segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Coisas que se aprendem em filmes: The Shallows (Águas Perigosas)

Jaws (Tubarão) é um filme de 1975. Se eu vos disser que The Shallows (Águas Perigosas), estreado este ano, é o melhor filme com um tubarão desde 1975, não estou propriamente a tecer um elogio.

Ora vejamos. Há uma trilogia com tubarões em tornados (Sharknado) que não vi, mas que calculo que seja interessante de se ver, se estivesse trancada num quarto sem internet e só tivesse esses filmes à disposição. Há um filme com uma avalanche de tubarões (Avalanche Sharks); sim, tubarões na neve. Há um filme onde um cientista cria um tubarão com tentáculos (Sharktopus). Há outro em que o mau da fita é um tubarão-dinossauro (Dinoshark). Há aquele em que há um tubarão fantasma (Ghost Shark 2: Urban Jaws).

Depois há todos os outros que são mais do mesmo. The Shallows é uma mistura de 127 Horas e qualquer um desses filmes que são mais do mesmo com tubarões. O facto de Blake Lively ser a actriz principal faz com que o filme pareça um conto de fadas moderno, em que a princesa está presa num sítio confinado. Felizmente a princesa vai-se safando sozinha, sem precisar de um príncipe. Até se vai safando muito bem.

O realizador Jaume Collet-Serra sabe o que faz. A Casa de Cera, Orfã, Non-Stop e The Shallows são filmes com visuais agradáveis, acção e tensão que bastem, personagens com carisma e finais que conquistam. Não são obras-primas do cinema, mas são filmes ideais para um dia chuvoso ou um domingo preguiçoso.

Eis o que podemos aprender com estas Águas Perigosas.

1. Não vão para praias cujo nome desconhecem e que são quase desertas. Se não fosse isto, não haveria filme. Que mulher com juízo iria para um sítio destes, à boleia de um desconhecido, sem falar a língua local como deve ser, sem que pelo menos uma pessoa soubesse onde estava? Saber, com coordenadas e com uma hora de regresso. "Se eu não voltar até esta hora, procura por mim, se faz favor". Posso ser uma feminista retrógrada, mas pareceu-me que o enredo alicerçou-se em pura estupidez. Logo aí torci o nariz ao filme.

2. Usem toda a bijutaria que tenham. Não faz mal se deixa a pele verde. Em situações extremas dá jeito. Se o MacGyver fosse mulher, não precisava de andar à procura de coisas à volta para fazer engenhocas. Neste filme prova-se que a quinquilharia pode ser muito útil. Bom, conhecimentos de medicina também. É sempre o melhor deus ex machina (coisas que resolvem problemas e fazem avançar ou concluem o enredo) em filmes, ser médico ou ter estudado medicina. Pronto, no The Martian ele era botânico. Deu para o gasto.

3. Nunca desistam. Estão presos numa rocha, com uma área que é duas vezes o vosso tamanho, na área de caça de um tubarão? Já têm uma ferida exposta e gangrena? Estão numa praia com uma localização secreta? Não parem quietos nem deixem de procurar soluções. Há sempre algo que pode ser usado como torniquete ou arma ou engenho. Pelo menos nos filmes. Aí também há sempre muita coisa conveniente nas imediações e há sempre forma de matar um tubarão que vos quer comer. Façam da vossa vida um filme, pronto. Assim é mais fácil.

Vanessa

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

O Tejo visto de Lisboa

Há dias em que o rio Tejo é feito de cores impossíveis e a água parece um pedaço de céu e as sombras escorregam de forma perfeita nas superfícies e o sol parece parar por horas na mesma posição e Lisboa descansa na languidez do calor e na fluidez da maré. A minha lente e os meus olhos gostam muito de coisas assim:
O que estariam eles a apanhar?

Mais de Lisboa.

Vanessa

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Book Review | Thursday’s Child (Frieda Klein #4) by Nicci French

I had mentioned in my previous book review that I had read the summary of the next book of the Nicci French's series and could not hold off reading it. The main reason I so wanted to read Thursday’s Child was the fact that it was all about Frieda Klein herself, as opposed to being about Klein solving a mystery. Well, of course, there is one, but it's almost all about her, her past and her history. It felt like a break from all the previous dread.

I had also mentioned even before that reading another book of this series was like getting together with an old friend. This one felt even more like it because the main character has always been herself a mystery. There was never much about her. Her actions and some of her thoughts were all readers could get.

With Thursday’s Child everything is clearer. Frieda's past is explained, as she goes back to her home town after one of her high school colleagues asks her to talk to her daughter. As it turns out, her daughter's anxiety was triggered by an event similar to one that Frieda experienced when she was about the same age.

As usual, her instinct leads her to put random pieces together with the help of her usual friends. Also as usual, the suspense and thriller aspects of this book do not disappoint. There is a sense of dread as everything unfolds. One feels there's something lurking that's about to be uncovered and that it's probably not pretty.

I liked the pace of the book except the last third. Once it was figured out, there was no real surprise, actually. It was there all along, because once one follows Frieda, one gets a sense for the reasoning of criminal minds and their modus operandi. This was an introspective book designed to pull at the strings of melancholy.

It left me content to be able to know about Frieda's ways. Why she likes walking at night so much. Why she develops sympathy for her patients and why she got so close to one of her friends, Sasha. Why she appreciates independence and freedom and time alone. Why she doesn't like talking about her past.

Once more, I felt like storing this book next to the previous one and grabbing the next. I will let this one sink in first though and get a break from this world. I will keep Friday on My Mind (perfect title) while I go on reading other books waiting to keep me company. Only two books to finish the series. I'm feeling nostalgic already.

9/10

Related:
Book Review | Waiting for Wednesday (Frieda Klein #3) by Nicci French

Vanessa

Confissão: pensava que O Projeto Blair Witch era um documentário

Em 1999 saiu um filme chamado O Projeto Blair Witch (The Blair Witch Project). Foi há 17 anos. Eu tinha 13 anos. O que soube do filme foi através do que li na internet, no computador da biblioteca, e do que li em revistas juvenis. O filme teve uma campanha de marketing que enfatizava uma suposta base real da estória.

Os criadores do filme, Daniel Myrick and Eduardo Sánchez, pegaram no conceito found footage (filmes em que as próprias personagens filmam os acontecimentos, por alguma razão; neste caso, para fazer um documentário) iniciado pelo controverso Cannibal Holocaust, de 1980, e popularizaram esse conceito. Mas houve mais.

Daniel Myrick and Eduardo Sánchez tiveram a brilhante ideia de fazer crer que aquilo que agora sabemos ser um filme era uma colectânea de vídeos encontrados no local onde as três pessoas que o filmaram tinham desaparecido e criaram um site com a informação dos supostos desaparecidos, com detalhes sobre o local, alegadamente assombrado por uma bruxa. O nome real dos actores até foi usado no filme. 

O site relata os factos como se tivessem mesmo acontecido, com fotos e informações divulgadas pelas "autoridades". A família da actriz principal chegou a receber condolências pela sua suposta morte. Lembrem-se que foi mais ou menos nesta altura que muita gente acreditou que andavam aí pessoas a criar gatos bebés em jarros (Bonsai Kitten) para que ficassem com formas estranhas, tudo por causa de um site.

Os criadores de Cannibal Holocaust chegaram a ser processados porque houve quem tivesse pensado que se tinham mesmo morto pessoas em frente às câmaras para fazer o filme. Com O Projeto Blair Witch não se sabia ao certo em que acreditar. A campanha de marketing foi inovadora e levou muitos espectadores às salas de cinema. Eu incluída. Eu pensava que ia ver um documentário a sério. O filme assombrou-me.

Só quando aluguei o DVD, anos depois, e vi os extras é que me apercebi que afinal era ficção. Antes disso tinha comprado um livro que falava dos acontecimentos como se tivessem sido verídicos. Mas ao ver os criadores a montar o cenário e a falar sobre os detalhes, senti-me estúpida e ao mesmo tempo fiquei fascinada.

O filme continua a ser para mim um clássico. Por mais sátiras que façam, o filme é mil vezes melhor do que muitos dos filmes de terror que têm saído. Agora é fácil fazer piadas sobre o filme, porque podemos vê-lo com as luzes ligadas enquanto estamos ao telemóvel. Experimentem ver o filme no escuro do cinema, com o som alto, enquanto acreditam que estão a ver um documentário de pessoas que passaram mesmo por tudo aquilo.

O Projeto Blair Witch nem sequer mostra a bruxa. Não se vê quase nada. Quase não há sangue. Quase não há sustos daqueles que nos fazem saltar da cadeira, que os realizadores modernos tão generosamente gostam de oferecer. Ainda assim, a construção do enredo, o desenvolvimento das personagens no ecrã, a afeição que se cria por elas e depois o desenrolar das cenas assustadoras criam um ambiente irrepetível.

Hoje em dia abusa-se dos "factos reais" e das "histórias verídicas" quando na verdade apenas um ou outro pormenor aconteceu. Há poucos filmes como o O Projeto Blair Witch. Os últimos que me fizeram sentir de forma semelhante foram o [Rec] ou o Actividade Paranormal (Paranormal Activity). São filmes de orçamentos considerados baixos para os padrões modernos, mas que fizeram uso da criatividade e da própria imaginação da audiência para assombrar e criar pesadelos, mas também gerar milhões de dólares.

Todos eles foram criados por realizadores e escritores e produtores que percebem que não há nada de mais assustador do que aquilo que a audiência não consegue ver, mas apenas ouvir ao de leve ou adivinhar pelas expressões assustadas dos actores ou ver apenas através do reflexo nos seus olhos.

Que um canto escuro ou um vulto pelo canto do olho são pesadelo maior do que uma criatura feia gerada por um computador. Que os sustos instantâneos, aqueles originados num gato que aparece de repente e/ou um som a decibéis indesejados, surpreendem, sim, mas não criam terror verdadeiro e não nos fazem levar o filme connosco para casa e pensar nele antes de ir dormir ou quando vemos sombras na parede. 

Que a antecipação desenvolvida pelo suspense e pela atmosfera carregada, que faz suar as palmas das mãos e que encolhe o estômago, que faz temer o que pode surgir, é o verdadeiro clímax de um filme de terror. Eu não quero ver um filme de terror para saltar da cadeira porque alguma coisa apareceu no ecrã e o som quase rebentou os meus tímpanos. Quero filmes de terror que me assombrem a imaginação.

Quero mais filmes que me façam acreditar que são documentários.

Vanessa

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Sev puri em Goa, bhel puri em Portugal

Sev puri (lê-se "show puri") é um tipo de snack muito apreciado na Índia. Consiste em pequenos puris ou pooris embebidos em molhos (chutneys), batata e lentilhas (dahl) esmagados, cebola, coentros e xéu.

Quando estive em Mobor encontrei um senhor que ou não percebeu o que eu dizia ou que de facto me deixou fotografar o processo. Há várias variantes deste snack, incluindo uma em que os puris são embebidos em molho e têm de ser consumidos à medida que os vendedores nos dão cada um. Este chama-se pani puri.
Pani puri significa literalmente água em pão frito. Basicamente leva batata e lentilhas, mas também uma quantidade generosa de sumo de tamarindo, além de outros molhos. O pani puri é doce e ácido e picante. O vendedor prepara cada puri individualmente e consome-se logo na altura. Cada puri deve ser colocado inteiro na boca, porque vem a escorrer de molho. Não dá para penicar, não. Mas assim sabe melhor.

O sev puri é mais reconfortante. Como se vê nas imagens, o vendedor tem ali lentilhas e um pedaço de batata cozida. Com uma colher esmigalha ambos e coloca-os dentro dos puris. Seguem-se os molhos, o xéu, cebola crua e coentros. Em Mumbai há muito mais variedade, com vendedores rodeados de possibilidades coloridas, que normalmente decoram no prato com preceito e algum espectáculo. Em Goa é mais simples. Pelo que vi, o sev e o pani puri são escolhas populares para o lanche. Haverá em Portugal alguém que faça isto?
Behl puri é uma mistura de arroz tufado com chutneys e outros acompanhamentos. Trouxemos de Goa uma mistura já preparada que pusemos à prova há pouco tempo. O pacote, da marca Garden, trazia uma embalagem de arroz tufado misturado com amendoins e xéu, e três molhos: um adocicado, um ácido e um picante. Misturámos tudo como fazem os vendedores e acrescentámos cebola e coentros. Não ficou nada mau e deu para matar saudades. O próximo a ir a Goa vai com certeza levar anotadas umas quantas encomendas disto.

Vanessa

Book Review | Waiting for Wednesday (Frieda Klein #3) by Nicci French

Two cases unravel in this third installment of Frieda Klein's series while she seems to fall in a downwards spiral of guilt, dread, unsolved cases, subtle connections and love. While the second book felt too fictional, with hard to believe coincidences, this one succeeded in transporting me to a world of real possibilities.

The first case involved a woman found dead in what seemed to be a burglary gone wrong. The second, a short detail in a tale that led to a mystery, then missing girls, then dots put together. All the while, Frieda followed the leads and tried to heal the wounded. It may seem vague, but it's hard to put all of this into words, into a story, without ruining the book's magic, which is made of tiny pieces of a giant puzzle.

That's what it felt like anyway. Although I did like the thrilling cases, all the intricacies and descriptions, this time, like a true friend, I felt like shaking Frieda Klein to make her snap out of her self-doubts and misery. It almost spoiled it all, her self-harmful ways, her self-neglect, her peculiar obsession, her dark passion.

This novel, much like the first one, was compelling to its core. As usual, Nicci French's writing feels like home. In fact, they almost have their own shelf in my library. I have almost all of their books and they had one thing in common: they never failed to deliver. They were never boring nor tiresome nor predictable.

All of their thrillers were really thrillers, with powerful, rich details and unique characters and gruesome cases and in-depth villains with perfectly reasonable, in their own madness, explanations.

It's hard to already be on Wednesday in the series. Saturday approaches. I'm wondering about Sunday, while I'm pacing myself not to read Thursday's Child just yet. Will I do it? I don't know.

No. I just read the summary of the next one. I cannot not read it now. Heading on to one more Frieda Klein story then. All the other books can wait in line for the next opportunity.


Vanessa

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Mr. Robot

O blogue pede-me para clicar num quadrado para comprovar que não sou um robô. Lembro-me que ainda há pouco tempo comecei a ver a série Mr. Robot. Vi poucos episódios, mas sei que vou gostar dos próximos. É uma série que não me faz sentir um robô. Mexe com as entranhas de quem percebe, a níveis não tão extremos, os pensamentos de Elliot, personagem principal. Isolamento, não conformismo, anti-capitalismo.

Mr. Robot tem como protagonista Elliot, um programador informático de dia e hacker activista de noite. Uma pessoa perturbada a tempo inteiro. Elliot fala com a audiência como se estivesse a falar com um amigo invisível. Muito do que conta Elliot faz lembrar teorias da conspiração. A série reforça subtilmente a minha ideia de que algures nessas teorias pode estar uma pontinha de verdade que não é levada a sério porque quem as conta é considerado louco e paranóico e esquisito. É uma mensagem paralela ao enredo principal.

Gosto das subtilezas da série e dos diálogos. Há muito que não gostava de diálogos na ficção. Gosto da estranheza das estórias. Gosto muito de Elliot. Do criador, Sam Esmail, tinha visto o filme Comet. É um daqueles filmes independentes que passa despercebido nos cartazes. Também gostei. Não há, na verdade, muito de que não goste na série. Quase nada. Estou à espera de ver mais para gostar melhor.

Vanessa

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Book Review | Lock In by John Scalzi

Set in an undefined future, John Scalzi's Lock In takes place in a world where a global pandemic called "the Great Flu" evolved into a state of complete paralysis named Haden's syndrome. About 1% of the population lost control over their bodies as a result of Haden's and some of them use people as Integrators to be able to live through someone else. In this world, cars self-drive and highly advanced gadgets are common in everyday life.

The plot starts with a brief introduction into this scenario, but little else is provided as we follow agent Chris Shane's first and second day on the job as an FBI agent. He is assigned to a crime scene where an Integrator is involved and some shady business is clearly going on. What follows is a series of legal procedures and a large amount of information without context or detailed explanation, but I feel it was intended.

One of the most interesting aspects of the plot is that besides being able to integrate, Hadens can also use android figures called threeps to roam around. Chris Shane is the poster child of such practice, which comes in handy in his line of duty, as the threep can be destroyed, but the mind that controls it stays intact.

The novel felt short for such implications. There are so many nuances to explore that it felt the book was not enough to go into detail and also cover a crime at the same time. Actually, even though I enjoy crime novels, the investigation part ot this book felt boring when there were so many other things I wanted to know about.

John Scalzi has a very peculiar narrative in which characters are not physically described as much as they are described by their actions. Gender, ethnicity, sexual preference is all up to interpretation. Chris can very well be a woman. Chris' partner can also not be a woman. Who knows? What was left for interpretation is one of the strong suits of this book. All the implications of one being able to integrate in another one's body to go through experiences otherwise impossible has many variables, the darker ones detailed in the novel.

I enjoyed this book, but felt it was too short. I wanted to know more about this world where androids are part of the society, but still viewed as outcasts in a way. I also wanted to know more about the way in which science advanced so much it was possible to implant things in the brain to have threeps be possible.

If you're interesting in reading this, you might also enjoy an article styled novella John Scalzi wrote. It's at Tor.

7/10

Vanessa

Já estamos em Setembro?

Voltei de Goa a 25 de Maio. Já estamos em Setembro. Nem uma vez fui à praia. Está bem. Não senti que fosse Verão. Deve ser do meu termóstato. Ando de camisola enquanto o resto das pessoas anda de blusa.

Não sei bem o que aconteceu nestes meses, tirando ter sido roubada, ter dado uns passeios bem bons, ter ido a uns eventos, ter visto uns filmes, lido uns livros e trabalhado. Afinal, fiz ainda muitas coisas.

Vem aí o Outono, que é a minha estação preferida, a mais produtiva e aquela com as melhores cores para fotografar. Infelizmente, este Outono não vou poder desfrutar de bebidas quentes na minha caneca de estimação, que me acompanha há mais de uma década. Estilhaçou-se um dia destes porque sou desastrada. Não sei como durou tantos anos quase intacta. Mas dei-lhe bom uso enquanto esteve inteira.

Nem era nada de especial. Nem gostava especialmente do desenho ou das cores. Mas era aquela. Há hábitos que uma pessoa nem se apercebe que tem. Ainda não tenho substituto regular para a caneca. Foi uma lição em termos de desapego, foi. Felizmente o café e o chá sabem exactamente ao mesmo.

Já se sabe que de Setembro ao final do ano é outro pulo. Não tarda já há por aí decorações de natal. Que o tempo passe rápido, está bem, mas que seja cheio de coisas boas como tem sido, com uma ou outra excepção.

Vanessa

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Abusos, desigualdades e problemas laborais

Abusos laborais sempre existiram. Afinal de contas, as empresas não ganharam tão má fama geral por acaso. Penso que seria interessante perceber como começou esta tendência de considerar o salário um privilégio e o ordenado mínimo a fasquia primordial e o ganho de experiência o ponto de partida para abusos.

Desde que foram divulgados casos de estagiários contratados através do programa de estágios profissionais do Instituto do Emprego e da Formação Profissional que foram convencidos a devolver ao patrão parte do seu salário que tenho pensado cada vez mais que a culpa é muito de quem se sujeita.

Já me tinha ocorrido, claro. Não existiriam constantemente anúncios de "emprego" abusivos se não existisse quem se sujeitasse. Há vagas que aparecem com tanta frequência nos sites de emprego que me levam a crer que há ali uma rotação incrível de pessoas que trabalham a troco apenas de experiência.

A desigualdade que situações destas geram é absurda. Quem tem condições para aceitar trabalhar sem ter condições desce a fasquia de todos. As implicações deste contexto geram casos como os daqueles que devolveram parte do seu salário debaixo da mesa, anúncios de emprego ridículos, como os de empresas que requerem estagiários em postos de responsabilidade, incluindo em cargos como o de CEO, e a ideia de que receber pagamento a troco de trabalho é secundário ou de que o horário pós-laboral é negociável.

Concordo com a existência de estágios curriculares se forem em contexto académico, como o meu foi, ou com estágios profissionais que incitem à posterior contratação dos estagiários. O que se vê de forma geral não é isso. O que se vê é que as empresas têm nos estágios uma forma de escape à responsabilidade.

Parte de nós não aceitar, mas aposto que sempre que pensamos em reivindicar direitos nos lembramos de que existem centenas de outras pessoas que aceitariam as mesmas ou piores condições. É esse o problema. Há sempre quem concorde com abusos, até porque mesmo os meios oficiais os permitem.

Como sempre ouvi dizer, o barato sai caro. As consequências são visíveis nas estatísticas da emigração, da qualidade de vida, do poder de compra, do índice de felicidade. Este último em especial. Há muitas outras nuances em tudo isso. Se recorrermos à história e observarmos os anos antes da queda de muitos impérios aparentemente prósperos vemos uma assustadora semelhança entre essas tragédias e a nossa sociedade. Primeira semelhança: ninguém tem tempo ou disposição para aprender com os erros dos antepassados.

Vanessa

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

À beira do mar em Cascais


Vanessa

Transcrição de áudio é uma profissão, sim


Transcrição de áudio consiste na audição e compreensão da palavra falada e na sua posterior escrita. Não é charmoso. Não é muito técnico. Não é elegante. Não é genial. Não está ultrapassado.

Não, ainda não há ainda software de reconhecimento de voz bom o suficiente para o fazer, da mesma forma que não há tradutores automáticos que traduzam com 100% de eficácia. Compreensão implica inteligência.

A maioria dos poucos jornalistas que conheço expressa desprezo pela transcrição. Não é a coisa mais entusiasmante das suas carreiras. Implica ter de ouvir novamente quem se entrevistou e passar horas a teclar.

Quando trabalhei em jornalismo adiava sempre a tarefa. Era frustrante. Mas andava ainda eu na escola e lembro-me de adorar transcrever, quando fazia parte do jornal da escola. Gosto do som das teclas.

Agora não é diferente. O som das teclas e as palavras a aparecer no ecrã são coisas reconfortantes, porque significam trabalho. A informação que aprendo todos os dias é o melhor bónus de sempre.

Embora não possa conversar sobre o que transcrevo por questões de confidencialidade, há muita informação geral que dá para extravasar, de questões filosóficas a metodologias e ferramentas de negócios, finanças, astronomia, história, paleontologia, medicina tradicional e alternativa, geografia, informática.

Na maioria das vezes, crio matéria-prima ou os primeiros esboços de algo. Apesar de a maioria do meu trabalho após a faculdade se ter centrado na transmissão de informação, histórias e estórias, agora sou o receptáculo e aparelho digestivo, o primeiro impulso na cadeia alimentar da informação e da comunicação.

Pode-se dizer que desci de posto nessa cadeia alimentar. Foi sendo sempre assim desde que saí da faculdade. Por incrível que pareça, o primeiro emprego foi quase o melhor em termos de condições, mas era um estágio profissional. O segundo emprego foi de certeza o melhor, porque era um contrato a sério.

Depois disso, as condições deterioraram-se. Até há cerca de um ano, quando descobri que há outras formas de fazer aquilo de que gosto, sem ter de me chatear tanto e respeitando o meu horário produtivo, que é quase sempre durante a tarde e à noite. Insegurança sempre existiu. Agora tem menos influência.

Há pouco tempo li num livro que temos dificuldade em liberdade que temos. É verdade, por várias razões. De entre lidar com a insegurança de um emprego tradicional e a insegurança do trabalho freelancer, prefiro a do trabalho freelancer. Sou uma das pioneiras do nomadismo digital, que sei que ainda vai dar muito que falar.

Vanessa

domingo, 28 de agosto de 2016

Book Review | Tuesday's Gone (Frieda Klein #2) by Nicci French

The second Frieda Klein novel felt like getting together with an old friend. Set one year after the events narrated in the first book, Tuesday's Gone was just as intense a read as Blue Monday. It's slightly longer though.

This time it was not a disappearance that prompted the events. It's a body discovered in the house of a woman with hoarding problems and a more serious mental disability that does. With the help of Frieda, the team of police investigators discovers new clues and people that lead to an unexpected outcome.

Although it was a pleasure to get back on the streets of London and follow Frieda again, I have to say there were was one particular that put me off and reminded me this is a work of fiction: the coincidences.

Frieda's personal problems, which give us insight into her mysterious personal and family life, get tangled with the investigation. It seemed far-fetched when it all unfolded. The twist was amazing though.

Most of the clues were not available to the reader, which was also something I would like to have. While there was an abundance of characters to follow, plus some of the characters from the first book, there were not many details a reader could have known to feel as though one helped solve the mystery.

I wish it had been more interactive this way. However, the plot involves the reader with uncertainty and unrest. Descriptions and character insights are rich and powerful as ever. One of Nicci French's many qualities.

I finished this one and wanted to keep being in the world of Frieda Klein. I almost grabbed the next book and started reading it without a pause. I thought it better to have a break though so I can appreciate it more next time and have a fresh mind for the mysteries to come. Nicci French deserve my full attention.

8/10

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Vanessa

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

#desafioaceite? Não.

Expliquem-me que diferença no mundo faz uma foto minha a preto e branco no perfil de uma rede social. Que diferença faz em especial no âmbito da luta contra o cancro? #desafioaceite (e "aceito" quando as pessoas não sabem escrever português ou pelo menos não sabem copiar/colar) é uma corrente virtual, mas não daquelas que nos trazem a morte ou o azar se ignorarmos. O azar pode chegar precisamente a quem adere.

Tudo começa com a mensagem: "A função deste desafio é colocares uma foto tua a preto e branco... A corrente humana embora virtual pela luta contra o cancro. Cola a tua e identifica os teus amigos. Desafia-os, tal como fiz contigo". É uma causa nobre, mas também uma forma de atrair os maus da fita da internet.

A Associação de Segurança Internauta espanhola já avisou que esta campanha é falsa e que é uma forma de facilitar o acesso ao email das pessoas. Quem está por detrás disto, não se sabe ainda.

Ao contrário do Ice Bucket Challenge ou o Desafio do Balde de Gelo, esta corrente nada faz, por enquanto, pela luta contra o cancro. Pode, sim, criar sensibilização, mas não está associada a nenhuma organização oficial ou a uma campanha humanitária real. É só mais uma corrente viral, como aquela outra em que as pessoas colavam no perfil uma mensagem porque alegadamente o Facebook ia passar a ser pago e a mensagem as isentava.

Dicas para não cair nestas correntes falsas:
1. Se não forem criadas por organizações reconhecidas, desconfiem.
2. Se forem desafios e correntes sem acções úteis, desconfiem.
3. Se forem virais, desconfiem.
4. Se apelarem aos sentimentos, desconfiem.
5. Se implicarem re-publicar mensagens, desconfiem.
6. Se forem criados sem justificação plausível, desconfiem.
7. Se surgir do nada, desconfiem.

Vanessa

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Introversão e timidez

Uma pessoa introvertida pode ou não ser tímida. Uma pessoa tímida pode ou não ser introvertida. Quando era mais nova tomavam-me por tímida. Na verdade era introversão. Passo a explicar.

O tímido pode ser envergonhado, sofrer de ansiedade social, ser inseguro. Os introvertidos que não são tímidos não têm problemas em interagir, mas se puderem escolher, escolhem a solidão.

O tímido não lida bem com grupos de pessoas. Há sempre o receio de se tornar o centro das atenções. Para o introvertido, a multidão é sinónimo de muita confusão. È preciso um certo estado de espírito para isso.

O tímido não gosta de falar presencialmente nem por telefone, mas por insegurança ou embaraço. O introvertido muitas vezes não gosta de falar porque não vê objectivo em conversa fiada ou superficial.

O tímido não gosta de estar com pessoas e sente-se mais confortável em ser anti-social. O introvertido mais depressa é extremamente selectivo do que anti-social, mas às vezes pode ser os dois.

O tímido prefere não interagir para não ter de lidar com a ansiedade. O introvertido muitas vezes até gosta de interagir, mas precisa de tempo sozinho antes e depois para se preparar e depois para se revigorar.

Vanessa

O que são memes?

São geralmente imagens que se tornam icónicas e virais na internet, com legendas normalmente num tipo de letra chamado Impact, legendas essas que variam mas que se adequam às imagens de forma habitualmente hilariante. O humor faz quase sempre parte dos memes. O termo foi cunhado por Richard Dawkins para representar algo com um comportamento semelhante ao gene, mas num contexto cultural. Exemplos:

Desafio Aceite
Quando alguém te diz que não consegues fazer alguma coisa.

O virar da mesa
Quando alguma coisa te irrita.

LOL
Quando alguma coisa tem muita piada.

Há memes com fotografias de pessoas, algumas delas famosas, algumas delas primeiro anónimas e depois famosas quando os memes se tornam virais. As imagens representam estados de espírito, questões universais, piadas secas ou formas de estar. As expressões das pessoas muitas vezes ditam o tom da mensagem, da mais agressiva à convencida, passando por desconsolo ou raiva. O cenário também acrescenta conteúdo.

Problemas de Primeiro Mundo

Atrevimento

Expressão Diabólica

Constatações Óbvias

Sucesso

Há centenas de outras imagens, a maioria delas com legendas em inglês. Estas criei-as eu num gerador de memes. Podem usá-las, se quiserem. Confesso que em inglês têm outra piada. Mas consigo pensar numas quantas personalidades portuguesas que ficavam muito bem com umas legendas irónicas.

Vanessa

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Ponte de Sor: este disse isto e aquele disse aquilo

Uma notícia vende melhor quanto mais controverso é o caso. É o que tem acontecido com os eventos em Ponte de Sor. Na semana passada, Rúben Cavaco de 15 anos, foi alegadamente agredido pelos filhos do embaixador do Iraque em Portugal, gémeos de 17 anos, e os ferimentos levaram a que lhe fosse induzido o coma.

O caso está a ser esmiuçado pelos meios de comunicação, porque os relatos não coincidem, os envolvidos são menores e estavam na rua às duas da manhã e os gémeos, Haider e Ridha Ali, têm imunidade diplomática. A julgar pelas últimas notícias, há muito por contar, mas nada que por enquanto se garanta ser verdade.

Os títulos são feitos de diz-que-disse e de detalhes que ainda não são possíveis de confirmar. Como sempre, a opinião pública começa já a fazer julgamentos com aquilo que vai saindo. Haider e Ridha Ali deram uma entrevista, sim. Não é por isso que temos de escolher um lado ou o outro. Ainda é cedo.

Rúben Cavaco já não está em coma. Os gémeos colaboraram com a polícia. O seu pai já se manifestou. Até o presidente da república comentou. Agora é preciso aguardar porque, como disse à Lusa o advogado do jovem agredido, Santana-Maia Leonardo, "justiça é mais lenta do que a comunicação social".

Por alguma razão será. A velocidade nunca andou de mãos dadas com a qualidade ou até com a veracidade. Felizmente a nossa comunicação social não está habituada a lidar com casos assim. É sinal de que não são muitos. Por isso mesmo, podiam ser mais cautelosos com o que publicam.

Vanessa

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Aquele em que ela divaga sobre livros

O meu acumular de livros tem uma explicação além da ganância. Um, já que tenho estantes, tenho de as vergar e tombar com o peso de todos os livros que adquiri na vida usar. Dois, já que os comprei ou me foram oferecidos, fico com aqueles de que gosto mais. Três, todos eles são símbolos de bons e maus momentos, de aprendizagem e de prazer, de fases ou de transições ou de preferências, da minha própria evolução como pessoa.

Há um problema nisso de ficar com os de que gosto mais. Aprendi a ser muito eficiente na escolha de livros e autores. É raro errar. Tem vindo a ser raro desde os meus 18 anos. Portanto, já são mais de 10 anos disto. De certeza que comprei o equivalente a mais de um livro por mês. Isso dá 120 livros numa década. 

É raro emprestar livros, porque a maioria dos meus amigos leitores não lê em inglês. Dei alguns livros de que não gostei, mas não o suficiente para compensar aqueles que vêm habitar o meu quarto. Tenho no Facebook alguns livros desesperados por encontrarem novos lares, mas ninguém os quer. Troquei alguns deles por outros num ou outro grupo de trocas e espero um dia voltar a fazê-lo porque vou começar a precisar de espaço.

Porque continuo a adquirir livros e vou continuar enquanto existirem. Não tenho uma biblioteca perto de casa nem preciso de sair de casa para trabalhar, por isso também não passo por nenhuma. Por outro lado, compro livros baratos e que me vêm parar a casa. São em segunda mão, a maioria. Já têm marcas de guerra.

Eu gosto de ter todos os meus livros preferidos por perto. Tenho muitos preferidos. Tantos que as minhas prateleiras já não são horizontais porque toda a sua superfície tem de ser ocupada e o peso tem consequências. Tenho pilhas de livros em outros lugares que não as prateleiras. Enfim.

Não confio em pessoas que conseguem nomear "O" seu livro preferido. Há tantos e tão bons que não é possível escolher apenas um. Ao menos que nos deixem escolher um por género. Nem assim conseguiria.

A minha biblioteca é um reflexo de mim. Durante muito tempo, os livros estiveram arrumados pela ordem em que os li. Isto é, um caos. Já pus um pouco de ordem, mas sem muito afinco. Há espaços dedicados a autores de que gosto muito porque tenho quase todos os seus livros e gosto de os ver juntos. Há outros onde há um género definido e outros onde só há livros em português independentemente do seu género.

Tenho mais livros em inglês, porque sai mais barato lê-los na língua original do que comprar a versão traduzida. Além disso, há muitos mais autores a escrever em inglês do que em português. O nosso mercado parece tão pequenino e às vezes até elitista. Gostava de ler mais em português, mas até por questões profissionais, opto por ler em inglês na maioria das vezes. A maioria do meu trabalho é em inglês.

Há palavras que apenas li e nunca ouvi. Quando oiço uma palavra que apenas conhecia por tê-la lido, fico feliz, especialmente se a pronunciei bem na minha mente. Se não fosse a minha constante leitura em inglês não teria conseguido a maioria do trabalho que faço, em transcrição, a maioria em inglês.

Sou proficiente e razoavelmente rápida e distingo palavras homófonas em diversas áreas, o suficiente para saber que edge não se adequa quando se fala em funds, porque em financês diz-se hedge funds, ou que your é possessivo e you're é uma contracção, ou que o contexto dita se devo escrever arms ou harms, brake ou break, serial ou cereal, coisa que as máquinas não conseguem fazer da mesma forma que os humanos.

Todos os meus livros simbolizam o que aprendi, até aqueles que ainda não li. Tenho na memória centenas e centenas de palavras e não sei o que significam muitas delas. Há algumas que tenho de andar sempre a procurar no dicionário, porque a minha memória as apaga. Há outras que quase me dão arrepios de tão bem que me soam. Saudade, palimpsesto, imbróglio, rúbeo. Luscious, serendipity, oblivion, unleash.

Olho para os livros e vejo mais além da capa, das páginas, da tinta. Vejo palavras, vejo pessoas que a minha imaginação pintou, vejo cenas completas que me assombram. Se estou a fazer alguma coisa particularmente aborrecida, olho para as lombadas e tudo passa. Gosto de percorrer os dedos pelos títulos.

Não sou aquele género de pessoa que repudia livros electrónicos ou áudio e fica escandalizada quando mos recomendam. Estou resignada. Um dia poderão ser a única opção. Mas agora não.

Também já fui extremamente cuidadosa com os livros. Chegava a abri-los em ângulos de 45 graus para não marcar as lombadas. Nunca comia perto deles. Cobria as capas para não ficarem marcadas. Isso dava muito trabalho e era enervante. Agora tenho orgulho nas marcas dos meus livros. Perdi quase todo o esmero pela forma. Valorizo o conteúdo, a experiência. Abro-os completamente e sinto os vincos. Só continuo a não gostar de pontas dobradas ou de virar completamente um lado para ficar apenas com a página em que estou.

Os livros são a melhor e mais preciosa invenção do ser humano. Logo a seguir vem a internet. Os que vêm a seguir a nós vão ter tanta sorte. Já acumulámos muito e muito boas coisas.

Vanessa

Book Review | Sharp Objects by Gillian Flynn

I'm a Gillian Flynn addict now. It started with Gone Girl, both the book and the movie script. Both brilliant. Now Flynn's debut novel, Sharp Objects. A sharp read indeed. Now I'm fangirling so hard.

You know you're about to embark on a thriller ride when a debut novel rocks a Stephen Kind review on the back cover. Written in red. "An admirably nasty piece of work," was one of the things he wrote. I agree.

I read this book in less than three days, picking it up whenever I had time to spare and even when I didn't.

Where to begin? Sharp Objects is a first person account where journalist Camille goes back to her hometown to report on a murder and a disappearance. As soon as you get to know Camille, you notice some odd behavior, which then is explained as the plot unfolds. The girl has issues. Getting back home doesn't help.

The novel enveloped me in a sense of dread hard to shake off. It sticks. Maybe the visuals, the vivid descriptions and alliterations, are to blame. They are dark and poignant, especially because they are described in an objective way, as if all of it is normal to Camille. It added to the imagery. It made it all seem morbidly intriguing.

I would recommend Sharp Objects to anyone who enjoys crime novels, thrillers and even horror stories. This book will, I know, haunt me. I know I will keep reading novels with similar themes and compare them to this one. This one will probably be my personal benchmark for contemporary thrillers from now on.

Thank you, Three Rivers Press for including a mention about the font used in this book. I was wondering about it from the beginning and it was a nice surprise to see a note about it at the end. Bauer Bodoni is great.

10/10

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Vanessa

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Núcleo de Interpretação da Duna da Cresmina, Cascais

Quem diria que as dunas são uma coisa tão bonita de se ver? O Núcleo de Interpretação da Duna da Cresmina, Cascais,  "é um espaço criado com o objetivo de dar a conhecer a fauna e flora únicas associadas ao sistema dunar Guincho-Cresmina", diz a Câmara Municipal de Cascais no seu site. Aconselho vivamente a visita.

Juro que estive para publicar apenas algumas das fotos a dizer que tinha visitado o deserto do Saara. Mas acho que este local merece estrelato. Os passadiços são confortáveis para se caminhar e a informação disponível é interessante. Fiquei a conhecer a raiz-divina e a sabina-das-praias, plantas que desconhecia.

Fiquei a saber que as dunas são ecossistemas frágeis, mas cruciais e que este, por exemplo, "avança na direção norte-sul, em alguns sentidos, cerca de 10 metros por ano". Pela sua fragilidade, esperava encontrar mais vigilância. Alguns dos visitantes são tão simpáticos que deixam por ali os presentes dos seus cães. Alguns não hesitam em ignorar os passadiços e caminhar pela areia como se estivessem na praia.

Críticas à parte, gostei da visita e tenciono voltar lá regularmente para ver a evolução da paisagem. Para já, fiquem com as fotos que tirei. Adoro as cores outonais da Duna da Cresmina. Até gosto do nome.

Vanessa