quinta-feira, 22 de setembro de 2016
quarta-feira, 21 de setembro de 2016
Atenção: aqui há muita secura III
Pensei em fazer um transplante de cérebro. Depois mudei de ideias.
Mitos dos tempos modernos: ser workaholic
Dizer que se trabalharmos muito vamos ser bem-sucedidos é a maior falácia que já ouvi, porque pressupõe que no momento não estamos a trabalhar o suficiente, já que não somos bem-sucedidos no imediato.
É o mesmo que dizer que se trabalharmos muito, um dia vamos ser ricos. Pressupõe que se não somos ricos agora, é porque não andamos a trabalhar muito. É porque somos preguiçosos, pouco empreendedores, fracos.
A quantidade de trabalho nem sempre está associada à qualidade de vida. Pelo contrário. Embora ser workaholic seja associado a ambição e riqueza de carácter, o trabalho duro é um caminho atribulado.
A felicidade nem sempre é o destino. A felicidade pode ser o caminho. É um lugar-comum, eu sei, mas é importante que nos lembremos. As pequenas conquistas frequentes são esse caminho.
Ser workaholic pode ser prejudicial por razões óbvias. O stress, a falta de interacção social e o isolamento, aspectos provavelmente ligados ao trabalho árduo, são factores de risco para uma morte prematura.
Isso do trabalho árduo aprendi na escola, a partir do quarto ano. Na primária aprendi a importância da criatividade e da expansão pessoal. A partir daí aprendi que o que interessa é ser empreendedor.
E para ser empreendedor, tem de se trabalhar muito. Depois disso, todos os caminhos iam dar ao trabalho. Mas agora, não é por acaso que as práticas como meditação e mindfulness e yoga estão tão na moda.
Lá está, o caminho é tão importante quanto o destino final. Trabalhar muito não é a solução. Trabalhar com esperteza é. Atingir os resultados no menor espaço de tempo é. Relaxar é. Ir sendo feliz é.
Há uma grande diferença entre trabalhar para viver e viver para trabalhar. A primeira aprendemos sozinhos. A segunda diz-nos a sociedade, desde pequenos. Às vezes é bom sermos rebeldes. Este é um exemplo.
Vanessa
A felicidade nem sempre é o destino. A felicidade pode ser o caminho. É um lugar-comum, eu sei, mas é importante que nos lembremos. As pequenas conquistas frequentes são esse caminho.
Ser workaholic pode ser prejudicial por razões óbvias. O stress, a falta de interacção social e o isolamento, aspectos provavelmente ligados ao trabalho árduo, são factores de risco para uma morte prematura.
Isso do trabalho árduo aprendi na escola, a partir do quarto ano. Na primária aprendi a importância da criatividade e da expansão pessoal. A partir daí aprendi que o que interessa é ser empreendedor.
E para ser empreendedor, tem de se trabalhar muito. Depois disso, todos os caminhos iam dar ao trabalho. Mas agora, não é por acaso que as práticas como meditação e mindfulness e yoga estão tão na moda.
Lá está, o caminho é tão importante quanto o destino final. Trabalhar muito não é a solução. Trabalhar com esperteza é. Atingir os resultados no menor espaço de tempo é. Relaxar é. Ir sendo feliz é.
Há uma grande diferença entre trabalhar para viver e viver para trabalhar. A primeira aprendemos sozinhos. A segunda diz-nos a sociedade, desde pequenos. Às vezes é bom sermos rebeldes. Este é um exemplo.
Vanessa
terça-feira, 20 de setembro de 2016
Atenção: aqui há muita secura II
A música transporta-nos para outros lugares.
Exemplo: se estiver a dar música pimba num café, eu vou para outro café.
Precisa de mais secura? Combata a humidade aqui.
Vanessa
Book Review | Friday on My Mind (Frieda Klein #5) by Nicci French
Frieda Klein is on the run. She is the prime suspect in a murder investigation after her ex-boyfriend is found dead with a hospital tag bearing her name on his wrist. A new detective is in charge of her case and chooses to believe all of those in the police force who think Klein is a maniac, even though she helped solve four cases.
Near the end, Frieda's friend in the police force summarizes perfectly the absurdity of this investigation. Why in the world would someone intelligent kill and leave a tag with his or her name on the dead body? Duh. All those against Frieda are always obnoxious and quite dumb. They do not even seem like real people.
I do not believe this book could be a standalone. Although it is its own story, one would have to really like Frieda to get engrossed. Besides, much of the background stories tie in perfectly to create a good plot, I think.
The book was a bit slow to develop and it showed a reckless Frieda who, being chased by the police, didn't avoid being exposed. I have to say though that one of the scenes where she helps a stranger by defeating his bullies was like a small gem. I could not help but feel proud. But that's because I like this character.
The twist was as usual in the series. Unexpected. I guess Nicci French like to surprise readers. Sometimes I found myself paying attention least expected person because that's usually the one. The solution always comes from a surprise detail readers didn't know about. I'm not a big fan of that, but it works out in the books.
I was hoping for some resolution as to one particular character that is like a shadow since the first book, Blue Monday. It seems like that will be left for the final book, which I still need to get.
This one left something to be desired. I felt the same with the previous one. It was slow at times and there was not as much action as in previous books. Let's hope the next goes out with a bang.
Vanessa
Coisas que o meu telemóvel viu em Portugal I
Água. Muita água. Aliás, não sei, como é que nunca deixei o meu telemóvel para lá cair. Tenho vindo a tirar fotos deste género há anos, mais de cinco, e nunca soube bem o que fazer com elas. Agora já lhes descobri utilidade. Ficam aqui guardadas, como testemunho de sítios bons para se passear em qualquer altura do ano.
Praia do Magoito, Sintra.
Debaixo da ponte Vasco da Gama.
Algures em Cascais.
Torre de Belém, Lisboa.
Avenida da Liberdade, Lisboa.
Avenida da Liberdade, Lisboa.
Peniche. Acho eu.
Marina de Cascais.
Cascais.
Cascais.
Marina de Cascais.
Perto do Padrão dos Descobrimentos, Belém, Lisboa.
Martim Moniz, Lisboa.
Algures num café em Belém.
Extremo sul da Praia Grande, numa das raras ocasiões em que a maré baixa nos deixa desfrutar da zona das Galés, onde a água faz lembrar destinos paradisíacos. Esta foto é de 2013.
Praia Grande, zona das Galés.
Praia Grande, zona das Galés. Fotos panorâmicas.
Coisas que o meu telemóvel viu em Goa I
Coisas que o meu telemóvel viu em Goa II
Vanessa
Praia do Magoito, Sintra.
Debaixo da ponte Vasco da Gama.
Algures em Cascais.
Torre de Belém, Lisboa.
Avenida da Liberdade, Lisboa.
Avenida da Liberdade, Lisboa.
Peniche. Acho eu.
Marina de Cascais.
Cascais.
Cascais.
Marina de Cascais.
Perto do Padrão dos Descobrimentos, Belém, Lisboa.
Martim Moniz, Lisboa.
Algures num café em Belém.
Extremo sul da Praia Grande, numa das raras ocasiões em que a maré baixa nos deixa desfrutar da zona das Galés, onde a água faz lembrar destinos paradisíacos. Esta foto é de 2013.
Praia Grande, zona das Galés.
Praia Grande, zona das Galés. Fotos panorâmicas.
Coisas que o meu telemóvel viu em Goa I
Coisas que o meu telemóvel viu em Goa II
Vanessa
segunda-feira, 19 de setembro de 2016
Esta cerimónia dos Emmy foi a melhor de sempre
Uma das minhas actrizes preferidas de uma das minhas séries preferidas ganhou o Emmy de melhor actriz depois de ter sido nomeada apenas uma outra vez. Tatiana Maslany interpreta várias personagens em Orphan Black, uma estória de ficção científica com mulheres como protagonistas que já vai na quarta temporada. Mas finalmente, o merecido Emmy chegou. A actriz fez notar a importância do prémio no seu discurso.
"Sinto-me tão sortuda por estar uma série que põe as mulheres no centro", disse Tatiana Maslany e com razão. A série tem personagens femininas fortes, que se safam sozinhas em áreas como a ciência e tecnologia.
No ano passado, Viola Davis ganhou o mesmo Emmy, sendo a primeira actriz negra a recebê-lo. Mas a cerimónia deste ano foi mais além com Rami Malek de Mr. Robot a ganhar o Emmy de melhor actor.
Este prémio é importante, porque o protagonista da série, Elliot, é um jovem com perturbações mentais, representado de forma honesta. Como disse Malek no seu discurso, todos temos um pouco de Elliot em nós.
Tanto Orphan Black como Mr. Robot são séries de ficção científica com protagonistas pouco convencionais, diálogos inteligentes e áreas que já são menos ficção do que realidade. Os prémios demonstram uma maior abertura da sociedade perante temáticas complexas e fora da norma. Que seja sempre assim.
Vanessa
Dark Places | Lugares Escuros
O filme realizado por Gilles Paquet-Brenner, baseado no livro Dark Places de Gillian Flynn, é um policial. O livro é bem mais do que isso. O filme deixou muito a desejar. Pareceu um resumo dos pontos altos do livro, mas sem grande desenvolvimento de personagens e sem grandes explicações ou contextualização. Pareceu apressado, demasiado editado e sem alma, ao contrário de Gone Girl, baseado num livro da mesma autora.
A diferença é que o guião de Gone Girl foi escrito pela autora do livro e o filme foi realizado por David Fincher. Ainda que recorresse à narração, como Dark Places, a estratégia de filmagem foi construída ao pormenor e as personagens desenvolvidas minuciosamente. Dark Places parece desenxabido por comparação.
O primeiro problema do filme é nunca ter explicado o ponto central da acção, um evento do passado, em que três pessoas foram mortas. No livro, o método e as armas do crime são pistas importantes. Os possíveis motivos do suspeito são expostos e desmentidos ao longo do enredo, mas sempre com sombra para dúvidas.
No livro há peculiaridades que são explicadas. Há pensamentos que explicam razões. Percebem-se motivos. Há sempre muito contexto porque Gillian Flynn sabe como construir uma estória. No filme isso perdeu-se.
Em termos de representação, os actores fizeram a sua parte. A edição provavelmente estragou o enredo, ao torná-lo cinematográfico. Não há tempo para a audiência se afeiçoar a ninguém. Ainda assim, o filme parece lento e por vezes aborrecido. A investigação arrasta-se. Se a audiência tivesse tido tempo para gostar da personagem principal, não teria sido assim. Haveria preocupação e curiosidade.
Não creio que se deva comparar livros a filmes, porque o livro sai sempre a ganhar. Ignorando o livro, Dark Places perde na mesma. É apenas um filme de domingo à tarde e mesmo assim corremos o risco de adormecer.
É uma pena, porque focando nos sítios certos, a estória tem tanto potencial como Gone Girl. Senão mais. Se tivessem pegado na sátira inicial, em que a personagem principal, sobrevivente de um massacre, explica que viveu anos à conta de donativos, se tornou cleptomaníaca, mas rouba apenas o que lhe faz falta, ou se explorasse qualquer outro sinal de humanidade e corrupção, o enredo do filme ganhava cor.
Vanessa
Book Review | Dark Places by Gillian Flynn
What to say? Much like Gone Girl and Sharp Objects, Dark Places starts with first person account of someone not quite well in the head. But Libby has reasons for it. She survived her family being murdered one cold night and testified against her brother for doing it. Now 20 years have passed and she recalls the events, interviews people and even doubts herself after being contacted by a group of amateur detectives, the Kill Club.
The book goes back and forth between present day and the day her family was massacred, amidst the satanism craze of the '80s, to tell the story of Libby's brother and her mother. All the pieces are available, from teenager rebellion and school rumors to financial problems with the family's farm. Flynn is masterful at creating character depth and a complex plot. Everything seems purposeful. All quirks are evidence of something.
Libby is quite a main character. She is ironic and strong, but still childish and probably depressed, judging from her mannerisms. We travel with her through the dark places in her mind and through the darkness of her brother's journey until that night. There was a point where it was impossible to put down the book.
In the end it all makes sense and there's no twist without background just for the shock-value of it. It's all laid out, the details scattered until put together to make up one gruesome night. It all unraveled as I expected.
Now I'll have to wait until Gillian Flynn writes and releases another book. I'm certainly a fan and I'll be following her from now on. Her writing is uniquely enthralling, suspenseful and wonderfully detailed.
10/10
Related:
Book Review | Sharp Objects by Gillian Flynn
Vanessa
The book goes back and forth between present day and the day her family was massacred, amidst the satanism craze of the '80s, to tell the story of Libby's brother and her mother. All the pieces are available, from teenager rebellion and school rumors to financial problems with the family's farm. Flynn is masterful at creating character depth and a complex plot. Everything seems purposeful. All quirks are evidence of something.
Libby is quite a main character. She is ironic and strong, but still childish and probably depressed, judging from her mannerisms. We travel with her through the dark places in her mind and through the darkness of her brother's journey until that night. There was a point where it was impossible to put down the book.
In the end it all makes sense and there's no twist without background just for the shock-value of it. It's all laid out, the details scattered until put together to make up one gruesome night. It all unraveled as I expected.
Now I'll have to wait until Gillian Flynn writes and releases another book. I'm certainly a fan and I'll be following her from now on. Her writing is uniquely enthralling, suspenseful and wonderfully detailed.
10/10
Related:
Book Review | Sharp Objects by Gillian Flynn
Vanessa
sexta-feira, 16 de setembro de 2016
Pormenores de uma maltrapilha na Vogue Fashion's Night Out
Gosto de ver pessoas tropeçar em saltos altos na calçada lisboeta. Este ano vi uma miúda ir contra um poste. Era tanto glamour à volta, que ficou desorientada, coitada. Gosto de ver roupas arrojadas. Blusas directamente do armário da avó ou até do avô, que hoje em dia não há géneros*, com calças e saias plissadas que reflectem a luz. Gosto de saber a estatura real das celebridades portuguesas por comparação à minha.
Há tempos ia pelas borlas. Agora parece que até a moda está em crise. Cheguei a ver uma advogada que agora faz brownies e brigadeiros, e que apareceu nas notícias, porque isso de saber de leis e cozinhar parece que é algo fascinante, dizer a uma rapariga que os doces em exposição eram para outros convidados.
Mas a livraria Chiado tinha uma pasta de atum que me fez pensar em ir pedir a receita à organização. E a EPAL estava a oferecer água da torneira. Sei disso porque os copos tinham isso escrito. Como se tinham acabado umas pulseiras, não recebi uma garrafa de água vazia. Lógica? É moda e na moda isso não existe.
Calculo que o meu traje demasiado normal não tenha gerado confiança. Também não tenho grande poder sobre a minha expressão facial. Se estava com ar de enfado, não devo ter ajudado. Mas na Pantene deram-me a escolher entre uma ampola de tratamento que parece que a Rita Pereira usa ou uma escova de cabelo.
Aquilo chama-se Vogue Fashion's Night Out mas a cena é mesmo a música. Eram DJ's por todo o lado. Mas isso não tem nada de especial, para dizer a verdade. Hoje uma pessoa entra em qualquer loja de roupa e já parece que aquilo é uma discoteca em dia de Ladies' Night. Só que esta noite, havia bebidas alcoólicas também.
Até nisso foram comedidos. Dantes os copos eram enchidos até ao meio. Agora é uns dois dedos e a organização não calcula bem a quantidade de copos. Sabem, estranhei muito não ver o logótipo da Somersby, que eles andam por todo o lado. Parece que fashion são a Strongbow e a Carlsberg.
Petiscos gratuitos também quase não houve, parece. Uma pessoa não pode andar com as mãos gordurosas a dedilhar filas de roupa onde pode depois não caber por ter andado a comer.
No fundo a VFNO é "um dia na vida de uma modelo" porque uma pessoa anda por ali a desfilar sem comer, a ter de sorrir para as câmaras, sem comer, e já com algum álcool nas veias, sem comer.
*Mas quanto a isso. Ouvi dizer que fotografias de casal só se for para o menino e para a menina. Ouvi duas meninas queixarem-se de discriminação porque há quem ainda ache que duas meninas não são casal.
Vanessa
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
Boas leituras
Quantidade não é sinónimo de qualidade, mas estamos em Setembro e eu reparei no número de livros que li desde Dezembro de 2015 (escrevi sobre todos eles no blogue) e fiquei satisfeita. A lista de livros para ler de um leitor nunca termina. Pelo contrário. É tipo as contas para pagar e as lides domésticas. Mas em bom.
De Dezembro de 2015 a Setembro de 2016 tenho 35 livros lidos, 33 em inglês e 2 em português. Todos eles são livros que queria ler há muito. Êxitos de venda passados, autores que tenho vindo a estimar, leituras para alturas específicas, companhias preciosas, todos. A maioria policiais, terror e romance, por essa ordem.
Tanta leitura e ainda uma viagem que durou seis meses e ainda trabalho mais ou menos frequente. Caramba. Macacos me mordam. Nem me tinha apercebido da riqueza deste ano. E ainda não terminou. Já tenho mais livros alinhados para a recta final. A ver como corre. O Outono e o Inverno costumam ser produtivos.
Não consegui ler tantos livros em português como queria. Só dois. Pelo menos metade das leituras devia ter sido na minha língua materna. Acontece que os livros portugueses são caros. Pelo preço de um em português, compro dois ou três em inglês, às vezes quatro. Nem a feira do livro deste ano me safou.
Não vou comprometer-me a ler um determinado número de livros, porque ler nunca foi obrigação ou desafio. Provavelmente por isso mesmo é que superei as minhas expectativas este ano. Espero continuar a encontrar livros que me prendem e que fazer perder a noção do tempo e que me ensinam coisas.
A meu ver, não há problemas de Primeiro Mundo que não se dissipem com um livro. Menos redes sociais, mais livros. Menos internet, mais livros. Menos falatório, mais livros. Ficava assim esta parte do mundo quase perfeito. Instaurar um imposto à ignorância também não era mal pensado. Ai, lá estou eu no mundo da ficção.
Vanessa
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
Atenção: aqui há muita secura I
A pontuação faz toda a diferença numa frase.
Exemplo:
Eu gosto de comer chocolate.
Eu gosto de comer pontuação.
Vanessa
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
Coisas que se aprendem em filmes: The Shallows (Águas Perigosas)
Jaws (Tubarão) é um filme de 1975. Se eu vos disser que The Shallows (Águas Perigosas), estreado este ano, é o melhor filme com um tubarão desde 1975, não estou propriamente a tecer um elogio.
Ora vejamos. Há uma trilogia com tubarões em tornados (Sharknado) que não vi, mas que calculo que seja interessante de se ver, se estivesse trancada num quarto sem internet e só tivesse esses filmes à disposição. Há um filme com uma avalanche de tubarões (Avalanche Sharks); sim, tubarões na neve. Há um filme onde um cientista cria um tubarão com tentáculos (Sharktopus). Há outro em que o mau da fita é um tubarão-dinossauro (Dinoshark). Há aquele em que há um tubarão fantasma (Ghost Shark 2: Urban Jaws).
Depois há todos os outros que são mais do mesmo. The Shallows é uma mistura de 127 Horas e qualquer um desses filmes que são mais do mesmo com tubarões. O facto de Blake Lively ser a actriz principal faz com que o filme pareça um conto de fadas moderno, em que a princesa está presa num sítio confinado. Felizmente a princesa vai-se safando sozinha, sem precisar de um príncipe. Até se vai safando muito bem.
O realizador Jaume Collet-Serra sabe o que faz. A Casa de Cera, Orfã, Non-Stop e The Shallows são filmes com visuais agradáveis, acção e tensão que bastem, personagens com carisma e finais que conquistam. Não são obras-primas do cinema, mas são filmes ideais para um dia chuvoso ou um domingo preguiçoso.
Eis o que podemos aprender com estas Águas Perigosas.
1. Não vão para praias cujo nome desconhecem e que são quase desertas. Se não fosse isto, não haveria filme. Que mulher com juízo iria para um sítio destes, à boleia de um desconhecido, sem falar a língua local como deve ser, sem que pelo menos uma pessoa soubesse onde estava? Saber, com coordenadas e com uma hora de regresso. "Se eu não voltar até esta hora, procura por mim, se faz favor". Posso ser uma feminista retrógrada, mas pareceu-me que o enredo alicerçou-se em pura estupidez. Logo aí torci o nariz ao filme.
2. Usem toda a bijutaria que tenham. Não faz mal se deixa a pele verde. Em situações extremas dá jeito. Se o MacGyver fosse mulher, não precisava de andar à procura de coisas à volta para fazer engenhocas. Neste filme prova-se que a quinquilharia pode ser muito útil. Bom, conhecimentos de medicina também. É sempre o melhor deus ex machina (coisas que resolvem problemas e fazem avançar ou concluem o enredo) em filmes, ser médico ou ter estudado medicina. Pronto, no The Martian ele era botânico. Deu para o gasto.
3. Nunca desistam. Estão presos numa rocha, com uma área que é duas vezes o vosso tamanho, na área de caça de um tubarão? Já têm uma ferida exposta e gangrena? Estão numa praia com uma localização secreta? Não parem quietos nem deixem de procurar soluções. Há sempre algo que pode ser usado como torniquete ou arma ou engenho. Pelo menos nos filmes. Aí também há sempre muita coisa conveniente nas imediações e há sempre forma de matar um tubarão que vos quer comer. Façam da vossa vida um filme, pronto. Assim é mais fácil.
Vanessa
sexta-feira, 9 de setembro de 2016
O Tejo visto de Lisboa
Há dias em que o rio Tejo é feito de cores impossíveis e a água parece um pedaço de céu e as sombras escorregam de forma perfeita nas superfícies e o sol parece parar por horas na mesma posição e Lisboa descansa na languidez do calor e na fluidez da maré. A minha lente e os meus olhos gostam muito de coisas assim:
Vanessa
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
Book Review | Thursday’s Child (Frieda Klein #4) by Nicci French
I had mentioned in my previous book review that I had read the summary of the next book of the Nicci French's series and could not hold off reading it. The main reason I so wanted to read Thursday’s Child was the fact that it was all about Frieda Klein herself, as opposed to being about Klein solving a mystery. Well, of course, there is one, but it's almost all about her, her past and her history. It felt like a break from all the previous dread.
I had also mentioned even before that reading another book of this series was like getting together with an old friend. This one felt even more like it because the main character has always been herself a mystery. There was never much about her. Her actions and some of her thoughts were all readers could get.
With Thursday’s Child everything is clearer. Frieda's past is explained, as she goes back to her home town after one of her high school colleagues asks her to talk to her daughter. As it turns out, her daughter's anxiety was triggered by an event similar to one that Frieda experienced when she was about the same age.
As usual, her instinct leads her to put random pieces together with the help of her usual friends. Also as usual, the suspense and thriller aspects of this book do not disappoint. There is a sense of dread as everything unfolds. One feels there's something lurking that's about to be uncovered and that it's probably not pretty.
I liked the pace of the book except the last third. Once it was figured out, there was no real surprise, actually. It was there all along, because once one follows Frieda, one gets a sense for the reasoning of criminal minds and their modus operandi. This was an introspective book designed to pull at the strings of melancholy.
It left me content to be able to know about Frieda's ways. Why she likes walking at night so much. Why she develops sympathy for her patients and why she got so close to one of her friends, Sasha. Why she appreciates independence and freedom and time alone. Why she doesn't like talking about her past.
Once more, I felt like storing this book next to the previous one and grabbing the next. I will let this one sink in first though and get a break from this world. I will keep Friday on My Mind (perfect title) while I go on reading other books waiting to keep me company. Only two books to finish the series. I'm feeling nostalgic already.
9/10
Related:
Book Review | Waiting for Wednesday (Frieda Klein #3) by Nicci French
Vanessa
I liked the pace of the book except the last third. Once it was figured out, there was no real surprise, actually. It was there all along, because once one follows Frieda, one gets a sense for the reasoning of criminal minds and their modus operandi. This was an introspective book designed to pull at the strings of melancholy.
It left me content to be able to know about Frieda's ways. Why she likes walking at night so much. Why she develops sympathy for her patients and why she got so close to one of her friends, Sasha. Why she appreciates independence and freedom and time alone. Why she doesn't like talking about her past.
Once more, I felt like storing this book next to the previous one and grabbing the next. I will let this one sink in first though and get a break from this world. I will keep Friday on My Mind (perfect title) while I go on reading other books waiting to keep me company. Only two books to finish the series. I'm feeling nostalgic already.
9/10
Related:
Book Review | Waiting for Wednesday (Frieda Klein #3) by Nicci French
Vanessa
Confissão: pensava que O Projeto Blair Witch era um documentário
Em 1999 saiu um filme chamado O Projeto Blair Witch (The Blair Witch Project). Foi há 17 anos. Eu tinha 13 anos. O que soube do filme foi através do que li na internet, no computador da biblioteca, e do que li em revistas juvenis. O filme teve uma campanha de marketing que enfatizava uma suposta base real da estória.
Os criadores do filme, Daniel Myrick and Eduardo Sánchez, pegaram no conceito found footage (filmes em que as próprias personagens filmam os acontecimentos, por alguma razão; neste caso, para fazer um documentário) iniciado pelo controverso Cannibal Holocaust, de 1980, e popularizaram esse conceito. Mas houve mais.
Daniel Myrick and Eduardo Sánchez tiveram a brilhante ideia de fazer crer que aquilo que agora sabemos ser um filme era uma colectânea de vídeos encontrados no local onde as três pessoas que o filmaram tinham desaparecido e criaram um site com a informação dos supostos desaparecidos, com detalhes sobre o local, alegadamente assombrado por uma bruxa. O nome real dos actores até foi usado no filme.
O site relata os factos como se tivessem mesmo acontecido, com fotos e informações divulgadas pelas "autoridades". A família da actriz principal chegou a receber condolências pela sua suposta morte. Lembrem-se que foi mais ou menos nesta altura que muita gente acreditou que andavam aí pessoas a criar gatos bebés em jarros (Bonsai Kitten) para que ficassem com formas estranhas, tudo por causa de um site.
Os criadores de Cannibal Holocaust chegaram a ser processados porque houve quem tivesse pensado que se tinham mesmo morto pessoas em frente às câmaras para fazer o filme. Com O Projeto Blair Witch não se sabia ao certo em que acreditar. A campanha de marketing foi inovadora e levou muitos espectadores às salas de cinema. Eu incluída. Eu pensava que ia ver um documentário a sério. O filme assombrou-me.
Só quando aluguei o DVD, anos depois, e vi os extras é que me apercebi que afinal era ficção. Antes disso tinha comprado um livro que falava dos acontecimentos como se tivessem sido verídicos. Mas ao ver os criadores a montar o cenário e a falar sobre os detalhes, senti-me estúpida e ao mesmo tempo fiquei fascinada.
O filme continua a ser para mim um clássico. Por mais sátiras que façam, o filme é mil vezes melhor do que muitos dos filmes de terror que têm saído. Agora é fácil fazer piadas sobre o filme, porque podemos vê-lo com as luzes ligadas enquanto estamos ao telemóvel. Experimentem ver o filme no escuro do cinema, com o som alto, enquanto acreditam que estão a ver um documentário de pessoas que passaram mesmo por tudo aquilo.
O Projeto Blair Witch nem sequer mostra a bruxa. Não se vê quase nada. Quase não há sangue. Quase não há sustos daqueles que nos fazem saltar da cadeira, que os realizadores modernos tão generosamente gostam de oferecer. Ainda assim, a construção do enredo, o desenvolvimento das personagens no ecrã, a afeição que se cria por elas e depois o desenrolar das cenas assustadoras criam um ambiente irrepetível.
Hoje em dia abusa-se dos "factos reais" e das "histórias verídicas" quando na verdade apenas um ou outro pormenor aconteceu. Há poucos filmes como o O Projeto Blair Witch. Os últimos que me fizeram sentir de forma semelhante foram o [Rec] ou o Actividade Paranormal (Paranormal Activity). São filmes de orçamentos considerados baixos para os padrões modernos, mas que fizeram uso da criatividade e da própria imaginação da audiência para assombrar e criar pesadelos, mas também gerar milhões de dólares.
Todos eles foram criados por realizadores e escritores e produtores que percebem que não há nada de mais assustador do que aquilo que a audiência não consegue ver, mas apenas ouvir ao de leve ou adivinhar pelas expressões assustadas dos actores ou ver apenas através do reflexo nos seus olhos.
Que um canto escuro ou um vulto pelo canto do olho são pesadelo maior do que uma criatura feia gerada por um computador. Que os sustos instantâneos, aqueles originados num gato que aparece de repente e/ou um som a decibéis indesejados, surpreendem, sim, mas não criam terror verdadeiro e não nos fazem levar o filme connosco para casa e pensar nele antes de ir dormir ou quando vemos sombras na parede.
Que a antecipação desenvolvida pelo suspense e pela atmosfera carregada, que faz suar as palmas das mãos e que encolhe o estômago, que faz temer o que pode surgir, é o verdadeiro clímax de um filme de terror. Eu não quero ver um filme de terror para saltar da cadeira porque alguma coisa apareceu no ecrã e o som quase rebentou os meus tímpanos. Quero filmes de terror que me assombrem a imaginação.
Quero mais filmes que me façam acreditar que são documentários.
Quero mais filmes que me façam acreditar que são documentários.
Vanessa
Subscrever:
Mensagens (Atom)











































