segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Enciclopédias e dicionários: 7 razões para continuar a usá-los

A 6 de Agosto de 1991 foi para o ar a primeira página web. Foi aí que começou a revolução digital. Em 25 anos a forma como acedemos e partilhamos informação mudou e passámos todos a fazer parte de uma rede onde não só desfrutamos de conteúdos, como também somos e criamos conteúdos. Nas aulas de jornalismo discutimos essa célebre transição de átomos para bits desenvolvida por Nicholas Negroponte.

Há uns 15 anos, se não me lembrasse deste nome, teria de ter vasculhado as minhas notas ou uma enciclopédia. Hoje, bastaram-me dois ou três termos de pesquisa numa enciclopédia virtual e em segundos cheguei onde queria. É essa rapidez que nos tem beneficiado nestes 25 anos que passaram. Tudo óptimo, não?

Mais ou menos. A internet criou dois problemas: abundância e falta de qualidade. É por isso que sim, dicionários e enciclopédias ainda podem ter algum uso. São pesados? São. Ocupam espaço? Sim. Não são tão práticos como a internet? Pois que não são. São caros? Se são. Então que razões existem para continuar a usá-los?

Antes de poder desfrutar dos primórdios da internet, tive de passar horas em bibliotecas. Cheguei a entregar trabalhos de escola escritos à mão ou numa máquina de escrever. Carreguei volumes de um lado para o outro. Enchi blocos de notas com informação. Perdi informação porque um papel ficou no meio de algum livro ou porque entornei uma bebida em cima dos papéis. Fiquei com um calo num dos dedos de tanto escrever.

Tenho saudades desses tempos, por estranho que pareça. Porquê? Pela mesma razão pela qual devíamos continuar a usar enciclopédias e dicionários de vez em quando ou pelo menos aprender a manuseá-los.

1. Eles ainda existem. Apesar de algumas editoras terem descontinuado a publicação de enciclopédias, as anteriores habitam o nosso mundo e os dicionários também. Temos de usá-los para que não ganhem pó. Temos de preservá-los porque se há um apocalipse informático, ficamos sem outra opção.  Vá, é um argumento pouco racional, mas tenho um carinho especial por livros, por átomos. No fundo, enciclopédias e dicionários são artefactos que concentram a história da humanidade tanto na forma como no conteúdo.

2. Excesso de informação na internet às vezes é um problema. Se não soubermos de sites fidedignos, temos de passar muito tempo a filtrar. Por exemplo, os meus dicionários de sinónimos são extremamente úteis por isso mesmo. E há palavras arcaicas que são mais fáceis de encontrar nas páginas dos dicionários que ainda tenho. Por outro lado, já encontrei em enciclopédias físicas informações que não encontrei na internet, com fontes citadas e tudo. Já procurei informação na internet e apeteceu-me arrancar os cabelos com tanto que havia para filtrar.

3. A origem da informação na internet também deixa muito a desejar. Quem é que nunca encontrou por aí citações mal atribuídas, factos contraditórios, detalhes mal explicados? É por vezes difícil perceber a identidade do autor. Será que é um especialista ou um troll? Há tantos estudos que há uns que dizem uma coisa e outros que provam exactamente o contrário. As enciclopédias e os dicionários são mais seguros nesse aspecto e podem existir ocasiões, que compensem o esforço de lamber papel, em que valha a pena confiar neles.

4. Contaminação e desinformação andam de mãos dadas com aquela coisa chamada privacidade, que tantas vezes nos leva a pensar que anda por aí alguém ou alguma coisa a monitorizar a internet. Da mesma forma que quando pesquisamos um detalhe, uma marca ou uma pessoa vemos anúncios publicitários que vão ao encontro da nossa pesquisa, há pela internet muita falta de objectividade e informação que ao ser partilhada, serve os interesses da pessoa ou entidade que criou ou originou a informação.

E da mesma forma que as enciclopédias e os dicionários sofrem do inconveniente de não poderem ser actualizados da mesma maneira que pode ser actualizada a informação online, esses artefactos de um passado não tão distante acabam por isso por ser mais seguros, pois nenhuma entidade anónima anda por aí a editar a informação que contêm. Sim, soa a teorias da conspiração, mas há algumas que fazem sentido.

5. Informação em papel cria mais empatia. Correndo o risco de fazer aquilo que cito no ponto anterior e usar certos estudos a favor do meu argumento, a informação num livro mostra benefícios em detrimento da informação digital em termos de concentração e memorização, por exemplo. Vou aqui extrapolar e dizer que provavelmente a experiência de usar uma enciclopédia ou um dicionário poderá ser benéfico nesse sentido.

6. A experiência ajuda muito. Muitas ideias surgiram em trabalhos de grupo quando nos reuníamos na biblioteca, com os livros espalhados pela mesa. Embora seja uma opinião pessoal, vou usá-la como argumento: duvido que miúdos a teclar nos seus aparelhos tenham a mesma experiência que eu tive nos meus tempos de escola, quando comparávamos informação em enciclopédias. Somos seres sociais e temos melhores ideias em ambientes de empatia do que a olhar para ecrãs. Não vou procurar nenhum estudo para confirmar isto.

7. Mais concentração. Quando usamos um aparelho ligado à internet é difícil não estarmos ligados a várias coisas ao mesmo tempo. Da mesma forma, não estamos tão concentrados numa só tarefa e por isso não damos 100% da nossa mente a um só objectivo. Nesse sentido, nada foca mais a mente do que observar informação em átomos, numa folha de papel, quando não há influências digitais para nos perturbar e sons de notificações a chatear. Sim, temos a opção de desactivar o que nos distrai e há aplicações que nos ajudam a focar, mas se olharmos para os pontos anteriores percebemos que se calhar voltar a tempos idos não é tão má ideia.

Em conclusão, eu sou uma pessoa privilegiada porque aprendi a procurar informação em enciclopédias e dicionários, mas desfruto hoje de uma forma mais instantânea e abundante para o fazer e não preciso de escolher uma forma ou outra. Posso usar as duas. Uma das lições mais importantes que aprendi com as aulas de história, disciplina que sempre adorei e me levou a manusear muitos livros, é que à medida que o ser humano vai inovando, vamos podendo desfrutar da acumulação de todas as aprendizagens. Agora temos muito e podemos usar muito. Temos por isso obrigação de produzir muito e melhor.

Vanessa

domingo, 7 de agosto de 2016

The Best Place To Stay In Mobor, Goa

Goans know the Portuguese term sossegado and you can see it in many places as a way to describe quiet, relaxed spots. Mobor in Goa is exactly that, but with a pinch of entertainment in the form of restaurants and bars, souvenir shops, a river and a beach, all within walking distance if you know where to stay.

One can find cheap places to rest in Mobor, with the cheapest price being 16 euros per person per night, from what I've seen. There are many hotels in Mobor though and most of them charge European rates. 

Of course, you do pay for quality in Goa, as in any place in the world. That's why I was so amazed to find this self-catering apartment in the center of Mobor, right near other hotels and resorts.

I do know the owner, but being objective here, this is a great deal. This is a two bedroom apartment, with a kitchen and living room with an average rate of 369 dollars or 332 euros per week. If you do the math, that's less per day than what most hotels in the area are charging and you get a whole apartment.

It's great for families and a group of friends, for example. Sandy, the owner, is a Scottish woman who is the nicest hostess and fellow reader. I had the pleasure to meet her in Goa and stay at this apartment. 

She was also kind enough to share with me her favorite books and a couple of great soirees, talking about movies, books, news and life in general. She also showed me great places in Mobor, which I would not find by myself. There are some hidden gems there. I will save that for later and I'm going to show you her apartment.
In case you missed the link above, here it is again. It's the TripAdvisor where you can check the availability and detailed rates, and also contact Sandy. This last photo shows the location.

Vanessa

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Poderão vir aí dias difíceis para o cinema

Steven Spielberg previu em 2013 que poderíamos presenciar uma implosão da indústria do cinema se muitas produções milionárias fossem um fisco nas bilheteiras. Nos cinemas americanos, o preço dos bilhetes duplicou entre 1995 e 2015, e por isso já não há tanta audiência. Ainda assim, nunca houve tantas exibições de longas-metragens que  custaram milhões a ser produzidas. Também nunca houve tantos fracassos de bilheteiras.

A crer nas notícias, 2018 vai ser um ano fantástico e ao mesmo tempo terrível para os fãs de filmes. Estão previstos 40 grandes produções para esse ano com quase 20 a serem lançadas no espaço de uma semana. Avengers: Infinity War, Pacific Rim 2, Toy Story 4, Deadpool 2, Black Panther, The Flash, Jurassic World 2, Tomb Raider, Alita: Fantastic Beasts And Where To Find Them 2, Maze Runner: The Death Cure são só alguns dos filmes a estrear em 2018. AInda vamos a tempo para juntar fundos para todos eles, mas...

Nunca o cenário traçado por Spielberg esteve tão perto de acontecer. É caso para perguntar se as produtores de cinema andam loucas. Por mais que se estejam a virar para outros mercados, especialmente o asiático, onde a classe média está em expansão, os mais recentes filmes que não se deram lá muito bem nos cinemas mostram que não é possível agradar à audiência do mundo inteiro. Os filmes andam cada vez mais explosivos, cheios de efeitos especiais e com diálogos aborrecidos, simplórios e feitos a partir da mesma receita de sempre.

É óbvio que filmes americanos que queiram agradar outras audiências têm de puxar a complexidade do diálogo para os efeitos especiais e para as tiradas básicas, caso contrário correm o risco de que públicos não nativos não compreendam totalmente o enredo. A meu ver, é esse um dos aspectos que tem desanimado o público nativo e até o português, que nós cá somos bons faladores da língua inglesa e temos bons tradutores e legendadores.

A meu ver, as produtores norte-americanas de cinema estão em modo de auto-sabotagem. Sou consumidora frequente da sétima arte em língua inglesa, mas também eu estou em modo de sabotagem. Por exemplo, tenho-me recusado a ver últimas partes de trilogias se elas são transformadas em quadrologias e não tenho pudor em recusar-me a ver sequelas e precedentes se as produtoras decidem cortar na qualidade.

A continuar assim, vou ignorar muitos dos filmes que vão sair em 2018. Aliás, sou capaz de não ir vê-los ao cinema. Posso ser a única, mas ao menos não vou ficar muito mais pobre.

Vanessa

O Magnum mais piroso de sempre

Ir à Magnum Pleasure Store é daquelas coisas que tem de se fazer uma vez na vida em Lisboa. Primeiro enfrenta-se a fila interminável. Depois o calor da loja em si. Depois a simpatia dos funcionários. Se tivermos sorte. Já ouvi pessoas queixarem-se. Depois o preço. 3€ não é simpático, mas vá, é uma experiência. Depois a indecisão. Escolhe-se o chocolate (branco, chocolate ou negro) e três condimentos (eu escolhi coco ralado, raspas de chocolate branco, rosa cristalizada e flocos dourados porque o funcionário foi generoso ou distraído), depois o tipo de chocolate para o toque final e depois aguarda-se que a mistura solidifique. Ei-lo:
Ficou uma piroseira, mas quando é para se experimentar uma coisa nova, vai-se com tudo, não é verdade? Eu cá contentava-me com um mini ou coisa do género e cheguei a perguntar se havia pelo menos daqueles já feitos, mas não. Depois de terem o gelado feito, preparem-se para os flashes. É tudo a tirar fotos ao seu, em grupo ou em selfie. Deve ser por isso que uma loja daquele tamanho não tem espaço para mesas e cadeiras. Mas de pé uma pessoa sempre queima mais calorias. Quantas estão na foto? Umas 1000?

Vanessa

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Celebridades anónimas I

Tenho a minha Canon EOS 500D desde Outubro de 2012. Foi a única coisa positiva que saiu da minha primeira, e esperemos última, experiência num call center. Desde essa altura tenho levado a dita a passear. Não tanto como gostaria, mas dentro dos possíveis. Uma das coisas que a minha lente gosta de captar são pessoas, especialmente quando estão distraídas. O meu lado voyeur enche os meus arquivos com fotografias de pessoas que são para mim celebridades anónimas. Decidi torná-las agora um pouco mais famosas ao publicar estas imagens.
@Praça do Comércio, Lisboa. Ponderei pedir ao senhor para se desviar um bocadinho, para se poder ler a frase melhor. Mas ele parecia tão confortável, que lá o deixei estar.

 @Belém. Tão compenetrado com o seu livro. Adoro fotografar leitores.

@Belém. Nada como ler notícias na relva.

 @Belém. Tardes de ócio. Lembro-me de gostar da ideia de dormir ali.

 @Belém. O quarteto fantástico.

@Belém, Pastéis de Belém. Não sei se ainda lá trabalha, mas tem mãos de fada.

 @Belém. Não fui a tempo de me desviar. Fiquei para sempre com um retrato deste senhor.

@Mercado de Campo de Ourique, Lisboa. Perguntei-me há quantos anos vende fruta.

@Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa. Lá estava, no seu mundo.

 @Jardim Visconde da Luz, Cascais. Uma volta no carrossel.

 @Cascais. A senhora vendedora.

 @Praia da Ribeira de Cascais. A meditar.

@Praia da Ribeira de Cascais. Junte-se com a foto anterior e dá uma estória de amor.

 @Cascais. A senhora e o seu cão.

 @Cascais. Fiquei fascinada com os tons dourados do bronzeado.

 @Cascais. O primeiro bulldog francês quase totalmente preto que vi na vida.

 @Baía de Cascais. Os meninos corajosos a mergulhar no molhe.

 @Sintra. Tem um ar idoso, mas é veloz.

 @Lagoa Azul, Sintra. Gosto de cenas bucólicas.

@Algures no Maranhão. Naquela noite houve peixe fresco para o jantar.

 @Algures no Maranhão. Retrato de família.

 @Peniche. Um homem corajoso num dia de mar revolto.

@Cabo da Roca, Sintra. Gosto de pensar que assisti a um pedido de casamento.

Se conheces ou és uma destas celebridades, deixa um comentário. Se és uma destas celebridades e preferes manter-te anónimo, deixa um comentário também para eu retirar a tua foto e/ou enviá-la por email.

Vanessa

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Ler livros pode trazer longevidade

A leitura de livros tem um efeito protector que vai para além do estatuto social, da etnia, da educação, do género ou da saúde, diz este estudo que analisou dados de 3635 participantes num estudo norte-americano sobre saúde. Comparativamente aos participantes que não leram, aqueles que leram até três horas e meia por semana tinham 17% menos probabilidades de morrer nos 12 anos seguintes, percentagem que sobe para 23% para aqueles que leram mais do que três horas e meia por semana. Os dados referem-se à leitura de livros.

Tenho para mim que o melhor será não lerem sentados, porque está indicado em vários estudos que muitas horas sobre o traseiro aumentam os factores de risco para uma morte prematura. Mas se a leitura de livros aumenta a longevidade, está quase garantido que vou passar a barreira dos 100 anos de vida. Como se vê, a leitura de livros aumenta em muito o bom-humor e a imaginação de uma pessoa.

Vanessa

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Nervos gramaticais

Erros ortográficos dão-me um arrepio na espinha.
Más conjugações são coisa do demónio.
Concordâncias que discordam fazem mal a esta alminha.
O mau português causa-me pandemónio.

Falta-me paciência para a má escrita.
Não tenho tolerância para falta de acentuação.
Tudo isto me deixa a cabeça frita.
Abrir as redes sociais até causa aflição.

Já se escrevia mal antes do acordo ortográfico.
Agora ainda é pior e ninguém se entende.
Os erros já são fenómeno geográfico.
O português anda mal e o pessoal não aprende.

Vírgulas e pontos finais são simples de usar.
Quem só usa maiúsculas precisa é de um megafone.
Há dicionários na internet, é só procurar.
Não é desculpa o teclado do telefone.

O português é um sistema complicado.
Mas há que escrever com algum brio.
Simplificar as frases ajuda um bocado.
Depois basta ler de fio a pavio.

Fez sentido ou ficou esquisito?
Se calhar podia melhorar a gramática.
Basta querer escrever bonito.
Para o resto é só juntar prática.

Ler um livro de vez em quando ajuda.
Vá lá, não sejas preguiçoso.
Se nada fizeres, o mau português não muda.
Um sujeito mau escritor torna-se duvidoso.

Sem comunicação não há economia.
Por isso, vamos todos ajudar Portugal.
O saber nunca é em demasia.
Escrever bem nunca fez mal.

Vanessa

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Coisas que o meu telemóvel viu em Goa II

Fins de tarde de ócio na praia.

Biryani e fried rice de tudo e mais alguma coisa. Sempre bom.

Pacotes de 10 rupias de coisas para petiscar.

Skylark Resort em Colva. Um paraíso descoberto por acaso. Ao lado tem uma loja com livros a 50 rupias, objectos e roupas usadas e produtos de higiene e beleza deixados por turistas, vendidos a preços simbólicos. O dinheiro reverte para uma organização de ajuda aos animais.

Garlic naan e cerveja Kingfisher. Foto tirada na noite da passagem de ano 2015-2016.

Na mesma noite, uma massa chinesa que deixou muito a desejar. A comida chinesa é popular em Goa, mas não muito popular na minha opinião. Sempre muito cozida e gordurosa.

 Umas 200 rupias deixadas no KFC, só para experimentar. Sabor igual ao do KFC português.

 Papaias enormes, doces e sempre sumarentas.

 O rio Mandovi, cor de aço, a perder de vista.

 Batata vada com chutney e poori bhaji.

 Um dos Thalis do Cafe Tato, onde provei os melhores Thalis em Goa.

 Pessoas a desfrutarem do mar com roupa.

Coisas incompreensíveis escritas em inglês.

 Comida com cores nada naturais.

 Um mar revolto a tentar lançar-nos à água.

A parte não acessível ao público de uma banca de comida em Cansaulim.

 A praia de Velsão, sempre quase deserta.

Coisas que o meu telemóvel viu em Goa I

Vanessa