terça-feira, 20 de setembro de 2016

Coisas que o meu telemóvel viu em Portugal I

Água. Muita água. Aliás, não sei, como é que nunca deixei o meu telemóvel para lá cair. Tenho vindo a tirar fotos deste género há anos, mais de cinco, e nunca soube bem o que fazer com elas. Agora já lhes descobri utilidade. Ficam aqui guardadas, como testemunho de sítios bons para se passear em qualquer altura do ano.
 Praia do Magoito, Sintra.
 Debaixo da ponte Vasco da Gama.
Algures em Cascais.
 Torre de Belém, Lisboa.
 Avenida da Liberdade, Lisboa.
 Avenida da Liberdade, Lisboa.
Peniche. Acho eu.
 Marina de Cascais.
 Cascais.
Cascais.
 Marina de Cascais.
 Perto do Padrão dos Descobrimentos, Belém, Lisboa.
Martim Moniz, Lisboa.

Algures num café em Belém.
Extremo sul da Praia Grande, numa das raras ocasiões em que a maré baixa nos deixa desfrutar da zona das Galés, onde a água faz lembrar destinos paradisíacos. Esta foto é de 2013.
Praia Grande, zona das Galés.
Praia Grande, zona das Galés. Fotos panorâmicas.

Coisas que o meu telemóvel viu em Goa I

Coisas que o meu telemóvel viu em Goa II

Vanessa

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Esta cerimónia dos Emmy foi a melhor de sempre

Uma das minhas actrizes preferidas de uma das minhas séries preferidas ganhou o Emmy de melhor actriz depois de ter sido nomeada apenas uma outra vez. Tatiana Maslany interpreta várias personagens em Orphan Black, uma estória de ficção científica com mulheres como protagonistas que já vai na quarta temporada. Mas finalmente, o merecido Emmy chegou. A actriz fez notar a importância do prémio no seu discurso.

"Sinto-me tão sortuda por estar uma série que põe as mulheres no centro", disse Tatiana Maslany e com razão. A série tem personagens femininas fortes, que se safam sozinhas em áreas como a ciência e tecnologia.

No ano passado, Viola Davis ganhou o mesmo Emmy, sendo a primeira actriz negra a recebê-lo. Mas a cerimónia deste ano foi mais além com Rami Malek de Mr. Robot a ganhar o Emmy de melhor actor.

Este prémio é importante, porque o protagonista da série, Elliot, é um jovem com perturbações mentais, representado de forma honesta. Como disse Malek no seu discurso, todos temos um pouco de Elliot em nós.

Tanto Orphan Black como Mr. Robot são séries de ficção científica com protagonistas pouco convencionais, diálogos inteligentes e áreas que já são menos ficção do que realidade. Os prémios demonstram uma maior abertura da sociedade perante temáticas complexas e fora da norma. Que seja sempre assim.

Vanessa

Dark Places | Lugares Escuros

O filme realizado por Gilles Paquet-Brenner, baseado no livro Dark Places de Gillian Flynn, é um policial. O livro é bem mais do que isso. O filme deixou muito a desejar. Pareceu um resumo dos pontos altos do livro, mas sem grande desenvolvimento de personagens e sem grandes explicações ou contextualização. Pareceu apressado, demasiado editado e sem alma, ao contrário de Gone Girl, baseado num livro da mesma autora.

A diferença é que o guião de Gone Girl foi escrito pela autora do livro e o filme foi realizado por David Fincher. Ainda que recorresse à narração, como Dark Places, a estratégia de filmagem foi construída ao pormenor e as personagens desenvolvidas minuciosamente. Dark Places parece desenxabido por comparação.

O primeiro problema do filme é nunca ter explicado o ponto central da acção, um evento do passado, em que três pessoas foram mortas. No livro, o método e as armas do crime são pistas importantes. Os possíveis motivos do suspeito são expostos e desmentidos ao longo do enredo, mas sempre com sombra para dúvidas.

No livro há peculiaridades que são explicadas. Há pensamentos que explicam razões. Percebem-se motivos. Há sempre muito contexto porque Gillian Flynn sabe como construir uma estória. No filme isso perdeu-se.

Em termos de representação, os actores fizeram a sua parte. A edição provavelmente estragou o enredo, ao torná-lo cinematográfico. Não há tempo para a audiência se afeiçoar a ninguém. Ainda assim, o filme parece lento e por vezes aborrecido. A investigação arrasta-se. Se a audiência tivesse tido tempo para gostar da personagem principal, não teria sido assim. Haveria preocupação e curiosidade.

Não creio que se deva comparar livros a filmes, porque o livro sai sempre a ganhar. Ignorando o livro, Dark Places perde na mesma. É apenas um filme de domingo à tarde e mesmo assim corremos o risco de adormecer.

É uma pena, porque focando nos sítios certos, a estória tem tanto potencial como Gone Girl. Senão mais. Se tivessem pegado na sátira inicial, em que a personagem principal, sobrevivente de um massacre, explica que viveu anos à conta de donativos, se tornou cleptomaníaca, mas rouba apenas o que lhe faz falta, ou se explorasse qualquer outro sinal de humanidade e corrupção, o enredo do filme ganhava cor.

Vanessa

Book Review | Dark Places by Gillian Flynn

What to say? Much like Gone Girl and Sharp Objects, Dark Places starts with first person account of someone not quite well in the head. But Libby has reasons for it. She survived her family being murdered one cold night and testified against her brother for doing it. Now 20 years have passed and she recalls the events, interviews people and even doubts herself after being contacted by a group of amateur detectives, the Kill Club.

The book goes back and forth between present day and the day her family was massacred, amidst the satanism craze of the '80s, to tell the story of Libby's brother and her mother. All the pieces are available, from teenager rebellion and school rumors to financial problems with the family's farm. Flynn is masterful at creating character depth and a complex plot. Everything seems purposeful. All quirks are evidence of something.

Libby is quite a main character. She is ironic and strong, but still childish and probably depressed, judging from her mannerisms. We travel with her through the dark places in her mind and through the darkness of her brother's journey until that night. There was a point where it was impossible to put down the book.

In the end it all makes sense and there's no twist without background just for the shock-value of it. It's all laid out, the details scattered until put together to make up one gruesome night. It all unraveled as I expected.

Now I'll have to wait until Gillian Flynn writes and releases another book. I'm certainly a fan and I'll be following her from now on. Her writing is uniquely enthralling, suspenseful and wonderfully detailed.

10/10

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Book Review | Sharp Objects by Gillian Flynn

Vanessa

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Pormenores de uma maltrapilha na Vogue Fashion's Night Out

Gosto de ver pessoas tropeçar em saltos altos na calçada lisboeta. Este ano vi uma miúda ir contra um poste. Era tanto glamour à volta, que ficou desorientada, coitada. Gosto de ver roupas arrojadas. Blusas directamente do armário da avó ou até do avô, que hoje em dia não há géneros*, com calças e saias plissadas que reflectem a luz. Gosto de saber a estatura real das celebridades portuguesas por comparação à minha. 

Há tempos ia pelas borlas. Agora parece que até a moda está em crise. Cheguei a ver uma advogada que agora faz brownies e brigadeiros, e que apareceu nas notícias, porque isso de saber de leis e cozinhar parece que é algo fascinante, dizer a uma rapariga que os doces em exposição eram para outros convidados. 

Mas a livraria Chiado tinha uma pasta de atum que me fez pensar em ir pedir a receita à organização. E a EPAL estava a oferecer água da torneira. Sei disso porque os copos tinham isso escrito. Como se tinham acabado umas pulseiras, não recebi uma garrafa de água vazia. Lógica? É moda e na moda isso não existe.

Calculo que o meu traje demasiado normal não tenha gerado confiança. Também não tenho grande poder sobre a minha expressão facial. Se estava com ar de enfado, não devo ter ajudado. Mas na Pantene deram-me a escolher entre uma ampola de tratamento que parece que a Rita Pereira usa ou uma escova de cabelo.

Aquilo chama-se Vogue Fashion's Night Out mas a cena é mesmo a música. Eram DJ's por todo o lado. Mas isso não tem nada de especial, para dizer a verdade. Hoje uma pessoa entra em qualquer loja de roupa e já parece que aquilo é uma discoteca em dia de Ladies' Night. Só que esta noite, havia bebidas alcoólicas também.

Até nisso foram comedidos. Dantes os copos eram enchidos até ao meio. Agora é uns dois dedos e a organização não calcula bem a quantidade de copos. Sabem, estranhei muito não ver o logótipo da Somersby, que eles andam por todo o lado. Parece que fashion são a Strongbow e a Carlsberg.

Petiscos gratuitos também quase não houve, parece. Uma pessoa não pode andar com as mãos gordurosas a dedilhar filas de roupa onde pode depois não caber por ter andado a comer. 

No fundo a VFNO é "um dia na vida de uma modelo" porque uma pessoa anda por ali a desfilar sem comer, a ter de sorrir para as câmaras, sem comer, e já com algum álcool nas veias, sem comer.

*Mas quanto a isso. Ouvi dizer que fotografias de casal só se for para o menino e para a menina. Ouvi duas meninas queixarem-se de discriminação porque há quem ainda ache que duas meninas não são casal.

Vanessa

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Boas leituras

Quantidade não é sinónimo de qualidade, mas estamos em Setembro e eu reparei no número de livros que li desde Dezembro de 2015 (escrevi sobre todos eles no blogue) e fiquei satisfeita. A lista de livros para ler de um leitor nunca termina. Pelo contrário. É tipo as contas para pagar e as lides domésticas. Mas em bom.

De Dezembro de 2015 a Setembro de 2016 tenho 35 livros lidos, 33 em inglês e 2 em português. Todos eles são livros que queria ler há muito. Êxitos de venda passados, autores que tenho vindo a estimar, leituras para alturas específicas, companhias preciosas, todos. A maioria policiais, terror e romance, por essa ordem.

Tanta leitura e ainda uma viagem que durou seis meses e ainda trabalho mais ou menos frequente. Caramba. Macacos me mordam. Nem me tinha apercebido da riqueza deste ano. E ainda não terminou. Já tenho mais livros alinhados para a recta final. A ver como corre. O Outono e o Inverno costumam ser produtivos.

Não consegui ler tantos livros em português como queria. Só dois. Pelo menos metade das leituras devia ter sido na minha língua materna. Acontece que os livros portugueses são caros. Pelo preço de um em português, compro dois ou três em inglês, às vezes quatro. Nem a feira do livro deste ano me safou.

Não vou comprometer-me a ler um determinado número de livros, porque ler nunca foi obrigação ou desafio. Provavelmente por isso mesmo é que superei as minhas expectativas este ano. Espero continuar a encontrar livros que me prendem e que fazer perder a noção do tempo e que me ensinam coisas.

A meu ver, não há problemas de Primeiro Mundo que não se dissipem com um livro. Menos redes sociais, mais livros. Menos internet, mais livros. Menos falatório, mais livros. Ficava assim esta parte do mundo quase perfeito. Instaurar um imposto à ignorância também não era mal pensado. Ai, lá estou eu no mundo da ficção.

Vanessa

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Atenção: aqui há muita secura I

A pontuação faz toda a diferença numa frase.

Exemplo:

Eu gosto de comer chocolate.

Eu gosto de comer pontuação.

Vanessa

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Catarse em memes I

Às vezes palavras não chegam.

O que são memes? Explicação aqui.

Vanessa

Coisas que se aprendem em filmes: The Shallows (Águas Perigosas)

Jaws (Tubarão) é um filme de 1975. Se eu vos disser que The Shallows (Águas Perigosas), estreado este ano, é o melhor filme com um tubarão desde 1975, não estou propriamente a tecer um elogio.

Ora vejamos. Há uma trilogia com tubarões em tornados (Sharknado) que não vi, mas que calculo que seja interessante de se ver, se estivesse trancada num quarto sem internet e só tivesse esses filmes à disposição. Há um filme com uma avalanche de tubarões (Avalanche Sharks); sim, tubarões na neve. Há um filme onde um cientista cria um tubarão com tentáculos (Sharktopus). Há outro em que o mau da fita é um tubarão-dinossauro (Dinoshark). Há aquele em que há um tubarão fantasma (Ghost Shark 2: Urban Jaws).

Depois há todos os outros que são mais do mesmo. The Shallows é uma mistura de 127 Horas e qualquer um desses filmes que são mais do mesmo com tubarões. O facto de Blake Lively ser a actriz principal faz com que o filme pareça um conto de fadas moderno, em que a princesa está presa num sítio confinado. Felizmente a princesa vai-se safando sozinha, sem precisar de um príncipe. Até se vai safando muito bem.

O realizador Jaume Collet-Serra sabe o que faz. A Casa de Cera, Orfã, Non-Stop e The Shallows são filmes com visuais agradáveis, acção e tensão que bastem, personagens com carisma e finais que conquistam. Não são obras-primas do cinema, mas são filmes ideais para um dia chuvoso ou um domingo preguiçoso.

Eis o que podemos aprender com estas Águas Perigosas.

1. Não vão para praias cujo nome desconhecem e que são quase desertas. Se não fosse isto, não haveria filme. Que mulher com juízo iria para um sítio destes, à boleia de um desconhecido, sem falar a língua local como deve ser, sem que pelo menos uma pessoa soubesse onde estava? Saber, com coordenadas e com uma hora de regresso. "Se eu não voltar até esta hora, procura por mim, se faz favor". Posso ser uma feminista retrógrada, mas pareceu-me que o enredo alicerçou-se em pura estupidez. Logo aí torci o nariz ao filme.

2. Usem toda a bijutaria que tenham. Não faz mal se deixa a pele verde. Em situações extremas dá jeito. Se o MacGyver fosse mulher, não precisava de andar à procura de coisas à volta para fazer engenhocas. Neste filme prova-se que a quinquilharia pode ser muito útil. Bom, conhecimentos de medicina também. É sempre o melhor deus ex machina (coisas que resolvem problemas e fazem avançar ou concluem o enredo) em filmes, ser médico ou ter estudado medicina. Pronto, no The Martian ele era botânico. Deu para o gasto.

3. Nunca desistam. Estão presos numa rocha, com uma área que é duas vezes o vosso tamanho, na área de caça de um tubarão? Já têm uma ferida exposta e gangrena? Estão numa praia com uma localização secreta? Não parem quietos nem deixem de procurar soluções. Há sempre algo que pode ser usado como torniquete ou arma ou engenho. Pelo menos nos filmes. Aí também há sempre muita coisa conveniente nas imediações e há sempre forma de matar um tubarão que vos quer comer. Façam da vossa vida um filme, pronto. Assim é mais fácil.

Vanessa

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

O Tejo visto de Lisboa

Há dias em que o rio Tejo é feito de cores impossíveis e a água parece um pedaço de céu e as sombras escorregam de forma perfeita nas superfícies e o sol parece parar por horas na mesma posição e Lisboa descansa na languidez do calor e na fluidez da maré. A minha lente e os meus olhos gostam muito de coisas assim:
O que estariam eles a apanhar?

Mais de Lisboa.

Vanessa

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Book Review | Thursday’s Child (Frieda Klein #4) by Nicci French

I had mentioned in my previous book review that I had read the summary of the next book of the Nicci French's series and could not hold off reading it. The main reason I so wanted to read Thursday’s Child was the fact that it was all about Frieda Klein herself, as opposed to being about Klein solving a mystery. Well, of course, there is one, but it's almost all about her, her past and her history. It felt like a break from all the previous dread.

I had also mentioned even before that reading another book of this series was like getting together with an old friend. This one felt even more like it because the main character has always been herself a mystery. There was never much about her. Her actions and some of her thoughts were all readers could get.

With Thursday’s Child everything is clearer. Frieda's past is explained, as she goes back to her home town after one of her high school colleagues asks her to talk to her daughter. As it turns out, her daughter's anxiety was triggered by an event similar to one that Frieda experienced when she was about the same age.

As usual, her instinct leads her to put random pieces together with the help of her usual friends. Also as usual, the suspense and thriller aspects of this book do not disappoint. There is a sense of dread as everything unfolds. One feels there's something lurking that's about to be uncovered and that it's probably not pretty.

I liked the pace of the book except the last third. Once it was figured out, there was no real surprise, actually. It was there all along, because once one follows Frieda, one gets a sense for the reasoning of criminal minds and their modus operandi. This was an introspective book designed to pull at the strings of melancholy.

It left me content to be able to know about Frieda's ways. Why she likes walking at night so much. Why she develops sympathy for her patients and why she got so close to one of her friends, Sasha. Why she appreciates independence and freedom and time alone. Why she doesn't like talking about her past.

Once more, I felt like storing this book next to the previous one and grabbing the next. I will let this one sink in first though and get a break from this world. I will keep Friday on My Mind (perfect title) while I go on reading other books waiting to keep me company. Only two books to finish the series. I'm feeling nostalgic already.

9/10

Related:
Book Review | Waiting for Wednesday (Frieda Klein #3) by Nicci French

Vanessa

Confissão: pensava que O Projeto Blair Witch era um documentário

Em 1999 saiu um filme chamado O Projeto Blair Witch (The Blair Witch Project). Foi há 17 anos. Eu tinha 13 anos. O que soube do filme foi através do que li na internet, no computador da biblioteca, e do que li em revistas juvenis. O filme teve uma campanha de marketing que enfatizava uma suposta base real da estória.

Os criadores do filme, Daniel Myrick and Eduardo Sánchez, pegaram no conceito found footage (filmes em que as próprias personagens filmam os acontecimentos, por alguma razão; neste caso, para fazer um documentário) iniciado pelo controverso Cannibal Holocaust, de 1980, e popularizaram esse conceito. Mas houve mais.

Daniel Myrick and Eduardo Sánchez tiveram a brilhante ideia de fazer crer que aquilo que agora sabemos ser um filme era uma colectânea de vídeos encontrados no local onde as três pessoas que o filmaram tinham desaparecido e criaram um site com a informação dos supostos desaparecidos, com detalhes sobre o local, alegadamente assombrado por uma bruxa. O nome real dos actores até foi usado no filme. 

O site relata os factos como se tivessem mesmo acontecido, com fotos e informações divulgadas pelas "autoridades". A família da actriz principal chegou a receber condolências pela sua suposta morte. Lembrem-se que foi mais ou menos nesta altura que muita gente acreditou que andavam aí pessoas a criar gatos bebés em jarros (Bonsai Kitten) para que ficassem com formas estranhas, tudo por causa de um site.

Os criadores de Cannibal Holocaust chegaram a ser processados porque houve quem tivesse pensado que se tinham mesmo morto pessoas em frente às câmaras para fazer o filme. Com O Projeto Blair Witch não se sabia ao certo em que acreditar. A campanha de marketing foi inovadora e levou muitos espectadores às salas de cinema. Eu incluída. Eu pensava que ia ver um documentário a sério. O filme assombrou-me.

Só quando aluguei o DVD, anos depois, e vi os extras é que me apercebi que afinal era ficção. Antes disso tinha comprado um livro que falava dos acontecimentos como se tivessem sido verídicos. Mas ao ver os criadores a montar o cenário e a falar sobre os detalhes, senti-me estúpida e ao mesmo tempo fiquei fascinada.

O filme continua a ser para mim um clássico. Por mais sátiras que façam, o filme é mil vezes melhor do que muitos dos filmes de terror que têm saído. Agora é fácil fazer piadas sobre o filme, porque podemos vê-lo com as luzes ligadas enquanto estamos ao telemóvel. Experimentem ver o filme no escuro do cinema, com o som alto, enquanto acreditam que estão a ver um documentário de pessoas que passaram mesmo por tudo aquilo.

O Projeto Blair Witch nem sequer mostra a bruxa. Não se vê quase nada. Quase não há sangue. Quase não há sustos daqueles que nos fazem saltar da cadeira, que os realizadores modernos tão generosamente gostam de oferecer. Ainda assim, a construção do enredo, o desenvolvimento das personagens no ecrã, a afeição que se cria por elas e depois o desenrolar das cenas assustadoras criam um ambiente irrepetível.

Hoje em dia abusa-se dos "factos reais" e das "histórias verídicas" quando na verdade apenas um ou outro pormenor aconteceu. Há poucos filmes como o O Projeto Blair Witch. Os últimos que me fizeram sentir de forma semelhante foram o [Rec] ou o Actividade Paranormal (Paranormal Activity). São filmes de orçamentos considerados baixos para os padrões modernos, mas que fizeram uso da criatividade e da própria imaginação da audiência para assombrar e criar pesadelos, mas também gerar milhões de dólares.

Todos eles foram criados por realizadores e escritores e produtores que percebem que não há nada de mais assustador do que aquilo que a audiência não consegue ver, mas apenas ouvir ao de leve ou adivinhar pelas expressões assustadas dos actores ou ver apenas através do reflexo nos seus olhos.

Que um canto escuro ou um vulto pelo canto do olho são pesadelo maior do que uma criatura feia gerada por um computador. Que os sustos instantâneos, aqueles originados num gato que aparece de repente e/ou um som a decibéis indesejados, surpreendem, sim, mas não criam terror verdadeiro e não nos fazem levar o filme connosco para casa e pensar nele antes de ir dormir ou quando vemos sombras na parede. 

Que a antecipação desenvolvida pelo suspense e pela atmosfera carregada, que faz suar as palmas das mãos e que encolhe o estômago, que faz temer o que pode surgir, é o verdadeiro clímax de um filme de terror. Eu não quero ver um filme de terror para saltar da cadeira porque alguma coisa apareceu no ecrã e o som quase rebentou os meus tímpanos. Quero filmes de terror que me assombrem a imaginação.

Quero mais filmes que me façam acreditar que são documentários.

Vanessa

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Sev puri em Goa, bhel puri em Portugal

Sev puri (lê-se "show puri") é um tipo de snack muito apreciado na Índia. Consiste em pequenos puris ou pooris embebidos em molhos (chutneys), batata e lentilhas (dahl) esmagados, cebola, coentros e xéu.

Quando estive em Mobor encontrei um senhor que ou não percebeu o que eu dizia ou que de facto me deixou fotografar o processo. Há várias variantes deste snack, incluindo uma em que os puris são embebidos em molho e têm de ser consumidos à medida que os vendedores nos dão cada um. Este chama-se pani puri.
Pani puri significa literalmente água em pão frito. Basicamente leva batata e lentilhas, mas também uma quantidade generosa de sumo de tamarindo, além de outros molhos. O pani puri é doce e ácido e picante. O vendedor prepara cada puri individualmente e consome-se logo na altura. Cada puri deve ser colocado inteiro na boca, porque vem a escorrer de molho. Não dá para penicar, não. Mas assim sabe melhor.

O sev puri é mais reconfortante. Como se vê nas imagens, o vendedor tem ali lentilhas e um pedaço de batata cozida. Com uma colher esmigalha ambos e coloca-os dentro dos puris. Seguem-se os molhos, o xéu, cebola crua e coentros. Em Mumbai há muito mais variedade, com vendedores rodeados de possibilidades coloridas, que normalmente decoram no prato com preceito e algum espectáculo. Em Goa é mais simples. Pelo que vi, o sev e o pani puri são escolhas populares para o lanche. Haverá em Portugal alguém que faça isto?
Behl puri é uma mistura de arroz tufado com chutneys e outros acompanhamentos. Trouxemos de Goa uma mistura já preparada que pusemos à prova há pouco tempo. O pacote, da marca Garden, trazia uma embalagem de arroz tufado misturado com amendoins e xéu, e três molhos: um adocicado, um ácido e um picante. Misturámos tudo como fazem os vendedores e acrescentámos cebola e coentros. Não ficou nada mau e deu para matar saudades. O próximo a ir a Goa vai com certeza levar anotadas umas quantas encomendas disto.

Vanessa

Book Review | Waiting for Wednesday (Frieda Klein #3) by Nicci French

Two cases unravel in this third installment of Frieda Klein's series while she seems to fall in a downwards spiral of guilt, dread, unsolved cases, subtle connections and love. While the second book felt too fictional, with hard to believe coincidences, this one succeeded in transporting me to a world of real possibilities.

The first case involved a woman found dead in what seemed to be a burglary gone wrong. The second, a short detail in a tale that led to a mystery, then missing girls, then dots put together. All the while, Frieda followed the leads and tried to heal the wounded. It may seem vague, but it's hard to put all of this into words, into a story, without ruining the book's magic, which is made of tiny pieces of a giant puzzle.

That's what it felt like anyway. Although I did like the thrilling cases, all the intricacies and descriptions, this time, like a true friend, I felt like shaking Frieda Klein to make her snap out of her self-doubts and misery. It almost spoiled it all, her self-harmful ways, her self-neglect, her peculiar obsession, her dark passion.

This novel, much like the first one, was compelling to its core. As usual, Nicci French's writing feels like home. In fact, they almost have their own shelf in my library. I have almost all of their books and they had one thing in common: they never failed to deliver. They were never boring nor tiresome nor predictable.

All of their thrillers were really thrillers, with powerful, rich details and unique characters and gruesome cases and in-depth villains with perfectly reasonable, in their own madness, explanations.

It's hard to already be on Wednesday in the series. Saturday approaches. I'm wondering about Sunday, while I'm pacing myself not to read Thursday's Child just yet. Will I do it? I don't know.

No. I just read the summary of the next one. I cannot not read it now. Heading on to one more Frieda Klein story then. All the other books can wait in line for the next opportunity.


Vanessa

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Mr. Robot

O blogue pede-me para clicar num quadrado para comprovar que não sou um robô. Lembro-me que ainda há pouco tempo comecei a ver a série Mr. Robot. Vi poucos episódios, mas sei que vou gostar dos próximos. É uma série que não me faz sentir um robô. Mexe com as entranhas de quem percebe, a níveis não tão extremos, os pensamentos de Elliot, personagem principal. Isolamento, não conformismo, anti-capitalismo.

Mr. Robot tem como protagonista Elliot, um programador informático de dia e hacker activista de noite. Uma pessoa perturbada a tempo inteiro. Elliot fala com a audiência como se estivesse a falar com um amigo invisível. Muito do que conta Elliot faz lembrar teorias da conspiração. A série reforça subtilmente a minha ideia de que algures nessas teorias pode estar uma pontinha de verdade que não é levada a sério porque quem as conta é considerado louco e paranóico e esquisito. É uma mensagem paralela ao enredo principal.

Gosto das subtilezas da série e dos diálogos. Há muito que não gostava de diálogos na ficção. Gosto da estranheza das estórias. Gosto muito de Elliot. Do criador, Sam Esmail, tinha visto o filme Comet. É um daqueles filmes independentes que passa despercebido nos cartazes. Também gostei. Não há, na verdade, muito de que não goste na série. Quase nada. Estou à espera de ver mais para gostar melhor.

Vanessa

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Book Review | Lock In by John Scalzi

Set in an undefined future, John Scalzi's Lock In takes place in a world where a global pandemic called "the Great Flu" evolved into a state of complete paralysis named Haden's syndrome. About 1% of the population lost control over their bodies as a result of Haden's and some of them use people as Integrators to be able to live through someone else. In this world, cars self-drive and highly advanced gadgets are common in everyday life.

The plot starts with a brief introduction into this scenario, but little else is provided as we follow agent Chris Shane's first and second day on the job as an FBI agent. He is assigned to a crime scene where an Integrator is involved and some shady business is clearly going on. What follows is a series of legal procedures and a large amount of information without context or detailed explanation, but I feel it was intended.

One of the most interesting aspects of the plot is that besides being able to integrate, Hadens can also use android figures called threeps to roam around. Chris Shane is the poster child of such practice, which comes in handy in his line of duty, as the threep can be destroyed, but the mind that controls it stays intact.

The novel felt short for such implications. There are so many nuances to explore that it felt the book was not enough to go into detail and also cover a crime at the same time. Actually, even though I enjoy crime novels, the investigation part ot this book felt boring when there were so many other things I wanted to know about.

John Scalzi has a very peculiar narrative in which characters are not physically described as much as they are described by their actions. Gender, ethnicity, sexual preference is all up to interpretation. Chris can very well be a woman. Chris' partner can also not be a woman. Who knows? What was left for interpretation is one of the strong suits of this book. All the implications of one being able to integrate in another one's body to go through experiences otherwise impossible has many variables, the darker ones detailed in the novel.

I enjoyed this book, but felt it was too short. I wanted to know more about this world where androids are part of the society, but still viewed as outcasts in a way. I also wanted to know more about the way in which science advanced so much it was possible to implant things in the brain to have threeps be possible.

If you're interesting in reading this, you might also enjoy an article styled novella John Scalzi wrote. It's at Tor.

7/10

Vanessa

Já estamos em Setembro?

Voltei de Goa a 25 de Maio. Já estamos em Setembro. Nem uma vez fui à praia. Está bem. Não senti que fosse Verão. Deve ser do meu termóstato. Ando de camisola enquanto o resto das pessoas anda de blusa.

Não sei bem o que aconteceu nestes meses, tirando ter sido roubada, ter dado uns passeios bem bons, ter ido a uns eventos, ter visto uns filmes, lido uns livros e trabalhado. Afinal, fiz ainda muitas coisas.

Vem aí o Outono, que é a minha estação preferida, a mais produtiva e aquela com as melhores cores para fotografar. Infelizmente, este Outono não vou poder desfrutar de bebidas quentes na minha caneca de estimação, que me acompanha há mais de uma década. Estilhaçou-se um dia destes porque sou desastrada. Não sei como durou tantos anos quase intacta. Mas dei-lhe bom uso enquanto esteve inteira.

Nem era nada de especial. Nem gostava especialmente do desenho ou das cores. Mas era aquela. Há hábitos que uma pessoa nem se apercebe que tem. Ainda não tenho substituto regular para a caneca. Foi uma lição em termos de desapego, foi. Felizmente o café e o chá sabem exactamente ao mesmo.

Já se sabe que de Setembro ao final do ano é outro pulo. Não tarda já há por aí decorações de natal. Que o tempo passe rápido, está bem, mas que seja cheio de coisas boas como tem sido, com uma ou outra excepção.

Vanessa

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Abusos, desigualdades e problemas laborais

Abusos laborais sempre existiram. Afinal de contas, as empresas não ganharam tão má fama geral por acaso. Penso que seria interessante perceber como começou esta tendência de considerar o salário um privilégio e o ordenado mínimo a fasquia primordial e o ganho de experiência o ponto de partida para abusos.

Desde que foram divulgados casos de estagiários contratados através do programa de estágios profissionais do Instituto do Emprego e da Formação Profissional que foram convencidos a devolver ao patrão parte do seu salário que tenho pensado cada vez mais que a culpa é muito de quem se sujeita.

Já me tinha ocorrido, claro. Não existiriam constantemente anúncios de "emprego" abusivos se não existisse quem se sujeitasse. Há vagas que aparecem com tanta frequência nos sites de emprego que me levam a crer que há ali uma rotação incrível de pessoas que trabalham a troco apenas de experiência.

A desigualdade que situações destas geram é absurda. Quem tem condições para aceitar trabalhar sem ter condições desce a fasquia de todos. As implicações deste contexto geram casos como os daqueles que devolveram parte do seu salário debaixo da mesa, anúncios de emprego ridículos, como os de empresas que requerem estagiários em postos de responsabilidade, incluindo em cargos como o de CEO, e a ideia de que receber pagamento a troco de trabalho é secundário ou de que o horário pós-laboral é negociável.

Concordo com a existência de estágios curriculares se forem em contexto académico, como o meu foi, ou com estágios profissionais que incitem à posterior contratação dos estagiários. O que se vê de forma geral não é isso. O que se vê é que as empresas têm nos estágios uma forma de escape à responsabilidade.

Parte de nós não aceitar, mas aposto que sempre que pensamos em reivindicar direitos nos lembramos de que existem centenas de outras pessoas que aceitariam as mesmas ou piores condições. É esse o problema. Há sempre quem concorde com abusos, até porque mesmo os meios oficiais os permitem.

Como sempre ouvi dizer, o barato sai caro. As consequências são visíveis nas estatísticas da emigração, da qualidade de vida, do poder de compra, do índice de felicidade. Este último em especial. Há muitas outras nuances em tudo isso. Se recorrermos à história e observarmos os anos antes da queda de muitos impérios aparentemente prósperos vemos uma assustadora semelhança entre essas tragédias e a nossa sociedade. Primeira semelhança: ninguém tem tempo ou disposição para aprender com os erros dos antepassados.

Vanessa

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

À beira do mar em Cascais


Vanessa

Transcrição de áudio é uma profissão, sim


Transcrição de áudio consiste na audição e compreensão da palavra falada e na sua posterior escrita. Não é charmoso. Não é muito técnico. Não é elegante. Não é genial. Não está ultrapassado.

Não, ainda não há ainda software de reconhecimento de voz bom o suficiente para o fazer, da mesma forma que não há tradutores automáticos que traduzam com 100% de eficácia. Compreensão implica inteligência.

A maioria dos poucos jornalistas que conheço expressa desprezo pela transcrição. Não é a coisa mais entusiasmante das suas carreiras. Implica ter de ouvir novamente quem se entrevistou e passar horas a teclar.

Quando trabalhei em jornalismo adiava sempre a tarefa. Era frustrante. Mas andava ainda eu na escola e lembro-me de adorar transcrever, quando fazia parte do jornal da escola. Gosto do som das teclas.

Agora não é diferente. O som das teclas e as palavras a aparecer no ecrã são coisas reconfortantes, porque significam trabalho. A informação que aprendo todos os dias é o melhor bónus de sempre.

Embora não possa conversar sobre o que transcrevo por questões de confidencialidade, há muita informação geral que dá para extravasar, de questões filosóficas a metodologias e ferramentas de negócios, finanças, astronomia, história, paleontologia, medicina tradicional e alternativa, geografia, informática.

Na maioria das vezes, crio matéria-prima ou os primeiros esboços de algo. Apesar de a maioria do meu trabalho após a faculdade se ter centrado na transmissão de informação, histórias e estórias, agora sou o receptáculo e aparelho digestivo, o primeiro impulso na cadeia alimentar da informação e da comunicação.

Pode-se dizer que desci de posto nessa cadeia alimentar. Foi sendo sempre assim desde que saí da faculdade. Por incrível que pareça, o primeiro emprego foi quase o melhor em termos de condições, mas era um estágio profissional. O segundo emprego foi de certeza o melhor, porque era um contrato a sério.

Depois disso, as condições deterioraram-se. Até há cerca de um ano, quando descobri que há outras formas de fazer aquilo de que gosto, sem ter de me chatear tanto e respeitando o meu horário produtivo, que é quase sempre durante a tarde e à noite. Insegurança sempre existiu. Agora tem menos influência.

Há pouco tempo li num livro que temos dificuldade em liberdade que temos. É verdade, por várias razões. De entre lidar com a insegurança de um emprego tradicional e a insegurança do trabalho freelancer, prefiro a do trabalho freelancer. Sou uma das pioneiras do nomadismo digital, que sei que ainda vai dar muito que falar.

Vanessa

domingo, 28 de agosto de 2016

Book Review | Tuesday's Gone (Frieda Klein #2) by Nicci French

The second Frieda Klein novel felt like getting together with an old friend. Set one year after the events narrated in the first book, Tuesday's Gone was just as intense a read as Blue Monday. It's slightly longer though.

This time it was not a disappearance that prompted the events. It's a body discovered in the house of a woman with hoarding problems and a more serious mental disability that does. With the help of Frieda, the team of police investigators discovers new clues and people that lead to an unexpected outcome.

Although it was a pleasure to get back on the streets of London and follow Frieda again, I have to say there were was one particular that put me off and reminded me this is a work of fiction: the coincidences.

Frieda's personal problems, which give us insight into her mysterious personal and family life, get tangled with the investigation. It seemed far-fetched when it all unfolded. The twist was amazing though.

Most of the clues were not available to the reader, which was also something I would like to have. While there was an abundance of characters to follow, plus some of the characters from the first book, there were not many details a reader could have known to feel as though one helped solve the mystery.

I wish it had been more interactive this way. However, the plot involves the reader with uncertainty and unrest. Descriptions and character insights are rich and powerful as ever. One of Nicci French's many qualities.

I finished this one and wanted to keep being in the world of Frieda Klein. I almost grabbed the next book and started reading it without a pause. I thought it better to have a break though so I can appreciate it more next time and have a fresh mind for the mysteries to come. Nicci French deserve my full attention.

8/10

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Vanessa

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

#desafioaceite? Não.

Expliquem-me que diferença no mundo faz uma foto minha a preto e branco no perfil de uma rede social. Que diferença faz em especial no âmbito da luta contra o cancro? #desafioaceite (e "aceito" quando as pessoas não sabem escrever português ou pelo menos não sabem copiar/colar) é uma corrente virtual, mas não daquelas que nos trazem a morte ou o azar se ignorarmos. O azar pode chegar precisamente a quem adere.

Tudo começa com a mensagem: "A função deste desafio é colocares uma foto tua a preto e branco... A corrente humana embora virtual pela luta contra o cancro. Cola a tua e identifica os teus amigos. Desafia-os, tal como fiz contigo". É uma causa nobre, mas também uma forma de atrair os maus da fita da internet.

A Associação de Segurança Internauta espanhola já avisou que esta campanha é falsa e que é uma forma de facilitar o acesso ao email das pessoas. Quem está por detrás disto, não se sabe ainda.

Ao contrário do Ice Bucket Challenge ou o Desafio do Balde de Gelo, esta corrente nada faz, por enquanto, pela luta contra o cancro. Pode, sim, criar sensibilização, mas não está associada a nenhuma organização oficial ou a uma campanha humanitária real. É só mais uma corrente viral, como aquela outra em que as pessoas colavam no perfil uma mensagem porque alegadamente o Facebook ia passar a ser pago e a mensagem as isentava.

Dicas para não cair nestas correntes falsas:
1. Se não forem criadas por organizações reconhecidas, desconfiem.
2. Se forem desafios e correntes sem acções úteis, desconfiem.
3. Se forem virais, desconfiem.
4. Se apelarem aos sentimentos, desconfiem.
5. Se implicarem re-publicar mensagens, desconfiem.
6. Se forem criados sem justificação plausível, desconfiem.
7. Se surgir do nada, desconfiem.

Vanessa