terça-feira, 11 de outubro de 2016

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Ghostbusters 2016 e a jogada suja da Sony Pictures



O filme Caça-Fantasmas ou Ghostbusters de 2016, realizado por Paul Feig, é uma mistura de remake e reboot do êxito de bilheteiras da década de 80 do século passado com quatro mulheres como protagonistas numa altura em que remakes e reboots estão na moda e o feminismo e o anti-feminismo também. 

Começo por dizer que o filme é mauzinho. Atenção que o digo sem reservas. A qualidade de um filme não se mede apenas pelo elenco e desgostar de um filme com tantas mulheres não quer dizer que seja uma pessoa misógina. Eu até sou mulher. O filme é mauzinho e pronto. Confesso que foi melhor do que pensei que seria, mas não deixou de ser uma desilusão. Faltou-lhe muitas coisinhas para ser bom.

A maioria das piadas não teve piada. Os homens deste filme são a) burros que dói; b) arrogantes; c) burros e arrogantes. As mulheres são meras caricaturas. Há a cientista de física quântica (que nunca comprovou as suas habilidades) peculiar e púdica; há a cientista louca que constrói armas mortíferas; há a cientista gordinha que nunca fez nada de especial mas bem-humorada; há a negra que parece um estereótipo.

Há cenas de outros trailer que não apareceram no filme. Há piadas demasiado fáceis e humor físico que chega a cansar. Sim, já sabemos, os fantasmas deitam gosma. Sim, já percebemos, o vosso recepcionasta é tão atraente quanto burro. Há também pequenos críticas à sociedade. Por exemplo, o preço das rendas das casas. SPOILER. Não deixa de ser estúpido que um grupo de cientistas depois decida usar dinheiro público para alugar um edifício de que gostaram muito. "Ah, isto é muito caro. Mas se forem os outros a pagar, está bem."

Os efeitos especiais, para um filme de 2016, deixaram a desejar. Percebo que talvez tenham tentado imitar os filmes originais, com espíritos feitos de ectoplasma e cores fluorescentes. Contudo, o principal problema deste filme é guiar-se pelo original em vez de ser... original. Se o filme se tivesse separado dos anteriores e criado um enredo inédito, com uma visão fresca, teria sido bem melhor. Agora assim, foi apenas mais um falhanço.

Não há qualquer reconhecimento pelos eventos dos filmes anteriores, mas há cenas (e aparições) que são certamente homenagens aos Caça-Fantasmas e chegam a copiar elementos, inclusivamente o logótipo do original. Daí que tenha apelidado o filme de remake (filme refeito) e reboot (estória original recomeçada).

O trailer que coloquei aqui teve uma quantidade recorde de desgostos (mais de um milhão) e comentários negativos, alguns dos quais alegadamente apagados pela Sony. Numa manobra de marketing sem precedentes, o filme foi caracterizado como feminista nos meios de comunicação social.

Pegando nalguns dos comentários negativos de fãs dos originais, a Sony Pictures alegadamente fez crer que foi o facto de as protagonistas serem mulheres que originou o negativismo. Não sei como, vários meios de comunicação foram por aí. Por exemplo, o Washington Post: People hate the ‘Ghostbusters’ trailer, and yes, it’s because it stars women (diz o título, As pessoas odeiam o trailer de Ghostbusters e sim, é porque é protagonizado por mulheres), e o Metro britânico: Why does the internet hate the new all-female Ghostbusters? (diz o título, Por que razão a internet detesta o novo e todo feminino Ghostbusters?). Há imensos outros exemplos.

É uma jogada suja para arrecadar lucros de bilheteira com mais um dos remakes, coisa que está tão na moda fazer. Vários outros meios de comunicação apelaram a que se fosse ver o filme como forma de defender a imagem das mulheres e lutar contra o sexismo. Está mais do que claro que o objectivo das produtoras de cinema é fazer render. A maioria dos remakes são preguiçosos e só conseguem fazer que com que voltemos a adorar os originais. Este é um exemplo disso. Mas não é por ser protagonizado por mulheres.


Vanessa

domingo, 9 de outubro de 2016

Eu juro que gosto de animais

Mas gostava de saber por que razão Sintra tem agora o maior hospital veterinário do país mas não tem um hospital para humanos no concelho. Sei que estou a comparar um hospital privado com a falta de um hospital público. Mas olhem que sem humanos saudáveis, os animais também não vão longe.

Vanessa

sábado, 8 de outubro de 2016

Robert De Niro's Message to Donald Trump

In case you missed it, Robert De Niro recorded quite the message for Donald Trump and he states what probably many people think about the candidate. Except that he's De Niro and his impact is much greater.



I bet Trump will be like, "Are you talking to me?" Sorry. Too soon?

Vanessa

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Atenção: aqui há muita secura VII

Não sei o que significa apocalipse, mas não saber isso também não é o fim do mundo.


Vanessa

Os 10 mais lidos de Setembro de 2016 e de sempre

Os leitores do meu blogue são estranhos. Não ligam a fotos. Querem é saber de opiniões sobre filmes e livros. Mais do que de memes, mas quase em igual valor. Querem ler sobre questões profissionais. Se não acreditam, aqui está a lista das 10 publicações mais lidas do mês de Setembro. Não, não vou divulgar os números, que isto não é daqueles blogues de e da moda com milhares de leitores por dia. Demasiado deprimente.











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Eis também as 10 publicações mais lidas de sempre
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5. Praiar






Obrigado pelas visitas.

Vanessa

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Dúvidas existenciais I

Há alturas do dia mais propícias à filosofia do que outras. Por exemplo, a altura do banho, a altura de adormecer, a altura em que estamos a procrastinar, a altura em que estamos a conversar com amigos. Essas alturas. De vez em quando ocorrem-me coisas geniais. Modéstia. Muita. Outras vezes, soltam-se-me dúvidas existenciais. Eu cá pensei que escrever sobre isso no blogue era uma boa ideia, numa dessas ocasiões de filosofar.

Vou começar com uma dúvida que nunca me dei ao trabalho de procurar no Google, uma vez que não pode existir uma explicação lógica para tal fenómeno. Mas de que fenómeno falas, Vanessa? Falo disto:

Ai não notam nada de errado? Eu ajudo:

Lembram-se do que isto é? De como se chama? Para aqueles de gerações posteriores à minha, isto é uma disquete. Antecedeu os CDs. Na hierarquia de armazenamento de dados, começando pelo mais recente, é mais ou menos assim: cloud, cartão de memória e USB, discos externos, CDs, disquetes.

Este ícone roxo é um botão no Word, no canto superior esquerdo, para aqueles que não usam atalhos de teclado. Que representa uma disquete. Vamos agora à dúvida existencial: por que razão não foi este botão substituído por algo mais recente? Admito que representar USBs ou clouds não seja fácil.

Mas se pensarmos bem, os miúdos das gerações depois da minha também não devem saber o que uma disquete é ou era. Se não soubessem o que é uma disquete, o que pensariam que é aquele ícone?

Vanessa

Por que razão não fui eu ao MAAT?

Devo ter sido a única cidadã lisboeta a não ir à inauguração do Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia (MAAT) em Belém. Não foi por falta de convite, asseguro-vos. Foi mesmo por falta de vontade.

Já esperava que num feriado, uma inauguração à beira do rio não fosse a melhor opção para um dia de descanso. Ser à borla não é razão suficiente para dispensar sossego. Diz que estiveram lá mais de 15 mil pessoas.

Se a EDP oferecesse descontos na factura da electricidade ainda ponderava uma visita. Mas depois lembrei-me que nem tenho dados no telemóvel para postar no Facebook uma selfie no MAAT. Assim não dá.

Além disso aquilo nem está completo, gente, e só vai abrir em Março que vem. Até lá já mudou de cor e levou com mais uns arranjos ou se calhar até desabou. Até lá a entrada é gratuita. Não foi só ontem.

Eu até prefiro visitar o museu num dia em que não haja tanta confusão, para não correr o risco de insolação por estar à espera e ainda o de depois ir aos pastéis de Belém e os pastéis terem esgotado.

Isso de fecharem a ponte pedonal pelo excesso de pessoas foi um exagero, com certeza. Já fui à passagem de ano em Belém, em que até havia fila para atravessar, e a ponte até rangia com o peso e cedia sob os nossos pés, mas nunca foi fechada nem havia quem controlasse a circulação. Exagerados.

Vanessa

Atenção: aqui há muita secura VI

Até era capaz de contar uma piada sobre química, mas tenho medo da reacção.

Mais seco do que uma fralda Dodot.

Vanessa

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

2 Broke Girls

Esta é uma série para desanuviar. Há uma jovem loira milionária que fica pobre e uma jovem morena que sempre foi pobre. Há um ucraniano, um negro, um chinês e uma polaca. 2 Broke Girls satiriza dificuldades quotidianas de uma classe média baixa com muito humor negro e humor sujo à mistura.

Os episódios de pouco mais de 20 minutos são a pausa perfeita. As duas raparigas nas lonas (alusão ao título português) desdobram-se em empregos e arriscam um negócio com a ajuda dos amigos. No final de cada episódio aparece um contador que contabiliza quanto ganharam nesse espaço de tempo.

Os trocadilhos e as constantes piadas com eventos reais fazem desta uma série de ânimo leve, mas com muitas questões subjacentes que dão que pensar. As peripécias são sempre únicas e a par dos tempos, do negócio dos cupcakes às questões raciais e de género, passando pela crítica à sociedade.

Por mais tempo que fique sem ver a série, quando vejo os episódios em atraso e volto a acompanhar, 2 Broke Girls nunca desilude. Vale a pena ver, pelas gargalhas que proporciona com humor descabido.

Outras séries:

Vanessa

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Mitos dos tempos modernos: dizer sim a tudo

A meu ver aceitar o que nos pedem sem nunca impor condições traz um grave problema: abre caminho a que nos seja pedido cada vez mais e a satisfação de ajudar nem sempre compensa o esforço.

Se os outros não conhecem limites, temos de ser nós a impô-los. Por vezes um não é a melhor resposta. Por vezes ignorar também. Por vezes temos de sacrificar o que os outros precisam pelo nosso bem-estar.

A disponibilidade é uma comodidade muito importante hoje em dia. Se não formos nós a valorizá-la, ninguém o vai fazer por nós. Gastar o nosso tempo com o que nos é importante é crucial. É aí que entra o não.

Se tivermos em conta as nossas prioridades, não custa tanto não dizer que sim a tudo, porque temos em conta o que está nos primeiros lugares. Primeiro nós e os nossos objectivos. Depois os outros e os objectivos deles.

Tanto em termos profissionais como pessoais, o nosso tempo é para ser gasto com as nossas prioridades e é importante que o descanso esteja incluído aí. Apenas o que sobra é aquilo de que dispomos para o restante.

Foram raras as vezes em que dizer sempre que sim me abriu caminhos satisfatórios em termos pessoais. Na maioria das vezes, o intuito em ajudar teve um intuito pessoal que depois não se concretizou.

Depois de anos de bom samaritanismo, coisa que se aprende na escola, na catequese e em casa, começar a dizer que não foi altamente revigorante. Continua a sê-lo. E agora já não custa nada.

Ajudar traz satisfação e é bom ajudar, mas se quisermos ser mais ou menos matemáticos, um, dois ou três favores é aceitável, digamos, num ano. Mais do que isso é abuso e sinal de que dissemos que sim demasiado.

É uma medida liberal, para ser usada conforme a hierarquia nos permite. Pode parecer um método demasiado materialista, egoísta ou maldoso, mas vale mais isso do que ser um bonzinho atarefado.

Anterior:

Vanessa

Catarse em memes III

sábado, 1 de outubro de 2016

Atenção: aqui há muita secura V

Conheci uma professora zarolha numa escola de raparigas. Coitada, não conseguia controlar as pupilas.


Vanessa

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Certezas dos tempos modernos: disciplina

Abri a página de texto para começar a escrever e entretanto lembrei-me de outra coisa para fazer. Depois fui começando a escrever, mas parei para comer, ver o email e distraí-me a ler um artigo sobre o tema.

Chama-se a isso falta de disciplina. É como quem diz, falta de concentração. Eu culpo o mundo, tão cheio de estímulos e tão interessante, mas também a dificuldade que a disciplina acarreta. Mas a culpa é toda nossa.

A disciplina implica rigor e motivação constantes. Disciplina é começar e terminar uma tarefa — ou fazermos uma pausa mas conseguirmos voltar sem problemas — por sabermos o que nos traz o resultado final.

A disciplina é extremamente importante, mas especialmente difícil quando se trabalha por conta própria. Torna-se necessário criar sistemas para agilizar a concentração e saber de cor prioridades.

Pessoalmente considero o aspecto mais importante da disciplina o descanso. Pausas frequentes e quebrar tarefas em mini-tarefas levam-me mais longe do que trabalho contínuo e exaustivo.

Por outro lado, estar constantemente a visitar o email é desnecessário se já estivermos ocupados. É importante perceber que ler emails não é uma pausa; continua a ser trabalho. A pausa deve ser levada a sério.

A disciplina é uma ferramenta, não uma obrigação. Mas não deixa de ser uma responsabilidade que nos permite atingir ou ultrapassar o nosso potencial enquanto nos gerimos e gerimos as funções que temos.

Mais:
Mitos dos tempos modernos: ser workaholic

Vanessa

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Problemas de Primeiro Mundo

Já perdi a conta ao tempo em que a casa dos meus vizinhos algures acima está em obras.

O cão do vizinho de baixo passa o dia sozinho e ladra ao menor barulho.

De madrugada há algures um bebé, também em andares acima, que chora continuamente.

Trabalho em casa. Leiam acima e percebem o problema que isto é. Aqui há mais argumentos.

Pensava que era Outono, mas estão uns 30 graus. Sim, conta como problema.

A Angelina Jolie e o Donald Trump continuam a poluir o meu feed.

Com tudo isto, a quantidade de vinho em promoção e fármacos com efeitos calmantes tão baratos acabam por também se tornar um problema. Não é preciso explicar a lógica, certo? Eu cá acho que é assim que começa o apocalipse dos mortos-vivos. Quais vírus, quais quê. O ground zero há-de ser um subúrbio português.

Vanessa

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Atenção: aqui há muita secura IV

Nunca trabalharia numa empresa que faz calendários. Diz que não dá sequer para tirar um dia.


Vanessa

Três filmes, mas só duas recomendações

O Dia da Independência: Nova Ameaça (Independence Day: Resurgence). O filme de 1996 consegue ser melhor do que este. O de 2016 parece todo um terceiro acto e pretexto para mais filmes no futuro. Personagens atiradas aos molhos para cima da audiência, como se tivéssemos acabado de ver o filme de 1996 e já estivéssemos preparados para sentir carinho pelas novas caras; muita acção, muitas explosões.

Diálogo cheio de lugares-comuns. Pouco carisma. Um vilão desenxabido. É certo que hoje em dia os efeitos especiais são melhores, mas um bom enredo faz toda a diferença. Por maiores que sejam as naves espaciais dos alienígenas, nada bate as cenas icónicas do primeiro filme. Este foi uma desilusão.

Mechanic: Assassino Profissional (Mechanic: Resurrection). Eu gosto de filmes de acção. Pode não parecer, porque passo a vida a criticá-los. Mas o problema é a qualidade dos filmes de acção que têm saído (Jason Bourne, estou a olhar para ti). O Mechanic: Assassino Profissional foi tudo o que um filme de acção de verão deve ser. Agitado, diálogo mínimo, mas sem buracos de maior, cenas altamente improváveis, mas espectaculares.

Este filme começou bem e acabou melhor. Os efeitos especiais deixaram a desejar, mas tudo o resto compensou. A primeira parte foi intercalada com cenas de acção, mas deixou espaço para as personagens contarem as suas estórias e motivações pessoais. Houve as belas das cenas estilo Sozinho em Casa, com o protagonista a armadilhar lugares e os maus da fita a caírem que nem patinhos. Este filme recomendo.

Swiss Army Man. Oh-Meu-Deus. Este filme é tão NOJENTO quanto bom. É o filme mais estranho que vi este ano e também o mais hilariante. Se gostam de coisas esquisitas, humor negro e/ou nonsense, este filme é a melhor preciosidade do mundo dos filmes independentes e tem o Daniel Radcliffe a fazer de cadáver flatulento.

Foi realizado pela dupla conhecida como Daniels, os mesmos que realizaram o vídeo Turn Down for What de DJ Snake e Lil Jon. Uma pessoa até fica com cara de meme no final do vídeo. E do filme. Este filme merece ser visto pela originalidade, porque cinematografia assim tem de ser apoiada, para não ficarmos apenas com os dois filmes que mencionei acima. Tipo filmes que uma pessoa vê e esquece automaticamente.

Não só recomendo este filme como apelo a que o vejam. Mas com amigos. Não vejam este filme com a vossa família porque meldelz, este filme tem algumas cenas que, enfim. Vejam.

Vanessa

Book Review | The Breast by Philip Roth

Short and weird. The Breast by Philip Roth is a tale about a man who sheds his human form and turns into a huge breast. One must not dwell as to the practicality of it as much as the scenario itself. 

As such, this book ends up being quite scary as well as absurd. Can you imagine the horror of being the first human to experience a new illness? Can you imagine being turned into something that gets you trapped?

The character of David Kepesh, an intelligent, hypochondriac man, turns into question after question. What is the meaning of all of this? Why did this happen to me? The tale turns into an existentialism piece from the point of view of a selfish man who turns into such a feminine icon, all the while trying to make sense of it all.

The book is quite amusing. It does not try to explain the facts, just keep one wondering. David Kepesh ends up assuring himself and others he must have gone insane and is just imagining being turned into a breast, while in reality being in an hospice. He is also paranoid, thinking he's being filmed and broadcasted for the scientific community to see. Is he? Everyone confirms him of the opposite, actually. But is that true?

This was overall a very entertaining tale, full of wonder and surprise.

8/10

Vanessa

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Atenção: aqui há muita secura III

Pensei em fazer um transplante de cérebro. Depois mudei de ideias.


Vanessa

Mitos dos tempos modernos: ser workaholic

Dizer que se trabalharmos muito vamos ser bem-sucedidos é a maior falácia que já ouvi, porque pressupõe que no momento não estamos a trabalhar o suficiente, já que não somos bem-sucedidos no imediato.

É o mesmo que dizer que se trabalharmos muito, um dia vamos ser ricos. Pressupõe que se não somos ricos agora, é porque não andamos a trabalhar muito. É porque somos preguiçosos, pouco empreendedores, fracos.

A quantidade de trabalho nem sempre está associada à qualidade de vida. Pelo contrário. Embora ser workaholic seja associado a ambição e riqueza de carácter, o trabalho duro é um caminho atribulado.

A felicidade nem sempre é o destino. A felicidade pode ser o caminho. É um lugar-comum, eu sei, mas é importante que nos lembremos. As pequenas conquistas frequentes são esse caminho.

Ser workaholic pode ser prejudicial por razões óbvias. O stress, a falta de interacção social e o isolamento, aspectos provavelmente ligados ao trabalho árduo, são factores de risco para uma morte prematura.

Isso do trabalho árduo aprendi na escola, a partir do quarto ano. Na primária aprendi a importância da criatividade e da expansão pessoal. A partir daí aprendi que o que interessa é ser empreendedor.

E para ser empreendedor, tem de se trabalhar muito. Depois disso, todos os caminhos iam dar ao trabalho. Mas agora, não é por acaso que as práticas como meditação e mindfulness e yoga estão tão na moda.

Lá está, o caminho é tão importante quanto o destino final. Trabalhar muito não é a solução. Trabalhar com esperteza é. Atingir os resultados no menor espaço de tempo é. Relaxar é. Ir sendo feliz é.

Há uma grande diferença entre trabalhar para viver e viver para trabalhar. A primeira aprendemos sozinhos. A segunda diz-nos a sociedade, desde pequenos. Às vezes é bom sermos rebeldes. Este é um exemplo.

Vanessa

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Atenção: aqui há muita secura II

A música transporta-nos para outros lugares. 

Exemplo: se estiver a dar música pimba num café, eu vou para outro café.

Precisa de mais secura? Combata a humidade aqui.

Vanessa

Book Review | Friday on My Mind (Frieda Klein #5) by Nicci French

Frieda Klein is on the run. She is the prime suspect in a murder investigation after her ex-boyfriend is found dead with a hospital tag bearing her name on his wrist. A new detective is in charge of her case and chooses to believe all of those in the police force who think Klein is a maniac, even though she helped solve four cases.

Near the end, Frieda's friend in the police force summarizes perfectly the absurdity of this investigation. Why in the world would someone intelligent kill and leave a tag with his or her name on the dead body? Duh. All those against Frieda are always obnoxious and quite dumb. They do not even seem like real people.

I do not believe this book could be a standalone. Although it is its own story, one would have to really like Frieda to get engrossed. Besides, much of the background stories tie in perfectly to create a good plot, I think.

The book was a bit slow to develop and it showed a reckless Frieda who, being chased by the police, didn't avoid being exposed. I have to say though that one of the scenes where she helps a stranger by defeating his bullies was like a small gem. I could not help but feel proud. But that's because I like this character.

The twist was as usual in the series. Unexpected. I guess Nicci French like to surprise readers. Sometimes I found myself paying attention least expected person because that's usually the one. The solution always comes from a surprise detail readers didn't know about. I'm not a big fan of that, but it works out in the books.

I was hoping for some resolution as to one particular character that is like a shadow since the first book, Blue Monday. It seems like that will be left for the final book, which I still need to get.

This one left something to be desired. I felt the same with the previous one. It was slow at times and there was not as much action as in previous books. Let's hope the next goes out with a bang.


Vanessa

Coisas que o meu telemóvel viu em Portugal I

Água. Muita água. Aliás, não sei, como é que nunca deixei o meu telemóvel para lá cair. Tenho vindo a tirar fotos deste género há anos, mais de cinco, e nunca soube bem o que fazer com elas. Agora já lhes descobri utilidade. Ficam aqui guardadas, como testemunho de sítios bons para se passear em qualquer altura do ano.
 Praia do Magoito, Sintra.
 Debaixo da ponte Vasco da Gama.
Algures em Cascais.
 Torre de Belém, Lisboa.
 Avenida da Liberdade, Lisboa.
 Avenida da Liberdade, Lisboa.
Peniche. Acho eu.
 Marina de Cascais.
 Cascais.
Cascais.
 Marina de Cascais.
 Perto do Padrão dos Descobrimentos, Belém, Lisboa.
Martim Moniz, Lisboa.

Algures num café em Belém.
Extremo sul da Praia Grande, numa das raras ocasiões em que a maré baixa nos deixa desfrutar da zona das Galés, onde a água faz lembrar destinos paradisíacos. Esta foto é de 2013.
Praia Grande, zona das Galés.
Praia Grande, zona das Galés. Fotos panorâmicas.

Coisas que o meu telemóvel viu em Goa I

Coisas que o meu telemóvel viu em Goa II

Vanessa

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Esta cerimónia dos Emmy foi a melhor de sempre

Uma das minhas actrizes preferidas de uma das minhas séries preferidas ganhou o Emmy de melhor actriz depois de ter sido nomeada apenas uma outra vez. Tatiana Maslany interpreta várias personagens em Orphan Black, uma estória de ficção científica com mulheres como protagonistas que já vai na quarta temporada. Mas finalmente, o merecido Emmy chegou. A actriz fez notar a importância do prémio no seu discurso.

"Sinto-me tão sortuda por estar uma série que põe as mulheres no centro", disse Tatiana Maslany e com razão. A série tem personagens femininas fortes, que se safam sozinhas em áreas como a ciência e tecnologia.

No ano passado, Viola Davis ganhou o mesmo Emmy, sendo a primeira actriz negra a recebê-lo. Mas a cerimónia deste ano foi mais além com Rami Malek de Mr. Robot a ganhar o Emmy de melhor actor.

Este prémio é importante, porque o protagonista da série, Elliot, é um jovem com perturbações mentais, representado de forma honesta. Como disse Malek no seu discurso, todos temos um pouco de Elliot em nós.

Tanto Orphan Black como Mr. Robot são séries de ficção científica com protagonistas pouco convencionais, diálogos inteligentes e áreas que já são menos ficção do que realidade. Os prémios demonstram uma maior abertura da sociedade perante temáticas complexas e fora da norma. Que seja sempre assim.

Vanessa

Dark Places | Lugares Escuros

O filme realizado por Gilles Paquet-Brenner, baseado no livro Dark Places de Gillian Flynn, é um policial. O livro é bem mais do que isso. O filme deixou muito a desejar. Pareceu um resumo dos pontos altos do livro, mas sem grande desenvolvimento de personagens e sem grandes explicações ou contextualização. Pareceu apressado, demasiado editado e sem alma, ao contrário de Gone Girl, baseado num livro da mesma autora.

A diferença é que o guião de Gone Girl foi escrito pela autora do livro e o filme foi realizado por David Fincher. Ainda que recorresse à narração, como Dark Places, a estratégia de filmagem foi construída ao pormenor e as personagens desenvolvidas minuciosamente. Dark Places parece desenxabido por comparação.

O primeiro problema do filme é nunca ter explicado o ponto central da acção, um evento do passado, em que três pessoas foram mortas. No livro, o método e as armas do crime são pistas importantes. Os possíveis motivos do suspeito são expostos e desmentidos ao longo do enredo, mas sempre com sombra para dúvidas.

No livro há peculiaridades que são explicadas. Há pensamentos que explicam razões. Percebem-se motivos. Há sempre muito contexto porque Gillian Flynn sabe como construir uma estória. No filme isso perdeu-se.

Em termos de representação, os actores fizeram a sua parte. A edição provavelmente estragou o enredo, ao torná-lo cinematográfico. Não há tempo para a audiência se afeiçoar a ninguém. Ainda assim, o filme parece lento e por vezes aborrecido. A investigação arrasta-se. Se a audiência tivesse tido tempo para gostar da personagem principal, não teria sido assim. Haveria preocupação e curiosidade.

Não creio que se deva comparar livros a filmes, porque o livro sai sempre a ganhar. Ignorando o livro, Dark Places perde na mesma. É apenas um filme de domingo à tarde e mesmo assim corremos o risco de adormecer.

É uma pena, porque focando nos sítios certos, a estória tem tanto potencial como Gone Girl. Senão mais. Se tivessem pegado na sátira inicial, em que a personagem principal, sobrevivente de um massacre, explica que viveu anos à conta de donativos, se tornou cleptomaníaca, mas rouba apenas o que lhe faz falta, ou se explorasse qualquer outro sinal de humanidade e corrupção, o enredo do filme ganhava cor.

Vanessa

Book Review | Dark Places by Gillian Flynn

What to say? Much like Gone Girl and Sharp Objects, Dark Places starts with first person account of someone not quite well in the head. But Libby has reasons for it. She survived her family being murdered one cold night and testified against her brother for doing it. Now 20 years have passed and she recalls the events, interviews people and even doubts herself after being contacted by a group of amateur detectives, the Kill Club.

The book goes back and forth between present day and the day her family was massacred, amidst the satanism craze of the '80s, to tell the story of Libby's brother and her mother. All the pieces are available, from teenager rebellion and school rumors to financial problems with the family's farm. Flynn is masterful at creating character depth and a complex plot. Everything seems purposeful. All quirks are evidence of something.

Libby is quite a main character. She is ironic and strong, but still childish and probably depressed, judging from her mannerisms. We travel with her through the dark places in her mind and through the darkness of her brother's journey until that night. There was a point where it was impossible to put down the book.

In the end it all makes sense and there's no twist without background just for the shock-value of it. It's all laid out, the details scattered until put together to make up one gruesome night. It all unraveled as I expected.

Now I'll have to wait until Gillian Flynn writes and releases another book. I'm certainly a fan and I'll be following her from now on. Her writing is uniquely enthralling, suspenseful and wonderfully detailed.

10/10

Related:
Book Review | Sharp Objects by Gillian Flynn

Vanessa

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Pormenores de uma maltrapilha na Vogue Fashion's Night Out

Gosto de ver pessoas tropeçar em saltos altos na calçada lisboeta. Este ano vi uma miúda ir contra um poste. Era tanto glamour à volta, que ficou desorientada, coitada. Gosto de ver roupas arrojadas. Blusas directamente do armário da avó ou até do avô, que hoje em dia não há géneros*, com calças e saias plissadas que reflectem a luz. Gosto de saber a estatura real das celebridades portuguesas por comparação à minha. 

Há tempos ia pelas borlas. Agora parece que até a moda está em crise. Cheguei a ver uma advogada que agora faz brownies e brigadeiros, e que apareceu nas notícias, porque isso de saber de leis e cozinhar parece que é algo fascinante, dizer a uma rapariga que os doces em exposição eram para outros convidados. 

Mas a livraria Chiado tinha uma pasta de atum que me fez pensar em ir pedir a receita à organização. E a EPAL estava a oferecer água da torneira. Sei disso porque os copos tinham isso escrito. Como se tinham acabado umas pulseiras, não recebi uma garrafa de água vazia. Lógica? É moda e na moda isso não existe.

Calculo que o meu traje demasiado normal não tenha gerado confiança. Também não tenho grande poder sobre a minha expressão facial. Se estava com ar de enfado, não devo ter ajudado. Mas na Pantene deram-me a escolher entre uma ampola de tratamento que parece que a Rita Pereira usa ou uma escova de cabelo.

Aquilo chama-se Vogue Fashion's Night Out mas a cena é mesmo a música. Eram DJ's por todo o lado. Mas isso não tem nada de especial, para dizer a verdade. Hoje uma pessoa entra em qualquer loja de roupa e já parece que aquilo é uma discoteca em dia de Ladies' Night. Só que esta noite, havia bebidas alcoólicas também.

Até nisso foram comedidos. Dantes os copos eram enchidos até ao meio. Agora é uns dois dedos e a organização não calcula bem a quantidade de copos. Sabem, estranhei muito não ver o logótipo da Somersby, que eles andam por todo o lado. Parece que fashion são a Strongbow e a Carlsberg.

Petiscos gratuitos também quase não houve, parece. Uma pessoa não pode andar com as mãos gordurosas a dedilhar filas de roupa onde pode depois não caber por ter andado a comer. 

No fundo a VFNO é "um dia na vida de uma modelo" porque uma pessoa anda por ali a desfilar sem comer, a ter de sorrir para as câmaras, sem comer, e já com algum álcool nas veias, sem comer.

*Mas quanto a isso. Ouvi dizer que fotografias de casal só se for para o menino e para a menina. Ouvi duas meninas queixarem-se de discriminação porque há quem ainda ache que duas meninas não são casal.

Vanessa

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Boas leituras

Quantidade não é sinónimo de qualidade, mas estamos em Setembro e eu reparei no número de livros que li desde Dezembro de 2015 (escrevi sobre todos eles no blogue) e fiquei satisfeita. A lista de livros para ler de um leitor nunca termina. Pelo contrário. É tipo as contas para pagar e as lides domésticas. Mas em bom.

De Dezembro de 2015 a Setembro de 2016 tenho 35 livros lidos, 33 em inglês e 2 em português. Todos eles são livros que queria ler há muito. Êxitos de venda passados, autores que tenho vindo a estimar, leituras para alturas específicas, companhias preciosas, todos. A maioria policiais, terror e romance, por essa ordem.

Tanta leitura e ainda uma viagem que durou seis meses e ainda trabalho mais ou menos frequente. Caramba. Macacos me mordam. Nem me tinha apercebido da riqueza deste ano. E ainda não terminou. Já tenho mais livros alinhados para a recta final. A ver como corre. O Outono e o Inverno costumam ser produtivos.

Não consegui ler tantos livros em português como queria. Só dois. Pelo menos metade das leituras devia ter sido na minha língua materna. Acontece que os livros portugueses são caros. Pelo preço de um em português, compro dois ou três em inglês, às vezes quatro. Nem a feira do livro deste ano me safou.

Não vou comprometer-me a ler um determinado número de livros, porque ler nunca foi obrigação ou desafio. Provavelmente por isso mesmo é que superei as minhas expectativas este ano. Espero continuar a encontrar livros que me prendem e que fazer perder a noção do tempo e que me ensinam coisas.

A meu ver, não há problemas de Primeiro Mundo que não se dissipem com um livro. Menos redes sociais, mais livros. Menos internet, mais livros. Menos falatório, mais livros. Ficava assim esta parte do mundo quase perfeito. Instaurar um imposto à ignorância também não era mal pensado. Ai, lá estou eu no mundo da ficção.

Vanessa

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Atenção: aqui há muita secura I

A pontuação faz toda a diferença numa frase.

Exemplo:

Eu gosto de comer chocolate.

Eu gosto de comer pontuação.

Vanessa