quarta-feira, 2 de novembro de 2016
Atenção: aqui há muita secura XII
Duas antenas casaram. A recepção dos convidados foi fantástica.
Vanessa
terça-feira, 1 de novembro de 2016
Os 10 mais lidos de Outubro de 2016
Resumo do documentário Before The Flood em 10 pontos
Leonardo DiCaprio dá a cara neste documentário sobre as alterações climáticas. Before The Flood (Antes do Dilúvio, em português), realizado por Fisher Stevens, é uma daquelas longas metragens sobre o que sabemos ser inconveniente, que nos vai fazer questionar o nosso estilo de vida e o nosso legado. Aqui está o link para o canal da National Geographic onde está o filme, ainda sem tradução. Eis também o meu resumo:
1. O aquecimento global é real e não um mito, e é directamente causado pela actividade humana. As consequências são devastadoras também para os humanos, mas não só, das catástrofes naturais à poluição, das secas e incêndios às tempestades e dilúvios, passando por conflitos e guerras com outras repercussões.
2. As principais causas para o aquecimento global são já bem conhecidas: combustíveis fósseis, desflorestação para criação de gado ou produção de óleo de palma, entre outros, complexos industriais, e enfim, tudo o que produza metano e dióxido de carbono que depois polui a atmosfera e o ar que respiramos.
3. O Oceano Árctico está a desaparecer. Entre 1900 e 1980, a extensão atingia em Setembro 8,5 milhões de metros quadrados. Hoje em dia está a menos de 5 milhões. Outros locais com gelo estão também a desaparecer. Prevê-se que em 2014 consigamos navegar pelo Pólo Norte no Verão se assim continuar o degelo.
4. O degelo vai aumentar ainda mais a temperatura global e causar mais dilúvios noutras partes do mundo.
5. A maior parte das personalidades que nega as alterações climáticas e que recusa reconhecer o impacto da actividade humana no aquecimento global tem os bolsos cheios com dinheiro proveniente da produção de combustíveis fósseis e está a atrasar a solução do problema numa altura crucial para que ele se resolva.
6. Personalidades mundialmente reconhecidas que acreditam que o problema é real, entrevistadas neste documentário por DiCaprio : Elon Musk, John Kerry, Ban Ki-Moon, Barack Obama e Papa Francisco.
7. As populações mais pobres são as que mais sofrem actualmente com o impacto das alterações climáticas, em países como a China e a Índia, onde há secas e dilúvios, poluição atmosférica, níveis altos de toxicidade da água, entre outros. Os protestos, manifestações e conflitos nestes locais estão a aumentar.
8. Os oceanos absorvem mais de um quarto do dióxido de carbono que produzimos todos os anos, o que altera a química da água, tornando-a ácida. A acidez do oceano aumentou em 30% desde 1700 e prevê-se que duplique até ao final deste século, uma alteração 10 vezes maior do que nos últimos 50 milhões de anos.
9. A solução passa pelo aumento do consumo de energias renováveis, restauração das florestas, criação de impostos para produtoras de combustíveis fósseis e eliminação de subsídios para este tipo de energia.
10. A nível individual, a melhor forma de prevenir e reverter as alterações climáticas passa pelas escolhas de consumo que fazemos e mudança de hábitos alimentares, reduzir o desperdício e o lixo, e votar em partidos políticos que mantêm nas suas agendas soluções para as alterações climáticas.
Mais informações: www.beforetheflood.com
Mais informações: www.beforetheflood.com
Nota: isto é um resumo do documentário, mas pode conter vestígios da minha própria parcialidade.
Vanessa
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
Book Review | Saturday Requiem (Frieda Klein, #6) by Nicci French
This is the last installment of the Frieda Klein series so far, but Nicci French already confirmed a seventh book to be in the works, which will be the last one. In Saturday Requiem, Klein is asked to look into an old police case where a whole family has been murdered. Once more, she accepts the challenge.
It's great to be reunited with all the characters in Klein's life and a few new ones. As always, these books are well crafted, although the recipe feels the same. That's not to say this is a boring book. It feels familiar, but with a different story, a quick pace and interludes that show the main character taking walks in London.
Frieda is like a dog with a bone, unwilling and perhaps not capable of letting go of her instincts, which is the main reason no one else believes her until she's able to prove her point. It's annoying to know she's got it right so many times, yet she's always doubted at first, including by the police. Even people she interviews know and trust her for her abilities to get to the heart of the matter. Authorities, on the other hand, seem to hate her.
This case was not as interesting to me as past ones though. It was full of twists and turns as usual, but not as gripping for some reason. Dean is also back to haunt Frieda, but this time he exceeded himself. The conclusion felt devastating this time and it all ends with a cliffhanger, which means I'll have to wait for the final book to know what happens. Once more, Frieda's house is no longer her beloved sanctuary.
It was a good read, refreshing and interesting, with many details developed carefully and surprises until the end. This is one of my favorite book series. Here's to hoping the next one doesn't take long.
8/10
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Vanessa
sexta-feira, 28 de outubro de 2016
Resumo do documentário Fillet Oh Fish em 10 pontos
Fillet Oh Fish é um documentário para quem gosta de peixinho e acha que é seguro comer tanto quanto queremos para uma dieta saudável. O documentário realizado por Nicolas Daniel conta como o consumo de peixe duplicou nos últimos 40 anos, como têm surgido no mercado novas espécies de peixe (peixe gato, estou a olhar para ti) com origens algo obscuras, e como os filetes, tão fáceis e cómodos, escondem uma verdade difícil de engolir. Se vos agucei o apetite, aqui está o documentário no YouTube.
Para quem dispensa ver, até porque não contém legendas em português, aqui está um resumo:
1. Grande parte do peixe gato, conhecido como peixe-panga, vem do Vietname, onde é produzido em aquacultura. As águas vietnamitas são extremamente poluídas por resíduos tóxicos de fábricas e dejectos humanos, e a água da aquacultura nem sempre são protegidas da poluição exterior. O peixe é alimentado a ração e cresce ao dobro da velocidade normal. É tratado com químicos. Não há muitos estudos científicos sobre o peixe, portanto ficamos na mesma. O melhor é consumir com moderação.
2. A Noruega produz muito salmão, o que rende quatro mil milhões de euros anuais. As águas são poluídas. A maioria do salmão é de aquacultura e apresenta 14% a 34% de gordura por comparação ao selvagem, que contém 4% a 7%. O problema da gordura é que acumula concentrações de toxinas da água.
3. As espécies modificadas geneticamente, quase todas, inclusivamente salmão e bacalhau, apresentam defeitos que não vemos uma vez que o que consumimos são primariamente os filetes. Por exemplo, o bacalhau tem permanentemente a boca aberta e o salmão fica com uma carne quebradiça e de cor clara.
4. Uma investigação francesa concluiu que o salmão de aquacultura contém mais toxinas do que qualquer outro produto. Em ratos de laboratório, a inclusão de salmão não selvagem tornou os ratos obesos e diabéticos. A maioria dos poluentes do salmão provém da ração com que são alimentados.
5. O Mar Báltico é um dos mais poluídos do mundo. O peixe dessa região está contaminado com toxinas e radiação. A água deste mar não é renovada frequentemente, além de ser um ponto de acesso de nove países altamente industrializados. Uma vez que o peixe daí não é próprio para consumo humano, é usado na ração de outros peixes, como o salmão de aquacultura, que por ter mais gordura, guarda mais toxinas.
6. A ração usada apresenta níveis altos de um tipo de pesticida conhecido como etoxiquina, usado em quantidades muito moderadas para tratar borracha, frutas e vegetais. No peixe é usado para que a carne não fique rançosa. O pesticida é produzido pela Monsanto. Não há estudos oficiais sobre o impacto da etoxiquina nos humanos, excepto o de uma investigadora que foi despedida e que por isso não pode publicar as suas descobertas em publicações científicas, ainda que haja indícios de que a etoxiquina tenha efeitos nefastos no cérebro, quebrando a barreira sanguínea, e seja potencialmente cancerígena.
7. O peixe que não é usado nos filetes, incluindo a cabeça e a pele (enfim, toda a carcaça) é transformado em polpa que é usada em produtos processados, inclusivamente refeições prontas, muitas vezes sem aparecer nos ingredientes. Se a composição não indica que contém filete de peixe, provavelmente o que contém é a polpa (que tem um aspecto bem intragável). A polpa pode conter várias espécies de peixe. Da mesma forma que houve aquele caso de carne de cavalo nas almôndegas, também pode haver casos assim com peixe.
8. As autoridades francesas, que durante 30 anos aconselhavam o consumo ilimitado de peixe, aconselham agora a que se consuma peixe no máximo duas vezes por semana.
9. Médicos e nutricionistas temem os efeitos da produção de aquacultura na saúde humana, especialmente em termos de doenças como o cancro, ainda que não abundem estudos científicos na matéria.
10. O melhor é consumir peixe pequeno, rico em nutrientes, como a sardinha e o carapau, e evitar o consumo frequente de peixes grandes e gordos como o salmão, especialmente se for de aquacultura.
Nota: isto é um resumo do documentário, mas pode conter vestígios da minha própria parcialidade.
Vanessa
quarta-feira, 26 de outubro de 2016
Tendência cibernética | Eugenia Cooney
É youtuber, norte-americana e estima-se que pese 27 quilos. Eugenia Cooney conta com mais de 800 mil subscritores e mais de 82 milhões de visualizações no seu canal no YouTube, onde o público-alvo são os adolescentes. Eugenia, de 22 anos, é mais magra do que as primeiras imagens que representam anorexia quando se procura por elas no Google, mas a youtuber diz que a sua magreza é natural e que está bem de saúde.
É certo que há sempre um novo drama na internet, que move as massas e causa reboliço. Este caso acredito que valha a pena debater. Foi criada uma petição para retirar temporariamente o conteúdo de Eugenia do YouTube uma vez que a jovem "tem vindo a influenciar espectadores" com a sua aparência, que tem vindo a piorar desde o início do canal, mas a qual a youtuber mostra "como se não fosse nada" em nome da fama online.
A maioria dos comentários recentes nos vídeos de Eugenia focam-se no seu estado de saúde. Há quem comente que apenas tem prestado atenção ao canal da youtuber para não perder a notícia da sua eventual morte, há quem pergunte mesmo como é possível ainda não ter morrido com a magreza que apresenta, há quem acuse a jovem de ser má influência, há quem a aconselhe a alimentar-se. Há todo um novo conjunto de vídeos de outros youtubers dirigidos a ou sobre Eugenia. Já há notícias a sair nos meios de comunicação.
Mais de 11 mil pessoas já assinaram a petição para banir temporariamente os vídeos de Eugenia. No universo da internet não são muitas pessoas, mas a causa pode ter impacto nos conteúdos online. Por exemplo, Eugenia é extremamente magra, mas existe também o reverso da medalha no YouTube. Por que razão gera mais impacto uma possível anorexia em vez da obesidade? Que critérios deverão ser usados para banir a influência da imagem devido à possibilidade de influência negativa na audiência? Quem decide? Como proceder? Como prevenir?
Anterior:
Tendência cibernética | Marina Joyce
Vanessa
É certo que há sempre um novo drama na internet, que move as massas e causa reboliço. Este caso acredito que valha a pena debater. Foi criada uma petição para retirar temporariamente o conteúdo de Eugenia do YouTube uma vez que a jovem "tem vindo a influenciar espectadores" com a sua aparência, que tem vindo a piorar desde o início do canal, mas a qual a youtuber mostra "como se não fosse nada" em nome da fama online.
A maioria dos comentários recentes nos vídeos de Eugenia focam-se no seu estado de saúde. Há quem comente que apenas tem prestado atenção ao canal da youtuber para não perder a notícia da sua eventual morte, há quem pergunte mesmo como é possível ainda não ter morrido com a magreza que apresenta, há quem acuse a jovem de ser má influência, há quem a aconselhe a alimentar-se. Há todo um novo conjunto de vídeos de outros youtubers dirigidos a ou sobre Eugenia. Já há notícias a sair nos meios de comunicação.
Mais de 11 mil pessoas já assinaram a petição para banir temporariamente os vídeos de Eugenia. No universo da internet não são muitas pessoas, mas a causa pode ter impacto nos conteúdos online. Por exemplo, Eugenia é extremamente magra, mas existe também o reverso da medalha no YouTube. Por que razão gera mais impacto uma possível anorexia em vez da obesidade? Que critérios deverão ser usados para banir a influência da imagem devido à possibilidade de influência negativa na audiência? Quem decide? Como proceder? Como prevenir?
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Tendência cibernética | Marina Joyce
Vanessa
terça-feira, 25 de outubro de 2016
My Top 5 Books To Read This Halloween
If you don't know what book to read this Halloween season, I have five suggestions, directly taken from my favorite books shelf. They might not be full-on horror, but they're quite sinister and eerie.
1. The Historian by Elizabeth Kostova
A girl finds a bundle of old letters in her dad's library, all written to a certain "My dear and unfortunate successor." If you dive into this story, you will find yourself travelling through Eastern Europe in old fashioned trains, dusting off old books in libraries and, best of all, immersing in vampire lure. This is quite a long book with its 704 pages, but I personally wish there was more to read when I got to the end.
2. Sharp Objects by Gillian Flynn
A recent read, this book grabbed me by the wrists and would not let go of me until I turned the last page. Gillian Flynn is now one of my favorite authors. This is a story about a reporter who goes back to her hometown to investigate a murder and a possible kidnapping. But the main character is so grim herself that you don't know which way to turn. Here's my review in case you want to know more about it.
3. A Long Way Down by Nick Hornby
If you're not in the mood for something dark this Halloween, this is a good option. It's dark, but the dark has humor in it. Four people decide to commit suicide on New Year's Eve. They all have their reasons and they're all a bit insane. It all ends up being quite an adventure. You can read more about it here.
4. The Thirteenth Tale by Diane Setterfield
If you enjoy reading and writing, and also creepy stories, I think you would like this one as much as I do. A young woman finds a letter (I know it's a pretty similar start as The Historian) from a bestselling author who wishes the main character to write her biography. Her tale ends up being much scarier than what was expected and it's her last story, never included in her famous book Thirteen Tales of Change and Desperation.
5. The Woman in White by Wilkie Collins
A Gothic Victorian novel is always a good choice for Halloween. In this one, a series of narrators develop a tale that starts in a London road, where a woman in white is seen. This book is eerie, menacing and one of the best detective novels for those who like the slow, delicious pace that lets the reader savor each moment.
Vanessa
Atenção: aqui há muita secura XI
Nunca discutam o infinito com um matemático. A discussão nunca mais acaba.
Vanessa
segunda-feira, 24 de outubro de 2016
Alerta de phishing para quem tem conta no banco Montepio
Se receberam um email com o assunto "Estimado cliente Montepio seu acesso ao net 24 pode ser bloqueado" enviem-no para a vossa caixa de spam e façam uma denúncia do remetente. Não façam como eu, que certo triste dia caí na armadilha. Se receberam qualquer outra mensagem do género, verifiquem o remetente, porque normalmente estão cheios de números e raramente têm o domínio do banco. No meu caso, que recebi hoje dois emails do género, um dos remetentes é cliente_montepio13568690@vps.enlacediseno.com e o outro cliente_montepio37100777@www-stallman.1984.is. Já reportei também a situação ao banco.
Ainda que não consiga ver os emails em detalhe, por já ter denunciado ao Gmail, posso ver que mostram cabeçalho e rodapé parecidos aos oficiais, e os contactos mostrados no final são mesmo os do Montepio. Lamentavelmente, estas situações continuam a acontecer. O meu caso aconteceu em Julho, e tomadas todas as diligências, não há ainda novidades por parte do banco. Não esperava uma resolução que abonasse a meu favor, admito, mas não estava também à espera que continuassem a existir tentativas de phishing que conseguem roubar a imagem a uma entidade depois de pelo menos um caso lhes ter sido reportado.
Vanessa
Caso não tenham reparado
Chegou aquela altura do ano. Aquela altura em que uma pessoa já se esqueceu do que é o frio, quanto mais o que é a chuva. Aquela altura em que a roupa não seca nem por nada e quem não tem uma máquina de secar fica entalado. Aquela altura em que a roupa fica desconfortável e chega a ficar com um cheiro esquisito. Aquela altura em que as persianas dão muito jeito e quem tem vidros duplos pode sorrir de alívio. Aquela altura em que o consumo de gás dispara. Aquela altura em que mais vale ficar em casa, porque a alternativa é o centro comercial e entretanto está a chegar o natal, por isso não. A minha altura preferida do ano.
Eu posso explicar. A meio do inverno já estou farta do frio e da chuva, é verdade, mas o início é a minha fase preferida, quando o frio ainda não é insuportável e ir à rua não é ainda um martírio. É aquela altura em que posso virar eremita sem ter quem me diga que devia sair mais e aproveitar o sol. Porque não há sol. Por isso é socialmente aceitável ficar em casa, agarrar numa manta e num livro, e ficar sossegada.
Ouvir a chuva. O vento. As tempestades. Mil canecas de chá e infusões. Outras quantas de café. Bolos e biscoitos. Livros e filmes e séries. Que sorte a minha, poder trabalhar em casa. Uma manta ao colo, o pijama polar. Ouvir a chuva e o vento por cima de todo o barulho que dantes havia. Ao longe, o riso dos miúdos a ir para a escola e os passos nas poças. Os carros a passar e a levantar água. Cá dentro, o aconchego.
Vanessa
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
Anuidades
Um ano não tem o mesmo peso de antigamente. Antigamente um ano era para mim um infinito. Depois de 1990 se tornar uma coisa de há 20 anos, a minha noção do tempo mudou. Já não consigo definir eventos pelos anos em que aconteceram com a mesma facilidade. E 365 dias já não têm grande impacto.
Planear para daqui a um ano não é assombroso. Mas pensar no que aconteceu há um ano é muito, porque o entretanto correu. Há mais de um ano fui para a Índia. É mais bonito pensar que há um Inverno fui para a Índia. Não deixa de ser surpreendente. Foi um marco, mas ficou diluído até me lembrar que aconteceu há mais de um ano e que esse ano passou num estalar de dedos. Para continuar com metáforas, foi um sopro.
Hoje li sobre como fazer o tempo parecer mais lento na passagem. Li que para que isso aconteça, é preciso aprender e fazer coisas novas. Que isso vai contra a rotina e por isso o tempo parece abrandar. Não concordo. É um paradoxo, porque o tempo parece passar mais rápido quando nos divertimos. Fez todo o sentido quando li, mas depois deixou de fazer quando pensei nisso. Não há forma de travar o tempo.
Vanessa
terça-feira, 18 de outubro de 2016
O Efeito Mandela
No episódio V de Star Wars, o que diz Darth Vader a Luke Skywalker? "Luke, I am your father"? Não, foi "No, I am your father". O C-3PO é todo dourado? Não, tem uma perna prateada. No mais célebre retrato de Henrique VIII, o monarca segura uma perna de peru na mão esquerda? Não. O chocolate Kit Kat tinha um hífen? Não. A música original dos Queen, We Are The Champions, acaba com "Of the world"? Não, simplesmente acaba com "'Cause we are the champions". O boneco do Monopólio usa um monóculo? Não. A ponta da cauda do Pikachu é preta? Não. No Silêncio dos Inocentes, Hannibal Lecter diz, "Hello, Clarice"? Não, só diz "Good morning".
As falsas memórias colectivas são tão comuns que têm um nome. São o Efeito Mandela. O nome vem da falsa memória de que Nelson Mandela teria morrido enquanto estava na prisão. A explicação para o fenómeno mais relacionada com o Efeito Mandela é a de que existem muitas realidades paralelas e há pontos em que as realidades se fundem, modificando a realidade que conhecemos para aquela de uma realidade paralela.
Por outro lado, uma teoria alternativa (especialmente proveniente de fãs do filme Matrix, com certeza) é a de que há erros na matriz (em inglês, glitch in the matrix) que se tornam óbvios com o passar do tempo. Outra teoria é a de que há pessoas de outras realidades que acordam nesta e lembram-se das coisas como foram na realidade onde cresceram ou espalham falsos factos baseados nessa outra realidade.
Existem ainda outras explicações fantásticas. Por exemplo, a de que alguém viajou ou encontra-se a viajar no tempo e mudou pormenores da história. Para quem acredita nesta ou explicações do género, só assim se pode justificar que tanta gente tenha a certeza de uma coisa que na verdade é diferente.
Eu tenho duas explicações, uma mais racional e outra mais para o conspiracional.
A primeira é a de que o ser humano é impressionável e as lembranças são influenciáveis. Há coisas que foram passando de pessoa para pessoa, sendo que os pormenores mudaram logo na primeira versão ou ao longo do canal de comunicação, e há obras de ficção baseadas em obras anteriores ou com detalhes de anteriores que depois vieram deturpar aquilo que se fez anteriormente ou até factos históricos.
A segunda é para quem leu ou conhece a estória do livro 1984, de George Orwell, portanto cuidado com os SPOILERS. No livro, o Ministério da Verdade, um dos quatro ministérios do governo da Oceania, é um sector que se dedica a falsificar a história para que se conforme com o que é dito pelo Big Brother e pelo governo. Os funcionários modificam ou eliminam notícias de forma a alterar a memória colectiva.
Eu bem disse que esta teoria é conspiracional. Por acaso não a vi em lado algum quando se fala no Efeito Mandela, mas quando li a explicação para o Efeito, lembrei-me imediatamente do livro. Talvez exista um sector secreto de pessoas que em vez de viajarem no tempo para mudar a história, muda simplesmente aquilo que está nos repositórios históricos e deixam as pessoas confusas. Até agora não se mudou nada significativo.
Mas se calhar o objectivo é habituar-nos a essas pequenas alterações de tal forma que daqui a uns anos não achemos estranho outras coisas mudarem. Já vimos coisas mais estranhas acontecerem.
Há quem se lembre de uma Mona Lisa mais séria do que hoje em dia. Será que alguém foi lá pintar um sorriso mais óbvio? Nos fóruns norte-americanos do Efeito Mandela, há quem diga que se lembra de Portugal ser maior, quase tanto como Espanha, ou que certos países estão em sítios diferentes de onde estavam nos tempos de escola. Será que alguém andou a mudar os mapas ou os países realmente mudaram? Há quem se lembre do McDonald’s escrito como MacDonald’s. Será que o A caiu? A resposta oficial é não.
Eu confesso que sofro do Efeito Mandela. Por alguma razão, lembro-me de ver o mapa do mundo na escola e juro, assim como muitas outras pessoas também juram, que havia uma ilha ao lado da Austrália que hoje em dia não está lá. Há pelo menos uma imagem na internet que mostra essa ilha, retirada de um vídeo em que o globo terrestre tinha sido girado (e não parece ser ilusão de óptica), mas não é possível ver o nome da ilha.
Estranho, não?
Vanessa
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
Os meninos deviam saber fazer tarefas domésticas
Uma mãe dos Estados Unidos, que participou no programa 16 and Pregnant da MTV (mas agora com 22 anos), partilhou no Facebook fotos do filho a cozinhar e a arrumar a loiça com um texto a explicar que os meninos deviam ser ensinados a fazer as tarefas domésticas, não só as meninas, para seu bem individual e para bem da sociedade. A opinião vai ao encontro daquilo que sempre pensei sobre o assunto.
Todos os meninos que já conheci tiveram de aprender as tarefas básicas da vida à força mais tarde e ainda que um ou outro diga que só se aproveitou da mãe porque ela própria fazia questão ou pelos menos deixava, eu cá acho que o nível de eficiência depois da aprendizagem tardia não é o mesmo de quem se habituou desde pequeno a fazer as coisas sem ser sob a alçada da mãe. Nota-se pelo estado da cozinha depois de por lá passarem ou do tempo demorado a limpar ou do tempo total a fazer coisas simples.
A publicação da mãe norte-americana gerou concordância, mas também contestação. Fora os comentários parvos de quem não tem mais o que fazer, um ou outro levantou uma questão importante: o de as meninas também ficarem com lacunas na aprendizagem por não serem ensinadas outras tarefas domésticas mais pontuais, como a reparação de equipamentos, ou outras como mudar um pneu. Concordo.
Eu cá não sei nada de jeito em termos de bricolage, o que é uma pena porque dá tanto jeito como saber cozinhar. Por outro lado, se formos a ver, se as meninas forem ensinadas, como eu fui, a cozinhar e limpar e coser e passar a ferro, além do tempo para a brincadeira e para o estudo, não sobra muito mais tempo para aprender as tais coisas pontuais. Por outro lado ainda, o que é pontual não é tão frequente quanto o que é necessário e felizmente hoje em dia há o Google e o YouTube para nos ensinar quando é preciso.
A ter de escolher, eu preferia aprender as tarefas domésticas frequentes. Dão muito jeito, para o menino e para a menina. Quanto às outras tarefas, felizmente há sempre meninos dispostos a fazê-lo e muitas vezes apenas a troco de uma refeição. Faz-se ali uma troca e ficamos logo quites e toda a gente vive feliz.
Dúvidas existenciais II
Isto anda aqui um blogue muito literário ultimamente e para não fugir ao assunto eis a minha segunda dúvida existencial. Os livros que estão à venda nos super e hipermercados. Quem os compra? Nunca vi quem levasse no cesto ou no carrinho uma edição do Saramago ou até do Pedro Chagas Freitas ao lado de pacotes de massa e cereais de pequeno-almoço (mas livros combinam bem é com bebidas quentes e chocolate).
O mais engraçado é que em conversa com uma amiga que trabalha numa editora fiquei a saber que um dos locais onde mais se vende livros é mesmo nos super e hipermercados. Eu cá nunca vi ninguém comprar livros nas grandes superfícies nem eu alguma vez comprei. Para dizer a verdade, sempre pensei que talvez estivessem lá para as pessoas se entreterem enquanto pensam no que levar para o jantar ou algo do género.
Dúvidas existenciais I
Dúvidas existenciais I
Vanessa
Atenção: aqui há muita secura X
Queria comprar um livro sobre fobias, mas tenho medo que não me ajude.
Fuja da chuva com a secura desta tirada.
Vanessa
Fuja da chuva com a secura desta tirada.
Vanessa
Book Review | Such a Long Journey by Rohinton Mistry
This books unravels in Bombay, India, in 1971. A family goes through what so much others have been through. Political turmoil, corruption and war, specifically the Bangladesh Liberation War with Pakistan. Many Difficulties. Internal conflict. But also many tales and metaphors and melancholy.
Rohinton Mistry wrote what is now one of my favorite books, A Fine Balance. However, this is a completely different novel. Much more political and grounded in detailed events. But not without a dose of superstition and religion and magical things to cure physical problems that cannot be dealt with otherwise.
The first and second acts were enjoyable and intricate. The third one was too political for my taste and left the story to be developed through the cracks of everything else. What saved it was the charismatic characters. One feels compelled to keep going to finally understand where they're headed.
I found this book to be dense, but also very enjoyable overall. There is intrigue and shock and amazement. It's beautifully written, but not without Mistry used words from Indian dialects that were hard to understand and Google did not offer much help. It made me feel like something was missing.
Now there's only one book from Mistry that's left for me to read. I'm hoping it's going to be A Fine Balance between it and this one. This is certainly an author to look for.
7/10
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Vanessa
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
Catarse em memes V | Especial Livros
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