hotéis onde não desfrutei da dormida, mas onde passei bons momentos e pude tirar umas fotos para mais tarde recordar e quem sabe visitar novamente. São locais caros, com preços entre as 3000 rupias e as mais de 10 000. 

Contudo, dispõem de piscina e bar abertos ao público e um acesso mais recatado à praia mais próxima. Já para não falar em casas-de-banho muito diferentes das indianas, um pormenor bem importante para quem não está habitado a falta de asseio e ao chamado bum gun (spray de água) em vez de papel higiénico.

1. O Pescador Beach Resort | Dona Paula, Pangim





2. Goan Heritage | Bardez, Calangute




3. Royal Orchid Beach Resort & Spa | Salcette, Utorda




P.S.: Esta não é uma publicação patrocinada.

Vanessa

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Mas como assim?

Pronto, está bem. O Rei Leão saiu há mais de 20 anos. O primeiro Matrix tem mais de 17 e eu vi-o pela primeira vez com 17 anos, já alguns anos depois da sua estreia. Aceito sem problemas. Mas como assim, o último filme d'O Fantasma da Ópera tem 12 anos?! E mais, como assim o 300 tem 10?!

Vanessa

sexta-feira, 24 de junho de 2016

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Book Review | Life of Pi by Yann Martel

You can take this book as an alegory or a non-fiction book. You can choose to believe in what's being narrated or you can take it as a metaphor. Either way one chooses to plunge into the tale, the book is awesome.

I admit I had seen the movie, but as everyone who had read the Life of Pi told me this was not an easy story to put to film, I decided I would read it as soon as I could. I found the book in India and thought it was a great deal and a great opportunity to finally discover this author who was unknown to me.

Funny enough, Yann Martel's note at the beginning, mentioning he wanted to write a story set in Portugal, my residing country, but then moved to Bombay, in the country I was in, to write it, made believe this was indeed the right time to read Life of Pi. I was not wrong and it turns out, this book is now a favorite.

I loved Piscine, the main character, and his views on religion. I find it odd that in the movie they decided to include a love predicament for him, because there's no such thing in the book. Pi's only love is for God, however you want to call this God. In fact, he goes on to experience God in many ways.

The book is beautifully detailed and immersive. It was one of those books where the reader has no problem in believing. Pi tells it in a way that allows one to see it in the mind's eye and that, of course, is subjective to one's experience and beliefs. I, for one, chose to believe Richard Parker was indeed a Bengal tiger.

10/10

Vanessa

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Sabes que não estás na Índia quando ...

Ligas para o serviço técnico da Vodafone e indicam-te o tempo médio de espera.

Chegas à fala com o serviço técnico em menos de dois minutos e 30 segundos depois de reportar uma avaria e ainda em chamada recebes uma mensagem a dizer que a avaria está em vias de ser resolvida.

O técnico cumprimenta cordialmente e agradece o tempo que aguardei.

O técnico pergunta em que mais pode ser útil.

A equipa técnica chega a horas e não uma semana depois e fala a tua língua.

A equipa técnica testa os equipamentos e é honesta o suficiente para dizer que o sinal de internet está fraco e proactiva o suficiente para tratar do assunto e tem ali o material necessário para o fazer.

A equipa técnica deixa-te com um documento comprovativo da sua presença e com uma descrição sumária do que foi feito em letra legível e ainda pergunta se preciso de mais esclarecimentos.

Às vezes sabe bem não estar na Índia, digo-vos.

Vanessa

terça-feira, 7 de junho de 2016

Rotina

Tem de haver por aí um manual de instruções sobre como ser normal, tudo o que o meu relógio biológico não é. Ora vejamos, o meu cérebro está totalmente desperto quando são horas de dormir. As minhas horas mais produtivas são as da madrugada. Devia ser fácil madrugar, certo? Não é, porque isso seria normal.

Só que agora não tenho a desculpa do jet lag. Tenho mesmo de admitir esta anomalia no sistema. Infelizmente o manual de instruções não veio com o aparelho e o aparelho não dispõe de botões de comando.

Vanessa

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Como Lidar Com a Rotina Pós Viagem em 3 Passos

Regressar de uma viagem será certamente um dos momentos mais difíceis da curta existência de tal privilégio, mas temos para si um método infalível em 3 simples passos para que volte a cair na rotina sem melancolias. Independentemente do destino, saiba que é mesmo possível abandonar o sentimento provavelmente não muito agradável que ataca incautos viajantes pelo mundo fora: o aborrecimento pós-viagem.

Deixe-se guiar por estes simples passos para ganhar de volta o seu direito a uma vida banal sem nada a reportar e volte a sentir-se um membro produtivo da sociedade, mesmo que isso signifique passar a vida a trabalhar para pagar impostos e pouco mais, constituir família e criar cidadãos que sigam o mesmo fantástico destino.

Não desespere e siga os seguintes passos:

Passo 1: Repita para si próprio que este período de tempo é uma mera passagem. Se pensar em passagem e automaticamente lhe apetecer comprar uma passagem de avião, ignore o impulso. Certamente tem visto demasiado telenovelas brasileiras. O termo em português de Portugal seria bilhete de avião. Repita quantas vezes forem necessárias, até interiorizar que está de facto num período transitório. Poderá ser necessário incentivar o cérebro com algumas doses de açúcar, gordura ou cafeína (provavelmente a santíssima trindade, se a viagem tiver durado mais de três semanas). Nada tema. Se tudo correr bem, no futuro ganhará coragem para queimar as calorias excedentes num dos 1000 ginásios perto de si por uma mensalidade pouco simbólica.

Passo 2: Pegue em todas as fotos que tirou enquanto esteve em viagem e queime-as numa cerimónia íntima se for introvertido. Se for extrovertido, convide todos os seus amigos e conhecidos e faça da queima das fotos um evento. Não se esqueça de recordar os seus convidados mais adeptos do álcool de que já está em vigor a carta por pontos e que a pontuação não se trata de um jogo. Não se esqueça de juntar as cinzas e atirá-las num local simbólico para que se lembre de que tudo o vento levou. Considere-se sortudo por ter viajado sem o avião se despenhar, o cruzeiro se afundar ou o veículo se desviar da rota. Da próxima vez que lhe apetecer viajar lembre-se de que isso é uma possibilidade plausível graças a um fenómeno chamado gravidade.

Passo 3: Nunca mais viaje na vida. Não há melhor forma de acabar com a nostalgia do regresso ao corre-corre e assegurar uma vida pacata, sem grandes surpresas ou sustos, sem motivação ou ânimo do que eliminar completamente a hipótese de alguma vez voltar a deixar o território que ocupa neste momento. Aproveite o Passo 2 para queimar também o seu passaporte ou cartão de cidadão. O primeiro para arrasar qualquer possibilidade de deixar o país no futuro, o segundo porque nada o distinguirá de todos os outros cidadãos no colectivo de que faz parte, não sendo por isso não necessária qualquer identificação. Fuja para sempre de termos como "low cost" ou "wanderlust" ou hashtags que normalmente acompanham fotos com destinos paradisíacos e para sempre regozije-se na sua própria miséria e auto-comiseração.

Nota do editor: Para uma maior eficácia poderá também ser necessário eliminar qualquer perfil que tenha em redes sociais, o que só lhe trará benefícios colaterais e mais tempo livre para ser produtivo.

Vanessa

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Old Age

Completed an age quiz on some random website found on Facebook. Thought it was somewhat trustworthy (chewing on a big grain of salt there) because it had general knowledge questions. 

Turns out knowing most of the answers makes me old. As in 55 years old. The result author went on to say I must have a perfect balance between work and social life (what gives?) and that I have learned a lot during my half a century stay on this planet. Erm. Knowing the answers means exactly the opposite, I think.

Identifying Saturn on an image, knowing who painted Mona Lisa, who invented the telephone, the name of a Beatles album were some of the questions on the quiz. Quickly answering those actually means I have book smarts, if nothing else. It does not prove my balancing skills between work and social life. 

It does not mean I'm older than I am, although taking this quiz as seriously as to write a post about it kind of makes me feel old. It's like I've just discovered the internet and still trust ads that entice me to believe there is someone out there who can enlarge a certain part of the human anatomy.

Anyway. Dear quiz writers (where can I send my resume, by the way?), please do not jump to conclusions based on generalized answers and risk pointing out to a woman she's older than she is.

I will not take it personally though. I guess I can always say that age is nothing but a number.

Wait, I can find a better cliché. I can say older means wiser.

Meh.

Vanessa

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Recomeço

A viagem foi pacífica apesar das escalas. Goa-Mumbai, Mumbai-França, França-Portugal. Andei para trás no tempo, mas ainda me sinto quatro horas e meio à frente. Comecei a manhã a sobrevoar Goa com uma masala dosa e café e bolo de chocolate, almocei em Mumbai uma salada behl puri, caril de frango e dahl, com dois copos de vodka com sumo de laranja, mas lanchei um salgado de frango e um gelado já na Europa e jantei sandes de peru algures entre França e Portugal. Na viagem recuperei algumas horas de sono, vi o céu de perto, li uns capítulos de Life of Pi, vi o último Star Wars que não vi no cinema e quase terminei de ver o The Intern.

Fui calorosamente recebida no aeroporto de Lisboa com direito a cartazes e tudo pelas pessoas que mais me fizeram falta nos últimos meses. Fiquei a par de novidades ainda atordoada e dolorida. Senti-me a pessoa mais sortuda do mundo, mas com as pernas a flutuar como acontece quando se passa muitas horas sem ser com os pés no chão e a cabeça nas nuvens como me acontece frequentemente quando durmo pouco.

Cheguei há cinco dias, mas parece que foi ontem. Tenho seis meses de coisas em atraso, mas o que me apetece mesmo é tudo menos obrigações. Nisto de estar quatro horas e meio à frente, parece mais que estou parada no tempo. Na verdade gosto disso. Podia ficar assim mais uns seis meses. Mas a realidade chama por mim.

Vanessa

Book Review | The Kite Runner by Khaled Hosseini

Emotionally overwhelming. The Kite Runner is one of the best books I have ever read, but it's not a read for every occasion. It is devastating. It tells a tale of a boy who experiences a tough journey from being a kite runner kid to being an adult who escapes Afghanistan but has to feel the consequences of war.

The tale travels from a happy childhood that ends prematurely to a mature life from the eyes of someone who saw more than his eyes and heart could bear. It digs into history and culture, as if they were mere curiosities, and it reveals a magical country that cannot escape political and religious turmoil.

It's one of those books one cannot stop reading just to get to a possible happy conclusion. I will not spoil any of the story, but I have to say it was a very bumpy ride and one that made me cringe.

Hosseini created an alternate universe right in the middle of a real one, where sadness corrupts lives. It opened a door for things I did not know about or ones that I only knew from distanced news that cover only a portion of the real events. At the same time, the story was so dense and full of details that it seemed inspired in someone's life. Sadly, one knows there must have been stories much worse than that of the main character.

This is one of those books I will recommend "a thousand times over" to everyone who enjoys reading,

10/10

Vanessa

terça-feira, 24 de maio de 2016

Check-in

A Volta Ao Mundo diz que Goa é um dos 10 destinos mais baratos para viajar com gastos por dia na ordem dos 16 euros e meio. Acho que consigo mais barato, mas a hipótese terá de ser testada no futuro, porque daqui a umas horas vou fazer o check-out. Agora é altura de me rir na cara de quem não acreditava que eu conseguia cá ficar por quase seis meses. Antes disso, o lamechismo do reencontro e a alegria da chegada.

Hoje comi o último thali dos próximos tempos, no Café Tato, e o último gelado da Amul, doce e colorido. Ontem foi o último shev puri (que aprendi pronunciar-se xou purí). Só não foi a última viagem de autocarro, porque em Mumbai normalmente há ainda uma viagem pela cidade, para ir do aeroporto à pista de descolagem.

Agora, mais do que pensar em despedidas e partidas, prefiro pensar em regressos. Estou quase a regressar a Portugal e um dia, não sei quando, vou com certeza regressar a Goa.

Vanessa

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Carambolas goesas

As carambolas sempre foram um doce festivo para nós em Portugal. Calculo que fosse o doce mais fácil e conveniente de se fazer, pois não leva ingredientes exóticos. É farinha, ovos, açúcar e pouco mais. Normalmente as carambolas enchiam as latas azuis de bolachas de manteiga antes do natal e duravam até ao dia de reis, coisa assim. Lembro-me do seu formato peculiar que aprendi em pequena e que relembrei aqui em Goa e do cheiro a calda de açúcar e a fritos que impregnava a casa. Não vos posso dar a provar, por isso fiquem com as fotos.








Vanessa

terça-feira, 17 de maio de 2016

Saldo positivo

Da minha estadia de 23 semanas e meia em Goa, ou umas 3 860 horas se pensarmos que cada semana tem 168, cerca de 207 horas foram passadas a trabalhar, o que dá para aí uma semana e meia de trabalho se eu fosse uma máquina e não fizesse mais nada ou umas cinco semanas se eu respeitasse as 40 horas de trabalho por semana em vigor em Portugal (ainda assim é, certo?). Não contabilizo, é claro, o tempo passado à procura do trabalho ideal, do cliente ideal e dos temas mais interessantes nem aquele que passei a pensar no trabalho ou a planeá-lo. Também não contabilizo o tempo passado a olhar para o router para ver se o sinal de internet se despachava a mostrar o ícone verde em vez de vermelho ou o que passei a alongar o corpo depois de horas em má posição ou as mil e uma interrupções a que uma pessoa está sujeita quando não tem um escritório.

Não sou pessoa de números, mas às vezes tem de ser. 

Os números não dão margem para subjectividade. 

Ainda que o balanço em termos de trabalho tenha sido positivo pelo contexto da experiência, sou da opinião de que este não é um bom sítio para trabalhar. Falo concretamente de Nagoá de Vernã, onde falta a luz todos os dias (pelo menos tem sido assim no último mês), a água umas quantas vezes por mês e a internet vem aos soluços (quando vem) e é tão instável quanto a vida política em Portugal.

O futuro está no teletrabalho. Acredito mesmo que sim. São já poucas as profissões que não estão automatizadas e informatizadas. Picar o ponto já é quase uma coisa do passado. Mas aqui, aqui ainda se trata de assuntos com papéis e facturas escritas à mão (às vezes em hindi) em pedaços de papel. 

No banco, as transacções são apontadas num caderno enorme. As receitas médicas são escritas em blocos de papel oferecidos por empresas farmacêuticas com um desenho que representa três refeições feito pelo médico, com uma qualquer sinalização para que saibamos em que refeição devemos tomar os medicamentos.

Mas as caixas vêm sem bula. Aí, que faz falta o papel para sabermos efeitos adversos, indicações, ingredientes, o papel não vem. Às vezes nem a uma caixa temos direito. Recebemos as carteiras de comprimidos e já vamos com sorte. Sorte mesmo é quando o farmacêutico sabe o que nos está a dar e oferece umas dicas.

As farmácias, um dos poucos serviços onde a informação está informatizada, ficam paradas quando falha a internet. Aqueles quatro ou cinco dias a semana passada em que faltou a internet devem ter sido um caos na farmácia de Pirni. É por isso que em todo o lado os comerciantes têm os fiéis cadernos.

Papel e caneta. Eu bem que sonhava, quando era mais nova, em viver de papel e caneta. Escrever. Mal sabia eu que o mundo ia evoluir de tal forma que agora me basta premir teclas para formar palavras e o calo do meu dedo do meio, no lugar onde a caneta se apoiou durante tantas horas, já quase desapareceu. Se eu agora quisesse mesmo cumprir o sonho de viver de papel e caneta vinha viver para Goa. Mas depois tinha de enviar o meu trabalho por carta. Isso implica confiar nos serviços postais indianos. Hum, não.

Vanessa

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Caldo de cana

É habitual ver vendedores de caldo de cana aí pelas esquinas. Têm normalmente um carrinho com uma máquina barulhenta que espreme a cana-de-açúcar para um balde. Depois vertem para um copo, que vale umas 20 rupias. Dizia um amigo no Facebook que caldo de cana é o Redbull indiano. Só que a mim não me deu asas. Pai, que me estás sempre a perguntar se já provei, aquilo é doce para caramba e foi bom experimentar. Agora, se nunca mais beber sumo de cana-de-açúcar para o resto da vida também não fico triste.

Vanessa

domingo, 15 de maio de 2016

Mormugão, Vasco da Gama

Mormugão é mar, é água por todo o lado. É cheiro a sal com a brisa, mesmo no meio do trânsito. É frescura de maresia debaixo do sol. É sons de buzinas náuticas à distância. É rebuliço constante. É lojas e bazares coloridos de movimento e aromas bons misturados com maus e encontrões e olhares. É coisas tão feias e logo ao lado coisas tão bonitas. É coisas tão sujas e logo ao lado coisas tão limpas. É muita coisa à venda por todo o lado. É comida boa a cada esquina. É Vasco da Gama no seu melhor. Mais não digo. Só mostro.

















Vanessa

sábado, 14 de maio de 2016

Escolhas de vida

Comer gelados dá-me frio. Mas os gelados daqui (Amul, para quando uma loja em Portugal?) são assim para o bastante deliciosos. Não vos saberia explicar como. São cremosos. Alguns têm pedaços de chocolate, gelatina, gomas, frutos secos (e alguns têm todos os anteriores e chamam-se kulfi). Os gelados dão-me frio mesmo com este calor. Ainda assim, mais depressa usava um casaco em Goa do que parava de comer gelados.

Vanessa

Book Review | Life Before Man by Margaret Atwood

I felt compelled to read this book for its title, but then got distracted by the plot. It was so like, "Wait, what?" that I could not really understand some of the inner dialog parts smeared across some of the chapters, some of the thoughts the characters had and the purpose of some of the scenes. 

It was all like a painting that looks beautiful, with grabbing details, but that one cannot really understand.

The premise seemed interesting. A love triangle or quadrangle involving a married a couple and a woman with a weird name (Lesje, pronounced Lashia) with a weird love for dinosaurs. 

Then it all got intense, but scattered. The characters felt shallow. Their intentions seemed to have no purpose. 

At times they seemed to lack the metaphorical backbone old classics with promiscuous, adventurous people have. Not that I read many of those, but I like to know the intentions, the reasons behind choices when I feel I'm getting to know characters that will be keeping me company for some time.

I wanted to like this book but really couldn't. It was bleak, depressing, some of it felt apathetic. 

After that last book I read, it seemed to me I was either making horrible choices or that I lacked the intelligence to understand these books I was choosing. Maybe a bit of both?

I don't have to like every book I choose, I know that. This one was slightly better, as it had some interesting remarks about dinosaurs and end of the world scenarios that kept me going. 

But then that ending definitely ruined the plot for me.

6/10

Vanessa

Custo de vida em Goa

A opinião generalizada da minha família é a de que o custo de vida em Goa tem vindo a subir muito ao longo dos anos. Há coisas que de ano para ano se tornam descaradamente mais caras e há casos, como os da fruta de quem tem quintais, em que cada um faz o preço que quer. Quando amigos me perguntam quanto é o ordenado mínimo, não sei responder. Encontrei esta tabela que esclarece um pouco a dúvida.

O ordenado mínimo será mais ou menos 300 rupias (uns 4 euros) por dia.

Sei que se paga mais e até menos nalguns casos. Não sei se existe autoridade alguma que controle estas coisas, porque isso insere-se na categoria de muitas das coisas que não faço ideia de como funcionam aqui.

Sei também que é costume dizer-se que não há pobres em Goa. Acho que é uma forma de expressão, porque os goeses parecem todos ter casas grandes e coloridas, aprovisionadas com dinheiro feito no estrangeiro.

Diz-se também que é esse dinheiro trazido de fora que aumenta a inflação e que depois quem se lixa é o mexilhão, que é como quem diz, o indiano que vem de outros estados para trabalhar nesta área e que precisa de tecto, alimento e outras amenidades a preços moderados e não a preços de turismo.

As 300 rupias por dia não dão para muito, não. Os últimos cinco livros em segunda mão que comprei custaram 50 rupias cada um, mas já vi livros novos custarem 300 ou 400 rupias cada. É muito fácil gastar 1000 rupias no supermercado. Um smartphone custa umas 8000 ou até 10 mil se for de marca famosa.

A vida aqui é mais fácil quando se está emigrado e se vem cá de férias.

Vanessa

Book Review | Who Do You Think You Are? by Alice Munro

Ten short stories connected by one character and universal questions such as, you guessed it, Who Do You Think You Are? is what composes Alice Munro's novel, where small details and witty remarks and minimalistic but powerful dialogs make up one single story. It follows Rose and her upbringing, then Rose and her adulthood, and throughout Rose and her thoughts. However, I finished the book feeling I don't know Rose at all.

The prose was compelling enough. It was poetic and romantic. It had many details that make one nod in agreement or silently sigh in relief for seeing on paper some quirk or peculiar habit that until then was only his. You know, how nail polish smells like banana and chemicals (chemical banana!).

Something was missing, though. I felt this was one of those books I could not really fully comprehend and thus I could not really like it. It felt like a collection of chronicles, some of them way more personal than others, with no apparent goal other than describe someone the author admires.

The novel was entertaining and I hadn't read any of Alice Munro's stories before. If this one was the best one to start, I do not know. Maybe I didn't feel connected enough with Rose. A few particular scenes showed how obviously different we are from each other. That doesn't usually make me not like a character, but this was in a sense an unusual read. It flew by, but it did not stick. I'm not surprised if I do not remember the details of this novel in a week from now. It was entertaining while it lasted.

6/10

Vanessa

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Vivências

Continua calor. A linha telefónica, que já estava queimadinha, ardeu de vez num incêndio que ocorreu aí para sábado, o que passou. Ninguém me tira da ideia que foi dos foguetes que atiram depois das novenas em honra de santos aos quais já perdi a conta. Esse interregno sem aviso terminou. Eu é que já não tenho muito tempo. Há cinco meses estava a chegar a Goa. Daqui a menos de quinze dias vou dar de frosques.

Vanessa

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Speechless with Carly Fleischmann

A young woman called Carly Fleischmann left me without words today. She had her wish of being a talk show host come true and her first guest was Channing Tatum. It would be hard getting such a scoop in today's competitive world. Imagine accomplishing that while being a nonverbal autistic woman. That's why I decided to share this interview. It definitely brightened my day and not just because Channing Tatum was there.


Vanessa

Ao cuidado de todas as empresas portuguesas a que me candidatei e as quais nunca se dignaram a enviar uma resposta

Candidatei-me a uma vaga na casa real britânica. Não sei se consigo definir o posto, mas é qualquer coisa como gestor de redes sociais ou, numa tradução mais literal, director de interacção digital. 

Foi um daqueles anúncios aos quais concorri não por ter esperança de ser chamada, mas porque se não concorresse ia ficar sempre com aquilo a ocupar espaço mental. Foi pelo chamado descargo de consciência, essa entidade responsável por tantas acções pelo mundo inteiro. Conhecem?

Tinha recebido um email de confirmação. Só por si já é um acontecimento raro. A maior parte das empresas portuguesas às quais concorri e que acusaram a recepção da minha candidatura tinham como objectivo prestar informações adicionais e/ou indicar que o meu avanço ao longo das fases da candidatura, fases essas que são sempre de mil para cima, seria esclarecido num email posterior, email esse que raramente nos meus 29 anos de vida chegou à minha caixa de correio electrónico, pelo menos não sem incentivo da minha parte.

Não só recebi o email de confirmação como recebi há pouco, menos de um mês após a candidatura, um email a informar que os responsáveis pela vaga já escolheram alguns candidatos e que eu, por exclusão de partes, por haver pessoas que correspondem mais ao que procuram do que eu, fico por aqui. 

Ainda tiveram a amabilidade de agradecer o meu interesse e de desejar sucesso futuro.

Se foi um email gerado automaticamente e distribuído por milhares de outros candidatos? Foi. É por essa razão uma coisa má enviar um email a candidatos possivelmente esperançosos e deixá-los libertar espaço mental para outros oportunidades? Não, não é. É uma cortesia. É um gesto de humanidade.

É, acima de tudo, uma lição para todas as empresas portuguesas que tratam os candidatos como seres inferiores que não merecem resposta alguma. Que estão sempre muito ocupadas para responder a emails. Que pensam que já estão a fazer mais do que a sua obrigação ao criar um anúncio de emprego.

Não me venham cá dizer que a casa real britânica tem mais posses e tempo e que os ingleses estão habituados a estas coisas tipo serem amáveis e cumprirem etiquetas. Sei muito bem que nas empresas há muito tempo desperdiçado e sei também que um email não custa muito a escrever (e pode ser guardado para futura referência ou cópia) e que enviá-lo não requer selos ou idas aos correios. 

Se automatizarem essa cena é muito mais rápido do que ir buscar um café ou abrir o Facebook.

Vanessa

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Maio

O calor e a humidade agarram-se ao corpo com fervor. O torpor dura um dia inteiro e só arrefece à noite. Às vezes o sono é interrompido, uma vez, várias vezes, porque o corpo acorda para o abraço apertado de uma neblina tépida do qual não se consegue libertar. A pele escorre constante e copiosamente.

O chão custa. As pálpebras pesam. Os braços e as pernas cansam. Maio é um verbo passivo. Se não estivesse calor. Se estivesse mais fresco. Se não fosse Maio. As possibilidades vão adormecendo.

O tempo pára, enrolado na quentura. Os dias arrastam-se pesadamente. Ainda assim, o tempo voa.

Vanessa

terça-feira, 3 de maio de 2016

Book Review | Animal Farm by George Orwell

When I first read Animal Farm I could not understand all the metaphors, so I headed on to Google and found websites where all the subtleties were drawn in a simple enough way for me to understand them. Fast forward more than ten years and, while reading an article on something I can't even remember, I spotted a reference to Animal Farm and I decided I should read it again with my current level of maturity *cough cough*.

Orwell's book is quite more fun than my memory of it. However, it is also very sad and tragic when one realizes how much we, humans, lived and still live just like the animals of the farm. Although the book is simple in its narrative, I also found it brilliant. It's very clever in its details, but it also throws certain prompts to the imagination with an irony that surprised me. It made me feel helpless and hopeless sometimes.

The plot starts in a farm owned by a drunkard of a human. The animals decide to rebel and take over the farm so that they can be free and only work for themselves, not for a human, as humans are "the only creature that consumes without producing." What happens next, as I understood it, just shows, in the story itself and through the metaphors, that humans are really the most dumb of creatures.

All history lovers should read this book for sure. I had a great time with it, understanding the hidden complexity of it and also all the references that escaped me when I read this book as a teenager.

10/10

Vanessa

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Nem que me pagassem

Note-se que toda esta publicação é uma fraca tentativa de humor. Nada é para ser levado a sério.

Ofereceram-me a oportunidade e eu não aceitei. Não, obrigado, disse eu. Acrescentei ainda que gosto de ter os pés bem assentes na terra. Subir para o barco com a minha câmara, com o mar revolto, já foi uma grande demonstração de coragem da minha parte. Arriscar (ainda mais) a minha vida por 1000 rupias para andar pelos ares debaixo desse saco paraquedas (ou parapente?) remendado? Nem pensar.

Bom, já me viram andar naqueles carrosséis duvidosos da Feira Popular ou daquelas festas de aldeia onde o cinto mais parece uma fivela de velcro e o nosso centro de gravidade fica mais baralhado do que um cidadão português (eu) que tenha de escolher uma senha para ser atendido em serviços públicos e os sapatos quase saltam e atingem algum transeunte, qual momento estilo Final Destination. Mas não é a mesma coisa.

Primeiro porque estou na Índia. Padrões de qualidade europeus aqui são luxo, só para terem uma ideia de como as coisas aqui funcionam. Segundo porque detesto mar alto e duvido que as aulas de natação me safassem em circunstâncias reais. Não há crawl que aguente as correntes daqui. Terceiro porque não gostaria de pagar (apenas) 1000 rupias para depois me afogar. Convenhamos. A minha morte certamente vale mais do que isso.

Se acham que estou a exagerar, imaginem o seguinte cenário e digam lá se não tenho razão.

O barquinho mal aguenta a força das ondas. Por várias ocasiões pensei que fosse virar. Juro que a minha principal preocupação era a minha câmara. Seis meses num call center para a conseguir comprar. Isso diz tudo. Bastava ali um ventinho mais forte ou uma corrente para o sacrifício ir por água abaixo.

Os homens eram esqueléticos. Prova disso é que mal aguentavam com o dito saco paraquedas quieto.

A única coisa a assegurar que o paraquedas não fugia era uma corda. Daquelas bem finas, já com algumas pontas soltas. Não sou mestre em física, mas gosto de ver robustez. Robustez é sinónimo de segurança.

Não gostaria de ser protagonista de uma piada seca. O que é um pontinho colorido e molhado no céu em alto mar num ângulo muito estranho? Uma Vanessa muito, muito medrosa. Não.

Depois havia esta possibilidade. Testar a água. Isso faço na praia mesmo, obrigado. Estou bem aqui, já disse.

 Hum. Não. É giro de se ver. Eu disse ver. Experimentar não. Fica bem é na fotografia.

Vi no Science of Stupid no National Geographic qualquer coisa sobre conseguir deslizar na água com os pés. É preciso um ângulo específico e não sei quê. Dá muito trabalho. Se parece divertido? Lá isso parece. Dispenso tal diversão, para dizer a verdade. A minha noção de diversão na praia é estar à sombra a ler.

Vanessa