segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Núcleo de Interpretação da Duna da Cresmina, Cascais

Quem diria que as dunas são uma coisa tão bonita de se ver? O Núcleo de Interpretação da Duna da Cresmina, Cascais,  "é um espaço criado com o objetivo de dar a conhecer a fauna e flora únicas associadas ao sistema dunar Guincho-Cresmina", diz a Câmara Municipal de Cascais no seu site. Aconselho vivamente a visita.

Juro que estive para publicar apenas algumas das fotos a dizer que tinha visitado o deserto do Saara. Mas acho que este local merece estrelato. Os passadiços são confortáveis para se caminhar e a informação disponível é interessante. Fiquei a conhecer a raiz-divina e a sabina-das-praias, plantas que desconhecia.

Fiquei a saber que as dunas são ecossistemas frágeis, mas cruciais e que este, por exemplo, "avança na direção norte-sul, em alguns sentidos, cerca de 10 metros por ano". Pela sua fragilidade, esperava encontrar mais vigilância. Alguns dos visitantes são tão simpáticos que deixam por ali os presentes dos seus cães. Alguns não hesitam em ignorar os passadiços e caminhar pela areia como se estivessem na praia.

Críticas à parte, gostei da visita e tenciono voltar lá regularmente para ver a evolução da paisagem. Para já, fiquem com as fotos que tirei. Adoro as cores outonais da Duna da Cresmina. Até gosto do nome.

Vanessa

domingo, 21 de agosto de 2016

Investigações nas horas vagas: pessoas desaparecidas

O desaparecimento de pessoas sempre me despertou atenção. Não sei quando começou o interesse. Hoje em dia há imensos vídeos no YouTube sobre o assunto. Todas as semanas vejo ou leio sobre este tópico. Não sei ao certo porquê. Tornou-se um passatempo mórbido que o YouTube alimentou através da lista de recomendações.

Acontece que além disso, qualquer dos livros mais recentes que tenho comprado por gostar dos autores ou porque algo nesses livros me captou a atenção, retrata de formas variáveis desaparecimentos. É como quando ouvimos um nome pela primeira vez e de repente vemos ou ouvimos o nome em todo o lado.

Quanto mais peculiar forem os casos, mais tento saber mais sobre eles. Começou certamente com o desaparecimento e posterior morte de Elisa Lam, uma rapariga do Canadá que em 2013 fez uma viagem pelos Estados Unidos e evaporou-se. É um caso bizarro em todos os seus detalhes e associações.

Há um vídeo de Elisa que a polícia divulgou. No vídeo, Elisa estava no elevador do hotel Cecil em Los Angeles, Estados Unidos, onde posteriormente foi encontrada morta num tanque de água de difícil acesso. Saber que aquelas são as últimas imagens de uma jovem de 21 anos é intrigante e assustador.

No vídeo, vê-se a jovem a carregar em vários botões e a gesticular, apesar de não se ver outras pessoas por perto. Nessa noite, Elisa, aparentemente se, se saber como, foi parar ao tanque de água do hotel, onde só foi encontrada cerca de 19 dias depois, depois dos hóspedes se queixarem da cor e da pressão da água. 

O hotel é conhecido por já ter alojado assassinos em série e pessoas perturbadas, assim como suicidas. O caso tem muitas semelhanças com o enredo de um filme chamado Dark Water, incluindo a roupa com que Elisa morreu, roupas essas que estavam a flutuar na água do tanque. No mês em que Elisa foi encontrada morta, houve um surto de tuberculose na área e o teste usado chama-se, por coincidência, LAM-ELISA.

Não fui a única a ficar morbidamente fascinada com o caso. Os produtores da série televisiva American Horror Story basearam ao de leve o enredo da quinta temporada na história e no hotel, com muita ficção à mistura, e alguém em Hollywood está alegadamente a preparar um filme também baseado neste caso.

Entretanto, muitas outras histórias me cativaram. São histórias que fazem com o que o mundo pareça enorme, de tal forma que parece haver um buraco para onde caem várias pessoas todos os anos. O investigador norte-americano David Paulides tem categorizado caso a caso e verificado vários pormenores estranhos, desde a localização ao tipo de pessoa que desaparece aos detalhes destes desaparecimentos.

Em 2015, um artigo do Diário de Notícias dava conta de que a Polícia Judiciária regista anualmente cerca de quatro mil pessoas desaparecidas em Portugal. Nem todos são tão mediáticos quanto o de Rui Pedro ou de Madeleine McCann. Quase todos os desaparecimentos registados são voluntários.

Além da própria Judiciária, que tem uma base de dados online com os detalhes de cada caso recente, há várias páginas amadoras dedicadas ao desaparecimento de pessoas. Quatro mil por ano é um número surpreendente, especialmente porque o nosso país é tão pequeno. Mas foi grande o suficiente para que desaparecessem sem rasto muitas pessoas, como se vê neste blogue, algumas delas há mais de uma década.

Com o avanço da tecnologia, parece ser mais fácil acompanhar pistas para resolver os casos. O uso de câmaras de videovigilância em todo o mundo gera imagens da última ocasião em que pessoas que desapareceram foram vistas e os telemóveis ajudam também na sua localização. Ainda assim, há quem simplesmente se evapore. Há imensos vídeos no YouTube com imagens de pessoas que nunca mais foram vistas entretanto ou com gravações áudio de chamadas durante as quais se ouve a voz dessas pessoas momentos antes de algo acontecer.

Parece-me incrível que desapareçam pessoas neste século, mas acontece e continua a acontecer. O voo MH370 da Malaysia Airlines continua sem rasto. Este mês desapareceu em Cascais, Lisboa, um turista espanhol (entretanto já encontrado), um jovem na praia fluvial de Palheiros, em Coimbra (encontrado morto por afogamento), um emigrante português na cidade francesa de Bordéus (ainda não encontrado).

Mas. Um gato desaparecido há oito anos em Londres foi encontrado em Julho, mas em Paris. O gato árabe, que estava desaparecido dos olhos dos investigadores desde 2005, foi também reencontrado.

O mundo realmente é enorme.

Um pedido de desculpas aos amigos, que devem estar fartos de ser massacrados com estas histórias, sobre as quais lhes vou dando conta quando nos encontramos. Como se vê, nem o meu blogue escapou.

Vanessa

sábado, 20 de agosto de 2016

Book Review | Interview With The Vampire by Anne Rice

Right after reading Bram Stoker's Dracula, I read Anne Rice's Interview With The Vampire. I was barely a teenager and for that I could not completely grasp the subtleties of this novel. Besides, I had read it in Portuguese. Years later and able to read in English, I gave it another go. I wonder why did it take me so long to do so.

In Interview With The Vampire, Louis narrates his life's story to a young reporter, many years after he became a vampire. The somber and eerie ambience is what makes one immerse in his accounts right from the start. He spares no details and bares his surprisingly human emotions while living like a predator.

The movie starring Brad Pitt and Tom Cruise is quite similar to the book, except in the book Lestat, Louis oponent, is the blonde one. Claudia, the child vampire is merely five. In the book, the reader also has a much better sense of how Louis sees the world, given he's the one telling the events. In the movie we get flashbacks as if he was omnipresent. In the book we see the world as he then saw it and felt it, like a tormented soul.

I also read most of the book while listening to the movie's soundtrack, but after a while I switched to Chopin's Nocturnes. The music certainly added another dimension to the plot, wonderfully creepying it out. Yes, I just made out a verb. There is no better way to describe it, really. The melodies fitted the gothic aspects of the narrative, filling in the space left to the imagination, making the horror beautiful.

This is indeed a beautiful novel, yet grim. Louis is a vampire and we know that from the start. However, he keeps his humanity close at heart and he feels the immensity of his immortality through human lenses. I could only wish we got more versions of the story, which the first person account takes away.

I also would like to have known more about the physical aspects of being a vampire and the innuendos of sexuality, which are left out by the platonic nature of Louis' love and search for knowledge.

That being said, I certainly enjoyed the vampire gore and all the details of a novel that spurred so many other vampire tales. Anne Rice was a visionary, much like Bram Stoker. I will find more of her works in the future, and even though she wrote about Lestat in detail and I don't really care for Lestat, I will read those.

Anyone who likes vampire tales should read her books, I think.

8/10

Vanessa

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Arco da Rua Augusta e Praça do Comércio em Lisboa

Baixa de Lisboa. Quarteirões geométricos e largos. Pormenores arquitectónicos recortados na pedra. A correria moderna a par e passo com uma herança histórica fundada a partir do terramoto de 1755.

Lisboa é bonita de se ver. Deixa-se fotografar. Uma das minhas zonas preferidas de Lisboa é a Praça do Comércio. Logo a seguir, a Ribeira das Naus. São locais cuidados. Renovados. Acompanharam os tempos ao mesmo tempo que permaneceram no passado, com o Tejo como testemunha. São símbolos. São emblemas.

Há tempos visitei o Arco da Rua Augusta, mesmo em frente à Praça do Comércio. Mais vezes olhei para o Arco durante os espectáculos de mapeamento de vídeo, confesso. Mas depois de subir ao topo e ver Lisboa de cima, passei a prezá-lo mais. Nesse dia, tirei algumas fotos. Nunca Lisboa me pareceu tão bonita.
Esta imagem estava a caminho do miradouro do Arco da Rua Augusta.

P.S.: Quem quiser, pode fazer uma visita virtual aqui.

Vanessa

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Angel Hair And Aliens In Portugal

Similar to a jelly-made cobweb, angel hair is a supposedly natural substance that descends from the skies, and coincides with reported sightings of religious figures such as the Virgin Mary. However, angel hair is also linked with UFO activity and believed to be a kind of natural material released by spaceships. 

There is not much information on angel hair, because it usually evaporates within a short amount of time, just like the alleged and reported apparitions. There is one reported case of angel hair in Portugal.

A LIVING ORGANISM
According to many news, on November 2, 1959, the Portuguese city of Évora, was visited by two round flying objects, one of them being very bright and incredibly fast. They moved around the city, with abrupt movements and spread light like the sun. But they spread something else too. 

During the mysterious visit, the city was showered with a viscous and light, white and stringy substance: angel hair, also known as "fibralvina". Some of the witnesses say it was falling from the UFO's.

The gelatinous material, that fell for almost four hours, was collected by scientists Lisbon's University. The analysis showed it was made out of fibers, similar to hair when seen under the microscope, and it was composed of well-known elements, such as oxygen, calcium and sodium. 

However, some of the samples contained something that was not so vegetal-like. 

It was reported as a foreign organism, composed of just one cell, that had a rounded nucleus and 10 tentacles coming out of it, and each of those had what seemed to be three tiny fingers. If you look for images of it, it looks eerie. One has to wonder if they are real.

MIRACLE OF THE SUN
The Virgin Mary allegedly appeared to three children who were shepherds at Fátima, in Portugal, and predicted a series of events, when appearing on the thirteenth day of six months in 1917. 

One of the predictions was the so-called Miracle of the Sun, that actually happened on October 13, 1917. About 100 thousand people witnessed the so-called miracle of what could be called a dancing solar mixed with an eclipse ,and many newspapers reported this.

The event coincided with UFO reports around the area and the fall of angel hair, that witnesses described as light, white petals that would disappear as soon as they touched the ground.

Many alien theorists have been pointing out that this miracle is one big case of extraterrestrial beings visiting Portugal and their spaceship blocking the sun and causing optical illusions. 

Fátima is the place in Portugal with the biggest amount of reported cases of "fibralviva" being seen. It happened on the 13th day of September of 1917, on the 13th of May of 1918, 1923 and 1924. 

Sources: Portuguese newspaper descriptions,some random Google research and witnesses relating the events on several Portuguese documentaries on the History Channel.

Note: Post previously published on the deceased Bubblews website and slightly edited for this blog.

Vanessa

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Cortar no açúcar: vamos a isso?

Já repararam que a maioria das embalagens de cereais contêm uma espécie de sobremesa e não pequenos-almoços? Se não repararam, andam distraídos. Ou já estão drogados pelos sacarídeos.

Quando se começa a ler os rótulos dos produtos, fica-se abismado com a quantidade de nomes de difícil pronúncia e também com a quantidade de açúcar, quando se conhece todos os seus sinónimos. Há imensos.

Comecei a ter cuidado com a ingestão de açúcar depois de ler alguns estudos sobre a influência dos sacarídeos em certos tipos de doenças oncológicas e depois de me aperceber de que as papilas gustativas são muito facilmente treinadas. Mais difícil é o cérebro passar pelo período de abstinência, mas isso passa rápido.

O primeiro passo foi cortar no açúcar branco. A maior fonte de consumo, no meu caso, era o café e o chá. Foi aí que fui reduzindo a quantidade. Nunca coloquei um pacote inteiro de açúcar na bica, mas de metade passei a colocar cada vez menos até deixar de colocar e trazer para casa as saquetas. O resultado num mês:

As papilas gustativas renovam-se entre 10 dias a duas semanas. Primeiro estranham, mas depois habituam-se de tal forma que não conseguem voltar a apreciar o açúcar, se gostarem mesmo da bebida na qual o colocam. E eu não acredito que quem coloca açúcar no café goste mesmo de café. É um preconceito meu. Também não acredito que quem gosta de chocolate goste de cacau ou que quem enche uma salada de maionese goste de salada.

Esta semana, enfrentei o último desafio ao palato: iogurte natural. Nunca me imaginei a comer iogurte sem adicionar algo doce, mas como não havia mel em casa, adicionei umas sementes e frutos secos e decidi saltar a típica colher de mel. Não custou quase nada e aprendi que gosto mesmo de iogurte.

O segundo passo para cortar a quantidade de açúcar que ingeria foi aprender a reconhecê-lo nos rótulos. É que este diabinho tem várias caras. Açúcar pode ser xarope de glicose ou xarope de açúcar invertido; glucose, maltose, lactose, frutose, dextrose e maltodextrina. Estão aqui listados açúcares puros e também substâncias que no corpo são sinónimo de açúcar mesmo que na prática não o sejam. Aí reside o grande problema.

O nosso corpo adora açúcar, porque açúcar é energia. Há pessoas que não gostam de picante, de ácido, de gorduroso. Mas conhecem alguém que não goste de doce? É raro.

Se não usarmos o cérebro para tomar decisões, o corpo está em permanente estado de suspeita. Para ele, é preciso armazenar para alguma eventualidade. Que camelo. Mas ele não tem culpa que uns 80% dos produtos do supermercado tenham açúcares adicionados. E não tem culpa das nossas más escolhas.

O terceiro passo foi perceber em que alturas dá vontade um docinho. O açúcar vicia facilmente e dá-nos uma dose instantânea de ânimo que procuramos em certas alturas da vida. Mas os períodos de ausência de açúcar causam ali uma depressãozinha também. Quando as papilas gustativas estão habituadas ao sabor dos alimentos e das bebidas sem o açúcar, quando nos apetece algo doce não é raro as razões serem emocionais.

O cérebro é extremamente eficiente em pensar nas alternativas mais fáceis e rápidas de obter o que precisa. Nós é que temos de ter consciência sobre o que escolhemos ingerir e sobre o tipo de lacuna que queremos eliminar. O buraco emocional não é preenchido por chocolate ou por gelado. O açúcar mascara-se de salvador da pátria, mas depois vai-se a ver e ainda há crise. Crise e a tal depressãozinha pós açúcar.

Se depois disto ainda vos apetece algo doce, deixo-vos com algumas fotos sugestivas que tirei com o telemóvel numa altura em que fartava-me de fotografar imagens para usar em artigos. São alternativas (mais) saudáveis (do que uma bola de berlim) ao bichinho, para que não deixem que ele vos consuma.
Fruta fresca.

A minha preferência são estas embalagens de coco já cortado que os supermercados têm na área dos produtos frescos. As lojas Celeiros também têm umas lascas de coco tostadas que são óptimas.

Fruta desidratada ou a fazer de batatas fritas. Agora está na moda.

Frutos secos mais doces como figos, passas, papaia, manga. Até aloe vera já vi.

Em vez de sobremesa, um iogurte natural com um pouco de mel, muesli ou fruta.

Um bolinho saudável de vez em quando, de preferência feito por vocês e com menos açúcar do que a receita. O Celeiro também tem uns bolos à fatia, que não sendo a coisa mais saudável do mundo, até são bons.

O sushi do mais tradicional, isto é, sem aqueles molhos todos e toppings fritos, com o seu arroz adocicado, até mata o desejo. Se tiver abacate e outras frutas, sementes de sésamo e frutos secos, melhor.

Saladas com muita textura e fruta misturada.

Outros: castanhas e batata doce, chocolate negro com mais de 70% de cacau, gelatina, usar canela como condimento, fazer um chá com um pouco de mel ou água aromatizada.

Vanessa

Cherry nas Festas do Mar 2016 em Cascais

Festas do Mar apresenta-se como o único festival de Verão gratuito em Portugal e arranca no dia 19 de Agosto na Baía de Cascais. Este ano actuam nomes como Mariza e Cuca Roseta, Expensive Soul, Xutos e Pontapés, Azeitonas e Maria Gadú. A arrancar a edição de 2016 das Festas do Mar estará em palco a Cherry, que venho por este meio recomendar. O concerto da Cherry começa às 20.30h no dia 19 de Agosto. Mais informações aqui.



Vanessa

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Está tudo mal

O que têm em comum um vegano, um adepto do ginásio e uma pessoa indignada? Todos expressam a sua opinião mesmo que não é solicitada*. Na internet então, é vê-los a escrever copiosamente sobre os seus assuntos preferidos. É uma generalização injusta para os que deixam as suas escolhas de vida para si próprios ou que as explicam quando são questionados, mas como mostram os preconceitos em relação a religiões como o islamismo, a opinião pública adora tomar a parte pelo todo. Porque está tudo mal.

O mundo está mal, o governo está mal, a sociedade está mal, a humanidade está mal. Quem consome produtos animais está mal, quem é sedentário está mal, e A, B e C estão mal. Pergunto-me se teremos aprendido a ser assim com o jornalismo, onde (parece) corre(r) o princípio de que "No news is good news", que é como quem diz "Se é notícia não pode ser bom". Convenhamos, não é preciso analisar profundamente visualizações para chegar à conclusão de que o dramático, o trágico, o sinistro e o peculiar atraem mais atenção.

De onde vem tanto pessimismo não sei, mas parece-me muito mais fácil pensar no que está mal do que no que está bem. Imaginem receber vários elogios e uma ou duas críticas. No que é que se vão focar? Eu cá ficava a pensar nas críticas. Pensar não é o termo correcto. Eu ficava a remoer as críticas.

É por um conjunto de factores, mas principalmente o meu próprio desenvolvimento pessoal e a educação. Sempre fui ensinada, na escola, que podia e devia ser a melhor. Que podia ser o que quisesse. É natural que depois quando o mundo mostra o contrário uma pessoa fica aborrecida. É como quando o governo nos incita a adquirir propriedades com mais exposição solar para que sejamos cidadãos mais eficientes e poupados, e depois se fala na possibilidade de um imposto para as casas com mais exposição solar.

Mas isto não é um aspecto da minha geração. Que eu saiba, os idosos que se juntam nos bancos de jardim não andam por lá a apregoar tudo de bom que se passa no mundo, pois não? Eu até diria que eles se juntam precisamente para falar sobre o que está mal. Ou pior. No tempo deles não havia isto ou aquilo.

Serve tudo isto para dizer que isto de estar tudo mal só nos faz é mal. Já ouviram a expressão: "Se estás mal, muda-te"? Se achamos que está tudo mal, mudamo-nos para onde? Já viram a complicação?

Das duas uma. Ou se muda o ponto de vista ou se muda o sujeito, mas do lado de dentro. Ora experimentem. Para cada coisa que pensem que está mal, tentem encontrar uma que está bem ou melhor. Ao menos assim há algum equilíbrio interior. A coisa não pende só para um lado. Se precisarem de ajuda, escrevam aqui nos comentários. Sejam pessimistas à vontade. Eu encontro um contra-argumento para vocês.

Eu podia ir mais longe e dizer que devíamos mudar aquilo que pensamos que está mal e que devíamos fazê-lo na nossa casa ou no nosso bairro, mas isso já é um abuso. É muito mais fácil escrever e ficarmo-nos por aí.

Vanessa

*Sim, sei perfeitamente que estou a fazer o mesmo, mas não é para isso que os blogues servem? As pessoas visitam activamente um blogue. Já deviam saber ao que vêm. Não é o mesmo que estar numa rede social e levar com opiniões não solicitadas entre um vídeo de gatinhos e uma notícia deprimente. Estou a ser ultra-defensiva, mas é mais para mim do que para vocês. Ainda é cedo para ter haters e trolls aqui.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Somatório escaldado

A única coisa que arde sem se ver é o amor.
Chega o Verão e os incêndios já são tradição.
As televisões mostram tudo com fervor.
E começam a atirar-se culpas sem perdão.

Agosto é mês de fogos e sempre foi assim.
Agora é que nos lembramos de limpar o capim.
Dantes era mais fácil, pastavam lá os animais.

Mas a agricultura anda pela hora da morte.
Persistem práticas de negligência todo o ano.
Lembramo-nos agora que não é uma questão de sorte.
E que calor e falta de prevenção têm efeito profano.

Menos show off e mais senso comum ajudavam.
Mas mostrar meios de combate é que dá visibilidade.

As culpas atiram achas para a fogueira.
Do negócio dos fogos já se falou.
Façamos o rescaldo do fogo na Madeira.
Não de quanto tudo isto custou.

O que custa agora é ver tanto queimado.
É saber que nunca há fundos para o que é preciso.
Haja esperança por este país mal estimado
Que tem tanto para ser um paraíso.

Obrigado aos que estão na linha da frente.
Obrigado a todos os que têm ajudado.
O vosso esforço é comovente.
E que seja recompensado.

Para os distraídos, chamada de atenção.
Estas rimas não são só entretenimento.
Reparem nos links, têm intenção.
Vão dar a artigos com mais cabimento.

Vanessa